Aníbal Marcolino rompe com Cartaxo ao definir retorno para a Assembleia

Parlamentar reclama de tratamento dispensado pelo prefeito e vai se desfiliar do partido do prefeito

Aníbal Marcolino volta para a Assembleia Legislativa através de uma articulação do governador Ricardo Coutinho. Foto: Divulgação/ALPB

Acabou a paciência. No mesmo dia em que se tornou oficial o seu retorno para a Assembleia Legislativa na condição de suplente, o deputado Aníbal Marcolino (PSD) engrossou as críticas ao colega de partido, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. Ele diz não ter merecido atenção do correligionário. Para completar, vai pedir a desfiliação da sigla. Ajuda e apoio, ele diz ter recebido sempre do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB). Os dois prefeitos, vale ressaltar, disputam internamente no bloco oposicionista a indicação para a disputa do governo. A reação de Marcolino, no entanto, é vista no bunker de Cartaxo apenas como reflexo da articulação governista que o levou ao Legislativo.

Marcolino chega ao mandato com a licença anunciada pelo deputado estadual Julis Roberto, atualmente no PMDB. Eles disputaram as eleições de 2014 pelo PEN, junto com o ex-presidente da Casa, Ricardo Marcelo, atualmente também filiado ao PMDB. O parlamentar chega à Casa com as bênçãos da oposição, porém, com uma articulação feita pelo grupo ligado ao governador Ricardo Coutinho (PSB). Isso, na visão dos aliados de Cartaxo, justificaria “o fogo nos olhos” de Marcolino contra o prefeito. O xadrez em relação aos apoios na Assembleia, vale ressaltar, não é de fácil compreensão pelos interesses atrelados.

O líder da oposição, Bruno Cunha Lima (PSDB), chegou a comemorar a decisão do deputado peemedebista, com a decisão de se licenciar. “Tanto Julis Roberto quanto Antônio Mineral chegaram à Assembleia Legislativa por meio de licenças de colegas. Eles sabem da importância desse gesto. Depois do diálogo no nosso bloco, Julis decidiu fazer esse gesto também”, ressaltou. Antes de Marcolino, uma articulação permitiu a posse da vereadora de João Pessoa, Eliza Virgínia (PSDB), na Casa. A articulação foi de Romero Rodrigues, que convidou o deputado Tovar Correia Lima (PSDB) para assumir um cargo na prefeitura. Na época, a promessa foi a de que Marcolino seria o próximo beneficiado por uma articulação similar.

O fato é que Ricardo Coutinho chegou antes e articulou melhor. Isso foi dito pelo próprio Julis Roberto após anunciar a licença. Ele revelou que comunicou a decisão de se licenciar ao governador e ao líder do governo na Assembleia, Hervásio Bezerra (PSB). O socialista dispõe de uma grande base de apoio na Casa. O curioso em todo esse processo era que até o anúncio de hoje, Roberto era visto como oposicionista pelos adversários de Ricardo Coutinho. Não é visto mais. Ele assegurou que Aníbal Marcolino vai votar sob a mesma orientação que ele teria na Casa. Ou seja, de adversário, Marcolino chega à Assembleia como aliado do governador.

‘Deveria haver cláusula de barreira para político ineficiente”, diz Ricardo

Governador reagiu a questionamentos sobre segurança hídrica e acusações ação para marcar visita de Lula

Ricardo Coutinho é acusado por setores da oposição de querer agradar Lula, marcando a normalização do abastecimento para o dia 26. Foto: Francisco França

O governador Ricardo Coutinho (PSB) não gostou dos protestos feitos pela oposição contra o fim do racionamento em Campina Grande. Durante solenidade de entrega de reformas em escolas, nesta quarta-feira (9), ele disse que “deveria haver cláusula de barreira para político ineficiente’. A crítica ocorreu após aliados do prefeito Romero Rodrigues (PSDB) criticarem a normalização do abastecimento. A alegação deles é que há risco de retorno ao racionamento por causa da baixa acumulação de água no Açude Epitácio Pessoa. Alegam também que a data escolhida para a normalização do atendimento seria para contemplar o ex-presidente Lula (PT), que estará na Paraíba nos dias 26 e 27 deste mês.

