Pearl Jam lança novo álbum repleto de baladas

Pearl Jam disponibilizou 'Lightning Bolt' para audição no iTunes (reprodução)

Pearl Jam disponibilizou ‘Lightning Bolt’ para audição no iTunes (reprodução)

Por André Cananéa O vocalista Eddie Vedder disse à revista Rolling Stone EUA: “Estamos tentando fazer não somente o melhor disco do Pearl Jam, mas também, simplesmente, o melhor disco”.

Lightning Bolt, que o grupo liberou no iTunes nesta terça-fera (8) – e, consequentemente, vazou para todo mundo – é um bom disco, mas não é o melhor da banda de Seattle.

Disco chegará às lojas no próximo dia 15

Disco chegará às lojas no próximo dia 15

Oficialmente, o décimo álbum de inéditas do grupo em pouco mais de 20 anos de carreira chega às lojas de todo o mundo no próximo dia 15 de outubro.

É um disco repleto de baladas e canções fáceis, pop, e comerciais. Feitas sob medida para agradar.

Lembro de um texto do jornalista André Forastieri na extinta revista Bizz. Acho que falava de um disco do Mudhoney, e para apresentar a banda, ele escreveu algo mais ou menos assim: enquanto o Nirvana quer destruir o mundo e o Pearl Jam quer reconstruí-lo, o Mudhoney não está nem aí!

O Pearl Jam continua sendo o bom-moço do rock. Mais: o bom moço do mercado. Seu disco de 12 faixas tem sido promovido com movimentos friamente calculados: o grupo tem feito contagem regressiva no site, liberado entrevistas feitas por celebridades e, claro, soltando os videoclipes.

É o tipo de coisa que gera notícia (ser entrevistado por celebridade), mexe com a ansiedade dos fãs (contagem regressiva) e mantém olhos e ouvidos atentos (clipes). Mais que isso: nestes tempos de rede social, de blog, de que todo mundo é crítico de música, juiz de futebol e profundo conhecedor de religião, política e meio ambiente, o som causado pela expectativa é muito maior que a música que o Pearl Jam consegue tocar.

Lightning Bolt me lembrou muito o último disco do Coldplay, Mylo Xyloto (2011): ele é todo ensaiado. Há o punk-rock furioso para agradar a garotada (‘Mind your manners’); a balada doce (‘Sirens’); a balada agridoce (‘Infallible’); a balada-country (‘Sleeping by myself’, regravada do solo de Eddie Vedder, Ukulelele Songs). Até a frase de Vedder, citada no começo deste texto, parece bem ensaiada.

Como se vê, as baladas dominam o disco. Tudo bem asseado e pronto para degustação. Além de ‘Sirens’e ‘Sleeping by myself’, há ‘Pendulum’, ‘Yellow Moon’ e ‘Future days’. Triviais, apenas.

‘Swallowed whole’ é a canção montanha-russa, alternando momentos calminhos com picos histéricos. Disparado, ‘Let the records play’ é a mais surpreendente, com sua pegada Tarantino, exalando rockabilly por todas as notas.

Lightning Bolt é um bom disco, não mais que isso – até porquê o Peal Jam, a esta altura, não sabe fazer disco ruim. Mas está longe de ter o vigor de Ten (1991), do fôlego de Vs (1993) e da genialidade de Vitalogy (1994). Sequer, o punhado de boas canções do homônimo Pearl Jam (2006).

Contação: *** (bom)

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