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No Recife, somente 800 pessoas pagaram para ver Ray Charles de perto no Teatro Guararapes

30 de novembro de 1990.

No Recife, naquela sexta-feira, havia somente umas 800 pessoas na plateia do Teatro Guararapes, cerca de 1/3 da lotação.

O ingresso custava algo em torno de 100 dólares.

Na abertura, durante 20 minutos, a orquestra – uma competente big band – excutou números jazzísticos.

Em seguida, ouvimos uma voz anunciar o astro principal da noite:

“Ladies and gentlemen, the king of soul, the king of blues, Mr. Ray Charles!”.

E lá vem ele, guiado pelo palco até o piano.

Antes de começar, ainda em pé e voltado para a plateia, com um sorriso imenso, simula um abraço em si mesmo.

E manda ver:

“I am busted!”.

“Eu estou quebrado!”.

É Busted, uma blues-ballad, um dos seus números favoritos.

Dos seus ouvintes, também.

Uma canção de Gershwin, o clássico Georgia on My Mind, um número country, Hit The Road Jack, as Raylettes na reta final do show, What’d I Say fechando o set list.

Durante 60 minutos, Ray Charles exibiu sua arte profunda e exuberante e foi embora sem bis, do jeito que costumava fazer nas suas performances ao vivo.

Curvou-se diante da plateia, como se estivesse abraçando cada espectador, sorriu e foi guiado para o backstage.

Negro, pobre, cego, órfão ainda muito cedo – na América racista dos anos 1930/40, Ray Charles tinha tudo para dar errado na vida.

Mas, com sua voz extraordinária, se transformou num dos maiores cantores populares do século XX.

“Uma dádiva do céu” – dirão, com propriedade, os que creem.

Ray Charles morreu de câncer em junho de 2004. Tinha 73 anos.

Se estivesse vivo, faria 90 anos nesta quarta-feira, 23 de setembro.