Meus Discos 8:55

Tinha revolução, sim!, nos Beatles de 68

Em 1968, os Beatles lançaram dois singles e um álbum-duplo com 30 canções novas.

Produziram muito para uma banda em fim de carreira.

Em março, o primeiro single do ano:

Lady Madonna, de Paul McCartney, no lado A.

The Inner Light, de George Harrison, no lado B.

Um rock de Paul e mais uma incursão de George pela música indiana.

Em agosto, o segundo single do ano, o primeiro na Apple, o novo selo do grupo:

Hey Jude, de Paul McCartney, no lado A.

Revolution, de John Lennon, no lado B.

Com Hey Jude, os Beatles colocaram no topo das paradas (e nas programações radiofônicas) uma canção que durava sete longos minutos.

Com Revolution, dialogaram com um dos temas cruciais daquele ano: a saída é pela violência ou pela não violência?

Mas foram ambíguos. A música teve duas versões. Numa, Lennon diz que sim aos que querem a destruição. Na outra, diz que não.

Por fim, em novembro, o álbum-duplo intitulado The Beatles. Depois conhecido como The White Album.

A capa é o oposto do Sgt. Pepper de um ano atrás. O excesso de rostos e cores é trocado pelo mínimo. O nome da banda e o número do exemplar sobre o branco.

Era John e a banda, Paul e a banda, George e a banda, Ringo e a banda. Quem disse foi John Lennon.

Projetos individuais reunidos numa grande colagem.

O reggae que o mundo ainda não conhecia direito aparece com pouco molho no hit Ob-la-di Ob-la-da, de Paul McCartney.

Na outra ponta, com a ajuda de Yoko Ono, John Lennon faz musique concrete em Revolution 9.

São extremos.

Entre eles, tudo é possível – revela o irresistível repertório do álbum.

Helter Skelter, de Paul, antecipa o metal.

Julia, de John, é apenas uma terna canção de amor filial.

Em While My Guitar Gently Weeps, George leva Eric Clapton, um deus da guitarra, para tocar com os Beatles.

Em Blackbird, Paul canta pelos direitos civis.

Em Yer Blues, John cita Dylan.

Há um “parabéns pra você”.

Há um “boa noite, durma bem”.

Há um convite ao sexo: “por que não fazemos aqui mesmo na estrada?”.

Há crítica social com os porquinhos vindos de Orwell.

Há tanta coisa mais!

Os Beatles são os melhores, mesmo que não sejam mais um grupo.

Estão nos estertores de uma trajetória tão curta quanto luminosa.

O Álbum Branco traz os Beatles de 1968. Há 50 anos.

O maestro e produtor George Martin achou excessivo.

Dois discos! Música demais! Poderia ser um disco só!

Ao que Paul McCartney respondeu:

Ora! É o Álbum Branco dos Beatles!