Música 6:11

Nana Caymmi faz 80 anos. Ouçam a voz e perdoem as besteiras que ela diz

Nana Caymmi faz 80 anos nesta quinta-feira (29).

Sei que muita gente vai discordar, mas é uma das maiores cantoras do Brasil.

Uma verdadeira dama da canção.

Os ouvidos mais atentos notarão que ela é ligeiramente semitonada.

E, de fato, é. Mas dentro dos limites admitidos no universo da canção popular.

Creio que a voz dela foi ouvida pela primeira vez em 1963, naquele disco que marca o encontro de Antônio Carlos Jobim com Dorival Caymmi.

Seu álbum de estreia, na Elenco, em 1965, é um primor.

Pouco depois, em 1967, apareceu no festival de MPB cantando Bom Dia, composta em parceria com Gilberto Gil, com quem teve um breve casamento.

Dorival Caymmi e Stella Maris tiveram três filhos. Primeiro veio Nana. Depois, Dori e Danilo, que, por sua vez, é pai de Alice.

O pai, um gigante. Os filhos e a neta, tudo gente de grande talento musical.

Nana Caymmi tem não só uma carreira longeva, mas uma discografia extensa, expressiva e muito respeitável.

Gravou muito do repertório dos seus contemporâneos, dedicou álbuns completos às canções do pai, dividiu trabalhos com seus irmãos, fez discos temáticos.

Canta lindamente. Como cantam lindamente todos os da família Caymmi.

Ultimamente, Nana arrumou briga com a esquerda.

Além de ter apoiado Bolsonaro, disse baixarias impublicáveis sobre a relação de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil com o ex-presidente Lula.

Sabem que atenção dou a isso? Nenhuma.

Nana sempre foi assim, uma desbocada.

Ouço a voz e perdoo as besteiras que ela diz porque sei que esta é Nana Caymmi.