Cagepa encerrará racionamento em Campina Grande em duas semanas

Contagem regressiva: população enfrenta racionamento com 3,5 dias sem água nas torneiras

Racionamento de água em Campina Grande ocorre desde dezembro de 2014. Imagem/Reprodução/Youtube

O racionamento de água em Campina Grande e outras 18 cidades do entorno deve ser encerrado em duas semanas. A previsão é da direção da Agência Executiva de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa). Atualmente, os moradores da cidade convivem com a dura realidade de enfrentar metade da semana sem uma gota de água nas torneiras. O racionamento para os municípios atendidos com água do Açude Epitácio Pessoa, o Boqueirão, foi iniciado em dezembro de 2014. Sem chuvas regulares na região, a perspectiva de acabar com o racionamento decorre da transposição de águas do rio São Francisco. O cumprimento do cronograma, inclusive, depende da regularidade no fornecimento da água.

Atualmente, o açude acumula 29 milhões de metros cúbicos de água. Isso corresponde a 7% do volume total. A capacidade do manancial é para 411 milhões de metros cúbicos de água. O racionamento será encerrado quando se chegar a 33,8 milhões de metros cúbicos, segundo Fernandes. Ou seja, é necessário apenas mais 1% da capacidade de acumulação para que a situação seja estabilizada. As águas da transposição começaram a chegar à Paraíba no dia 8 de março. De lá para cá, houve intermitência por causa de problemas na estrutura. Primeiro houve o rompimento no Reservatório Barreiro, em Sertânia (PE). Depois no canal entre Custódia e Sertânia, ambos no Estado de Pernambuco.

Os problemas, reforça João Fernandes, fizeram com que a água nunca chegasse no volume de entrega prometido. “Se isso não tivesse ocorrido, o racionamento já teria acabado”, ressaltou. A promessa inicial era do envio de 9 metros cúbicos por segundo de água para a Paraíba. Apesar disso, o volume nunca ultrapassou a marca de 7,8 metros cúbicos por segundo. Desde a última intercorrência, quando houve o rompimento das placas do canal, em Pernambuco, o volume enviado para a Paraíba não tem superado em muito a marca de 3,1 metros cúbicos por segundo. “Se chegassem pelo menos 6 metros cúbicos de água, a situação já estaria resolvida”, ressaltou.

Eixo Norte: Supremo derruba liminar que impedia retomada das obras da transposição

Cármen Lúcia entendeu que paralisação das obras causaria prejuízo à população

Obras da transposição vão beneficiar os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Foto: Divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a liminar que impedia a retomada das obras no Eixo Norte da Transposição. O despacho da presidente da Corte, Cármen Lúcia, foi proferido no dia 17 deste mês, mas tornado público apenas nesta terça-feira (20). A decisão torna sem efeito liminar concedida em abril pelo desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Ele havia acatado os argumentos da Construtora Passarelli, que foi descredenciada do certame por não ter comprovado capacidade técnica para a obra. A empresa alegava prejuízo ao erário por ter apresentado a menor proposta.

O contrato com os vencedores da licitação, o Consórcio Emsa-Siton, foi assinado pelo Ministério da Integração Nacional no dia 21 de abril, uma semana antes da concessão da liminar que suspendeu o início das obras. A previsão era de que as águas do rio São Francisco corressem pelas estruturas físicas de todo o Eixo Norte e cheguem ao Ceará até o final de 2017. Esse trecho foi projetado para beneficiar mais de 7 milhões de pessoas no estado e também no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba. O valor pactuado é de R$ 516,84 milhões. O montante é R$ 75 milhões mais caro que o apresentado pela Construtora Passarelli.

A decisão foi divulgada no mesmo dia em que deputados estaduais, religiosos e entidades de Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará participam de uma caravana em defesa da transposição. Nesta segunda-feira, depois de passar por Terra Nova e Salgueiro, em Pernambuco, e Jati, no Ceará, a comitiva participou da procissão das velas, realizada na cidade de São José de Piranhas, na Paraíba. A programação tem continuidade neste terça-feira com visitas a Pau dos Ferros e Caicó, ambos no Rio Grande do Norte.

