Edição ruim compromete DVD de Zé Ramalho com Sinfônica da PB

Recebi o DVD de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba na última sexta-feira (05).

Exatamente um ano e cinco meses depois do concerto realizado no dia cinco de agosto de 2016 no teatro Pedra do Reino, em João Pessoa.

ze ramalho e rquestra sinfonica da pb foto francisco fran??a scom pb (7)

Antes de comentar, reproduzo o que escrevi na época sobre o concerto.

Os acordes iniciais e os primeiros versos de Avôhai arrebataram o público de quase três mil pessoas no teatro A Pedra do Reino. Que canção enigmática e mágica. Agora, vista de longe. Tão nordestina quanto universal.

Que beleza ver seu autor reapresentando a música na mesma cidade onde a cantou pela primeira vez, 40 anos atrás, num evento chamado Coletiva de Música da Paraíba, no velho Teatro Santa Roza.

Testemunhei os dois momentos. Separados por quatro décadas, eles podem sintetizar a longa caminhada de Zé Ramalho.

Essa noite dele com a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi histórica. Doze canções retiradas de discos seminais ganharam os adornos luxuosíssimos de uma grande formação. Quase 140 músicos a executar os belos arranjos escritos por Emanoel Barros, um jovem de 21 anos. O solista era o próprio autor: Zé, sua voz e seu violão. Tudo sob a batuta de Luiz Carlos Durier, o maestro que não continha a alegria de estar ali.

AvôhaiVila do SossegoChão de GizAdmirável Gado Novo. Cada uma das canções do certeiro set list escolhido pelo compositor confirmava a força e a beleza da sua música. Mais do que isto: a permanência delas. O tempo, em sua inevitável passagem, já as tornou verdadeiros clássicos populares.

Clássico é o que diz respeito ao período do classicismo. Clássico é uma expressão utilizada para denominar a música de concerto. Mas clássico é também o repertório que fica. Explicou didaticamente o maestro Durier numa de suas falas à plateia.

O público do concerto de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi testemunha de um encontro repleto de significados. Uma noite inesquecível. Para ficar muito bem guardada na nossa memória afetiva.

Agora, o DVD.

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Quem assistiu ao concerto não vai encontrar na gravação o que viu ao vivo.

Quem não viu, jamais saberá como foi.

O registro é inferior ao que Zé Ramalho e a Orquestra Sinfônica da Paraíba fizeram no palco do Pedra do Reino.

Não é um concerto com começo, meio e fim, como vimos ao vivo e como gostamos de ver em DVD ou Blu-ray.

É somente uma sequência de números musicais separados por fade.

O programa começa com Meu Sublime Torrão, de Genival Macedo.

Terminado o primeiro número, um fade nos separa do segundo. E, aí, Zé Ramalho já está no palco, iniciando Avôhai.

Ninguém vê a sua entrada triunfal nem a ovação da plateia.

Plateia, aliás, só se vê ao fundo, captada pela pequena câmera que está em frente ao maestro Durier.

No mais, fica a impressão de que não há plateia.

Faltam imagens das expressões dos espectadores enquanto as músicas são executadas.

Faltam imagens deles na hora dos aplausos.

São erros conceituais que parecem cometidos por quem não tem intimidade com as técnicas de montagem há tanto tempo estabelecidas e dominadas pelo cinema e pela televisão.

Há outro problema que diz respeito à edição: uma incômoda falta de sincronia entre áudio e vídeo (vejam, por exemplo, Garoto de Aluguel e constatem).

No final da sua apresentação, sem agradecimento, sem aplausos, sem pedido de bis, Zé Ramalho simplesmente “some” do palco depois de cantar Eternas Ondas.

Segue-se mais um fade, e a Orquestra Sinfônica da Paraíba executa Tico Tico no Fubá.

Outro fade e sobem os créditos.

O editor não esperou ao menos que o maestro se curvasse para agradecer ao público e receber os merecidíssimos aplausos.