Opinião 10:33

Os 100 primeiros dias de Bruno Cunha Lima como prefeito de Campina Grande: destaques, acertos e erros da gestão

    Foto: Arquivo Jornal da Paraíba

Há exatos 100 dias Campina Grande tem Bruno Cunha Lima (PSD) como prefeito. Mesmo jovem, ele acumula uma vasta experiência no meio político.

Dono de um estilo próprio e posicionamentos firmes, chamar a atenção da classe política paraibana se tornou comum para Bruno.

E agora, como será que o campinense está se saindo no primeiro mandato no executivo?

O Pleno Poder reuniu destaques da administração do então gestor municipal, que já foram inclusive noticiados aqui no blog, e que podem ser considerados como erros ou acertos.

Em time que está ganhando não se mexe

Na transição de gestão entre aliados o que mais se espera é a manutenção de boa parte da equipe. Isso, principalmente quando o mandato que se encerra é bem avaliado pela cidade, como foi o anterior, comandado por Romero Rodrigues.

De forma previsível, alguns secretários e coordenadores de pastas importantes tiveram os cargos mantidos. Essa decisão tem pontos positivos, afinal em time que está ganhando não se mexe.

Mas também pode ser negativo, já que os erros tendem a se repetir, quando não há renovação. Isso não deve ser problema, já que houve equilíbrio nas escolhas.

Um dos representantes mantidos foi o secretário de saúde Filipe Reul, que encarou em 2020, o desafio de administrar a pasta do início da pandemia até agora.

Posicionamentos e ações durante pandemia deixam a desejar

É claro que quase ninguém esperava pela pandemia que chegou de uma maneira tão avassaladora. Por isso, é mais óbvio ainda que não seria fácil lidar com ela.

Só que no decorrer de mais de um ano, as coisas foram se ajustando, na medida do possível, e algumas delas não evoluíram por aqui.

Contudo, os dados epidemiológicos da cidade se sustentam como os mais ‘confortáveis’ do estado há mais de um ano.

‘Kit Covid’

Prova dos desajustes que ainda não foram corrigidos é que remédios sem eficácia com comprovação científica, como azitromicina, ivermectina e predsim, estão sendo distribuídos pela farmácia do Hospital Pedro I para tratamento da Covid-19.

O chamado “kit Covid” é geralmente recomendado para pacientes com sintomas leves da doença.

Na verdade, autoridades em saúde do mundo inteiro se preocupam com os efeitos colaterais desses medicamentos. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde reforça que a decisão sobre a prescrição deles é sempre dos médicos.

A união faz a força

Foi preciso uma intervenção judicial para que o município colocasse os leitos de tratamento da Covid-19 sob a regulação do estado, o que deveria ter sido feito desde o início da pandemia.

Campina Grande, conforme o governo estadual, estaria fazendo uma regulação de leitos própria.

Ao decidir sobre o caso, o juiz Ruy Jander Teixeira da Rocha considerou que “não há que se falar em isolamento de um Município como uma ilha no atendimento a saúde diante de uma pandemia, pois compete a cada um dos entes federados, em razão da autonomia federativa, encargo solidário com os demais entes”.

A Paraíba tem três macrorregiões de saúde, sendo que todas estão localizadas em uma cidade polo, que dá suporte a outros municípios.

Só que com um alta exorbitante na demanda por leitos neste ano, foi preciso remanejar pacientes de uma macrorregião para outra. Nada mais justo, se a situação estiver menos caótica em alguma das regiões. É preciso dar as mãos e não medir forças.

Gesto humanitário

A gestão mostrou ser solidária ao receber pacientes de Manaus, que foi o primeiro local a viver o caos em saúde com o agravamento da pandemia.

Os amazonenses ficaram internados em Campina nos Hospitais Pedro I e Alcides Carneiro.

O esforço coletivo fez com que todos os pacientes se recuperassem e voltassem para as suas casas.

Flexibilização x medidas mais rígidas

Com opinião forte, o prefeito tem discordado do governo estadual em alguns pontos. Principalmente quando o assunto passeia entre medidas mais rígidas de enfrentamento ao novo coronavírus.

Em publicação recente feita em uma rede social, ele disse que não cabe aos governantes dizer o que é essencial. Ele reforça ser favorável à prevenção, mas discorda do que chama de ‘medidas extremas’, a exemplo de lockdown.

A autorização para funcionamento de escolas de educação infantil, por exemplo, foi um dos fatores que chamou atenção no último decreto municipal.

Vale ressaltar que a determinação traz uma série de recomendações sobre a prevenção da doença.

Vacinação

A campanha de vacinação na saúde segue de forma semelhante como ocorre em outros municípios. Não há muito o que se fazer, apenas esperar pelo recebimento de doses do imunizante.

O prefeito, no entanto, anunciou que vai cobrar já Justiça o envio de mais doses para a cidade. De acordo com ele, o município recebe uma quantidade de imunizantes em uma proporção menor do que deveria.

Nesse quesito, os profissionais de saúde do município dão um show de empatia. A equipe é qualificada e, com louvor, cumpre o papel de imunizar a população.

Manutenção de bonificação no transporte público

Com a dificuldade de fechar o mês no azul, a manutenção do benefício da passagem em dobro é um alívio para quem precisa utilizar o transporte público municipal durante a pandemia.

O bônus chegou a ser suspenso por alguns dias, mas foi retomado por mais três meses a partir de fevereiro e deve durar até o fim de abril.

A expectativa da população é de que seja renovado mais uma vez.

São João adiado ou cancelado?

Como no ano passado, não deve acontecer São João de forma presencial neste ano. A pandemia impede ainda que o novo prefeito coloque em prática as mudanças que idealizou para o formato do evento.

Um dos planos seria a construção de uma espécie de ‘forródromo’ numa área próxima à Estação Velha. Talvez no próximo ano a ideia se concretize!

Por enquanto, é totalmente compreensível que a atenção esteja voltada para minimizar os efeitos da crise causada pela pandemia. Mas, se espera pelo menos um posicionamento oficial sobre o adiamento ou cancelamento dos festejos juninos.

Auxílio emergencial

O mandato ganhou pontos com o lançamento de um auxílio emergencial de R$ 400 para trabalhadores de segmentos afetados pela pandemia.

A ideia chega para somar e começar a tirar do sufoco profissionais que trabalham em bares e restaurantes, com transportes escolares e ambulantes.

Faz falta, no entanto, um programa mais abrangente, especialmente para quem costuma atuar no São João.

Projeção de concurso público

Bruno projeta a realização de concurso público para as principais ‘pastas’ da prefeitura, que tem previsão de ser divulgado no próximo ano. Mais do que bom, é necessário.

Educação, Saúde, Procuradoria e a Guarda Municipal seriam alguns dos setores contemplados com a contratação de professores, pedagogos, médicos, psicólogos, enfermeiros e guardas municipais.

A ideia é não criar novos cargos, mas preencher, com concursados, aqueles que estiverem vagos.

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