Fim do Quarteto Fantástico: Marvel em “guerra secreta” no cinema?

Apesar de transitarem por várias dimensões e explorarem mundos alternativos, agora é fato: a revista do Quarteto Fantástico, símbolo familiar da editora norte-americana de super-heróis Marvel, chega ao fim após sua primeira publicação, há 54 anos. Isso pode implicar em uma “guerra secreta” por direitos autorais no rentável universo pé-no-chão das adaptações cinematográficas.

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Criado no começo dos anos 1960 por Stan Lee e Jack ‘King’ Kirby, a equipe formada por Reed Richards (Senhor Fantástico), Sue Storm (Garota Invisível), Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (o Coisa) foi cancelada no número 645 do título Fantastic Four (cuja história foi batizada com o trocadilho “The End is Fourever”), lançada no final de abril nos Estados Unidos.

Mas, ai vem a dúvida: às vésperas de estrear nas telonas uma nova versão do grupo, por que a Marvel resolveu simplesmente parar de publicar a revista?

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Depois de 54 anos, título do quarteto nos EUA é cancelado / Divulgação

Diferente da rival DC Comics – lar de Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha e cia. –, que é subsidiária da Warner Bros., assim podendo reunir suas produções cinematográficas num único teto, a Marvel fundou recentemente seu estúdio de cinema e televisão para produzir filmes, desenhos animados e séries, a Marvel Studios, sendo parte do conglomerado Disney.

Antes, os direitos da adaptação de famosos personagens da Marvel foram vendidos para estúdios como a Fox, que ainda se encontra contratualmente com as produções dos mutantes X-Men e do Quarteto Fantástico.

O Homem-Aranha, que já tem duas franquias pela Sony, teve sua teia refeita na Marvel Studios para os próximos filmes e participações (inclusive nos Vingadores) este ano, depois de um acordo onde o aracnídeo voltaria, mas a distribuição ainda seria realizada pela própria Sony.

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Página do número 645 de ‘Fantastic Four – The End is Fourever’ / Divulgação

A versão oficial da editora é se trancar na Zona Negativa, fazendo “jogo de cintura” tão maleável quanto o Senhor Fantástico e rebater sem a truculência pedregosa do Coisa tais afirmações. Para a Marvel, foi apenas uma questão editorial cancelar o título do grupo. Para os leitores, a afirmativa ficou tão translúcida quanto um campo invisível para se defender e foi a fagulha para a editora se queimar (ou querer minar a bilheteria do novo filme, que tem previsão de estreia no Brasil para o dia 6 de agosto).

Se o título não tem tanta expressão nas vendas (fator que geralmente é decisivo para o cancelamento), a decisão da Marvel não pode ser tão “tiro no pé” assim. Independente disso, serve para pressionar indiretamente os estúdios da Fox.

Embora não tenha mais revista, os seus integrantes do Quarteto fantástico vão aparecer em outros títulos e grupos, como o personagem do Tocha Humana nos Inumanos. Igual a morte de super-heróis nas HQs, os leitores não precisam de poderes premonitórios para saber que Fantastic Four voltará (e isso possivelmente elevará as suas vendas).

No Brasil, o título é publicado atualmente pela Editora Panini na revista mix Universo Marvel.

ADAPTAÇÕES ADAPTADAS

Depois de uma adaptação do “Rei do Filme B” Roger Corman nos anos 1990, o quarteto surfou nas ondas da Fox com produções “engraçadinha” e abaixo da média como Quarteto Fantástico (2005) e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007).

O reboot agora está nas mãos de Josh Trank, responsável pelo “ensaio” super-heroico com a pegada documental em Poder Sem Limites (2012). Com o espírito mais teen e menos familiar, o time é formado por Miles Teller (de Whiplash – Em Busca da Perfeição) como Senhor Fantástico, Kate Mara (do seriado House of Cards) como a Mulher Invisível, Michael B. Jordan (que participou do elenco de Poder Sem Limites) como Tocha Humana e Jamie Bell (de As Aventuras de Tintim) como o Coisa. Confira o trailer oficial:

Em virtude dessas descrepâncias acerca de direitos autorais, houveram curiosidades e adaptações dentro das próprias adaptações.

A raça alienígena que invade o final do filme Os Vingadores (2012) era para ser os Skrulls. Segundo o diretor Joss Whedon, os aliens transmorfos iriam atrapalhar a narrativa pelo seu dom de mudar de forma. Mas vale ressaltar que os verdejantes Skrulls foram criados justamente numa aventura do Quarteto Fantástico. A solução foi colocar como antagonistas os Chitauris, raça criada no universo alternativo do tradicional, a linha Ultimate Marvel.

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Raça alienígena em ‘Vingadores’ (2012) foi trocada por aliens da linha alternativa da Marvel / Foto: divulgação

Outro exemplo foi o personagem Pietro Maximoff, vulgo Mercúrio. Originalmente, o velocista é mutante e filho do vilão Magneto, mas também é um Vingador junto com a irmã, a Feiticeira Escarlate. Por essa “dupla identidade”, ele apareceu tanto no X-Men – Dias de um Futuro Esquecido (2014) – com direito a uma cena tão antológica quanto a invasão do Noturno à Casa Branca no começo de X-Men 2 (2003) –, quanto no recente Vingadores: Era de Ultron, com uma versão não tão bem aproveitada na história, sem paternidade e chamado de “aprimorado”.

Outra curiosidade é a escalação do elenco nesses filmes. O ator Aaron Taylor-Johnson, o protagonista de Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010), encarna Mercúrio no filme dos Vingadores; já Evan Peters, amigo nerd de Taylor-Johnson no mesmo Kick-Ass, descolore os cabelos para o super-herói em Dias de um Futuro Esquecido.

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Aaron Taylor-Johnson é Mercúrio em ‘Vingadores: Era de Ultron’ (2015) / Foto: divulgação

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Já Evan Peters encarna o velocista em ‘X-Men – Dias de um Futuro Esquecido’ (2014) / Foto: divulgação

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