Transposição: ministro adia para quinta-feira “festa da água” em Boqueirão

Helder Barbalho convidou parlamentares paraibanos para o evento que marcará a chegada das águas da transposição. Foto: Beto Barata/PR

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, adiou para a próxima quinta-feira (13), às 16h30, a festa para marcar a chegada das águas da transposição ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido por Boqueirão. Os deputados federais e senadores paraibanos foram convidados pelo mandatário para a comemoração, que não ocorrerá mais no perímetro inicial do açude. O ato vai acontecer no balde do manancial, mesmo sem que a água da transposição tenha chegado lá ainda. O evento, segundo os organizadores, será simbólico. A tendência é que do ponto inicial até o volume morto, onde ainda resta água acumulada, se passem alguns dias para que Boqueirão receba contribuições do Velho Chico.

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) postou vídeo nas redes sociais, nesta terça-feira (11), falando da mudança no cronograma. Ele alegou problemas na agenda do ministro para vir à Paraíba. Inicialmente, o ato ocorreria no ponto inicial do açude, uma área de difícil acesso, a partir das 9h desta quarta-feira. O horário foi mudado para as 13h30, também desta terça. O cronograma foi mudado novamente no início desta tarde, com a mudança do ato para a quinta-feira. A data vai coincidir, também, com o poto facultativo da Prefeitura de Campina Grande, por causa do feriadão da Semana Santa. Há uma mobilização para que os servidores municipais participem do ato.

Aesa

De acordo com o cronograma repassado pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), as águas do Eixo-Leste da Transposição já estavam em Cabaceiras nesta terça-feira. A previsão é que elas cheguem no açude até sexta-feira, segundo previsão repassada recentemente. No último domingo (9), Helder Barbalho gravou um vídeo e postou em sua página oficial no Facebook para convidar os paraibanos para a solenidade, em atendimento “a toda a população de Campina Grande, trazendo tranquilidade hídrica e mais do que isso, cumprindo com aquilo que nós nos comprometemos”, destacou.

As águas do São Francisco deve aumentar a vazão do açude Boqueirão para abastecer Campina Grande e outros 18 cidades da região. A expectativa é de que o racionamento nesta cidades possa ser suspenso até 20 de junho.

Colaborou Angélica Nunes

Transposição: racionamento em Campina Grande acaba dia 20 de junho

Reprodução: Propaganda do Governo Federal/YouTube

Em meio às brigas pela paternidade da transposição, uma notícia realmente boa para a população de Campina Grande e as outras 18 cidades abastecidas pelo Açude Epitácio Pessoa: o racionamento acaba dia 20 de junho. A informação foi dada na tarde desta segunda-feira (10) pelo secretário executivo da Secretaria Estadual da Infraestrutura, Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, Deusdete Queiroga Filho, durante reunião do Comitê de Gestão de Recursos Hídricos (CGRH) do Ministério Público da Paraíba (MPPB).

O fim do racionamento se deve à chegada das águas do Eixo Leste do Projeto de Integração e Transposição das Águas do Rio São Francisco ao Açude de Boqueirão. “Se nenhum imprevisto ou problema técnico ocorrer, no final de junho interromperemos o racionamento”, afirma o secretário, lembrando que as águas do São Francisco deverão encontrar as águas de Boqueirão entre esta quarta (12) e sexta-feira (14).

Na manhã desta segunda-feira (10), técnicos da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) registraram que as águas da transposição, que chegaram à Paraíba pelo município de Monteiro no dia 6 de março, já estavam passando pela Comunidade Luciano (ex-Comunidade Bolão), no município de São Domingos do Cariri. “De Monteiro a Boqueirão, as águas percorrerão um total de 152 quilômetros. E na manhã desta segunda-feira só faltavam 28,2 quilômetros para essas águas se encontrarem com as águas do Açude de Boqueirão”, completa o diretor-presidente da Aesa, João Fernandes da Silva.

Já a partir deste domingo (16), segundo Deusdete Queiroga, a Cagepa deverá manter diariamente o bombeamento de água para abastecer o município de Campina Grande. “Com a chegada das águas, o bombeamento será nos sete dias da semana. Isso possibilitará termos apenas três dias de racionamento e quatro dias com abastecimento de água”, comemora o secretário, destacando que, em trinta dias, Boqueirão deverá ter acumulado 13 milhões de metros cúbicos de água a mais.