Decisão

Na sua análise, a presidente do Supremo Tribunal Federal alega que apesar de ter apresentado menor valor, a Construtora Passarelli não conseguiu demonstrar a capacidade técnica para a execução da obra. Além disso, assegura que o edital reforçava a exigência do quesito para a assinatura do contrato. Outro ponto ressaltado foi o de que a não retomada das obras provocaria grande prejuízo para a população, pelo não fornecimento dos recursos hídricos.

“Assim, há de se reconhecer que a manutenção dos efeitos da decisão questionada, pela qual antecipados os efeitos da tutela recursal no Agravo de Instrumento n. 1001742-82.2017.4.01.0000, expõe a risco de lesão a ordem econômica, pois o prejuízo desencadeado pela paralisação do certame e consequente descontinuidade das obras supera significativamente eventual vantagem da proposta oferecida pelas Impetrantes”, diz o despacho da ministra.

Alegações

A Construtora Passarelli questionava os critérios usados pelo Ministério da Integração Nacional por entender que possuía, de fato, a capacidade técnica para a realização da obra. A empresa alegou que tem atestado de capacidade técnico-operacional e que ele foi ignorado pelo órgão. A ministra, no entanto, ressaltou na sua decisão que os requisitos apresentados pela empresa não eram suficientes para preencher as exigências do edital. A construtora alega que o atestado não foi aceito com base em um item do certame que não deveria ser considerado para a eliminação.

Para o Ministério da Integração, porém, as exigências técnicas que a construtora não tem são exigidas pelo governo federal desde 2011, o que, segundo a pasta, inviabiliza a contratação da Passarelli para a realização da obra.

 

Fragilidade na estrutura faz obras da transposição “derreterem” como açúcar

População registra desmoronamentos no canal que corta a cidade de Monteiro

Desmoronamento ocorrido nesta semana em Monteiro preocupa a população. Foto: Divulgação/MPF

As obras da transposição não têm passado no teste de fogo, quer dizer, da água. Desde a abertura das comportas, em março deste ano, não têm sido poucos os problemas. Alguns com grande e outros com pouco impacto. O primeiro contratempo ocorreu no reservatório Barreiro, em Pernambuco, dias antes da abertura das comportas que trariam a água do São Francisco para a Paraíba. Mais recentemente, novo rompimento. Desta vez, no canal entre as cidades de Custódia e Sertânia. Nos dois casos, muito transtorno, mas sem perdas humanas. Nesta sexta-feira (16), novas fotos encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF), na Paraíba, mostram que a situação pode se complicar ainda mais.

Pescadores foram surpreendidos, nesta semana, com o desmoronamento de parte das placas. A terra e rochas rolaram para dentro do canal, mas sem risco para a coletividade. As imagens, no entanto, mostram a fragilidade ao longo do canal já próximo à área urbana de Monteiro, na Paraíba. A Procuradoria da República instaurou um inquérito civil no início do ano para acompanhar a obra. A falta de laudos que comprovem a segurança na estrutura, bem como um plano de contingência, fizeram com que a procuradora Janaína Andrade lançasse um alerta para a população. Entre as recomendações, está o pedido para que as pessoas não tomem banho no canal da transposição e nem no rio Paraíba, no curso da transposição.

Gradeamento do canal mostra as condições de poluição nas águas da transposição. Foto: Divulgação/MPF

As fotos também mostram a poluição no curso do manancial. O gradeamento tem retido garrafas e outros tipos de resíduos lançados no canal pela população. A procuradora da República, inclusive, tem alertado para o risco de novos acidentes. Ela ressalta que muitos dos paliativos no curso da obra têm ganhado status de definitivo. Os órgãos responsáveis pela obra, principalmente o Ministério da Integração Nacional, têm sido alvo de cobranças. De acordo com Alberto Gomes, coordenador estadual do Departamento Estadual de Obras Contra as Secas (Dnocs), “o Ministério da Integração está analisando esse empuxo”.

Durante a reunião ocorrida em Brasília nesta semana, após o rompimento do canal, a procuradora da República Polireda Medeiros, integrante do Grupo de Trabalho Revitalização do Rio São Francisco, da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF, apresentou ao Ministério da Integração Nacional preocupações relativas à segurança das barragens do canal da transposição e a uma licença de pré-operação concedida pelo Ibama, cuja legalidade o MPF examina. No estado da Paraíba, por exemplo, todas as barragens da transposição estão indicadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) como de risco, mas nenhuma delas conta com plano de ação de emergência.

