Centenário de Burroughs

Burroughs pelas lentes de Annie Leibowitz (Foto: Divulgação/Royal Academy)

Burroughs pelas lentes de Annie Leibowitz (Foto: Divulgação/Royal Academy)

No mês do centenário de William Burroughs (1914-1997), conversamos com o escritor Daniel Pellizzari, tradutor da versão definitiva de Almoço Nu (Ediouro, 240 páginas, R$ 46,90). Confira o papo:

Vida e Arte – O centenário do Burroghs, este mês, tem passado em branca nuvens. A que razões você atribui este fato?

Pellizzari – Não diria que chegou a passar em brancas nuvens, não. Acho que o centenário teve uma repercussão proporcional à importância e à atuação dele na literatura: seria mesmo estranho ver um sujeito que foi um genuíno outsider, e de tantas maneiras, festejado abertamente.

Vida e Arte – Como foi a experiência de traduzir Almoço Nu e ingressar num seleto time de tradutores do Burroughs composto, por exemplo, pelo Reinaldo Moraes? Qual a principal dificuldade que você encarou em verter a literatura dele para o português?

Pellizzari – Foi complicado, mas prazeroso. Eu já era fã do livro e aceitei o trabalho sabendo muito bem onde estava me metendo, mas louco pelo desafio. Eu gosto de livros que dão trabalho, o que às vezes acarreta problemas severos para o padrão de vida dos meus filhos.

Vida e Arte – Você acha que o Burroughs tem o lugar merecido, hoje, no mercado editorial brasileiro? Ele não fica meio em segundo plano diante de figuras como o Kerouac, por exemplo? Há algum título, em especial, que você gostaria de ver editado por aqui?

Pellizzari – Não acho que o Burroughs seja um autor essencial, no grande esquema das coisas. É um autor muito importante para quem gosta de literatura experimental, e para o meu gosto é muito superior ao Kerouac, por exemplo. Mas o público dele sempre foi pequeno, é um autor de nicho – que talvez tenha tido uma influência até maior do que normalmente teria por ter caído nas graças de leitores que também eram criadores e assim acabaram divulgando mais seu trabalho. Quanto aos não publicados, acho que Cities of the red night merecia uma edição brasileira. É meu segundo predileto, depois do Naked lunch.

 

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