Mais Cultura 6:44

Só quem está na frente não se queixa das pesquisas eleitorais

Pesquisa eleitoral fala, para mim, sobre a necessidade de separar o desejo da realidade.

É um exercício necessário para quem, de alguma forma, se envolve com as campanhas políticas, mas muitos não querem fazê-lo.

O que interessa não é quem você quer que ganhe, mas quem tem chances reais de ganhar.

Como cidadão e como jornalista, acompanho as pesquisas desde a volta das eleições para governador, em 1982.

Acompanhei muito de perto sobretudo durante as duas décadas em que estive no comando da redação da TV Cabo Branco, de 1986 a 2006.

A divulgação, como ocorreu na sexta-feira (24), de uma primeira pesquisa por um instituto crível (o Ibope – como o Datafolha – é um instituto crível) é sempre um momento importante numa campanha. É quando se tem um dado de fato concreto sobre como estão os candidatos. Antes disso, é só “achismo”.

Em seguida, vemos nas redes sociais como os números foram recebidos. As reações misturam desconhecimento de uns com envolvimento de outros.

O erro – há muito reconhecido – que o Ibope cometeu na eleição de 1990 (previu a vitória de Wilson Braga no primeiro turno, houve segundo turno, e Ronaldo Cunha Lima venceu) continua servindo para que se tente desqualificar o instituto. Mas essa desqualificação, feita ou por quem não tem boa memória ou por quem confunde as coisas de forma deliberada, acaba citando equivocadamente outras pesquisas de outros processos eleitorais.

Vi, por exemplo, alguém dizer que o Ibope errou ao afirmar que o candidato X, e não o Y, ganharia uma das nossas eleições para governador. Isso não ocorreu. O candidato X era favorito, mas o instituto não apenas flagrou o instante em que o Y cresceu, como acompanhou o seu desempenho já como favorito e, por fim, como vitorioso.

A cobertura jornalística de uma campanha – a agenda dos candidatos, a divulgação das pesquisas, a realização das entrevistas e debates, etc. – é minuciosamente planejada por uma emissora como a TV Cabo Branco. O primeiro telejornal a divulgar a pesquisa dá apenas os números da estimulada. Não importa quem está na frente e quem não está. Nos telejornais seguintes, são divulgados outros números, como se viu no sábado (25).

Mas campanhas políticas, infelizmente, são como jogos de futebol. Norteadas pela paixão, pela emoção, muito pouco pela razão. Daí é que vemos jornalistas e não jornalistas cometendo tantos enganos nas redes sociais.

Só quem está na frente não se queixa das pesquisas eleitorais.