A suspensão do racionamento está marcada para o dia 26. O anúncio foi feito nesta terça-feira (8), em Campina Grande, pelo secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Estado, João Azevedo. “Estamos com volume de 7,9% e com certeza estaremos com 8,2% no dia 26 deste mês ou talvez até acima desse volume”, disse Azevedo. O argumento foi reafirmado por Coutinho. Ele alegou que tem entrado mais água no Açude Epitácio Pessoa do que saído e isso é o que vai dar a garantia hídrica. As disposições em contrário ele atribuiu ao despreparo da oposição. “A oposição não entende de nada, não sabe onde a coruja pia”, ironizou o governador.

Oposição

O presidente da Agência Municipal de Desenvolvimento, vereador licenciado Nelson Gomes, repudiou com veemência a decisão por parte do governo do estado em acabar com o racionamento d’água em Campina Grande. “Isso é um absurdo! Um pré-candidato ao governo do estado a mando do governador vir fazer média em nossa cidade. Sou totalmente contra o fim do racionamento. Poderia até haver uma redução, mas o fim?! Jamais!”, disparou Nelson. Ele acrescentou que vários pontos devem ser analisados, dentre eles, a vazão de entrada da água da transposição que é bem menor que a saída, além de não haver nenhum tipo de fiscalização no que se refere às inúmeras construções irregulares de barragens ao longo do rio Paraíba.

Outro crítico à decisão foi o vereador João Dantas (PSD), líder da bancada governista na Câmara Municipal de Campina Grande. Ele alega que a decisão foi precipitada porque, segundo ele, o Açude de Boqueirão sofreu uma recarga de apenas 4%. O parlamentar alertou ainda para o perigo da liberação da irrigação com a água da transposição. “Estas águas são destinadas ao consumo humano e animal”. “Técnicos do Ministério estimam que as ligações não autorizadas já tenham desviado cerca de 20 milhões de metros cúbicos das águas do São Francisco nos últimos 2,5 meses”. Justificam.

 

Ricardo retira R$ 7 milhões de UPA, Hospital de Santa Rita e Oncologia de Patos

Dinheiro será destinado à implementação da Política de Assistência Farmacêutica

Hospital Metropolitano de Santa Rita

Hospital Metropolitano de Santa Rita. Foto: José Marques/Secom-PB

A edição desta sexta-feira (4) do Diário Oficial do Estado (DOE) trouxe remanejamentos de recursos destinados a unidades hospitalares da Paraíba. Entre as mudanças, estão sendo anulados recursos destinados ao Hospital Metropolitano de Santa Rita, à Unidade de Pronto Atendimento de Urgência (UPA) de Cajazeiras e à Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) de Patos. Ao todo, estão sendo relocados R$ 7 milhões. O dinheiro será destinado para a implementação da Política de Assistência Farmacêutica do Estado, porém, de acordo com o secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão do Estado, Waldson de Souza, não haverá descontinuidade em nenhum serviço nas unidades de saúde.

Pela descrição, estão sendo anulados R$ 1 milhão destinado à ‘Implantação e Implementação da Unidade Hospitalar na cidade de Santa Rita; R$ 1 milhão destinado à Unidade de Pronto Atendimento de Urgência (UPA 24 horas) de Cajazeiras; mais R$ 2 milhões do Hospital Metropolitano de Santa Rita, e ainda R$ 3 milhões da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) de Patos. Tanto a unidade hospitalar em construção na cidade metropolitana, quanto a de Patos, estão entre as promessas do governador Ricardo Coutinho (PSB) para este ano.

Apesar da transferência dos recursos, Waldson de Souza alega que não haver risco de paralisação de obras ou de funcionamento nas unidades. O dinheiro, ele ressalta, está assegurado para a conclusão dos trabalhos nos dois prédios. O secretário também assegurou que os recursos para o custeio na UPA de Cajazeiras estão garantidos. Ele pontuou ainda que muitas vezes a anulação de dotação orçamentária faz as pessoas acharem que haverá paralisação ou suspensão de serviços. Mas este não é o caso, uma vez havia excesso de recursos para as obras e serviços contratados e eles foram relocados para onde são mais necessários.

