Executivo 11:51

Cruz Vermelha operou contrato de quase R$ 1 bilhão com o governo da Paraíba

Instituição alvo da Operação Calvário tem maior parte dos contratos investigados firmados na Paraíba

A Cruz Vermelha do Brasil – Filial Rio Grande do Sul tem firmado na Paraíba a maior parte do montante investigado no bojo da Operação Calvário. Ao todo, o grupo movimentou R$ 1,7 bilhão de contratos firmados entre 2011 e 2018. Deste montante, R$ 930 milhões são fruto do contrato com o Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. O empresário Roberto Kremser Calmon foi preso na manhã desta sexta-feira (14), na capital. Ele é um dos 11 alvos dos mandados das prisões preventivas que levaram toda a cúpula da instituição para a cadeia. Ao todo, o grupo teria desviado R$ 15 milhões de recursos públicos nos contratos, segundo estimativa prévia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A ação conta ainda com as colaborações dos ministérios públicos da Paraíba e de Goiás.

Procurada pela TV Cabo Branco, a assessoria do Hospital de Trauma informou que acaberá à Cruz Vermelha dar justificativas ao Ministério Público e não ao Estado. O contrato com o governo da Paraíba, reforça a nota, foi firmado em 2011 e renovado em 2012. No ano passado, em nova licitação, a instituição foi vencedora. O contrato atual tem duração até meados do ano que vem. No ano passado, de acordo com o Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres), do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a empresa recebeu R$ 152 milhões como fruto do contrato. A gestão do Hospital de Trauma, vale ressaltar, é feita via Organização Social, a cargo da Cruz Vermelha.

A prisão dos dirigentes da Cruz Vermelha ocorreu no mesmo dia em que foi publicado no Diário Oficial do Estado uma lei de autoria da deputada estadual Estela Bezerra, que reconhece a instituição Cruz Vermelha do Brasil – Filial Paraíba como de utilidade pública. O benefício corresponde a um dos passos para transformar qualquer empresa em filantrópica. Como tal, ela conseguiria angariar benefícios como a redução do pagamento de impostos. Um fato que ganhou dimensão recentemente, ainda sobre o assunto, é o fato de a ex-presidente da Cruz Vermelha na Paraíba ter ocupado, também, o cargo de chefe de gabinete de Estela, Mayara de Fátima Martins de Souza. Ela, no entanto, não é alvo da operação.

O objetivo da ação foi a prisão do empresário Daniel Gomes da Silva e outras 10 pessoas acusadas de desviar ao menos R$ 15 milhões de recursos públicos em contratos firmados junto a unidades de saúde. O principal alvo da operação foi a prisão do empresário Daniel Gomes da Silva e outras 10 pessoas acusadas de desviar ao menos R$ 15 milhões de recursos públicos em contratos firmados junto a unidades de saúde.

Ao todo, 22 pessoas que integram a suposta organização criminosa foram denunciadas junto à 42ª Vara Criminal pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Além dos 11 mandados de prisão, serão cumpridos 44 de busca e apreensão por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), com o apoio da Delegacia Fazendária (DELFAZ/Polícia Civil), da Polícia Federal, do GAECO do Ministério Público da Paraíba e do Ministério Público de Goiás. Os mandados estão sendo cumpridos na capital, em Duque de Caxias, Itaboraí, Nova Friburgo, além dos estados de Paraíba e Goiás.

De acordo com a denúncia apresentada à Justiça, a organização comandada por Daniel Gomes da Silva utilizava a filial da Cruz Vermelha Brasileira situada no Rio Grande do Sul (CVB-RS) para operar em diversos estados, inclusive no Rio de Janeiro, na administração de unidades de saúde. A partir desta atividade, superfaturavam contratos e desviavam recursos. A organização também operava a filial da Cruz Vermelha Brasileira em Sergipe e o Instituto de Psicologia Clinica, Educacional e Profissional (IPCEP).

Entre 2011 e 2018, as entidades tiveram acesso a mais de R$ 1,7 bilhão em recursos públicos para a gestão de unidades de saúde em quatro estados do país, incluindo o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. A partir de agosto de 2015, a organização fez contratos no Rio de Janeiro no valor de R$ 605 milhões para a gestão de unidades como o Hospital Municipal Albert Schweitzer, na capital; o Hospital Estadual dos Lagos, em Saquarema; o Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama; e UPAs (Engenho de Dentro, São Pedro da Aldeia, Itaboraí, Magalhães Bastos e Botafogo).

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