Mobilização
A reunião do Comitê de Gestão de Recursos Hídricos desta segunda-feira ocorreu na sede do MPPB em Campina Grande. Foram convidados os promotores de Justiça, presidentes de Câmaras de Vereadores e prefeitos dos municípios de Campina Grande, Monteiro, Congo, Caraúbas, São Domingos do Cariri, Barra de São Miguel, Cabaceiras e Boqueirão. O objetivo do encontro técnico foi o de dar continuidade às mobilizações e discussões em torno das obras complementares do Projeto de Integração e Transposição das Águas do Rio São Francisco na Paraíba.

Presidido pelo procurador-geral de Justiça Bertrand de Araújo Asfora, o Comitê de Gestão de Recursos Hídricos é integrado pelos procuradores de Justiça Francisco Sagres Macedo Vieira, Herbert Douglas Targino, Álvaro Cristino Pinto Gadelha Campos, José Roseno Neto e Valberto Cosme de Lira; e pelos promotores de Justiça Eduardo Barros Mayer, Bruno Leonardo Lins, Diogo D’Arolla Pedrosa Galvão, Adriana Amorim de Lacerda, Alcides Leite de Amorim, Cláudia Cabral Cavalcante e Ernane Lucas Nunes Meneses.

Para a reunião dessa segunda-feira, também foram convidados representantes da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema); Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa); Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa); Secretaria Estadual da Infraestrutura, Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia; Ministério da Integração Nacional; Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Agência Nacional de Águas (AMA); Federação das Indústrias do estado da Paraíba (Fiep); Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campina Grande (CDL-CG); Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs); Fundação Nacional de Saúde (Funasa); Universidade Federal da Paraíba (UFPB); e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba.

Monitoramento

“Esta reunião teve como foco os esclarecimentos do que efetivamente vem acontecendo com o transcurso das águas no leito do Rio Paraíba desde o momento da inauguração, ocorrida no início do mês de março”, esclarece o procurador-geral de Justiça, Bertrand de Araújo Asfora. “O Ministério Público tem feito o acompanhamento de todo o processo e pretendemos fazer o monitoramento permanente. Vamos fiscalizar todos os processos”.

O diretor-presidente da Aesa, João Fernandes, garante que desde o dia 6 de março deste ano o estado tem intensificado a fiscalização na obra (na calha do Rio Paraíba) e fazendo o cadastramento de usuários. De acordo com ele, duas equipes da Aesa estão trabalhando na fiscalização e no cadastramento e uma terceira equipe atua no acompanhamento da “caminhada” das águas do São Francisco rumo ao Açude de Boqueirão.

“Já foram cadastrados 236 usuários potenciais às margens do Rio Paraíba e já fizemos 39 autuações”, adianta João Fernandes, informando que nove plataformas foram instaladas ao lingo do Rio Paraíba para fazerem a medição da vazão da água. “Enquanto o povo não entender o valor da água, não teremos segurança hídrica”, alerta o diretor-presidente da Aesa. “Temos que lembrar que as águas do São Francisco são para atender ao consumo humano e animal. Somente o excedente, em caso de chuva, é que elas serão disponibilizadas para a irrigação”, completa o secretário Deusdete Queiroga.

Com informações do Ministério Público

Romero desiste de ponto facultativo para marcar chegada das águas

Romero Rodrigues anuncia mudanças durante entrevista. Foto: Divulgação/CMCG

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), cancelou o pronto facultativo que estava sendo programado para esta quarta-feira (12), para marcar a chega das águas da transposição ao Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão). O argumento utilizado para a decisão foi o de que o ministro Helder Barbalho, da Integração Nacional, alterou a agenda em Boqueirão de 9h para 13h30. Com isso, não seria mais preciso a folga, já que o expediente nas repartições públicas, na cidade, vai das 7h às 13h.

A mudança, vale ressaltar, também vai retirar do gestor a acusação de que o “feriado” seria dado para que os servidores públicos fizessem volume na solenidade bancada pelos aliados do presidente Michel Temer (PMDB). O ministro ligou para praticamente todos os deputados e senadores paraibanos convocando para a solenidade. Os tucanos, inclusive, iniciaram uma mobilização para atrair a população para a “festa”, para que ela tivesse um tom popular e não apenas protocolar e longe do povo, como ocorreu na vinda de Temer a Monteiro, no dia 10 do mês passado.

