Antes do palco desabar, cinco discos que fizeram história nos anos 90

Ricardo Alexandre e a capa de 'Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar'

Ricardo Alexandre e a capa de ‘Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar’ (abaix0)

O Jornal da Paraíba desta quarta-feira (12) publica uma entrevista com o jornalista paulista Ricardo Alexandre. Autor do fundamental Dias de Luta: O Rock e o Brasil nos Anos 80 e da biografia de Wilson Simonal, Nem Vem Que Não Tem, livro que lhe rendeu um prêmio Jabuti, ele acaba de lançar Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar: 50 Causos e Memórias do Rock Brasileiro (1993-2008).

Liguei para casa dele e batemos um bom papo sobre a música e o jornalismo (sobretudo de música) dos anos 90, época que ele começou a atuar em redações – coincidência, eu também!

Com textos deliciosos que me fizeram devorar suas 256 páginas em apenas duas noites, ele narra histórias saborosas. São textos autobiográficos que relatam seu encontro com artistas e defendem “teses” das mais diversas sobre acontecimentos da época (MTV, Mamonas Assassinas, o fenômeno emo, os mineiros, os selos, a crítica musical etc.)

CHEGUEI-BEM-A-TEMPO-okO livro será lançado oficialmente em São Paulo nesta quinta-feira (13) e no Rio na quinta-feira que vem (20). Duas bandas da época, já desativadas, voltam para coroar os eventos: The Charts em Sampa e  Piu-Piu e Sua Banda no Rio. Mais detalhes aqui.

Ricardo Alexandre também virá ao Recife em abril, lançar o livro. Participará de um evento vinculado ao Abril Pro Rock. Por enquanto, não tenho mais detalhes, mas voltarei ao tema em breve.

Pedi pro Ricardo listar os cinco discos fundamentais dos anos 90, o que ele fez gentilmente e sem pestanejar. Eis a lista, com comentários do próprio jornalista:

Calango (Chaos/Sony, 1994). “Esse disco do Skank é dos meus favoritos, justamente por ser tão tecnológico e caipira ao mesmo tempo”.

Afrociberdelia (Chaos/Sony, 1996). “Esse disco é um marco! Apesar de ser um disco de estúdio, é o disco que mais tem o impacto que o Chico Science & Nação Zumbi imaginava para o som dele e a gente imaginava para o som deles”.

Raimundos (Bangela/Warner, 1994). “Primeiro disco dos Raimundos é um clássico! A banda de rock mais brasileira que a gente teve, a mais original”.

Roots (Roadrunner, 1996). “O Sepultura inspirou toda essa geração de alguma maneira, inclusive mercadologicamente, porque ele mostrou que era possível criar um caminho independente em relação às grandes gravadoras e os grandes circuitos”.

Sobrevivendo no Inferno (Cosa Nostra, 1997). “Acho que os Racionais MC’s fecham o período de grandes esperanças do pop brasileiro. É um disco muito sombrio e, ao mesmo tempo, é exatamente o que o Sepultura falava, 10 anos antes, de que você não precisa das grandes corporações para estabelecer o seu caminho. Infelizmente, foi um discurso que foi muito abafado por um mercado que estava muito eufórico, então a gente não entendeu direito o que os Racionais estavam direito. Mas a mensagem está lá!”

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