Música 7:13

Tributo a Dick Farney é despedida à altura de Cauby Peixoto

A capa lembra a de um disco antigo. Mas não é.

Cauby Canta Dick Farney, lançado há pouco pela Biscoito Fino, foi gravado em março de 2016, dois meses antes da morte de Cauby Peixoto.

É o último trabalho desse extraordinário cantor.

De 2009 e 2016, Cauby gravou 10 discos!

Em 2009, quando fez Cauby Interpreta Roberto, tinha 78 anos.

Em 2016, quando, em algumas horas, botou voz em 10 números do repertório de Dick Farney, havia completado 85 anos.

Entre um e outro, gravou Sinatra, Beatles, Nat King Cole. Dividiu um disco com Ângela Maria, dedicou outro à Bossa Nova, lançou dois registros ao vivo, fez um voz e violão.

Como foi excepcionalmente produtivo o inverno do tempo de Cauby!

Na juventude, Cauby Peixoto foi fã de Dick Farney. Este era o inverso daquele.

Dick já tinha no seu canto a contenção do ambiente que antecedeu a Bossa Nova.

Cauby usava sem limites o seu vozeirão.

Mas nada o impediu de transitar por todos os ritmos, por todos os gêneros, por diversas línguas. Pelos excessos e pela contenção. Era um cantor excepcional, com timbre belíssimo, no nível de qualquer grande cantor do mundo.

Curiosamente, os dois últimos discos que gravou são dedicados a um modo mais cool de cantar: Bossa Nova e Cauby Canta Dick Farney.

Em dez faixas que duram menos de 30 minutos, Cauby revisita Dick acompanhado por um pequeno grupo (piano, violão, baixo, bateria e sax). O repertório não é todo óbvio, embora contenha sucessos como Marina e Copacabana. A voz tem o comedimento dos últimos anos da vida do artista. Mas permanece íntegra, apesar da idade. Somente no final de Marina, que fecha o disco, Cauby se solta um pouco num scat tipicamente jazzístico.

Esse disco é importante porque, de alguma forma, repõe Dick Farney no mercado. E permite que os fãs ouçam um Cauby Peixoto ainda inédito.

Já vi muita gente dizer que não ouve Cauby porque acha que ele é afetado, brega. etc.

Um equívoco completo.

Cauby é simplesmente o máximo!