Cinema 8:36

Críticas a Bacurau – que bom! – revelam direitistas enrustidos

Bacurau provocou um debate através de artigos na Folha de S. Paulo.

Bacurau é testemunho da extinção de vida inteligente na esquerda brasileira – escreveu Demétrio Magnoli.

Críticos dizem que Bacurau é um filme de propaganda; e daí? – na réplica, respondeu o crítico de cinema Inácio Araújo, que havia conferido a cotação de cinco estrelas ao filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.

Em Bacurau, cinema deixa interesse público, segregando-se na bolha do Partido – lá veio a tréplica de Magnoli.

Já “Bacurau e o mito da imparcialidade” é o título de um texto que Luiz Zanin publicou no Estadão. Creio que menos sobre Bacurau, mais sobre a arte da crítica. Soma-se a esse debate.

Destaco um pequeno trecho de Zanin: “Claro que, no fundo, ao lermos esses textos, ficamos sabendo mais sobre seus autores do que sobre o filme em si”.

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O debate entre Magnoli e Araújo na Folha e o texto de Zanin no Estadão me levaram a reler alguns artigos sobre Bacurau. Principalmente os negativos. Também os ambíguos.

Faço breves observações.

Não faz muito tempo, as pessoas tinham vergonha de ser de direita.

Era uma coisa feia.

Nos últimos anos, e mais agora com a eleição de Bolsonaro, a direita brasileira saiu do armário.

Pior: a extrema direita.

Mas ainda há alguns envergonhados, enrustidos.

É interessante como a crítica a Bacurau os revela.

Ou: como Bacurau os incomoda.

Mais: como o filme mexe com a “agenda moral” de cada um deles.

Bacurau é um grande acontecimento estético – escrevi quando vi o filme pela primeira vez.

Disse também que Bacurau é um grande acontecimento político.

Há muito que não víamos um filme brasileiro provocar tantas reações.