“Zépultura” e a consagração de Zé Ramalho na tribo do metal

Zé Ramalho no Rock in Rio (foto: Victor Nomoto/RockinRio)

Zé Ramalho no Rock in Rio (foto: Victor Nomoto/RockinRio)

Por André Cananéa

Quando o Metallica chamou ao palco Lou Reed, no aniversário de 25 anos do Rock ‘n’ Roll Hall of Fame, em 2009, estabelecia-se ali um encontro de gigantes: o lendário vocalista/letrista da seminal Velvet Underground revisitava dois de seus grandes clássicos (‘Sweet Jane’ e ‘White Light/ White Heat’) na companhia rápida e feroz da maior banda de thrash metal do mundo.

O correspondente brasileiro desse encontro teve forma no Palco Sunset, domingo (22) passado, na última noite do Rock in Rio. Era a banda mineira Sepultura, uma das mais destacadas do subgênero thrash no mundo, que recebia o lendário trovador Zé Ramalho.

O encontro foi histórico e memorável.

Sob a ovação “Zé-pul-tu-ra! Zé-pul-tu-ra! Zé-pul-tu-ra!” que emanava da plateia, Zé Ramalho revisitou quatro clássicos seus: ‘A dança das borboletas’, ‘Jardim das acácias’, ‘Mote das amplidões’ e ‘Admirável gado novo’, ponto alto da apresentação.

As canções do paraibano ganharam asas na guitarra veloz de Andreas Kisser, peso no baixo cavalar de Paulo Jr e barulho nas baquetas de Eloy Casagrande e do vocalista Derrick Green, que assumiu a percussão na metade final do show.

Zé Ramalho, todo de preto, parecia curtir todo aquele barulho do palco. Mais: parecia que o metal era sua tribo. E os fãs o reverenciavam como uma espécie de guru do metal!

O paraibano foi chamado na metade do show. Até ali, o Sepultura já tinha equilibrado seis canções do próprio repertório, entre inéditas (‘The hunt’), clássicos (‘Innerself’, ‘Propaganda’) e lados B (‘Spit’).

A entrada de Zé Ramalho foi saudada por um cover de Chico Science & Nação Zumbi, ‘Da lama ao caos’, cantada por Kisser. Segundo ele, o cover estará no próximo disco do Sepultura, The Mediator Between the Head and Hands Must be the Heart, previsto para sair em outubro.

Além de suas próprias canções, Zé Ramalho ainda emprestou sua voz naturalmente gutural à ‘Ratamatta’ (sim, ficou jóia!) e ‘Em busca do ouro’, faixa do CD solo de Andreas Kisser que vem aí, cantada pelo próprio em estúdio.

O encontro entre o Sepultura e Zé Ramalho merece uma reprise. Em disco, de preferência.
Set list – Sepultura

‘Dark Wood Error’

‘Innerself’

‘Propaganda’

‘Dusted’

‘Spit’

‘The Hunt’

‘Da Lama ao Caos’

“A Dança das Borboletas” (com Zé Ramalho)

“Jardim das Acácias” (com Zé Ramalho)

“Mote das Amplidões” (com Zé Ramalho)

“Em Busca do Ouro” (com Zé Ramalho)

“Ratamahata” (com Zé Ramalho)

“Admirável Gado Novo” (com Zé Ramalho)

Clique aqui e confira a apresentação, na íntegra.

 

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