A iniciativa, inevitavelmente, traria para o prefeito de Campina Grande a mesma acusação de uso dos servidores públicos para fazer volume que foram enfrentadas pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) na Inauguração Popular da Transposição, ocorrida em Monteiro, no dia 19, com as presenças dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT. O comunicado sobre a desistência foi feito pelo prefeito Romero Rodrigues durante entrevista a uma rádio local, em Campina Grande, na manhã desta terça-feira.

Ricardo fará evento paralelo para festejar águas da transposição em Boqueirão

Lula com Dilma durante solenidade em Monteiro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Cada um no seu quadrado. De um lado o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, ligou para os deputados e senadores aliados do presidente Michel Temer (PMDB) na Paraíba, para que eles compareçam à “festa” que será realizada para marcar a chegada das águas ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido como Boqueirão. Do outro, estará o governador Ricardo Coutinho (PSB), que promete reunir, com uma grande festa, “as lideranças e a população da região para abraçar a chegada das águas”. A previsão é a de que o produto comece a chegar no manancial na próxima quarta-feira (12).

Há muita tensão quando o assunto é a chega das águas da transposição à Paraíba, porque as principais lideranças do Estado brigam pela paternidade ou mesmo pelo reconhecimento da contribuição dada à obra. No mês passado, enquanto os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB) cortejaram o presidente Michel Temer (PMDB) durante solenidade no dia 10 de março, Ricardo Coutinho adotou discurso duro contra o peemedebista no mesmo dia e ainda foi um dos grandes entusiastas da solenidade com a presença dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, nove dias depois. As obras foram iniciadas durante a gestão de Lula, como presidente e continuadas por Dilma e Temer.

Monteiro (PB) – Presidente Michel Temer durante cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba (Beto Barata/PR)

Por meio de nota, o governo informou que a Secretaria de Estado da Infraestrutura, dos Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia (Seirhmact), comandada por João Azevedo, está monitorando o percurso das águas, que estavam neste sábado (8) no município de Caraúbas e no domingo, em São Domingos do Cariri. De acordo com projeções do Ministério da Interação Nacional, a água tem avançado 12 quilômetros por dia em direção a Açude de Boqueirão. O manancial é responsável pelo abastecimento de Campina Grande e cidades do entrono. O racionamento de água em vigor atualmente é de três dias com água e quatro sem uma gota nas torneiras.

O secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, tratou de descartar qualquer intenção de dividir agendas. “O governo já havia programado isso, naturalmente, pois é o responsável pela distribuição, pelos projetos que desenvolveu e desenvolve, das águas vindas do São Francisco”, ressaltou. As águas chegaram à Paraíba no início de março e agora seguem pelo Rio Paraíba passando pela Barragem Camalaú até chegar em Boqueirão, um trajeto de aproximadamente 130 quilômetros. Com a chegada das águas à Barragem de Boqueirão, que se encontra com apenas 3,1% da sua capacidade de acumulação atualmente, 716 mil habitantes serão beneficiados em 18 municípios.

Além de Campina Grande, serão beneficiados Barra de Santana, Caturité, Queimadas, Pocinhos, Lagoa Seca, Matinhas, São Sebastião de Lagoa de Roça, Alagoa Nova, Boqueirão, Boa Vista, Soledade, Juazeirinho, Cubati, Pedra Lavrada, Olivedos, Seridó e Cabaceiras.

Integração Nacional garante água da transposição em Boqueirão na quarta, dia 12

Reprodução: Facebook de Cássio Cunha Lima

As águas da transposição chegarão ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido por Boqueirão, 12 dias antes do previso. Esta foi a garantia dada pelo ministro da Integração Nacional Helder Barbalho aos parlamentares aliados neste sábado (8). Ele ligou para deputados e senadores durante a manhã para dar garantias de que a água estaria a pouco mais de 30 quilômetros do manancial e que a chegada deveria ocorrer na quarta-feira (12). O volume, no entanto, tende a ser pequeno, por causa da irregularidade no fornecimento do produto desde que as motobombas cedidas pelo governo de São Paulo entraram em funcionamento.

