Matheus Nachtergaele incorpora João Grilo na abertura do teatro Pedra do Reino, em JP

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Nachtergaele no Pedra do Reno: “Tô bonito, tô arrumado, mas tô nervoso”

Texto: Phillipe Xavier // Fotos: Francisco França

A noite de inauguração do Teatro Pedra do Reino, no bairro do Altiplano, em João Pessoa, que ocorreu na quarta-feira (5), como parte das celebrações dos 430 anos da capital, é um daqueles acontecimentos culturais da cidade que merecem ser mencionados. Isso porque o time de artistas convocados para dar início às atividades do espaço provou estar à altura da grandiosidade da iniciativa.

Primeiro a pôr os pés oficialmente no palco do teatro, o ator Matheus Nachtergaele foi o mestre de cerimônias e fez a plateia dar boas gargalhadas ao encarnar, em certos momentos, João Grilo, personagem que interpretou no filme O Auto da Compadecida, baseado na obra de Ariano Suassuna, o grande homenageado da noite.

“Tô bonito, tô arrumado, mas tô nervoso”, disse ao início da apresentação, adotando, logo em seguida, um tom mais sério, mas não menos poético para fazer analogias ao romance de Ariano que dá nome ao local.

“Eis a Pedra do Reino, a revelar a partir desta noite aos olhos de um mundo inteiro de luzes e encantamentos fábulas que serão contadas nesse espaço”, declamou, sem esquecer de finalizar sua participação com a famosa expressão usada para desejar sorte aos artistas de teatro. “Merda, muita merda”.

    De Goiás, a Quasar apresentou o espetáculo 'Sobre isto, meu corpo não cansa'

De Goiás, a Quasar apresentou o espetáculo ‘Sobre isto, meu corpo não cansa’

Após Matheus, a atração que estreou, de fato, o palco do Teatro Pedra do Reino foi a Cia. Quasar de Dança, de Goiás. Com o espetáculo Sobre isto, meu corpo não cansa, dirigido por Henrique Rodovalho, o grupo retratou diferentes visões do amor a partir de canções de Tulipa Ruiz, Mallu Magalhães e Clarice Falcão, consideradas representantes da nossa safra da MPB.

Vale ressaltar que os oito bailarinos da companhia, além de dançarem, também cantaram em alguns instantes, mostrando a difícil tarefa de pensar nos movimentos complexos das coreografias e, ao mesmo tempo, ter fôlego para continuar afinado.

Fora a bela iluminação – que não estava 100% – e o cenário que acompanhava todo o desenrolar da ‘história’ de maneira interessante, com transparências e cores, ora fortes, ora suaves, o trabalho do grupo pareceu estar em sintonia com a atmosfera da noite, que pedia algo moderno para quebrar a seriedade que eventos como estes costumam ter.

    Com a OSPB, Zélia Duncan equilibra erudito em popular no encerramento da noite

Com a OSPB, Zélia Duncan equilibra erudito em popular no encerramento da noite

Atração seguinte, a Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) trouxe ainda mais equilíbrio para a inauguração. Com regência do maestro Luiz Carlos Durier, os musicistas da OSPB, junto com alunos do Projeto de Inclusão Social através da Música e das Artes (Prima), fizeram questão de tocar apenas composições de artistas paraibanos. Trabalhos como os de Luiz Gonzaga, Zé Ramalho e Adeildo Vieira não ficaram de fora e empolgaram.

Cantora de voz potente e de personalidade, Maria Juliana subiu ao palco para cantar com a OSPB e também agradou a plateia de figuras ilustres e convidados. Preparadora vocal e atuante no cenário local, ela se mostrou uma escolha acertada, conseguindo aquecer devidamente o público para a atração principal da noite: Zélia Duncan.

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Trajando um vestido longo e azul, Zélia entrou em cena poucos minutos antes da meia-noite e afirmou que estava feliz por poder parabenizar João Pessoa pelo aniversário antes do fim do dia.

A artista, que em nenhum momento destoou da proposta da noite, que era unir o erudito ao popular, assim como Ariano Suassuna fazia em suas obras, cantou músicas conhecidas de seu repertório como ‘Catedral’, ‘Alma’ e ‘Lá Vou Eu’. Tudo acompanhada em arranjos bem trabalhados pela OSPB, a qual fez várias reverências. “Não sei como vou conseguir me apresentar sem eles agora”.

Leia mais sobre a inauguração do Teatro Pedra do Reino aqui.

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