Botafogo-PB 18:58

Botafogo-PB decepciona no Nordestão, mas vitória em último jogo é alento e pode ser ponto de partida de Gusmão para evolução do time

Por Pedro Alves

Uma eliminação precoce e uma única vitória na competição, na última rodada, contra um Santa Cruz pouco interessado em sair da lanterna do seu grupo da Copa do Nordeste. Foi esse o cenário do Botafogo-PB na Copa do Nordeste. Achei pouco. Claramente decepcionante. E o Belo, na minha avaliação, nem precisava passar de fase para fazer uma campanha razoável ou, dependendo das circunstâncias, até boa. Mas cair com uma rodada de antecedência e, até ali, não vencer um jogo em sete disputados já era uma trajetória medíocre. 

 

E, no cálculo geral, foi mesmo. O máximo que o Botafogo-PB fez foi ajudar a demonstrar a crise do futebol pernambucano. Com a vitória sobre o Santa Cruz, o Belo deixou a lanterna do Grupo B, entregou para o Sport, e ainda manteve a Cobra Coral no último lugar do Grupo A. Uma vitória justa, por sinal, mas já já voltamos a ela. 

 

Durante o torneio, o que se viu foi um Botafogo-PB frágil, com um setor ofensivo inoperante e sem uma referência no ataque. O pingo de inspiração foi a partida contra o Bahia, na segunda rodada, em que o Belo foi melhor, mas sofreu um empate no final e ficou apenas com um ponto do duelo. Mostrou o seu potencial ali. Mas não mais chegou naquele nível de jogo.

 

Empatou com força, jogou mal as partidas, não ficou próximo de outras vitórias – com exceção do jogo contra o Treze – e ainda perdeu um clássico. Tudo isso somado à falta de confiança de parte do elenco com o trabalho de Marcelo Vilar, fez o comandante cair prematuramente. Por mais que o Belo esteja com uma capacidade menor de investimento, o time manteve uma base e tinha jogadores capazes de entregar mais. De formarem um time, em campo, mais competitivo. É por isso que julgo a campanha como decepcionante. Em todos os aspectos. 

 

O último episódio do torneio, no entanto, pode ser um alento. O time pessoense, já eliminado com uma rodada de antecedência do Nordestão, encarou um Santa Cruz, também já eliminado. E, mais do que isso, desinteressado. Não dá para negar. 

Foto: Rafael Melo / Santa Cruz

Mas o Belo não tinha nada a ver com isso. E sob nova batuta, respeitou o jogo e utilizou ele como deveria. Para dar ritmo de competição. Para fazer testes. Para os jogadores mostrarem o que podem e como podem para o novo comandante Gerson Gusmão. Houve uma ligeira evolução. E isso é bom. Diante de um Santa desinteressado, mas de Série C. Do seu grupo da Terceirona. Teste e luxo.

 

O primeiro tempo foi mais do mesmo. Mediocridade gritando. O segundo não. O Belo se impôs, neutralizou o adversário, construiu chances claras, perdeu gols e fez um. Mostrou transições lúcidas, usando o meio e o lado do campo. Se viu, enfim, um mínimo projeto de equipe em campo. 

 

E isso pode ser a fundação de um time minimamente competitivo. É a tarefa e a obrigação de Gerson Gusmão. Fazer o time evoluir, agora, no campeonato mais importante do ano, o Campeonato Paraibano, onde seus testes, em geral, são mais fáceis. Pior do que foi não pode ser. 

 

Algumas conclusões do time

 

Gerson Gusmão só tem dois jogos como treinador do Botafogo-PB. É pouco, claro. Até eu tenho mais tempo de análise do time dele do que ele. E algumas percepções me parecem cristalinas já. 

 

Uma delas é que a linha defensiva não parece ser um problema do time. Em campo, o Belo tem dois zagueiros seguros, que buscam e sabem procurar opções de passes no chão, por dentro. Que até quebram a primeira marcação do atacantes adversários, conduzindo a bola com certa facilidade. E defensivamente não comprometem. O Alvinegro sai da Copa do Nordeste com uma das terceiras melhores defesas do torneio, com seis gols sofridos em oito jogos. Mérito também do bom goleiro Felipe, incontestável no time.

 

Os laterais não são grandes opções ofensivas, mas também não são nulos. Marcam bem e dão opção na frente. Lucas Gabriel, que por sinal fez o gol da vitória sobre o Santa Cruz, parece ser a melhor opção ofensiva, na esquerda. Melhor do que o titular, Tsunami, pelo menos até o momento. 

 

A partir de agora vem o problema. O meio-campo não funciona, em regra. Rogério e Juninho quando jogam quase não agregam ofensivamente. O último, pelo menos, ajuda ainda na parte defensiva com seu incansável jeito de jogar e de ser muitos sendo só um. O primeiro ainda não voltou a ser o que já foi com a camisa alvinegra. 

 

Me parece claro que a dupla formada por Pablo e Bruno Menezes, que jogaram contra o Santa Cruz, é uma melhor opção. Não deixam tanto a desejar defensivamente e ajudam na fase ofensiva. Pablo, aliás, é o melhor jogador de linha do time nesse início de temporada. Fecha espaços e consegue quebrar linhas com a bola no pé.

 

Passou esse setor, vem o dos jogadores de frente. Marcos Aurélio não produz, erra muitos passes e não vem acertando a sua bola parada. Aliás, o entendimento de que o meia deve ser incontestável no time titular por conta da bola parada é uma análise arriscada. Nem sempre ele acerta – porque é difícil mesmo -, e nos 90 minutos, no jogo rolando, Marcos, hoje, erra mais passes do que deixa atacantes na cara do gol ou define. 

 

Welton é o único do setor ofensivo que vem fazendo a sua parte. Eu nem diria que tão bem, porque ele também erra mais do que acerta as jogadas. Mas foi letal em alguns momentos, marcando dois gols até aqui. Defensivamente, vem sendo uma peça altamente precisa, afinal, hoje, infelizmente, atacante de lado e que saber marcar bem. E ele fecha os espaços com competência.

 

Por azar, o Botafogo-PB não tem um camisa 9 confiável. Nem sei se seria Bruno, ex-Atlético de Cajazeiras. Mas o fato é que ele veio para isso, foi uma ótima leitura de mercado, mas o jogador se machucou e está fora por vários meses. Sem ele, ninguém confia em Ramon Tanque, o que mostra ser uma contratação inócua. Tanto que a diretoria foi buscar Rafael Oliveira e Sávio, com a lesão de Bruno.

 

Ambos não parecem ser a peça que vai resolver. Rafael – quem diria? – já tem quase mais desfalques do que jogos. Problemas físicos com os quais ele lida há anos. Que faz ele estar mais no departamento médico do que em campo. Sem sequência, é natural que ele não atue bem nas partidas. E foi o que aconteceu. 

 

O garoto Sávio, emprestado pelo Grêmio, demonstra mais disposição em campo. Mas quase não recebe bola para finalizar, de modo que eu nem sei se ele é letal ou não. Contribui com pivôs, dá até dinâmica ao jogo, mas não parece ser lá muito habilidoso. Difícil imaginar que possa ser uma solução. 

 

Clayton aos poucos vai pegando ritmo e é, sem dúvidas, o jogador mais talentoso do elenco e do Campeonato Paraibano. O jogo precisa ser em sua função. Ele precisa estar livre para chegar para definir. Precisa ter condição de receber bolas para armar. Enfim, o jogo do Belo tem que passar por ele. É a chance de o time render mais com as peças que tem. Mas reforços, claro, parecem bem necessários.

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