Espanhol Antonio Altarriba lança o álbum ‘A Arte de Voar’ em João Pessoa

“É uma daquelas HQs que conquistaram leitores até entre aqueles que não costumam ler quadrinhos”, são as palavras do editor Rogério de Campos sobre o álbum espanhol A Arte de Voar (224 páginas, R$ 29,90), escrito por Antonio Altarriba e desenhado por Kim. “Eu tinha lá meus planos, mas foi A Arte de Voar que me fez decidir de vez criar uma nova editora. Ou seja, a Veneta surgiu para publicar o A Arte de Voar. Depois vieram todos os outros, de que também me orgulho muito”.

Altarriba veio para o Brasil para participar de dois eventos: a Tarrafa Literária, em Santos (SP) e a sessão de autógrafos da HQ nesta quarta-feira (dia 1°), a partir das 18h30, na gibiteria Comic House, localizada na av. Nego, 255, no bairro de Tambaú, em João Pessoa.

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Assim como obras-primas a exemplo de Maus, de Art Spiegelman, Antonio Altarriba quis contar a história de seu pai, também de mesmo nome, em forma de quadrinhos. Para alçar esse voo, a pista de decolagem utilizada pelo escritor foi todo o Século 20, onde se pode focar na trajetória de um homem através dos movimentos sociais libertários na Europa como sua participação na Guerra Civil Espanhola e na resistência francesa contra o nazismo.

altarriba2Publicado originalmente com uma tiragem de mil exemplares, sem grandes ambições comerciais, a obra se transformou em um fenômeno de vendas na Espanha e em outros países, dentre eles França, Itália, Alemanha, Sérvia, Turquia, Coréia e Catalunha. Conquistou também prêmios importantes como nas categorias Melhor Obra, Roteiro e Arte no Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona 2010.

Sempre simpático e de bom humor, o autor chegou na segunda-feira (dia 29) provando a culinária tipicamente nordestina com pernil de bode e baião de dois regado ao suco de umbu, com Gonzagão como trilha sonora.

Durante o almoço, Altarriba falou sobre a situação de mercado dos quadrinhos na Espanha. Assim como o brasileiro radicado por lá, Marcello Quintanilha (de Tungstênio), o escritor falou que a crise ainda assola o país, um reflexo que se espelha por toda a Europa. Segundo Antonio Altarriba, ainda estável se encontra o prolífero mercado franco-belga.

Tanto que quando começou o projeto de cinco anos da produção do álbum, em 2004 (três anos depois do seu pai cometer suicidio, aos 90 anos), seus amigos e companheiros escritores não viam com bons olhos a escolha do gênero. “Isso dá uma ideia do preconceito. É como fazer a vida do meu pai em quadrinhos fora um insulto, um desprezo para ele”.

De acordo com o espanhol, a Veneta está negociando a versão brasileira para um álbum recém-lançado na Europa, Moi, Assassin, com arte do conterrâneo Keko. A HQ é sobre um professor de História da Arte que pratica assassinatos na ótica de ser a expressão máxima da criatividade.

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