“Santa data, Batman!”: seriado que mudou pra sempre o Homem Morcego completa 50 anos

Nesta terça-feira (12), exatamente há 50 anos, foi veiculado na TV norte-americana o primeiro episódio de Batman, a série que marcou para sempre o Cavaleiro das Trevas com as matizes multicoloridas, o clima camp (lê-se exagerado, artificial) e seus famosos embates com vilões onde onomatopeias como “sock!”, “bum!” e “pow!” tomavam a telinha.

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Adam West (E) e Burt Ward (D) eram a dupla dinâmica na série que teve 120 episódios e um longa / Divulgação

No começo de 1966, o público presenciava pela primeira vez a abertura com animação tosca, cuja música-tema de Neil Hefti (1922-2008) e executada pelo The Ventures entoava o mantra evocando o nome do herói criado por Bob Kane (1915-1998) para a revista Detetive Comics 27, em maios de 1939.

Estrelado pelo canastrão Adam West junto com Burt Ward como o menino-prodígio Robin (e toda sua conjuração de “Santa alguma-coisa, Batman!”), o projeto do produtor William Dolzie (1908-1991) juntava o colorido dos gibis e da pop art, os velhos clichês de deus ex machina e o tom de comédia pastelão.

Até 1968, foram três temporadas com 120 episódios e um longa-metragem. No Brasil, o seriado estreou através do canal 5 da TV Paulista. No ano passado, a Warner lançou em DVD e Blu-Ray um box com todas as temporadas.

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Atualmente, devido ao extremo sucesso da série na época, os personagens nunca se desvencilharam dos estereótipos, inclusive da dupla dinâmica ser um casal homossexual, análise consolidada décadas antes, nos anos 1950, pelo psiquiatra alemão Fredric Wertham (1895-1981) e seu famigerado A Sedução dos Inocentes. Sem fundamentação teórica, a obra serviu para denegrir os quadrinhos, colocando-os em xeque pelo macarthismo.

Tanto que desassociar esse estigma cômico e camp foi uma Via Crucis: a dupla Dennis O’Neil (roteiro) e Neal Adams (arte) nortearam o retorna à seriedade do personagem em aventuras solo nos anos 1970, passando pelo futuro apocalíptico de Frank Miller na minissérie O Cavaleiro das Trevas nos anos 1980, até o longa-metragem dark e gótico de Tim Burton quando o Homem Morcego comemorou seu cinquentenário em 1989.

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Cena de ‘Batman & Robin’ (1998), filme de Joel Schumacher que encontrou inspiração no ‘camp’ de 1966 / Divulgação

Inclusive, o cinema deu uma “recaída” com Batman Eternamente (1995) e (mais ainda com) Batman & Robin (1998), ambos de Joel Schumacher. Antes, em Batman – O Retorno (1992), Tim Burton retirou a figura de Robin (que seria chamado apenas como The Kid) para não evocar o “fantasma” dos anos 1960.

Dentre as surpresas do cinto de utilidades, há o “bat-repelente de tubarão”, quando um gorducho Batman – de bermuda por cima do uniforme! – vai surfar desafiando o Coringa (o ator César Romero, que pintava o bigode de branco para a caracterização do Palhaço do Crime).

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Disputa de surf contra o Coringa (César Romero) com direito a “bat-repelente de tubarão” / Reprodução

Outros destaques são os efeitos cenográficos, que vai desde a tela passando as ruas de Gotham City atrás do batmóvel, até a escalada com truques de ângulos de câmera, onde apareciam na janela participações especiais como Jerry Lewis, Sammy Davis Jr. (1925-1990), Ted Cassidy (1932-1979) e o Papai Noel (?), dentre outros.

Na galeria de vilões, Burgess Meredith (1907-1997) oferece um ar aristocrático com a piteira, o monóculos e o guarda-chuva do Pinguim, bem diferente do tom bizarro do Danny DeVito em Batman – O Retorno.

Com o perdão da esquizofrênica Michelle Pfeiffer com suas lambidas e uniforme fetichista com as costuras à mostra na telona em O Retorno, a sexy personagem Mulher-Gato definitiva é Julie Newmar (papel das duas primeiras temporadas). Quem encarnou uma das vidas da vilão foi Lee Meriwether no longa da série e Eartha Kitt (1927-2008) no último ano do seriado.

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Julie Newmar encarna uma das vidas da vilã Mulher-Gato nas duas primeiras temporadas da série / Divulgação

Do lado dos “mocinhos”, o elenco tinha na chefatura de polícia o Comissário Gordon (interpretado por Neil Hamilton) e o Chefe O´Harra (vivido por Stafford Rep), além da introdução na segunda temporada da Batgirl (Yvonne Craig) e do fiel mordomo Alfred (Alan Napier).

Confira abaixo outros projetos que tem o Batman dos anos 1960 como inspiração:

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Return to the Batcave: The Misadventures of Adam and Burt (2003)

No telefilme, quando o batmóvel é roubado numa exposição, Adam West e Burt Ward vão tentar recuperá-lo, ao mesmo tempo que revivem os bastidores da série. Inédito no Brasil.

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Feira da Fruta

Paródia brasileira realizada nos anos 1980 do seriado original através de uma redublagem satírica e recheada de palavrões por Fernando Pettinati e Antônio Camano, também conhecida como Bátima Feira da Fruta. Assim como a série, virou cult na internet e gerou um livro (Entrei na Feira da Fruta, da Usina de Ideia Editores) e uma webcomic.

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Batman ’66

Com roteiro de Jeff Parker e Tom Peyer, a série de HQs curtas resgatam o universo do seriado. No Brasil, a editora Panini lançou dois volumes da coletânea, em 2014 e 2015.

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Batguano (2014)

Num futuro, a dupla dinâmica Batman (Everaldo Pontes) e Robin (Tavinho Teixeira) mora num trailer decadente afastado da cidade. Como “repentistas punk-rock”, eles encaram uma peste com o Ocidente em colapso.

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