Há ousadia e beleza na Blackbird de Mônica Salmaso e Maria João

Numa conversa aqui em João Pessoa, perguntei a Mônica Salmaso se ela não tem vontade, às vezes, de ser anti-Mônica Salmaso.

Mônica ficou surpresa com a pergunta, e eu imediatamente achei que havia sido indelicado com ela.

Tentei traduzir de outra forma o meu questionamento: mostrando uma gravação de Arrigo Barnabé com Paulinho da Viola.

Um tão diferente do outro.

Era disso que eu falava: Mônica indo a praias que não são as que ela costuma frequentar.

Se não estou equivocado, foi isso o que ela fez ao receber a portuguesa Maria João no projeto “Ô de Casas”.

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Ela própria se definiu como a “carola da melodia”, aquela que tem “a necessidade da segurança, de saber onde estou pisando”, enquanto Maria João, também segundo Mônica, “é a liberdade, o salto mortal sem rede, o risco com extrema alegria!”.

Uma tão diferente da outra!

As duas fizeram Blackbird, dos Beatles.

Ousaram. Releram. Recriaram. Reinventaram. Reconstruíram.

Injetaram outras belezas.

Um dia, mostrei uma gravação “estranha” de Nanã a Moacir Santos, e ele disse: “Nunca pensei que a minha música fosse tão longe”.

Talvez Paul McCartney, o autor de Blackbird, dissesse algo semelhante ao ouvir a Blackbird de Mônica Salmaso e Maria João.

https://www.facebook.com/MonicaSalmasoOficial/videos/731319204077857