“A respeito das obras do Hospital Metropolitano de Santa Rita, o governo do Estado assegura à população paraibana que terá o referido serviço em pleno funcionamento no início do próximo ano e todos os recursos para a finalização da obra e aquisição de equipamentos estão assegurados e são provenientes da fonte 179. Já as obras do Centro de Oncologia de Patos encontra-se praticamente finalizadas e aguardando habilitação do Ministério da Saúde, mas todos os esforços da Secretaria de Estado da Saúde estão sendo realizados no intuito de colocá-lo em funcionamento também no próximo ano. Este governo já construiu 10 novos hospitais e continuará expandindo a rede de saúde para serviços essenciais que atualmente a Paraíba não possui no serviço público”, ressaltou o secretário.

Oposições testam ‘freio de arrumação’ para evitar naufrágio

Temendo a força eleitoral de Ricardo, Cartaxo e Romero evitam discurso de ruptura

Pacto pela união das oposições foi firmado durante o São João de Campina Grande. Foto: Divulgação

O fim de semana foi pródigo em sinalizações no sentido da consolidação da ‘união das oposições’. Depois de uma semana conturbada por conta do discurso bélico de Romero Rodrigues (PSDB), o tucano voltou atrás. Ele disputa entre os partidos antagonistas ao governo de Ricardo Coutinho (PSB) a indicação para disputar o governo. Dentro do grupo seu principal oponente é o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). O pessedista almeja a indicação e conta para isso com a simpatia do senador Cássio Cunha Lima (PSDB). E foi justamente por posar com prefeitos ao lado do presidente estadual do partido, Ruy Carneiro, que o imbróglio teve início. Romero fez cobranças duras, mas depois recuou.

Do tom amargo, que não negava em caso extremo de deixar o partido, o tom passou a ser conciliador. Nada de ataques a Ruy Carneiro, muito menos a Cartaxo. Ele até sinaliza que a suposta desavença havia sido plantada. “Eu e Cartaxo estamos vacinados contra intrigas”, assegura Romero, deixando claro que, para ambos, o mais importante é manter coesa e forte a união das oposições na Paraíba. O sentido estratégico do recuo é claro: separado, o grupo oposicionista, que inclui ainda o PMDB, se torna mais frágil. Do último pleito, eles retiraram das urnas o comando das principais cidades do Estado. O resultado, inclusive, preocupou o grupo ricardista.

‘Efeito 2016’

Conquistar João Pessoa e Campina Grande, apesar da esperança socialista, era uma missão muito difícil. Mas daí a sair derrotado em Patos, Cajazeiras, Santa Rita, Bayeux e Cabedelo já era um pouquinho demais. As vitórias deram ânimo aos oposicionistas. A lógica é a de que é preciso aproveitar a indefinição dos socialistas, que ainda patinam na escolha de quem vai disputar o governo. O secretário de Infraestrutura João Azevedo ganha relevo para a empreitada. Espera-se para ele, em 2018, destino melhor que em 2016, quando abandonou a disputa por dificuldades para alcançar dois dígitos nas pesquisas. Mesmo assim, ninguém subestima o cacife de Coutinho para bancar uma candidatura.

Apesar da postura aparentemente esnobe dos oposicionistas, todos sabem que não podem vacilar. O que não impede, no entanto, uma alfinetada aqui e ali contra o grupo do governador. Elas ajudam a disfarçar uma porção considerável de desconfiança que reina entre Cartaxo e Romero. “Ao contrário dele (Ricardo) e de seu grupo, as oposições contam com inúmeras alternativas viáveis para o governo do Estado”, observa o prefeito tucano. Nas contas da oposição, há os nomes de Romero e Cartaxo, além dos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB). Por hora, todos falam em candidatura própria.

