Opinião 17:48

Falta de vacinas, lixo nas ruas e protesto de construtores: os primeiros dias nebulosos de Cícero Lucena

Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES 

Foto: Reprodução TV/Cabo Branco

O prefeito Cícero de Lucena (Progressistas) passa pela primeira tempestade na nova gestão. Os últimos dias estão bem nebulosos e agitados: falta de vacinas, lixo nas ruas e protesto de construtores.

O barco navegava em mares de apreensão, mas um pouco mais tranquilos quando o principal problema era abrir leito para evitar pressão no sistema. A vacina, à época, chegava com frequência e permitia uma agenda positiva.

Falta de vacinas 

A gestão foi ágil e veloz para adiantar a vacinação da primeira dose, avançou nas faixas etárias e em grupos especiais.

Seguiu a recomendação do Ministério da Saúde e usou as doses reservadas para segunda aplicação em novos grupos. Mas não contava que a estratégia iria esbarrar na falta de imunizantes. Foi pro risco, empurrado pelo governo federal e, inevitavelmente, teve que assumir o ônus do problema, na ponta.

O resultado: a vacinação em JP parou duas vezes nos últimos quinze dias. Milhares tomaram a 1º dose e estão esperando há mais de 28 dias pela segunda dose.

Por causa da vacina a conta-gotas, idosos foram aos “pontos” e não foram imunizados. A apreensão e a “raiva” só aumentaram.

Em uma manhã de “caos”, no último dia 13, eles se aglomeraram, correram em busca do imunizante que já não tinha mais. Penaram com um aplicativo que não funcionou. Outros nunca tiveram um celular para caber “tanta” tecnologia. Reclamaram.

Lixo nas ruas

Ao decidir cancelar o contrato de três empresas de coleta de lixo, alegando que elas prometeram um ‘filé’ e entregaram ‘acém’, o prefeito garantiu que equipes próprias dariam conta até a efetivação  de um contrato emergencial.

Não foi tão perfeito assim. O lixo se acumulou nas esquinas, em terrenos, as reclamações chegaram aos meios de comunicação, às redes sociais; a bronca foi parar nas ruas. No TCE e TJ um debate jurídico, com vários entendimentos.

Para completar, o ápice do problema foi justamente na semana em que o prefeito estava em Brasília, ouvindo as promessas de chegada das vacinas. A vacina não veio, o lixo tava espalhado pela cidade e os dias ainda estavam nebulosos.

Agora, com contrato emergencial efetivado, o lixo na rua será resolvido, mas os questionamentos continuarão na seara judicial.

Protesto dos construtores

Hoje, a nuvem escureceu de novo e o mar ficou agitado no Centro Administrativo, em Água Fria. Depois de uma agenda positiva, Cícero se deparou em um dos corredores com vários construtores marchando em sua direção. Ironicamente, ele sempre teve uma relação bem amigável com a categoria.

Agitados, muitos nervosos e raivosos, os manifestantes reclamavam das últimas medidas da prefeitura, em decretos da pandemia, que, segundo eles, vão gerar prejuízos e desemprego.

Ameaçado aos gritos e sendo chamado de “vagabundo”, o prefeito, como um juiz, mandou prender um manifestante.

Os guardas municipais não poderiam mais que proteger e tentar conter os construtores, que também pediam a demissão de secretários. As imagens do protesto e da confusão correram os grupos nos celulares.

Depois de um período de lua-de-mel, chegou a hora de encarar os conflitos de um casamento de inevitáveis ciclos, com bons momentos e muitas crises.  A gestão só está começando.

 

 

 

 

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