De MPB a grindcore, o Mundo gira

Curumin fechou a primeira das duas noites de shows do Festival Mundo 2013 (foto: Thercles Silva)

Curumin fechou a primeira das duas noites de shows do Festival Mundo 2013 (foto: Thercles Silva/divulgação)

Na primeira noite do Festival Mundo teve ombro deslocado, show furioso, cover de Cátia de França, os mano e as mina e até paulista fazendo funk carioca! Só não teve Far From Alaska, o que decepcionou parte do público que chegou cedo à Usina Cultural Energisa no sábado (2), em João Pessoa.

Em seu perfil no Facebook, o grupo de Natal (RN), elogiado pela banda americana Garbage, justificou a ausência revelando que teve que embarcar para o Rio de Janeiro, onde grava, neste final de semana, seu disco de estreia pela DeckDisc.

Sobraram, então, nove shows para o público se divertir em uma maratona de aproximadamente sete horas de música de todos os tipos, da MPB ao rap, passando pelas vertentes mais furiosas do rock pesado, como o grindcore.

Cheguei com duas bandas de atraso – já haviam se apresentado as locais Licenciosa e Procura-se Fabiano – e peguei parte do bom show dos gaúchos Medialunas, cuja formação guitarra+bateria lembra bastante o White Stripes.

Mesmo com ombro deslocado e muita dor, baixista-vocalista do Facada faz show furioso (Thercles Silva/divulgação)

Mesmo com ombro deslocado e muita dor, baixista-vocalista do Facada faz show furioso (Thercles Silva/divulgação)

Sem Far From Alaska, o Facada entrou em cena para um pequeno público. O som é uma paulada apocalíptica – dizem que o último disco dos caras, Nadir, lançado lá fora, foi considerada pela imprensa gringa como uma aula de grindcore.

Por duas vezes, o baixista-vocalista James descolou o ombro. Mas como o show não pode parar e, mesmo com dor, o vocalista segurou a onda e injetou ainda mais fúria no som alto e poderoso do grupo cearense. Os poucos que viram, gostaram.

Sem disco novo na mão, Zefirina Bomba vai de 'Lado B' a velhos hits (Thercles Silva/divulgação)

Sem disco novo na mão, Zefirina Bomba vai de ‘Lado B’ a velhos hits (Thercles Silva/divulgação)

Na sequência foi a vez do explosivo Zefirina Bomba, que acabou não realizando o show de lançamento do novo CD, #3, alegando que os CDs não haviam chegado da fábrica ainda.

Improvisando o repertório com lados B, o show começou meio sem rumo (mais tarde, descobri que devido a uma série de contratempos), com o vocalista Ilson Barros vociferando contra desafetos. Quem? Não importa. Valeu como aquecimento para o que a banda viria a mostrar na segunda metade do show.

Do meio para o fim, o ZF emendou músicas novas (como a ótima ‘A-Misérica”) e hits do quilate de ‘Sobre a cabeça” e terminou numa catarse, descendo os instrumentos do palco e cantando no meio do público – um pouco mais numeroso -, com duas baterias, uma pilotada pelo titular Ryan Lins e outra pelo baixista Edy Gonzaga (o baixo ficou com a integrante do Scary Monsters, que chegou substituir Edy em uma excursão pelo interior da Bahia).

O Coletivo Tribo Éthnos surgiu logo em seguida para dar passagem à dança com o espetáculo Ethnotron – Ghetto Experiment, conduzido com desenvoltura pelo performático Vant Vaz.

Entre dois shows de hip-hop – um com “os mano” e “as mina” locais, cujo figurino, os trejeitos e, principalmente, o som, deixa a moçada com cara de quem parou no tempo, sem nada de novo a mostrar, e a paulista Lurdez da Luz, com bases bem mais firmes e uma postura mais consistente no palco, embora sem grandes atrativos – se posicionou A Troça Harmônica.

A Troça Harmônica se consagra em show que terminou com versão épica de 'Kukukaya' (Delosmar Magalhães/divulgação)

A Troça Harmônica se consagra em show que terminou com versão retumbante de ‘Kukukaya’ (Delosmar Magalhães/divulgação)

A Troça, que já tocou para um público considerável, que chegou depois das 21 horas, injetou MPB em uma noite de guitarras barulhentas e ladainhas.

Com quatro integrantes – os Limeiras Chico, Regina e Gustavo, mais Lucas Dourado – o quarteto, bem vestido e bem entrosado, mostrou um belíssimo repertório acústico autoral, leu poesia e arrebatou o público com uma versão retumbante de ‘Kukukaya’, de Cátia de França, que foi ovacionado. Foi a consagração da grande revelação da música paraibana em 2013.

O baterista-vocalista Curumin fechou a primeira noite. O headline não decepcionou quem queria ouvir as canções do incensado disco estreia do rapaz, Japanpopshow (2008). ‘Compacto’, ‘Magrela fever’, ‘Kyoto’ e o irresistível funk ‘Caixa preta’, que levantou o público, integraram o repertório da apresentação de pouco mais de uma hora.

 

A maratona de shows continua neste domingo (3) com mais dez shows – se ninguém mais desistir. Confira os horários:

16h – Mate Ou Morra (PB)

Palco 1 | Usina Cultural Energisa

16h35 – Red Butcher (PB)
Palco 2 | Usina Cultural Energisa

17h10 – Monster Coyote (RN)
Palco 1 | Usina Cultural Energisa

18h20 – Uh La La (PR)
Palco 2 | Usina Cultural Energisa

18h55 – Burgo (PB)
Palco 1 | Usina Cultural Energisa

19h30 – Rieg (PB)
Palco 1 | Usina Cultural Energisa

20h05 – Seu Pereira e Coletivo 401 (PB)
Palco 2 | Usina Cultural Energisa

21h00 – Escurinho (PB)
Palco 1 | Usina Cultural Energisa

21h55 – DuSouto (RN)
Palco 2 | Usina Cultural Energisa

22h50 – Di Melo (SP)
Palco 1 | Usina Cultural Energisa

Lembrando que as apresentações na Usina Cultural Energisa vão, no máximo, até meia-noite.

Os ingressos, para meia-entrada custam:  R$15 (antecipado), R$20 (na bilheteria). Para quem não é contemplado com o benefício de meia-entrada, há o ingresso social por R$20 + 1 livro e o ingresso “Dahora” por R$15 (válido com entrada até 16h).