Os problemas no envio da água ocorreram por causa da quebra de uma das duas bombas. Cada uma tem capacidade de fornecimento de 4,5 metros cúbicos por segundo de água. Com isso, enquanto o primeiro conjunto estava quebrado, apenas entre 1,8 e 2,2 metros cúbicos de água estavam chegando ao Estado. Isso por conta do enchimento dos mananciais existentes no caminho entre Sertânia, em Pernambuco, e Monteiro, na Paraíba. Só na semana passada as duas passaram a enviar os 9 metros cúbicos de água esperados inicialmente. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB), um dos contactados pelo ministro, postou fotos nas redes sociais mostrando o avanço da água em direção a Boqueirão.

Campina Grande

Campina Grande e as outras 18 cidades do entorno vivem uma situação gravíssima no abastecimento de água, com três dias recebendo água e quatro sem uma gota nas torneiras. “Faltam apenas 38 km para a chegada das águas do São Francisco no Açude Epitácio Pessoa em Boqueirão. Na quarta-feira estaremos lá, e você está convidado, para celebrarmos esse momento histórico”, postou Cássio no Facebook. Pelas redes sociais também, os senadores José Maranhão e Raimundo Lira, ambos do PMDB, além do deputado Veneziano Vital do Rêgo, comemoraram a chegada das águas prometidas para esta semana.

A chegada das águas à Paraíba virou uma verdadeira guerra política, dividida entre os aliados do presidente Michel Temer (PMDB), bloco composto também por ex-barrados nas discussões sobre a transposição, a exemplo do próprio Cássio e o deputado federal Efraim Filho (DEM). Por conta disso, no dia 10 do março, a obra foi inaugurada por Michel Temer, em solenidade fechada ao pública para evitar vaias. Depois, no dia 19, foi inaugurada também pelos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT. O governador Ricardo Coutinho (PSB) foi o único a comparecer nas duas oportunidades. Na primeira, gerou saia justa para Temer, fazendo agradecimentos a Lula, Dilma e ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Sarmento diz ao MPF que Poções, Camalaú e Epitácio Pessoa oferecem “alto risco”

Francisco Sarmento faz críticas ao andamento das obras da transposição. Foto: Rizemberg Felipe

O ex-secretário de Infraestrutura da Paraíba, Francisco Sarmento, prestou depoimento na semana passada na Procuradoria da República em Monteiro. Durante a audiência, ao ser questionado sobre a classificação das barragens que integram as obras do Projeto de Integração do São Francisco (PISF), na Paraíba, revelou ter conhecimento de que as barragens de Poções, Camalaú e Epitácio Pessoa são classificadas pela Agência Nacional de Águas (ANA) como de alto risco. O ex-gestor prestou depoimento após visita técnica realizada na obra no mês passado.

No seu depoimento, Sarmento também afirmou, ao ser questionado, que a obra da transposição no Eixo Leste, Meta 3L, está inconclusa. De acordo com o Termo de Depoimento, ele “respondeu que para uma obra estar concluída são necessários elementos de infraestrutura em funcionamento, a exemplo de sistemas de drenagem, enrocamentos de proteção de aterros e, principalmente, de sistemas de operação automático do projeto; Que acredita que, para obra funcionar com riscos mínimos inerentes à obra de infraestrutura seria necessário um prazo de 10 meses”.

O ex-secretário de Infraestrutura disse ainda, ao ser questionado sobre a chegada das águas a Boqueirão, que “a liberação de água em qualquer leito seco de forma paulatina é inadequada pois promove aumento de infiltração, seja no próprio leito, seja nos aquíferos adjacente, via de regra, a liberação tem mais eficiência quando procedida na forma de uma pequena onda de cheia que tem mais possibilidade de avanço da direção da jusante”.

Sobre se o assoreamento no curso do rio Paraíba prejudicaria a chega das águas ao Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido por Boqueirão, falando como acadêmico, Francisco Sarmento disse que “qualquer obstáculo ao fluxo ao leito fluvial é fator de retardo desse escoamento, pois aumenta os coeficientes de atrito retardando o movimento”.