A procuradora informou ainda sobre a existência da tramitação de diversos inquéritos civis públicos que examinam denúncias de superfaturamento, fiscalização deficiente, erros de projeto e execução e, agora, a causa deste recente acidente. Nesta quarta-feira (14), o sistema foi normalizado. O rompimento não gerou vítimas, apenas danos ao bem público, a uma estrada vicinal e a propriedades particulares próximas ao local, em sua maior parte com avarias em cercas.

Ao fim da reunião, restou acordado que:

a) o Ministério da Integração Nacional dará acesso integral ao Ministério Público Federal na Paraíba aos projetos de integração do São Francisco;

b) que em até três meses o plano de segurança de barragens e o plano de ações emergenciais dos reservatórios serão encaminhados à ANA;

c) que o Ministério da Integração manterá em prontidão equipes de monitoramento dos trechos em construção e já construídos e

d) que as 12 barragens do Eixo I serão diagnosticadas por consultor independente, do mesmo modo que outros equipamentos do sistema, escolhidos por meio de amostragem.

Veja outros casos

3 de março de 2017 – Reservatório Barreiro, em Sertânia. Muito transtorno e destruição no curso da transposição. 

10 de junho de 2017 – Rompimento do canal da transposição situado entre Custódia e Monteiro

Foto: Divulgação

 

 

Assembleia entra na briga pela retomada das obras no Eixo Norte da Transposição

Deputados querem que o STF julgue logo o recurso que tramita na Corte

Os deputados estaduais paraibanos entraram de vez na briga pela retomada das obras da transposição. Os parlamentares aprovaram nesta quarta-feira (14) requerimento para ser enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Eles querem que a corte acelere a deliberação sobre o recurso que suspende as obras no Eixo Norte. O consórcio vencedor da licitação foi contestado na Justiça. As obras estão paradas desde julho do ano passado e sem a conclusão deste trecho as águas do Rio São Francisco não chegam ao sertão da Paraíba, do Rio Grande do Norte e Ceará.

“O envio do recurso para a PGR, definido pela ministra Carmen Lúcia, já é um avanço, mas, é preciso que a PGR tenha celeridade para dar o parecer o mais rápido possível para que o STF possa deliberar também de forma célere, porque é preciso suspender essa liminar, porque se isso não acontecer, precisamos ter uma alternativa que é um contrato de emergência, porque o que não pode acontecer é a gente esperar pelo colapso na Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte de braços cruzados”, argumenta Jeová, autor do requerimento.

De acordo com o deputado, o problema começou logo após o término da licitação para retomada das obras do Eixo Norte. As empresas perdedoras entraram em litígio, com uma ação judicial para suspender a assinatura do contrato. Com a suspensão da assinatura do contrato, não pode existir obra, já que a obra só pode ser iniciada com a formalização do contrato. “O que nós estamos pedindo é a suspensão da liminar para que o Ministério da Integração Nacional possa fazer o contrato e a obra se inicie. Estamos, na realidade, pedindo que o STF ajude o governo a iniciar a obra, seja pela validação da licitação ou pela formalização de um contrato emergencial, plenamente previsto em situações de calamidade, como é o caso da falta de água”, finalizou Jeová.

 

Barragens da transposição na Paraíba estão na lista de alto risco da ANA, diz MPF

Alerta foi apresentado durante reunião no Ministério da Integração Nacional

Conserto no canal da transposição, em Pernambuco. Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) revelou, nesta quarta-feira (14), a falta de segurança em todas as barragens da transposição, na Paraíba. O problema foi exposto durante reunião no Ministério da Integração Nacional, em Brasília. No fim de semana, o canal da transposição do Eixo Leste rompeu entre Custódia e Sertânia, em Pernambuco, próximo ao reservatório Copoti. O mesmo, segundo o órgão, pode ocorrer em terras paraibanas. O trecho é executado pela empresa OAS. Além de dar ciência do fato a autoridades federais responsáveis, o MPF passou a acompanhar as providências para a correção do problema e, nesta terça-feira (13), esteve presente em reunião no Ministério da Integração, em Brasília.

