Música 12:00

Essa gente que fala mal de Juliette precisar amolecer o coração. Botar poesia na vida real

Com tanta cantora boa pelo Brasil, precisando de uma chance, botam Juliette para cantar na live junina de Gilberto Gil.

Logo Juliette, que não é cantora.

Fulana de tal, por exemplo, que é daqui da Paraíba, teria se saído muito melhor.

É a Globo, a velha Globo, fazendo a seu modo.

É Gilberto Gil, que não deveria se envolver nessas coisas.

Vi um bocado de queixas como essas nas redes sociais nesta segunda-feira (14).

Lembrei, em primeiro lugar, que elas vêm de pessoas que, indignadas, costumam se posicionar quando nós, nordestinos, somos vítimas de preconceito.

Quando somos tratados como gente atrasada, menor e com um sotaque horrível, que só serve para dar seus votos para esse ou aquele candidato.

Essas pessoas, com suas consciências tão críticas, deveriam enxergar que o show junino que Gilberto Gil faz há mais de duas décadas, percorrendo nossas capitais e cidades interioranas, é uma bela e comovente exaltação ao Nordeste.

O Nordeste, os nordestinos, suas tradições mais profundas, sua música, sua dança, suas festas populares.

É o que temos quando esse grande artista sobe ao palco e canta Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Zé Dantas, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Antônio Barros. E traz, para cada um de nós, as alegrias e também as tristezas guardadas na celebração profana dos três santos juninos.

A live de domingo (13), dia de Santo Antônio, foi assim. Acrescida, naturalmente, de números autorais que já se incorporaram ao repertório desses shows de Gil.

É – como já disse – uma exaltação ao Nordeste feita, acrescento, por um dos maiores artistas da nossa canção popular.

Gil, um homem às vésperas dos 79 anos, enxergando de longe a trajetória cumprida por essas músicas e as influências por elas exercidas sobre tanta gente que veio depois.

Domingo, na live do Globoplay, foi assim.

E foi lindo, comovente.

Juliette, deixei para o final do texto.

Ela é uma mulher que gosta de cantar, sabe e diz que não é uma cantora.

Ela era uma anônima transformada em celebridade.

Participou da live de Gil por motivos óbvios, bem sabem seus críticos.

Por sua condição de celebridade, porque gosta de cantar, porque é nordestina, paraibana de Campina Grande, naturalmente marcada por essas tradições juninas.

Com seu sotaque lindamente nordestino, levou simplicidade e beleza ao palco, ali ao lado de um Gilberto Gil que não disfarçou a emoção nem conteve as lágrimas.

Esses críticos de coração duro precisam amolecer um pouco seus corações.

Tirar a poesia dos livros e trazê-la para a vida real.

Estamos todos muito necessitados.