Confira a íntegra do depoimento:

Conselheiro do TCE questiona atuação do MPF na transposição

Fernando Catão cobra atenção do MPF para o Perímetro Irrigado de Sousa. Foto: Francisco França

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Fernando Catão, tem feito críticas à atuação do Ministério Público Federal (MPF) em Monteiro em temas relacionados à transposição. O órgão divulgou nota na semana passada com alertas que vão da incompletude da obra ao risco de contaminação da população e não descarta demandas judiciais para pedir a paralisação dos trabalhos. O alerta feito pela Procuradoria da República é visto como excessivo pelo conselheiro, que, quando ministro de Fernando Henrique Cardoso, atuou no planejamento da integração de bacias.

Ao ser questionado sobre o motivo das críticas, o conselheiro responde com mais questionamentos. Ele pergunta por que o Ministério Público Federal não teve o mesmo cuidado ou esmero em relação  às Várzeas de Sousa. Fernando Catão diz que auditoria técnica realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) mostrou uma série de irregularidades na gestão das águas na cidade sertaneja, inclusive com o roubo do produto, prejudicando os agricultores do perímetro irrigado.

Outro questionamento diz respeito à barragem de Gramame, onde o TCE também aponta irregularidades na gestão das águas. Catão diz estranhar que o tema não chame a atenção do Ministério Público. “É estranho um comportamento diferenciado para o mesmo problema”, disse.

 

MPF aponta riscos e diz para população evitar ‘banhos nos canais da transposição’

Canal da transposição, em Monteiro. Foto: Artur Lira/G1

O Ministério Público Federal em Monteiro (PB) divulgou nota na tarde desta sexta-feira (31) na qual faz alertas à população em relação à qualidade das águas da transposição que estão chegando à Paraíba. As dúvidas, segundo o órgão, estão relacionadas ao desencontro das informações repassadas até o momento pelos responsáveis pela obra e a gestão dos recursos hídricos. Entre os alertas citados está um que orienta a população a evitar banhos nos canais da transposição e no leito do rio Paraíba.

As críticas são direcionadas ao Ministério da Integração Nacional, à Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) e à Prefeitura de Monteiro. O MPF tem redobrado as críticas em relação à segurança das barragens, à vazão dos mananciais e à contaminação dos rios com esgoto. “A vulnerabilidade da execução da obra pode trazer riscos à integridade física e psicológica da coletividade”, diz a nota. O MPF ressalta também que o assoreamento do Rio Paraíba também prejudica a sustentabilidade do manancial e o fornecimento de água para Boqueirão.

Confira a íntegra da nota:

Nota do MPF em Monteiro (PB) sobre a transposição do rio São Francisco
Órgão presta esclarecimentos à sociedade e faz alguns alertas

Tendo em vista os compromissos assumidos e não cumpridos na integralidade, durante reunião realizada no dia 8 de março de 2017, em Monteiro, entre órgãos envolvidos na transposição do rio São Francisco, eixo leste, meta 3L, e diante dos recorrentes desencontros de informações técnicas, o Ministério Público Federal (MPF) em Monteiro vem prestar esclarecimentos à sociedade e fazer alguns alertas:

1 – A obra da transposição na Paraíba não está concluída, estando em fase de pré-operação e testes;

2 – As obras de adequação necessárias nas barragens Poções, Camalaú e Boqueirão não foram concluídas, bem como não foram elaborados os planos de ação de emergência e/ou de contingência para acidentes;

3 – Ainda não há certeza técnico-científica acerca da qualidade da água, sem o devido tratamento, nos mananciais para consumo humano;

4 – Não existe clareza de informação acerca da vazão da água fornecida pela transposição que passa pelos canais e rio Paraíba, no Cariri paraibano;

5 – A irregularidade da vazão da água que percorre o rio Paraíba, especialmente no trecho Poções-Camalaú, aponta para a precariedade na gestão do sistema;

6 – A passagem da água por Monteiro e Camalaú, em vazão ainda desconhecida, e a suposta chegada da água em Boqueirão, não significarão a interrupção ou suspensão no racionamento d’água em curto prazo;

7 – A falta de revitalização do rio Paraíba prejudica a sustentabilidade da condução da água até o açude de Boqueirão, que abastece Campina Grande e região;

8 – O assoreamento do rio Paraíba e outros fatores como evaporação, infiltração e captação irregular contribuem para dificultar ainda mais a chegada da água no açude de Boqueirão;

