A culinária da avó de Zé Ramalho num livro que, de antigo projeto, afinal se torna realidade

Não tive o privilégio de conhecer dona Soledade e seu José Ramalho, a avó e o avô de Zé Ramalho por parte de pai.

Quando tive acesso à intimidade da família, os dois não eram mais vivos.

Mas conheci (conheço) ao menos um pouco da culinária que ficou como legado dela e as lições de vida que ficaram como herança dele.

Havia a casa de dona Terezinha (nunca consegui chamá-la de Tetê).

E havia a casa das tias (Maria, Inês e Zélia). Ambas no bairro do Miramar.

Dona Terezinha, Maria e Inês já se foram.

Com Zélia, mulher de temperamento forte, converso praticamente todos os dias.

E foi com ela que, há muitos anos, nasceu um projeto que agora, finalmente, se materializa: um livro com as receitas de dona Soledade.

Tenho orgulho de estar entre os que cobravam o livro a Zélia.

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Zé Ramalho também cobrava, assim como o ex-governador Antônio Mariz, figura tão querida da família Ramalho.

Receitas que Mamãe fazia é como se chama o livro que Zélia agora está lançando.

A capa foi desenhada por três crianças (Malu, Lipe e Rafa), netos de Zé Ramalho, a novíssima geração da família.

No texto de apresentação, Zélia diz de dona Soledade:

“Ainda sinto o gosto e o cheiro dos seus temperos. Não herdei dela esses atributos, mas seu espírito forte e sua fé!”.

Junto com as receitas de dona Soledade, recebo um bônus: Poesia sem poesia, uma reunião de escritos de seu José Ramalho, o Avôhai da canção do neto famoso.

Fecho com o que ele escreveu quando o neto José fez 15 anos:

“Inspire a vocação que almejar

Conduza-o na carreira que abraçar

E o acompanhe por este mundo além”.

Os versos, com algo de profético, datam de outubro de 1964.