Legislativo 16:34

CPI da pandemia coloca oposição no palanque de 2022; Bolsonaro já está lá desde 2019

Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES

Foto: Reprodução/TV Globo

Na prática, a gente nunca espera nada de uma CPI no Brasil, além, claro, de  muito barulho. Mas sabemos que é para fazer barulho que elas são instaladas.

Numa investigação parlamentar se coloca luz onde há escuridão. A imprensa tem matéria-prima farta para comprovar, com documentos e depoimentos, as conversas de corredor, as irregularidades e ilegalidades jogadas sob os tapetes palacianos. Resultado: quem é alvo vai para cordas.

Entregue em fevereiro, o pedido da oposição para abrir um CPI da Pandemia já havia preenchido todos os requisitos.

Mas o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito ao cargo com apoio do presidente, vinha resistindo em instalá-la. Estava protegendo, protelando, até o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, ser “acionado” e dar um empurrãozinho.

O objetivo da comissão é investigar as ações e possíveis omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia do coronavírus.

A ação do STF 

Com números de assinaturas suficientes para abrir a investigação, 27, Pacheco colocou o pedido embaixo do braço e estava dando um de “João-sem-braço“.

Há quem veja interferência do judiciário, porque, de acordo com a Lei do Impeachment, a decisão de receber ou não os pedidos dessa natureza é exclusiva do presidente do Senado.

Por outro lado, uma vez que todos os requisitos para instalação estavam cumpridos, a regra precisava ser respeitada e o “guardião” dessa lei é o STF.

Oposição vai para o palanque

A CPI pode colocar a oposição, desarticulada e fragmentada, em cima do palanque.

Se souber usar o espaço, pode fazer o governo “sangrar”. Erros na condução da pandemia não faltam. Basta levar para o debate provas da “não-atuação”, ou da atuação equivocada, e começará a ocupar o espaço vazio.

Bolsonaro, como todo mundo sabe, já está nesse palanque desde o primeiro dia desse primeiro mandato. Agora, mais do que nunca, vai pra guerra. Aliás, o estado bélico é o natural do nosso presidente. Há sempre um adversário e uma conspiração ao seu redor.

Com habilidade dos que não veem limite, já atacou o Supremo cobrando que a Corte dê atenção aos pedidos de impeachment dos ministros. Em nota, o STF, limitou-se a dizer que cumpria a Constituição.

O presidente conseguiu o que queria: abastecer sua rede de ataque nas redes sociais. O discurso contra o STF está pavimentado.

Sempre é ataque

Porém, sem conseguir mostrar mais do que convencer “os seus”, perde apoio de parte da base (Centrão), de empresários, do mercado, daqueles eleitores que tinham uma atração, sem paixão cega, claro.

Atuar no palanque ele já sabe. Basta saber se, agora, com esse cenário mais letal da pandemia, com longínquas incertezas econômicas, vai manter e atrair aliados do Congresso, o fio de sustentação que vai manipulando o jogo.

Pacheco poderia não querer a CPI, mas tem muita gente do Centrão que gostou da “interferência” de Barroso.

Certeza, mesmo, é que em qualquer lugar desse palanque, Bolsonaro é só ataque.

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