Billie Holiday: cinco músicas que atestam a supremacia de Lady Day

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O canto da música popular se divide entre antes e depois de Billie Holiday. A cantora, que faria cem anos nesta terça-feira (7), aplicou técnicas que se tornariam um marco da música. Além do mais, interpretava cada canção, cada letra, cada nota, com uma intensidade única.

Sua voz, de uma personalidade ímpar até os dias de hoje, emoldurou um vasto repertório, com canções que falavam da esperança de um novo amor até a dor da separação; da celebração pela vida, até músicas de protesto; da alegria de viver, até a tristeza de apanhar.

Entre a glória e a humilhação, entre o céu do estrelato e o inferno do álcool e das drogas, entre os holofotes do palco e as surras que levava dos maridos dentro de casa, Lady Day viveu cantando a história da própria vida.

Abaixo, cinco músicas que sintetizam a trajetória de Billie Holiday, dos seus maneirismos de cantar até a força de suas interpretações:

WHAT A LITTLE MOONLIGHT CAN DO – Em 2 de de julho de 1935, quando Billy Holiday não tinha mais que 20 anos, a cantora entrou em estúdio na companhia de Teddy Wilson e sua orquestra para registrar a versão definitiva de ‘What a little moonlight can do’. Neste vídeo, a cantora volta a interpretar a canção de Harry M. Woods, mais de 20 anos depois, e já debilitada pelos excessos de drogas e álcook (ela morreria no ano seguinte). Ainda assim, imprime uma força sem par à canção. Clique aqui e ouça a gravação original (presente em The Quintessential Billy Holiday vol. 1)

STRANGE FRUIT – Reza a lenda que, em princípio, Billie Holiday não entendeu o poema de Abel Meeropol, que falava sobre frutas estranhas balançando na brisa do Sul. Mas ao compreender do que se tratava a canção que viria a gravar em 20 de abril de 1939 pela Commodore (depois da recusa da Columbia), ela imprimiu uma força magnânima nos versos do que seria a primeira grande canção de protesto da história. Clique aqui e ouça a gravação original.

DON’T EXPLAIN – Em sua autobiografia (Lady Sings The Blues, editada no Brasil pela Zahar), Lady Day diz que compôs essa música depois que o então marido, Jimmy Monroe, chegou em casa com marcas de batom na camisa. “Don’t explain” é a resposta sucinta e magoada da esposa traída. A canção – parceria de Billie Holiday e Arthur Herzog Jr. – foi registrada em dia 14 de agosto de 1945 e lançada pela Decca. Clique aqui e ouça a gravação original.

AUTUMN IN NEW YORK – Famoso standard composto por Vernon Duke em 1934 para um musical da Broadway ganhou interpretações de gigante do jazz como Charlie Parker, Sarah Vaughan e foi até registrada em dueto por Louis Armstrong e Ella Fitzgerald. Nenhuma, contudo, tão bela e tocante quanto a performance de Lady Day, registrada na primavera de 1952 e lançada pela Verve no álbum Solitude, daquele ano.

I’M A FOOL TO WANT YOU – O último álbum lançado em vida por Billie Holiday foi o suntuoso Lady in Satin, gravado pela Columbia em 1958. Sob a regência e os arranjos do perfeccionista Ray Ellis, Billie, com a saúde já bastante comprometida, se desdobrou para dar vida a canções como esta. Muitos críticos consideram o desempenho dela um lixo neste trabalho. Porém, outros enxergam nele uma interprete com a capacidade cada vez mais profunda de expressar seus sentimentos. Ouça e tire suas conclusões.

 

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