Muita gente da esquerda deve, sim, um pedido de desculpas a Djavan

Lobão apoiou Bolsonaro de forma escancarada e comemorou sua vitória de modo asqueroso.

Fagner apoiou Bolsonaro com moderação.

Regina Duarte fez papel ridículo.

Djavan foi posto nas redes sociais como apoiador do presidente. E havia um vídeo para “provar” o apoio.

Eu nunca acreditei. Nem nunca achei que o vídeo provava coisa alguma.

Na época, janeiro de 2019, postei aqui na coluna:

Djavan não é Lobão.

A sua fala sobre o futuro do Brasil não é necessariamente bolsonarista, ainda que muitos a queiram assim.

Bolsonaro é que não vai me fazer deixar de ouvir Djavan!

O tempo passou, e agora Djavan divulgou uma nota na sua página oficial no Facebook.

Ele diz:

“Em 2018, tentaram me associar a esse governo por eu ter dito em entrevista que tinha esperança no futuro do Brasil. O futuro, para mim, pertence ao povo que sempre poderá buscar – nas ruas e nas urnas – as transformações sociais que farão do Brasil um país livre e próspero.
Depois de dizer algumas vezes que aquilo era mentira, eu percebi que de nada adiantaria: o desmentido na internet tem efeito contrário, coloca a mentira em evidência.
Tenho décadas de vida pública e uma longa carreira, e quem me conhece sabe dos meus posicionamentos sobre política, problemas sociais, culturais, raciais, homofobia, xenofobia etc. Por isso, é impossível haver qualquer compatibilidade entre mim e um governo errático, que tem atuado na contramão da ciência e que, sempre que pode, demonstra seu desprezo pela democracia.
Não tem cabimento.
Eu NÃO votei no Bolsonaro e NÃO apoio o seu governo”.
Muita gente de esquerda deve, sim, um eloquente pedido de desculpas a Djavan.
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Fecho transcrevendo o que, em janeiro de 2019, escrevi sobre o CD que Djavan acabara de lançar:

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Nas últimas semanas, tenho ouvido muito Vesúvio, o novo CD de Djavan. Está na minha lista dos melhores discos de 2018. É daqueles trabalhos que arrebatam à primeira audição e que não têm nenhuma faixa dispensável.

Djavan vai fazer 70 anos. Vesúvio traz, a um só tempo, as marcas da trajetória longa e um certo frescor difícil de encontrar em artistas com a sua idade. Tem a assinatura inconfundível desse grande cara que está em cena na MPB desde meados da década de 1970.

A beleza da voz. A fluência melódica. As harmonias refinadas e certeiras. A poesia muito singular.

O melhor Djavan – é o que há em Vesúvio.