Durante a reunião, a procuradora da República Polireda Medeiros, integrante do Grupo de Trabalho Revitalização do Rio São Francisco, da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF, apresentou ao Ministério da Integração Nacional preocupações relativas à segurança das barragens do canal da transposição e a uma licença de pré-operação concedida pelo Ibama, cuja legalidade o MPF examina. No estado da Paraíba, por exemplo, todas as barragens da transposição estão indicadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) como de risco, mas nenhuma delas conta com plano de ação de emergência.

A procuradora informou ainda sobre a existência da tramitação de diversos inquéritos civis públicos que examinam denúncias de superfaturamento, fiscalização deficiente, erros de projeto e execução e, agora, a causa deste recente acidente. Nesta quarta-feira (14), o sistema foi normalizado. O rompimento não gerou vítimas, apenas danos ao bem público, a uma estrada vicinal e a propriedades particulares próximas ao local, em sua maior parte com avarias em cercas.

Ao fim da reunião, restou acordado que:

a) o Ministério da Integração Nacional dará acesso integral ao Ministério Público Federal na Paraíba aos projetos de integração do São Francisco;

b) que em até três meses o plano de segurança de barragens e o plano de ações emergenciais dos reservatórios serão encaminhados à ANA;

c) que o Ministério da Integração manterá em prontidão equipes de monitoramento dos trechos em construção e já construídos e

d) que as 12 barragens do Eixo I serão diagnosticadas por consultor independente, do mesmo modo que outros equipamentos do sistema, escolhidos por meio de amostragem.

O MPF continua acompanhando todos os desdobramentos do incidente, bem como a própria execução do projeto de transposição do Rio São Francisco, por meio dos procuradores da República com atribuições relativas às matérias tratadas pelas Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal que atuam na defesa do meio ambiente e do patrimônio cultural e no combate à corrupção.

Transposição: ministro adia para quinta-feira “festa da água” em Boqueirão

Helder Barbalho convidou parlamentares paraibanos para o evento que marcará a chegada das águas da transposição. Foto: Beto Barata/PR

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, adiou para a próxima quinta-feira (13), às 16h30, a festa para marcar a chegada das águas da transposição ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido por Boqueirão. Os deputados federais e senadores paraibanos foram convidados pelo mandatário para a comemoração, que não ocorrerá mais no perímetro inicial do açude. O ato vai acontecer no balde do manancial, mesmo sem que a água da transposição tenha chegado lá ainda. O evento, segundo os organizadores, será simbólico. A tendência é que do ponto inicial até o volume morto, onde ainda resta água acumulada, se passem alguns dias para que Boqueirão receba contribuições do Velho Chico.

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) postou vídeo nas redes sociais, nesta terça-feira (11), falando da mudança no cronograma. Ele alegou problemas na agenda do ministro para vir à Paraíba. Inicialmente, o ato ocorreria no ponto inicial do açude, uma área de difícil acesso, a partir das 9h desta quarta-feira. O horário foi mudado para as 13h30, também desta terça. O cronograma foi mudado novamente no início desta tarde, com a mudança do ato para a quinta-feira. A data vai coincidir, também, com o poto facultativo da Prefeitura de Campina Grande, por causa do feriadão da Semana Santa. Há uma mobilização para que os servidores municipais participem do ato.

Aesa

De acordo com o cronograma repassado pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), as águas do Eixo-Leste da Transposição já estavam em Cabaceiras nesta terça-feira. A previsão é que elas cheguem no açude até sexta-feira, segundo previsão repassada recentemente. No último domingo (9), Helder Barbalho gravou um vídeo e postou em sua página oficial no Facebook para convidar os paraibanos para a solenidade, em atendimento “a toda a população de Campina Grande, trazendo tranquilidade hídrica e mais do que isso, cumprindo com aquilo que nós nos comprometemos”, destacou.

As águas do São Francisco deve aumentar a vazão do açude Boqueirão para abastecer Campina Grande e outros 18 cidades da região. A expectativa é de que o racionamento nesta cidades possa ser suspenso até 20 de junho.

