Pleno Poder

João Paulo Medeiros

Por que a vacinação ainda não impactou no número de casos e mortes por Covid-19 na PB?

Com mais de meio milhão de vacinas aplicadas, só 113 mil pessoas estão imunizadas.

A vacinação é aposta para a vitória na luta contra a Covid-19 no mundo inteiro. Na Paraíba, a campanha de imunização começou há quase três meses, mas ainda não é possível ver os resultados positivos dela. Mas por que a aplicação da vacina ainda não impactou no número de casos e mortes causados pela doença?

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Os motivos são sólidos e a conta é simples. Não dá para relaxar com a prevenção. Para fazer esta análise, o Pleno Poder contou com o auxílio do secretário estadual de saúde, Geraldo Medeiros, que explicou quando o caos gerado pela pandemia deve começar a cessar no estado.

Dados gerais da vacinação na Paraíba

  • Total de vacinas aplicadas = 571.333
  • Quantidade 1ª doses de vacinas aplicadas = 458.025
  • Quantidade 2ª doses de vacinas aplicadas = 113.308

1º Motivo

Mais de meio milhão de pessoas foram vacinadas na Paraíba. No entanto, apenas 113.308 são considerados imunizadas, porque receberam as duas doses da vacina. Este é o primeiro motivo. Os dados são da última atualização feita pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (7).
De acordo com o secretário, para se ter um grande efeito de imunização, o estado precisaria de pelo menos 60% da população vacinada. E até agora possui menos de 3% do total de habitantes imunizados.
“Esse reflexo leva um tempo para ocorrer. Pelo menos 30 dias após a segunda dose da vacina é que começa a ter uma melhora”, explicou.
A secretaria estadual de saúde cogita que os bons resultados surjam no fim do mês de maio, quando uma boa parte do grupo prioritário tenha sido vacinado. Um estudo deve ser feito nesse período para avaliar o novo cenário.

“Com certeza teremos um declínio de idosos que requerem internação hospitalar ou foram a óbito”, garantiu Geraldo.

2º motivo

A segunda razão é que, no caso das pessoas que tomaram a vacina de Oxford, a imunização demora um pouco mais para ser concluída, já que o intervalo entre uma dose e outra é de três meses.
As pessoas que receberam doses das primeiras remessas do imunizante só devem receber a segunda aplicação no fim deste mês.
No quesito aplicação da segunda dose, o secretário acredita que o estado está em uma situação confortável. De acordo com ele, pode ser que as plataformas de vacinação estejam desatualizadas. Inclusive, o governador João Azevêdo fez um apelo para que os municípios atualizem rigorosamente a ferramenta.

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3º motivo

O avanço da campanha e a ampliação de grupos prioritários de vacinação parecem não ser suficientes para conter a pandemia. O mês de março de 2021 foi o mais caótico desde a confirmação do primeiro caso. Na terça-feira (6), o Sertão alcançou a taxa de 100% de ocupação de leitos de UTI adulto.
E tem mais um motivo. O relaxamento das medidas de prevenção ao novo coronavírus só contribui com a evolução de novos casos e mortes.
Usar máscara facial, higienizar as mãos e ficar em casa nunca foi tão importante até mesmo para os vacinados. Mas parece uma realidade distante. Aglomerações são vistas por toda parte.
No olho do furacão as flexibilizações seguem acontecendo, sendo um fator de risco a mais para a população.
Enquanto uns debatem se é mais importante abrir bares ou escolas, outros têm certeza que de pertinente é preservar vidas.