Prêmio

Neste fim de semana, Cartaxo e Romero estiveram juntos. Na última sexta-feira (28), o prefeito pessoense foi a Campina Grande para receber um prêmio. Ele foi agraciado com uma comenda concedida durante o  II Fórum Paraibano de Gestão Pública, com o prêmio de melhor gestão da Paraíba. Ficou também em segundo lugar entre as capitais do Nordeste, à frente de Recife, Natal, Salvador, Aracaju, Maceió, Teresina e São Luís. O prêmio é um reconhecimento por ter atingido um elevado Índice de Governança Municipal (IGM), indicador de eficiência pública lançado nacionalmente pelo Conselho Federal de Administração (CFA) em parceria com os conselhos regionais de Administração (CRAs), que promovem o fórum.

Campina Grande ficou em sexto lugar no prêmio. Diante do quadro, frente a um concorrente interno, no grupo das oposições, Romero exerceu papel importante de anfitrião. Ao ser questionado, dá a entender que poderá abrir mão da disputa se o colega estiver melhor posicionado nas pesquisas. Uma postura, vale ressaltar, difícil de ser ouvida de Cartaxo. O prefeito da capital não tem perdido a oportunidade de percorrer o estado nos fins de semana. Mais recentemente, adotou postura crítica ao governador Ricardo Coutinho. Antes, ele evitava o confronto direto. O bunker oposicionista acredita que o personalismo do socialista prejudica os governistas na transferência de voto. E essa é a aposta do grupo.

Sobre a união, ela é a verdadeira ‘tábua de salvação das oposições’. Mas nós só vamos saber se ela boia sobre as águas no ano que vem.

 

 

Desafio: Ricardo diz que se terceirização não der certo, deixa o governo

Sobre provocação de Cartaxo, Coutinho desafiou adversário a deixar o mandato se estiver mentindo

O governador Ricardo Coutinho fez críticas ao prefeito Luciano Cartaxo durante solenidade. Foto: Francisco França

O governador Ricardo Coutinho (PSB) lançou um desafio para os seus adversários políticos, notadamente, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). O gestor pessoense é virtual candidato das oposições ao governo do Estado e tem feito críticas à terceirização da Educação. Durante solenidade para o anúncio de 150 vagas de concurso, nesta segunda-feira (24), o prefeito voltou a criticar o governador. “Enquanto a prefeitura faz concurso, o estado terceiriza”, disse. Ao ser abordado sobre o assunto, Coutinho prometeu mostrar resultado da terceirização em semanas. E foi além, ressaltou que se não conseguir, topa deixar o governo.

“Farei uma aposta a deputado, farei uma aposta com o prefeito de João Pessoa (Luciano Cartaxo). Faria com qualquer autoridade que tivesse mandato. Se não for isso o que eu estou dizendo, eu perderia o mandato. Agora, se for isso, eles assumam o compromisso de sair do mandato e fazer um bem ao povo para deixar de trabalhar com mentiras e fazer um bem à sociedade”, ironizou Ricardo Coutinho. A provocação foi feita após ele discorrer sobre o rosário de críticas que vem recebendo por causa da proposta de terceirização na Educação. O gestor alega que a medida trará benefícios para os prestadores de serviço, ao contrário do que ocorre hoje, porque eles passarão a ter direitos trabalhistas.

Críticas

As críticas do governador foram direcionadas principalmente a Luciano Cartaxo. O prefeito tem feito declarações contrárias à terceirização. Para ele, o modelo de contratação demonstra a falência da capacidade administrativa da prefeitura. “O prefeito Cartaxo tem uma dificuldade muito grande de compreensão das coisas. Ou pior ainda, se compreende, ele está simplesmente manipulando a verdade. É por que ele não sabe o que é terceirização. Aliás, ele sabe de muito pouca coisa. Basta olhar para a cidade de João Pessoa que você compreende isso. O que estou fazendo é retirando os trabalhadores de situação precarizada e dando a eles exatamente a regularização”, disse.

Ricardo Coutinho explicou que a terceirização não vai alterar a situação dos professores e da direção das escolas. Por outro lado, apresenta dados preocupantes sobre a capacidade técnica dos professores que prestam serviço à educação, atualmente. Segundo ele, se for realizado concurso, entre 90% e 95% dos profissionais não serão aprovados e terão que deixar o serviço público. Ele justifica que a reprovação ocorreria por conta da alta competitividade nas seleções. Para rebater as críticas, o governador falou ainda da reforma de 55 escolas e assegurou que a terceirização fará com que os serviços de reparo nas instituições de saúde sejam mais rápidos.