Colaborou Angélica Nunes

Transposição: racionamento em Campina Grande acaba dia 20 de junho

Reprodução: Propaganda do Governo Federal/YouTube

Em meio às brigas pela paternidade da transposição, uma notícia realmente boa para a população de Campina Grande e as outras 18 cidades abastecidas pelo Açude Epitácio Pessoa: o racionamento acaba dia 20 de junho. A informação foi dada na tarde desta segunda-feira (10) pelo secretário executivo da Secretaria Estadual da Infraestrutura, Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, Deusdete Queiroga Filho, durante reunião do Comitê de Gestão de Recursos Hídricos (CGRH) do Ministério Público da Paraíba (MPPB).

O fim do racionamento se deve à chegada das águas do Eixo Leste do Projeto de Integração e Transposição das Águas do Rio São Francisco ao Açude de Boqueirão. “Se nenhum imprevisto ou problema técnico ocorrer, no final de junho interromperemos o racionamento”, afirma o secretário, lembrando que as águas do São Francisco deverão encontrar as águas de Boqueirão entre esta quarta (12) e sexta-feira (14).

Na manhã desta segunda-feira (10), técnicos da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) registraram que as águas da transposição, que chegaram à Paraíba pelo município de Monteiro no dia 6 de março, já estavam passando pela Comunidade Luciano (ex-Comunidade Bolão), no município de São Domingos do Cariri. “De Monteiro a Boqueirão, as águas percorrerão um total de 152 quilômetros. E na manhã desta segunda-feira só faltavam 28,2 quilômetros para essas águas se encontrarem com as águas do Açude de Boqueirão”, completa o diretor-presidente da Aesa, João Fernandes da Silva.

Já a partir deste domingo (16), segundo Deusdete Queiroga, a Cagepa deverá manter diariamente o bombeamento de água para abastecer o município de Campina Grande. “Com a chegada das águas, o bombeamento será nos sete dias da semana. Isso possibilitará termos apenas três dias de racionamento e quatro dias com abastecimento de água”, comemora o secretário, destacando que, em trinta dias, Boqueirão deverá ter acumulado 13 milhões de metros cúbicos de água a mais.

Mobilização
A reunião do Comitê de Gestão de Recursos Hídricos desta segunda-feira ocorreu na sede do MPPB em Campina Grande. Foram convidados os promotores de Justiça, presidentes de Câmaras de Vereadores e prefeitos dos municípios de Campina Grande, Monteiro, Congo, Caraúbas, São Domingos do Cariri, Barra de São Miguel, Cabaceiras e Boqueirão. O objetivo do encontro técnico foi o de dar continuidade às mobilizações e discussões em torno das obras complementares do Projeto de Integração e Transposição das Águas do Rio São Francisco na Paraíba.

Presidido pelo procurador-geral de Justiça Bertrand de Araújo Asfora, o Comitê de Gestão de Recursos Hídricos é integrado pelos procuradores de Justiça Francisco Sagres Macedo Vieira, Herbert Douglas Targino, Álvaro Cristino Pinto Gadelha Campos, José Roseno Neto e Valberto Cosme de Lira; e pelos promotores de Justiça Eduardo Barros Mayer, Bruno Leonardo Lins, Diogo D’Arolla Pedrosa Galvão, Adriana Amorim de Lacerda, Alcides Leite de Amorim, Cláudia Cabral Cavalcante e Ernane Lucas Nunes Meneses.

Para a reunião dessa segunda-feira, também foram convidados representantes da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema); Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa); Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa); Secretaria Estadual da Infraestrutura, Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia; Ministério da Integração Nacional; Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Agência Nacional de Águas (AMA); Federação das Indústrias do estado da Paraíba (Fiep); Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campina Grande (CDL-CG); Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs); Fundação Nacional de Saúde (Funasa); Universidade Federal da Paraíba (UFPB); e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba.

Monitoramento

“Esta reunião teve como foco os esclarecimentos do que efetivamente vem acontecendo com o transcurso das águas no leito do Rio Paraíba desde o momento da inauguração, ocorrida no início do mês de março”, esclarece o procurador-geral de Justiça, Bertrand de Araújo Asfora. “O Ministério Público tem feito o acompanhamento de todo o processo e pretendemos fazer o monitoramento permanente. Vamos fiscalizar todos os processos”.

