Mais Cultura 17:23

MINHA MÃE ERA UMA FREIRA!

Dia das Mães!

Você vai nas redes sociais, e as mães são as protagonistas desse segundo domingo de maio.

Filhos e filhas a homenageá-las.

Mães vivas, mães que já morreram. Mães!

Nunca aderi a essa prática, até que, nesse 2021, resolvi entrar nela, talvez mais por algo de inusitado que há na minha história:

SOU FILHO DE UMA FREIRA!

Minha mãe, que se chamava Hermengarda, largou tudo – a família, o magistério ao qual se dedicara – e decidiu ser freira.

Daquelas que vêm de Santa Clara

Clarissa, descalça, enclausurada, paupérrima.

Creio que em Belo Horizonte.

Tal como nessa foto precária – só tenho essa – que ilustra a coluna.

Irmã Gertrudes – era assim que se chamava a clarissa Hermengarda.

Sim. Mas o que houve?

Ela não segurou a barra.

Largou tudo, veio dar aulas em Campina Grande e acabou casada com um comunista, ateu, daqueles do materialismo dialético, sabem?

Sou, então, filho de opostos, de uma grande divergência.

Tive formação católica somada ao pensamento do meu pai.

A despeito das diferenças, ele e ela eram harmônicos.

Hoje, me considero irreligioso.

E tenho essa história pra contar.