 

Substituindo Ricardo, Cida Ramos é vaiada por petistas contrários à terceirização

Secretária dividia mesa com Dilma Rousseff durante curso para formação de lideranças

O governador Ricardo Coutinho (PSB) se livrou de uma sonora vaia em evento promovido pelo PT, neste sábado (22). Ele foi convidado para compor a mesa ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no curso para formação de lideranças. O socialista foi representado na aula inaugural pela secretária de Desenvolvimento Humano, Cida Ramos. Ela, então, foi o alvo das vaias e gritos de “não à terceirização”. Visivelmente constrangida, a auxiliar do governador teve dificuldade para continuar o discurso. Foi preciso o presidente estadual o partido, Jackson Macedo, pedir coerência à militância. Só depois disso o discurso teve continuidade. Veja vídeo do www.paraibaradioblog.com.br.

O Partido dos Trabalhadores se posicionou, em nota, na semana passada, contra a terceirização da Educação. No documento, o presidente do PT ressaltou o papel de Coutinho nas questões nacionais que incluem o Partido. Apesar disso, manteve a linha crítica ao programa de terceirizações do Estado. “Entendemos que a ideia de melhorar a qualidade da gestão escolar é positiva, todavia, o caminho é equivocado. Para isso existem outros caminhos, a exemplo de parcerias com as universidades públicas, que podem prestar assessoramento à rede, a exemplo da própria UEPB”, diz o texto assinado pelas principais lideranças do partido.

Dilma e Cida participaram do ‘Curso de Difusão do Conhecimento em Gestão Pública e Resistência ao Golpe’. O evento é voltado para movimentos sociais e populares, militantes da esquerda e do PT. De acordo com o presidente do partido, Jackson Macedo, todas as 300 vagas disponíveis foram preenchidas. O curso terá duração de 90 dias.

Resposta de Jackson Macedo

O presidente estadual do PT, Jackson Macedo, em contato com o blog, falou que as vaias contra Cida Ramos não foram puxadas por militantes do partido. Ele lembra que havia muito militante do PT no evento, mas também muitos estudantes da Universidade Federal da Paraíba e secundaristas. “Tinha representantes da APES, da UBES, dirigentes da UNE. Então, basicamente, quem puxou as vaias, que na verdade foram vaias localizadas e pequenas contra a secretária Cida, não foram militantes do PT, não. Foram militantes destas entidades que não são filiadas ao partido. O PT já se manifestou sobre a questão da terceirização e não vai insistir no tema. Esse debate agora cabe às entidades representativas da categoria”, disse.

Ricardo Coutinho promoverá ciclo de debates com pensadores nacionais

Primeiro da lista será o jornalista e ex-ministro Franklin Martins, no dia 27 deste mês

Ricardo Coutinho deverá oficializar nesta segunda-feira o ciclo de debates de temas nacionais. Foto: José Marques/Secom-PB

O governador Ricardo Coutinho (PSB) vai promover um ciclo de debates na Paraíba com a participação de pensadores nacionais. O primeiro da lista será o jornalista e ex-ministro Franklin Martins. Ele estará em João Pessoa no dia 27, quando falará sobre “Mídia, Poder e Cidadania”. O evento recebeu o nome de “Pense, ciclo de debates contemporâneos da Paraíba 2017”, e vai ocorrer de julho a dezembro deste ano. A cada mês, a expectativa é que sejam realizados um ou dois debates. A ideia, segundo os organizadores, é pensar a sociedade na atualidade. O evento tem como ideia refletir sobre a sociedade brasileira e ocorre no momento que o governador tenta consolidar um voo nacional.

