Política 8:36

Lula é inocente, mas, em 2022, a esquerda brasileira precisa ter o juízo que não teve em 2018

Lula é inocente?

Sim. Lula é inocente.

Quem me deu essa certeza – e já faz um bom tempo – não foi o ministro Fachin, foi o jornalista Reinaldo Azevedo.

Por dois motivos:

Porque é um dos raros jornalistas brasileiros com argumentos jurídicos consistentes.

Porque, na imprensa brasileira, como ele, poucos bateram tanto no PT e em Lula.

A esquerda tem dificuldade de entender essas coisas.

Lula é inocente, é elegível e é candidato.

Dificilmente, será diferente.

Provavelmente, se estiverem vivos e com saúde em 2022, vai polarizar com Bolsonaro.

Em 2018, a esquerda subestimou Bolsonaro.

Em 2018, a esquerda não entendeu a força que Bolsonaro tinha.

Em 2018, a esquerda não compreendeu que Bolsonaro era um fenômeno.

Em 2018, a esquerda não soube, ao menos, fazer bom uso das redes sociais.

Em 2018, a esquerda errou, e não foi pouco.

Deu no que deu.

A decisão do ministro Fachin não faz bem somente a Lula, faz bem à democracia brasileira.

Na comemoração, na noite desta segunda-feira (08), as redes sociais ficaram repletas de bobagens. Sei que isso é o micro, mas é o micro que fala do macro.

O problema não é o que dizem a Folha e a manchete do Jornal Nacional. Nem o tratamento (presidente ou presidenta?) que o JN dá a Dilma.

Em 2022, o Brasil irá às urnas em frangalhos, destruído pela pandemia do novo coronavírus e por um governo que já se provara desastroso antes da Covid-19.

É esse país que precisará ser reconstruído a partir de 2023.

Não por Bolsonaro, certamente.

Por Lula?

Pode ser que sim, mas não tenho certeza.

Melhor que tivéssemos outras lideranças e que o eleitor não visse candidatos como se eles fossem verdadeiros líderes religiosos e não políticos.

Acho Lula uma figura extraordinária, mas penso que o Brasil precisa ultrapassar Lula.

Já é tempo.

Em 2022, a esquerda brasileira necessitará do juízo que não teve em 2018.

Ou estaremos num abismo muito mais profundo do que este de agora.

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PS

Antes que atirem pedras, em 2018, votei em Haddad.

Em 2022, numa polarização Lula – Bolsonaro, votarei em Lula.

A bela foto que ilustra a coluna é de Ricardo Stuckert.