9 – A vulnerabilidade da execução da obra pode trazer riscos à integridade física e psicológica da coletividade;

10 – Diante do cenário de incertezas, o MPF alerta a população para que evite banhos nos canais da transposição e no leito do rio Paraíba; não utilize água sem outorga dos órgãos competentes; não pratique atividades de extração mineral sem as devidas autorizações; e, em caso de rompimento de barragens ou canais, cumpra as orientações dos órgãos de defesa civil;

Por fim, o MPF em Monteiro informa que continuará na posição de alerta e adotando medidas a fim de compelir os órgãos a cumprirem as obrigações para plena execução do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), de forma segura e efetiva.

MPF investiga se houve crime eleitoral em evento com Lula e Dilma em Monteiro

“Inauguração Popular da Transposição” foi marcada por referências á disputa eleitoral de 2018. Foto: Suetoni Souto Maior

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) na Paraíba instaurou de ofício procedimento para investigar possível irregularidade eleitoral no evento “inauguração popular” de trecho da transposição das águas do rio São Francisco, ocorrido no domingo (19), em Monteiro (PB). O procedimento instaurado originou a Notícia de Fato nº 1.24.000.000524/2017-60. O evento contou com a participação dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, e foi marcado por uma espécie de lançamento informal da campanha presidencial do ex-presidente petista.

O material foi reunido e encaminhado à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE), em Brasília, em virtude da atribuição para a análise ser da PGE. Em caso de condenação, poderá ser aplicada multa e, dependendo do caso, quando iniciado o processo eleitoral, em 2018, poderá haver representação por abuso de poder econômico com cassação de registro, mesmo por fatos cometidos em 2017. “A PRE na Paraíba está vigilante a todos os casos”, alertou o procurador regional eleitoral, Marcos Queiroga.

Durante o evento, o ex-presidente Lula fez referência à disputa eleitoral de 2018, dizendo que “queira Deus” que ele não seja candidato, porque se for, será para vencer as eleições. As referências a 2018 foram feitas também por outros políticos presentes, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Todos cobraram a paternidade das obras da transposição, atribuída a Lula.

Ainda há esgotos sendo lançados nas águas da transposição em Monteiro

Efluentes continuam sendo lançados in natura nas galerias pluviais de Monteiro. Foto: Suetoni Souto Maior

A rede coletora de esgotos construída em Monteiro para evitar que o efluente da cidade corra direto para o Rio Paraíba e, consequentemente, para as águas da transposição, não foi suficiente para barrar crimes ambientais na cidade. Registros fotográficos feitos no último domingo, dia em que os ex-presidentes Luis Inácio da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, participaram de ato na cidade, mostram que o mesmo filete de esgotos denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) continua seguindo para o manancial.

Em reunião no Ministério Público Federal em Monteiro, no mês passado, representantes da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) e da Prefeitura de Monteiro assumiram o compromisso de inspecionar a área que margeia o canal e bloquear o lançamento de esgotos in natura diretamente na galeria pluvial. O acerto foi registrado no Inquérito Civil instaurado pelo MPF, mas não foi totalmente resolvido até agora.

A Cagepa lavou as mãos em relação ao problema. De acordo com a assessoria de imprensa da Cagepa, o que coube à empresa foi detectar os pontos de lançamento de esgotos, em pontos onde há rede coletora, e passar estes dados para que a prefeitura resolvesse com os moradores. “A Cagepa não é responsável pelo lançamento de esgotos nas galerias pluviais e o papel de punir eventuais crimes ambientais provocados por moradores é da prefeitura de Monteiro”, disse a direção do órgão em resposta ao blog.

Por meio de nota, a prefeitura garantiu que todas as recomendações feitas pelo Ministério Público foram cumpridas. Apesar do dia de sol forte no último domingo, o município alega que “hoje no canal que corta a cidade até a Rua do Limão, o líquido presente é de águas das chuvas e, às vezes, das águas de quando se lavam as calçadas”. A assessoria alega que esta água desce através dos calçamentos das ruas e chegam ao canal. “Agora, a água que está no canal de drenagem ao lado do desemboque do túnel é da própria transposição, que está dando retorno devido ao nível do canal de drenagem, que está abaixo do canal da transposição. O município já vem tomando as providências junto à empresa”, diz a nota.