Além de Martins, são esperados nomes como Luís Nassif, Mino Carta, Frei Beto e Dráuzio Varella. Outro nome que está sendo tentado é o do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica. Entre os temas previstos estão “Mídia, Poder e Cidadania”; “A Nação sob incerteza: profundidades e sentidos da crise brasileira”; Justiça e Cidadania: extremos, riscos e desafios da crise brasileira”; “A construção social da subcidadania”; “Avanços e intervenções da Cidadania para o controle ético-democrático da Política”; “Civilização e Barbárie: caminhos da resistência”; “A invenção e a reinvenção necessária do Nordeste”; “As veias abertas da América Latina”, e “Identidades, representação, conflito e convívio cultural”.

Na semana passada, o governador esteve em São Paulo, quando se reuniu com políticos e empresários do setor da comunicação. Entre as reuniões, esteve com o ex-presidente Lula, no mesmo dia em que o petista deu entrevista coletiva para criticar a condenação proferida pelo juiz Sérgio Moro. Ele também esteve reunido com o diretor da revista Carta Capital, Mino Carta. O jornalista é também um dos nomes esperados para o ciclo de palestras. Apesar de ter afirmado não ter pretensões eleitorais para 2018, o governador é cobrado pela militância. Muitos acreditam que o gestor poderá integrar chapa nacional para a disputa de 2018.

O evento é gratuito e aberto ao público.

 

 

Em evento com Luciano Cartaxo, Lira defende aliança do PMDB com Ricardo

Prefeito, por outro lado, acredita na manutenção dos peemedebistas na oposição

Raimundo Lira diz que vai priorizar as ações junto aos prefeitos aliados. Foto: Divulgação/Senado

O senador Raimundo Lira, líder do PMDB no Senado, deu sinais de que a sigla peemedebista rumará para a terceira eleição seguida rachado. O parlamentar segue rota distinta do também senador José Maranhão e do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior. Ele quer que o partido marche, em 2018, ao lado do governador Ricardo Coutinho (PSB). As declarações foram dadas durante audiência no Tribunal de Contas do Estado para discutir a Medida Provisória 778/2017, que tramita no Senado. A proposta prevê o parcelamento das dívidas previdenciárias de estados e municípios com da Previdência Social. O evento contou com a participação do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, virtual candidato do PSD ao governo.

O PMDB, vale ressaltar, é disputado por dois blocos. De um lado, o governador Ricardo Coutinho, preferido de Raimundo Lira. Do outro, o das oposições, que tem a preferência do senador e presidente estadual do PMDB, José Maranhão. Apesar da indefinição no bloco governista sobre quem serão os candidatos, Lira demonstra otimismo em relação à composição. O partido não conseguiu construir consenso nas eleições de 2014, quando parte apoiou a reeleição de Ricardo Coutinho e a outra, a eleição de Cássio Cunha Lima. Em 2016, o partido rompeu com Ricardo e se alinhou com a oposição. No pleito de 2018, a tendência é de novo racha.

Cartaxo

Procurado pela imprensa, no mesmo evento, o prefeito Luciano Cartaxo demonstrou otimismo em relação à manutenção da aliança dos partidos de oposição. Ele garantiu que tem havido diálogo entre as principais lideranças do bloco, inclusive José Maranhão. “Acho que até abril do ano que vem essa composição estará definida. A partir daí, começarão as discussões em torno de nomes para as chapas majoritária e proporcional”, disse o prefeito. Pela parte das oposições, além dele, são lembrados os nomes do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, e do senador Cássio Cunha Lima, ambos do PSDB, além de José Maranhão, do PMDB.

Luiz Tôrres nega articulação de Ricardo para acomodar Lígia no TCE

“É uma invencionice de alguém que almeja outro objetivo”, garantiu o secretário

Ricardo Coutinho disse não ter apego a cargos e poderá viver longe do governo. Foto: Francisco França/Secom-PB

O secretário de Comunicação do Estado, Luís Tôrres, entrou em campo nesta quarta-feira (5) para negar articulações para tirar a vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT), da linha sucessória do Estado. Informações de bastidores davam conta de que na reunião entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e a pedetista, no mês passado, o governador teria convidado a aliada a renunciar ao cargo. A compensação, para tamanho desprendimento, seria uma articulação para levá-la a ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Vaga esta, vale ressaltar, que não existe de fato. Ela dependeria de uma articulação para antecipar a aposentadoria do conselheiro Arthur Cunha Lima.

