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O choro era pela dor de um Brasil que não deu certo. E continua a dar errado

Estive apenas duas vezes na Escola Leonel Brizola. Fui tomar tanto a primeira quanto a segunda dose da Coronavac.

Achei simbólico porque, na juventude, fui brizolista. O engenheiro foi um grande brasileiro e, dos nossos políticos, o que mais se preocupou com a educação.

Os Cieps que ele criou no Rio de Janeiro, a partir de 1983, foram sabotados. Quem ainda estudou naqueles centros de educação integrada hoje tem mais de 40 anos.

Levados a sério e expandidos por todo o país, os Cieps teriam formado uma geração de brasileiros muito mais qualificada do que essa que temos aí.

Lembrar de Brizola é lembrar de Darcy Ribeiro. Os dois foram parceiros no que de melhor conseguiram fazer no Rio do início da década de 1980.

Tenho visto com frequência, nas redes sociais, um vídeo muito forte. Uma cena que vi na época, em 1981, no instante do enterro do cineasta Glauber Rocha.

É o discurso de Darcy Ribeiro diante do caixão de Glauber descendo à sepultura.

Foi muito impactante na época. Permanece agora porque o futuro com que Darcy Ribeiro sonhava, e menciona em sua fala, não foi construído.

Descontada alguma coisa do discurso que pode soar datada em 2021, ele é de uma incômoda atualidade nesse Brasil sob Bolsonaro:

O desespero e a desesperança traduzidas no choro de Glauber, as crianças que permanecem com fome num dos países mais desiguais do mundo, a mediocridade, a estupidez, até a tortura que o presidente defende e exalta.

Vamos precisar mesmo de outra geração, talvez mais outra, e algumas décadas à frente para que o que Darcy diz ao Glauber morto seja realidade nesse país que, como cantaria Tom Jobim, não deixa de ser uma promessa de vida em nossos corações.