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Filho 03 do presidente Bolsonaro misturou a seringa da vida com o fuzil da morte

Cresci com a consciência de que o cientista judeu polonês Albert Sabin era um benfeitor da humanidade.

Com reverência, prestava atenção às aparições dele na televisão, sobretudo a partir de 1972, quando casou com uma brasileira e muitas vezes visitou o Brasil.

Dr. Sabin desenvolveu a vacina contra a paralisia infantil – ou poliomielite -, essa da gotinha, que a gente conhece tão bem.

Ainda tenho uma lembrança remota do dia em que fui levado por minha mãe ao Grupo Escolar Santo Antônio, perto da nossa casa, para tomar a Vacina Sabin, como era chamada naquela época, primeira metade da década de 1960.

Albert Sabin morreu em 1993, ano em que o Brasil já realizava grandes campanhas de vacinação contra a pólio.

Há poucos dias, vimos o ex-presidente Lula perguntar pelo Zé Gotinha, essa figura simpática criada para atrair as crianças nas campanhas de vacinação.

Lula foi muito feliz ao dizer que Zé Gotinha é apartidário. Porque, de fato, é.

O personagem atravessou vários governos, desde os tempos de Sarney.

“Ele pertence ao povo” – disse Darlan Rosa, seu criador.

Na imagem que usei para abrir esse post, ele aparece com a marca do SUS no peito.

Na que se segue, está como numa postagem do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Sob o pretexto de divulgar a mensagem “minha arma é a vacina” – agora é? -, o filho 03 do presidente misturou a seringa da vida com o fuzil da morte.

Bem ao gosto da família Bolsonaro.

A manipulação da imagem do Zé Gotinha – que alguém, com propriedade, chamou de Zé Milicianinho – retira o que há de positivo nele.

É agressiva e deseduca as crianças.