Executivo 10:37

Mesmo com Queiroga, Bolsonaro volta a defender tratamentos sem comprovação

Por ANGÉLICA NUNES

Quem pensou que a ida do médico paraibano, Marcelo Queiroga, para o ministro da Saúde, ia remodular o discurso do presidente Jair Bolsonaro em relação à indicação de medicamentos para o tratamento da Covid-19, sem eficácia comprovada, enganou-se. Em sua live semanal, nesta quinta-feira (22), Bolsonaro voltou a citar remédios não recomendados.

Sem fazer referência nominal à hidroxicloroquina, afirmou que tomou um remédio no ano passado e que, se tiver o mesmo problema, toma novamente. A hidroxicloroquina foi um dos remédios que o presidente afirma ter usado no período em que se infectou pela Covid-19, em julho do ano passado.

A medicação não tem sido recomendada por médicos, principalmente por causa dos efeitos colaterais e também por não ter eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19.

Marcelo Queiroga, inclusive, tem restrições. Mas, para não se contrapor ao discurso do presidente, afirma que o médico tem autonomia para decidir.

O fato é que sua posição veio à tona após a nomeação do médico Carlos Carvalho para coordenar um grupo que vai definir os protocolos de tratamento da Covid-19. Professor da USP, ele é dos maiores críticos do país sobre a utilização da cloroquina, remédio defendido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Vacinação

O presidente também exagerou sobre os números da vacinação no país. Outro problema grave que a Paraíba vem enfrentando. Boa parte por responsabilidade do governo federal que, através do ministro Eduardo Pazuello, autorizou a aplicação da segunda dose como primeira e deu no que deu: milhares de pessoas com apreensão sobre a tão sonhada imunização completa.

Bolsonaro afirmou que o Brasil vem mantendo a meta de vacinar 1 milhão por dia. Esse objetivo, inclusive, foi anunciado por Marcelo Queiroga recentemente. Na prática, no entanto, apenas em cinco dias deste mês foi atingida essa meta, segundo dados do Consórcio da Imprensa que reúne informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Saúde. No restante dos dias de abril, chegou ao número aproximado de 900 mil vacinados contra a Covid-19 no país.

 

 

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