(Crítica) ‘Rush – No Limite da Emoção’

RUSH

‘RUSH’. Hunt (Hemsworth) e Lauda (Brühl): filme com cara de Oscar (divulgação)

No Jornal da Paraíba desta terça-feira (17), publiquei minha resenha sobre o filme Rush – No Limite da Emoção.

Confira:

Duelo de titãs nas pistas (e fora delas)

Por André Cananéa

Para o diretor Ron Howard (Cocoon, Apollo 13, O Código da Vinci, Frost/Nixon), a rivalidade feroz entre dois pilotos de personalidades diametralmente opostas se sobrepõe a qualquer grande competição de Fórmula 1. É pensando assim que ele constrói Rush – No Limite da Emoção (Rush, 2013), em cartaz nos cinemas de João Pessoa.

Rush não é um filme sobre corridas de carros, como o são 500 Milhas (1969) e As 24 Horas de Le Mans (1971), mas sobre como o austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl, em interpretação digna de Oscar) interferia na carreira do inglês James Hunt (Chris Hemsworth), e vice-versa.

Lauda é metódico, sério, entende de mecânica e é homem de uma mulher só. O bonitão Hunt é um fanfarrão: leva a vida como astro de rock, em meio a sexo, drogas e corridas agressivas. É sobre essa dualidade que o roteiro afiado de Peter Morgan (Frost/Nixon, A Rainha) trabalha, e se sai bem.

Ao recortar a trajetória desses dois pilotos, do momento em que eles se encontram nas pistas ao final do Mundial de 1976, célebre pela disputa palmo-a-palmo entre Lauda e Hunt, e pontuado pelo acidente que quase pôs fim à vida do autríaco, Howard constrói um drama com ótimas cenas de ação, tornando Rush um filme para um público mais abrangente que aquele que acompanha a Fórmula 1.

Mas, claro, há deleites para esse público, e um deles está na boa dose de fidelidade aos acontecimentos reais – incluindo uma breve passagem da competição pelo autódromo de Interlagos.

Rush

SUBTRAMAS – Suzy (Olivia Wilde) trocou o piloto por Richard Burton (divulgação)

As vidas pessoais de Hunt – sobretudo ele – e Lauda rendem subtramas envolventes, como o casamento do piloto inglês com a modelo Suzy Miller (Olivia Wilde), que o trocou por Richard Burton (provocando a separação do ator com Elizabeth Taylor).

Howard cercou-se de uma boa equipe. Além de Morgan no roteiro, contou com o olho experiente do diretor de fotografia Anthony Dod Mantle – que não só caprichou nas (poucas) cenas de corrida, como no filtro esverdeado da imagem (que parece ter saído do Instagram) -, com a trilha de Hans Zimmer (vencedor do Oscar por O Rei Leão) e de um elenco competente (pode acreditar: até Hemsworth se sai bem no papel de Hunt).

E embora exagere nas tintas heróicas dos protagonistas, Howard faz um bom trabalho em um filme memorável. E digno de uma chance ao Oscar 2014.

Cotação: ****

(* texto publicado originalmente no caderno Vida & Arte do Jornal da Paraíba de 17/9/2013)

 

2 respostas para (Crítica) ‘Rush – No Limite da Emoção’

  1. Sidney says:

    Tenho certeza que algumas das cenas podem ser bem mais trabalhada. Cenas ensaiadas em circuito com veículos da época poderiam ser usadas com sucesso. Um abraço a todos…

    • Ah sim, Sidney. O filme tem algumas coisas que poderiam ser retiradas, outras que poderiam ser melhoradas, daí as 4 estrelas que dei no jornal (e que acabo de disponibilizar no post também). Mas não tira o mérito de ser um filme bem construído! Obrigado pelo comentário e abraços!

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