Executivo 12:43

Paraíba: PMDB vive síntese da música ‘Já sei namorar’, do Tribalistas

Apesar de envolvido nas crises nacionais, partido é disputado “à tapa” por Cartaxo e Ricardo

Luciano Cartaxo posa para foto ao lado de Manoel Júnior e Mangueira na transmissão de posse. Foto: Divulgação/Secom-JP

O PMDB, na Paraíba, é o único partido que morre de dizer que vai ter candidatura própria e, mesmo assim, é disputado como massa de apoio. De um lado, enquanto atual aliado, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), tenta preservar o partido na base. Do outro, ex-aliado, o governador Ricardo Coutinho (PSB) busca reconstruir pontes ruídas por causa da briga de ambos polo poder. No meio, o senador José Maranhão (PMDB) afirmando laconicamente que seu nome está à disposição para a disputa e flertando com ambos. Com o movimento, o partido encarna a música “Já sei namorar”, do Tribalista, com a letra “Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem…”

O reflexo disso é claríssimo e tem produzido resultados. Depois de ver ganhar as ruas a tese de que não dialoga com o PMDB, o prefeito Luciano Cartaxo convocou entrevista coletiva para a transmissão de posse. O mote foi a entrega do bastão do governo para o vice peemedebista Manoel Júnior. O tom dado no evento foi o de que o partido tem protagonismo na gestão pessoense. Esta é nada menos que a terceira vez que Júnior assume a prefeitura. Desta vez, o prefeito viaja para Washington, nos Estados Unidos, para participar de um evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Trata-se do programa Cidades Sustentáveis, do qual a capital paraibana faz parte.

Já Ricardo Coutinho, em busca do apoio do PMDB, tenta apagar a imagem de “traição” afirmada pelos peemedebistas. Por conta dela, em 2016, houve o rompimento com José Maranhão. Agora, o governador faz elogios ao senador e projeta a possibilidade de os dois partidos estarem juntos em 2018. A aliança cumpriria dois efeitos: tirar um aliado de Cartaxo e, consequentemente, agregar tempo de televisão para a chapa. O candidato do PSB deverá ser o secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo. O nome chegou a ser posto para a disputa no ano passado, mas perdeu força no meio do caminho. Azevedo foi substituído por Cida Ramos para a disputa da prefeitura da capital.

Por outro lado, tem os peemedebistas que acreditam na possibilidade de candidatura própria. O deputado Raniery Paulino, por exemplo, quer que o partido faça candidatura solo. Ou melhor, encabece uma chapa. A probabilidade de isso acontecer, analisada pelo efeito formal, é mínima. Ela favoreceria, no entanto, as candidaturas proporcionais. Vai depender das regras que valerem para o ano que vem. O senador José Maranhão trabalha com essa perspectiva e colocou o nome dele à disposição. Com isso, aproveita o fato de não ter nada a perder. Tem a garantia de mandato até 2022 no Senado, já que foi eleito em 2014.

A tendência do partido, no entanto, é rachar novamente em 2018. De um lado, haverá quem puxe para a aliança com o governador Ricardo Coutinho. O time dos que defendem esse afinamento é puxado pelo senador Raimundo Lira. Com ele estão os deputados federais Hugo Motta e Veneziano Vital do Rêgo e os estaduais Nabor Wanderley e Jullys Roberto. No sentido contrário, o vice-prefeito Manoel Júnior aponta como melhor caminho a adesão a Cartaxo. Se o pessedista for candidato, ele, enquanto peemedebista, assume a prefeitura. Alega ainda que se o socialista fizer o sucessor em 2018, a tentativa de reeleição do partido, em 2020, contará com um dificultador, que seria ter Ricardo como adversário.

Mais Notícias

Comente
O seu endereço de email não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados com *