“Isso é totalmente improcedente. Não existe, não foi feito. É uma completa invencionice. Em nenhum momento o governador chegou a cogitar esse desenho e nem comentou com ninguém. Não chegou nem próximo disso na conversa com Lígia Feliciano”, ressaltou Tôrres. O secretário disse ainda que a reunião serviu tão somente para o gestor explicar à vice a sua decisão de ficar no governo até o fim do mandato. “Ele espera que Lígia participe do processo de discussões para a escolha do candidato governista. A própria vice-governadora disse que diante dessa conversa, não teria como indicar o seu futuro, mas garantiu que apoiaria o projeto de governo até 31 de dezembro de 2018”, acrescentou.

O secretário de Comunicação garantiu ainda que o interesse do governador será concluir o mandato. Com isso,vale ressaltar, Ricardo terá tempo e a máquina para trabalhar a candidatura de um aliado. Os nomes na base governista estão bastante indefinidos, mas o gestor acredita que terá como montar uma chapa competitiva.

 

Ricardo Coutinho propôs renúncia a Lígia e vaga no Tribunal de Contas, diz aliado

Lígia assumiria vaga de Arthur Cunha Lima no TCE em caso de acordo

Ricardo Coutinho e Lígia Feliciano, em uma das vezes em que a pedetista assumiu o governo. Foto: Júnior Fernandes

O governador Ricardo Coutinho (PSB) tem esquadrinhada uma decisão na cabeça: não quer Lígia Feliciano (PDT) no governo. O tema foi abordado pelo próprio socialista, de forma indireta, em várias entrevistas. “Não vou deixar o governo se perceber que o cargo que represento não está devidamente protegido”, ressaltou durante entrevista coletiva no final do ano passado. Mais recentemente, em reunião na Granja Santana, isso foi colocado às claras. No mesmo encontro em que informou à suplente que ficaria no cargo até o fim do mandato, Coutinho teria, segundo interlocutores da vice-governadora, dado uma outra solução. Ambos renunciariam ao mandato em abril do próximo ano.

A relação dos dois é repleta de desconfianças. O cenário apresentado pelo governador, segundo informações de bastidores, passa por compensações. O prêmio de consolação para Lígia Feliciano seria uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A tese é negada abertamente por governistas. Procurados, os conselheiros do TCE dizem desconhecer vaga por ser aberta. Mas a coisa não é, assim, tão descabida. A vaga em questão seria a de Arthur Cunha Lima, ex-presidente do tribunal. O conselheiro, inclusive, enfrenta problemas de saúde, o que seria uma justificativa para a antecipação da aposentadoria. Com 68 anos, ele pode trabalhar, se quiser, até os 75 anos. A compensação seria uma ajuda na eleição de Arthur Filho (PRTB) para a Assembleia Legislativa.

O cálculo é simples: Ricardo Coutinho usaria sua influência parlamentar para garantir o cargo vitalício para a vice. Com isso, ficaria livre para renunciar ao cargo em abril. Ato contínuo, Gervásio Maia (PSB), enquanto presidente da Assembleia Legislativa, assumiria o governo e convocaria novas eleições em 30 dias, para a escolha indireta do sucessor. O nome cotado para isso é o do secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, João Azevedo. Investido do mandato tampão, o hoje auxiliar do governo trabalharia pela reeleição com a caneta cheia de tinta e com Ricardo disputando o Senado.

A fórmula não é bem vista por Lígia Feliciano. O acordo não foi fechado, segundo fontes ouvidas pelo blog. As informações sobre esta reunião foram mantidas em segredo até auxiliares do governador revelarem parte do conteúdo. Justamente a que tratava do recado de que Ricardo não vai se afastar do governo. Essa seria justamente a consequência pela recusa de Lígia em relação à vaga no Tribunal de Contas do Estado. A base governista sabe que a ampulheta foi virada e o tempo é um inimigo inexorável. Se ficar no governo, Ricardo terá mais chances de fazer o sucessor, mas ficará dois anos no limbo até poder disputar novo cargo público. As articulações para convencer Lígia a mudar de ideia continuam…