O diretor-presidente da Aesa, João Fernandes, garante que desde o dia 6 de março deste ano o estado tem intensificado a fiscalização na obra (na calha do Rio Paraíba) e fazendo o cadastramento de usuários. De acordo com ele, duas equipes da Aesa estão trabalhando na fiscalização e no cadastramento e uma terceira equipe atua no acompanhamento da “caminhada” das águas do São Francisco rumo ao Açude de Boqueirão.

“Já foram cadastrados 236 usuários potenciais às margens do Rio Paraíba e já fizemos 39 autuações”, adianta João Fernandes, informando que nove plataformas foram instaladas ao lingo do Rio Paraíba para fazerem a medição da vazão da água. “Enquanto o povo não entender o valor da água, não teremos segurança hídrica”, alerta o diretor-presidente da Aesa. “Temos que lembrar que as águas do São Francisco são para atender ao consumo humano e animal. Somente o excedente, em caso de chuva, é que elas serão disponibilizadas para a irrigação”, completa o secretário Deusdete Queiroga.

Com informações do Ministério Público

Romero desiste de ponto facultativo para marcar chegada das águas

Romero Rodrigues anuncia mudanças durante entrevista. Foto: Divulgação/CMCG

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), cancelou o pronto facultativo que estava sendo programado para esta quarta-feira (12), para marcar a chega das águas da transposição ao Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão). O argumento utilizado para a decisão foi o de que o ministro Helder Barbalho, da Integração Nacional, alterou a agenda em Boqueirão de 9h para 13h30. Com isso, não seria mais preciso a folga, já que o expediente nas repartições públicas, na cidade, vai das 7h às 13h.

A mudança, vale ressaltar, também vai retirar do gestor a acusação de que o “feriado” seria dado para que os servidores públicos fizessem volume na solenidade bancada pelos aliados do presidente Michel Temer (PMDB). O ministro ligou para praticamente todos os deputados e senadores paraibanos convocando para a solenidade. Os tucanos, inclusive, iniciaram uma mobilização para atrair a população para a “festa”, para que ela tivesse um tom popular e não apenas protocolar e longe do povo, como ocorreu na vinda de Temer a Monteiro, no dia 10 do mês passado.

A iniciativa, inevitavelmente, traria para o prefeito de Campina Grande a mesma acusação de uso dos servidores públicos para fazer volume que foram enfrentadas pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) na Inauguração Popular da Transposição, ocorrida em Monteiro, no dia 19, com as presenças dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT. O comunicado sobre a desistência foi feito pelo prefeito Romero Rodrigues durante entrevista a uma rádio local, em Campina Grande, na manhã desta terça-feira.

Ricardo fará evento paralelo para festejar águas da transposição em Boqueirão

Lula com Dilma durante solenidade em Monteiro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Cada um no seu quadrado. De um lado o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, ligou para os deputados e senadores aliados do presidente Michel Temer (PMDB) na Paraíba, para que eles compareçam à “festa” que será realizada para marcar a chegada das águas ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido como Boqueirão. Do outro, estará o governador Ricardo Coutinho (PSB), que promete reunir, com uma grande festa, “as lideranças e a população da região para abraçar a chegada das águas”. A previsão é a de que o produto comece a chegar no manancial na próxima quarta-feira (12).

Há muita tensão quando o assunto é a chega das águas da transposição à Paraíba, porque as principais lideranças do Estado brigam pela paternidade ou mesmo pelo reconhecimento da contribuição dada à obra. No mês passado, enquanto os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB) cortejaram o presidente Michel Temer (PMDB) durante solenidade no dia 10 de março, Ricardo Coutinho adotou discurso duro contra o peemedebista no mesmo dia e ainda foi um dos grandes entusiastas da solenidade com a presença dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, nove dias depois. As obras foram iniciadas durante a gestão de Lula, como presidente e continuadas por Dilma e Temer.

Monteiro (PB) – Presidente Michel Temer durante cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba (Beto Barata/PR)

Por meio de nota, o governo informou que a Secretaria de Estado da Infraestrutura, dos Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia (Seirhmact), comandada por João Azevedo, está monitorando o percurso das águas, que estavam neste sábado (8) no município de Caraúbas e no domingo, em São Domingos do Cariri. De acordo com projeções do Ministério da Interação Nacional, a água tem avançado 12 quilômetros por dia em direção a Açude de Boqueirão. O manancial é responsável pelo abastecimento de Campina Grande e cidades do entrono. O racionamento de água em vigor atualmente é de três dias com água e quatro sem uma gota nas torneiras.

O secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, tratou de descartar qualquer intenção de dividir agendas. “O governo já havia programado isso, naturalmente, pois é o responsável pela distribuição, pelos projetos que desenvolveu e desenvolve, das águas vindas do São Francisco”, ressaltou. As águas chegaram à Paraíba no início de março e agora seguem pelo Rio Paraíba passando pela Barragem Camalaú até chegar em Boqueirão, um trajeto de aproximadamente 130 quilômetros. Com a chegada das águas à Barragem de Boqueirão, que se encontra com apenas 3,1% da sua capacidade de acumulação atualmente, 716 mil habitantes serão beneficiados em 18 municípios.

Além de Campina Grande, serão beneficiados Barra de Santana, Caturité, Queimadas, Pocinhos, Lagoa Seca, Matinhas, São Sebastião de Lagoa de Roça, Alagoa Nova, Boqueirão, Boa Vista, Soledade, Juazeirinho, Cubati, Pedra Lavrada, Olivedos, Seridó e Cabaceiras.

Integração Nacional garante água da transposição em Boqueirão na quarta, dia 12

Reprodução: Facebook de Cássio Cunha Lima

As águas da transposição chegarão ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido por Boqueirão, 12 dias antes do previso. Esta foi a garantia dada pelo ministro da Integração Nacional Helder Barbalho aos parlamentares aliados neste sábado (8). Ele ligou para deputados e senadores durante a manhã para dar garantias de que a água estaria a pouco mais de 30 quilômetros do manancial e que a chegada deveria ocorrer na quarta-feira (12). O volume, no entanto, tende a ser pequeno, por causa da irregularidade no fornecimento do produto desde que as motobombas cedidas pelo governo de São Paulo entraram em funcionamento.

Os problemas no envio da água ocorreram por causa da quebra de uma das duas bombas. Cada uma tem capacidade de fornecimento de 4,5 metros cúbicos por segundo de água. Com isso, enquanto o primeiro conjunto estava quebrado, apenas entre 1,8 e 2,2 metros cúbicos de água estavam chegando ao Estado. Isso por conta do enchimento dos mananciais existentes no caminho entre Sertânia, em Pernambuco, e Monteiro, na Paraíba. Só na semana passada as duas passaram a enviar os 9 metros cúbicos de água esperados inicialmente. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB), um dos contactados pelo ministro, postou fotos nas redes sociais mostrando o avanço da água em direção a Boqueirão.

Campina Grande

Campina Grande e as outras 18 cidades do entorno vivem uma situação gravíssima no abastecimento de água, com três dias recebendo água e quatro sem uma gota nas torneiras. “Faltam apenas 38 km para a chegada das águas do São Francisco no Açude Epitácio Pessoa em Boqueirão. Na quarta-feira estaremos lá, e você está convidado, para celebrarmos esse momento histórico”, postou Cássio no Facebook. Pelas redes sociais também, os senadores José Maranhão e Raimundo Lira, ambos do PMDB, além do deputado Veneziano Vital do Rêgo, comemoraram a chegada das águas prometidas para esta semana.

A chegada das águas à Paraíba virou uma verdadeira guerra política, dividida entre os aliados do presidente Michel Temer (PMDB), bloco composto também por ex-barrados nas discussões sobre a transposição, a exemplo do próprio Cássio e o deputado federal Efraim Filho (DEM). Por conta disso, no dia 10 do março, a obra foi inaugurada por Michel Temer, em solenidade fechada ao pública para evitar vaias. Depois, no dia 19, foi inaugurada também pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT. O governador Ricardo Coutinho (PSB) foi o único a comparecer nas duas oportunidades. Na primeira, gerou saia justa para Temer, fazendo agradecimentos a Lula, Dilma e ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT).