Governista defende Lígia Feliciano para a disputa da sucessão de Ricardo

Arthur Filho diz que não há queixas sobre a fidelidade da pedetista

Arthur Filho diz que o governador Ricardo Coutinho será candidato ao Senado. Foto: Nyll Pereira/ALPB

O deputado estadual Arthur Cunha Lima Filho (PRTB) iniciou um movimento ainda ignorado pelos governistas. Ele defendeu o nome da vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) para a disputa da sucessão do governador Ricardo Coutinho. O cálculo é simples: o socialista terá que renunciar ao cargo, em abril do ano que vem. E quem, além da sucessora, com a caneta na mão, terá mais legitimidade para a disputa? A tese foi apresentada no fim de semana, durante entrevista à rádio Talismã, em Belém. “Defendo e levanto a bandeira de que a candidata do nosso grupo político seja a vice-governadora Lígia Feliciano. É um nome correto, pessoa leal, pessoa preparada, uma médica, e que não deu motivo para desconfiança”, disse.

Athur Filho disse não acreditar na permanência de Ricardo no governo até o fim do mandato. Para ele, o governador vai renunciar ao mandato em abril para disputar vaga no Senado. O deputado, por isso, acredita que Lígia seja o nome ideal para enfrentar o candidato das oposições. Questionando, ele disse não acreditar em reaproximação de Ricardo com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). “Os discursos que vimos ouvindo de Cartaxo, de Romero Rodrigues (prefeito de Campina Grande) e do próprio (senador) Cássio Cunha Lima é de que as oposições vão marchar unidas”, ressaltou o parlamentar.

Há muitas interrogações ainda em relação a quem será o candidato apoiado por Ricardo Coutinho em 2018. O presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), partiu na frente, mas perdeu força. Ele decidiu disputar vaga na Câmara dos Deputados. O nome da vez é o do secretário de Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo. Não há consenso, no entanto, de que ele seja o escolhido. O nome de Lígia Feliciano, porém, ganha força justamente pela caneta. Caso ela esteja no poder no período eleitoral, será muito difícil o grupo trabalhar contra a reeleição da pedetista. Pelo menos não sem risco de um abraço de afogados.

Lígia Feliciano assume o comando do governo e fica no cargo até sábado

Ricardo Coutinho viajou para a Argentina, onde divulga o destino Paraíba

Ricardo Coutinho passa o cargo para Lígia Feliciano, mas sem solenidade formal. Foto: Júnior Fernandes

A vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) assumiu o comando do governo da Paraíba nesta terça-feira (13). Ela ficará no cargo até sábado (13), em substituição ao governador Ricardo Coutinho (PSB). O socialista cumpriu agenda em Brasília, nesta terça, com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e, em seguida, viajou para a Argentina. O governador vai participar, em Buenos Aires, da campanha de divulgação do destino Paraíba. O gestor participará, no país vizinho, da cerimônia de lançamento do voo Gol Linhas Inteligentes entre Buenos Aires e João Pessoa. A opção estará disponível a partir do dia 1º de julho.

Os representantes da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur) embarcaram no último domingo (11) para Buenos Aires. De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o aeroporto Castro Pinto possui todas as condições técnicas e de logística para receber voos internacionais. No dia 1º de julho vai acontecer o “batismo” da aeronave que pousará com os primeiros turistas argentinos. O voo vai sair de Buenos Aires às 12h35, com chegada na capital paraibana prevista para às 17h35. O retorno à Argentina com passageiros paraibanos está previsto para às 18h35 do mesmo dia, fazendo uma escala em Maceió (Aeroporto Zumbi dos Palmares), com chegada prevista para às 0h50 do dia 2 (madrugada).

A presidente da PBTur, Ruth Avelino, informa que os passageiros do voo inaugural serão recebidos com muito forró pé de serra, com apresentação do Grupo Folclórico do Sesc e receberão um kit com material institucional sobre os destinos turísticos da Paraíba.

Campanha publicitária

Durante o evento na embaixada brasileira vai ser realizado um workshop entre os hoteleiros da Paraíba e os agentes de viagens e operadores de turismo da Argentina, como forma de negociar tarifas e promoções. Em seguida, será feita a apresentação do Destino Paraíba, através de vídeos e palestras para os participantes, que também inclui a imprensa portenha. Ruth Avelino disse que para implementar a divulgação do voo junto ao público argentino foi criada uma campanha publicitária para outdoor, rádio e Internet.

“A Paraíba e João Pessoa ainda não são muito conhecidas na Argentina. Essas ações precisam ser constantes para garantir o sucesso do voo, assim quem sabe, na alta estação possamos ter mais uma frequência ligando Buenos Aires, ou outra cidade da Argentina, à nossa Capital”, afirmou a executiva paraibana.

Ricardo diz que demitiu metade dos agentes do Lar do Garoto

Governador diz que as causas dos crimes estão sendo investigadas

Ricardo Coutinho cobra ajuda de outros órgãos diretamente relacionados com a ressocialização dos menores. Foto: Francisco França

O governador Ricardo Coutinho (PSB) revelou nesta sexta-feira (9) que demitiu metade dos agentes socioeducativos do Lar do Garoto. A unidade de internação de jovens infratores, localizada em Lagoa Seca, foi palco de uma tragédia no último sábado (3). Ao todo, sete jovens morreram durante uma revolta (cinco carbonizados e dois esquartejados) e seis fugiram durante a madrugada. Nesta quarta-feira (7), ainda em meio às polêmicas da primeira ação, outros quatro menores fugiram. O socialista disse que as responsabilidades serão apuradas, para ver onde estava a falha. Ele lembra que o movimento foi iniciado por 16 internos e havia 19 agentes presentes. “Por que eles não contiveram?”, questionou.

Desde que o problema foi iniciado, o governador fez duas mudanças na direção da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (Fundac). No Diário Oficial do Estado de terça-feira (6) foi publicada mudanças na diretoria técnica da fundação, com a nomeação de Gilvaneide Nunes da Silva em substituição a Denise Miranda Ramos Lucena. Nesta sexta, foi exonerada a vice-presidente, Deborah Vivianne Cândido Estrela. Ela foi substituída por Isaac Venerando Pereira de Lima.

 

Adriano Galdino avisa: se não pararem de falar em “codificados”, o MPPB vai ser obrigado a investigar o caso

Deputado é um dos principais aliados do governador Ricardo Coutinho

Adriano Galdino diz que não será responsabilizado caso o Ministério Público exija que o governo do Estado cumpra a lei. Foto: Roberto Guedes/Alpb

O deputado estadual Adriano Galdino (PSB), um dos principais aliados do governador Ricardo Coutinho, do mesmo partido, anda jogando contra o patrimônio. Em discurso na Assembleia Legislativa, na semana passada, deixou claro que a figura dos “codificados”, no governo, é ilegal. Ele pediu, de forma enfática, falando da tribuna da Assembleia Legislativa, que o tema pare de ser debatido. O gestor alega que se as pessoas continuarem falando em codificados, o Ministério Público da Paraíba será obrigado a investigar. Pior, trabalhará para que a Constituição Federal seja cumprida e, com isso, mais de 8 mil pessoas poderão perder o emprego.

“Os codificados (na folha do Estado) sempre existiram. Só que esta Casa nunca debateu o tema. Por que fazia de conta que não existia os codificados. Por que? Para zelar por esses empregos de pessoas que entraram precariamente no Estado. Se este debate continuar, o Ministério Público vai tomar conhecimento de forma pública e vai, obrigatoriamente, tomar as providencias cabíveis. Quais são? Exigir que a Constituição Brasileira seja respeitada. Qual é essa atitude? Pedir a demissão dos codificados para solicitar concurso público para regularizar essa situação”, alertou Adriano Galdino, que comandou a Assembleia Legislativa no último biênio.

Responsabilidade

E ele completou: “Quero dizer que essa responsabilidade (de atrair a atenção do Ministério Público) não será minha. Tenho dito para os colegas deputados que esse debate é ruim porque ameaça mais de 8 mil empregos de gente contratada há 20 ou 25 anos”, acrescentou. As declarações do parlamentar ocorrem em meio à polêmica sobre a manutenção de servidores codificados na folha do Estado. O tema, é importante reconhecer, não é novo. Há referências aos codificados nos governos de José Maranhão (PMDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB), antecessores do governador Ricardo Coutinho.

Atualmente, de acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), os contratos custam R$ 17,2 milhões por mês para o poder público estadual. O dinheiro é usado para pagar os vencimentos de 8,4 mil servidores com vínculo precário. O presidente do TCE, André Carlo Torres, deu declarações recentemente dizendo que os profissionais não podem mais ser chamados de codificados. Atualmente, com maior transparência, ele reforça, a categoria se assemelha mais aos prestadores de serviço. A diferença é que eles não têm direito a férias, terço de férias e não recolhem o INSS.

 

Galdino diz que Ricardo “elegerá” sucessor e será “supersecretário” do governo

Socialista acredita que o governador não vai disputar cargos em 2018

Ricardo Coutinho (D) durante transmissão de posse para Adriano Galdino (E) em solenidade no Palácio da Redenção. Foto: Francisco França

O ninho socialista tem acalentado uma nova tese sobre as eleições de 2018. Por ela, o governador Ricardo Coutinho (PSB) não se afastará do mandato para disputar o Senado e concluirá o mandato. Mas não apenas isso. O plano não prevê a possibilidade de derrota. Ele elegerá o sucessor, seja lá quem for, e será o supersecretário da próxima gestão, para dar continuidade “às conquistas” do atual governo. O porta-voz da estratégia foi o deputado estadual Adriano Galdino (PSB), que faz a ressalva: “essa é uma tese minha”. O parlamentar, no entanto, admite que não há ainda nome de consenso para a disputa. “Temos vários”, ele assegura.

“(Ricardo Coutinho) Será o supersecretário. Ele será o fiador da próxima gestão. Ele vai colocar alguém da sua inteira confiança para ser o novo governador da Paraíba, para continuar a sua gestão administrativa e o governador será o secretário desta gestão, quem sabe. E nesta condição será o supersecretário, terá condições de manter, de avaliar, as questões políticas de hoje para ser continuada na próxima gestão”, destacou Adriano Galdino, dando a entender que o sucessor do governador, caso seja eleito dentro do grupo, terá papel figurativo, já que a prioridade será manter as conquistas e o modo de governar de Ricardo Coutinho.

O papel de supersecretário é ocupado hoje, no governo da Paraíba, por João Azevedo. Ele comanda a pasta de Infraestrutura, Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia. Azevedo também é o principal nome lembrado para a disputa e, portanto, nas contas socialistas, a trocar de lugar com Ricardo Coutinho. Perguntar não ofende: o atual mandatário vai despachar, a partir de 2019, na Secretaria de Infraestrutura ou no Palácio da Redenção?

Gervásio mantém agenda ‘colada’ com Ricardo, mas garante interesse na Câmara

“Siameses” – Sintonia com Ricardo eleva especulações sobre disputa do governo

Ricardo Coutinho e Gervásio Maia compartilham agendas no interior do Estado. Foto: Divulgação/ALPB

O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Gervásio Maia (PSB), tem procurado, cada vez mais, aliar a sua agenda política de compromissos pelo interior do Estado com a do governador Ricardo Coutinho (PSB). O deputado estadual tem insistido em manter a imagem ligada ao chefe do Executivo, estimulando rumores de que será mesmo o candidato socialista nas eleições de 2018, mesmo depois de reafirmar que a sua pretensão é conquistar uma das 12 vagas de deputado federal pela Paraíba.

E, no último final de semana, não foi diferente. Gervásio Maia participou de uma série de eventos ao lado de Ricardo Coutinho (PSB), no Brejo paraibano. No sábado (26), esteve em Guarabira participando da entrega do Condomínio Cidade Madura, também visitou a obra do contorno viário João Pedro Teixeira, entregou obra viária no bairro do Nordeste e participou da plenária do Orçamento Democrático Estadual.

As imagens encaminhadas pela assessoria do parlamentar mostram sempre a presença de Gervásio ao lado de Ricardo. O mesmo é demonstrado nos releases repassados à imprensa, apresentando uma espécie simbiose entre os discursos, ora com o parlamentar enaltecendo as ações governamentais, ora o governador reafirmando a fala do presidente do Poder Legislativo e destacando a harmonia entre os dois poderes.

Entrevista

Em seguidas entrevistas à imprensa, Gervásio tem reafirmado que o seu interesse é a Câmara Federal. “Não estou revendo (a decisão de ser deputado federal), continuo na mesma linha, pois, se você não tiver foco, você não avança e o nosso foco é de uma candidatura proporcional”, disse o deputado em entrevista na última quinta-feira (25), na ALPB. Porém, o deputado transparece, na mesma fala, que ainda não há nada certo e que tudo pode mudar. “Deus é quem sabe do nosso futuro, vamos trabalhar, vamos nos dedicar, o ano de 2017 é de muitos desafios, sobretudo, na situação em que o país vive. Em 2018 agente discute eleição”.

Gervásio Maia também tem evitado comentar sobre outros filiados do PSB especulados como postulantes ao Governo do Estado. “Em respeito aos paraibanos, a discussão dos nomes vai ficar para 2018. Não é hora para isso, esse momento é de mostrar serviço, a responsabilidade nossa, enquanto integrante do PSB é de, lá na frente escolher um nome que possa dar continuidade a um projeto que por onde eu ando é reconhecido, de trabalho pela Paraíba”, disse o presidente da ALPB, ao ser questionado sobre a possibilidade do deputado Buba Germano (PSB) ser o candidato a sucessor de Ricardo Coutinho.

Por Ângelo Medeiros, do jornaldaparaiba.com.br

MPF denuncia ex-auxiliares e aliados de Ricardo Coutinho por “forjarem” compra de votos

“Flagrante” seria para beneficiar a reeleição do governador

Ex-aliados: Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima estão em lados opostos desde a eleição de 2014. Foto: Rizemberg Felipe

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra ex-auxiliares e aliados do governador Ricardo Coutinho (PSB). O grupo teria forjado flagrante, durante a campanha eleitoral de 2014, contra o então prefeito de Caiçara, Cícero Francisco da Silva (PSB). O objetivo, segundo a denúncia, era apontar suposta compra de voto feita pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB), então candidato ao governo. Na época, o prefeito havia aderido à campanha do tucano. Os acusados, então, reforça a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), ligaram para o prefeito para simular o pagamento pelo apoio. A ideia era divulgar politicamente que a adesão havia ocorrido por compra de apoio.

A PRE aponta como responsáveis pela farsa o líder do governo Ricardo Coutinho na Assembleia Legislativa, Hervázio Bezerra; o ex-secretário executivo de comunicação, Célio Alves; o assessor do governador, jornalista Sales Dantas, e os advogados Fábio Rocha e Celso Fernandes. O Ministério Público aponta que a suposta “armação”, registrada no mês de julho, tinha o objetivo de prejudicar a campanha do senador Cássio Cunha Lima. Segundo o MPF, “os cinco acusados divulgaram fatos que sabiam inverídicos em relação ao candidato (Cássio) capazes de influenciar o eleitorado, além de caluniar e difamar os candidatos para fins de propaganda imputando-lhes fatos definidos como crimes e ofensivos à reputação”.

A farsa montada

Na época, o jornalista Sales Dantas telefonou para o prefeito de Caiçara, Cícero Francisco da Silva, se fazendo passar por um assessor do senador, oferecendo dinheiro para que aderisse à candidatura do tucano. Segundo os autos, o plano foi arquitetado pelo deputado Hervázio Bezerra e executado por Sales Dantas com a anuência do ex-secretário Célio Alves e dos advogados.

Depois de feita a gravação, o deputado, os assessores do governador e os advogados convocaram uma coletiva na Associação Paraibana de Imprensa para fazer a denúncia. A coletiva foi transmitida ao vivo em cadeia estadual de rádio com o objetivo de alcançar o maior número de eleitores possíveis. Ainda na denuncia do MPF, mesmo sabendo que se tratava de um trote e que sabiam que não existia o crime, os denunciados foram a público para denunciar como se fosse verdade com a clara intenção de denegrir a imagem do concorrente.

O procurador Regional Eleitoral, Marcos Alexandre Queiroga, deixa claro que ao passar o trote para o prefeito e entregar a gravação para divulgação na imprensa, os denunciados tiveram o firme propósito de prejudicar o adversário do governador. Os denunciados infringiram os artigos 307, 323, 324 e 325 do Código Eleitoral e o artigo 70 do Código Penal.

O blog não conseguiu contato com os aliados e auxiliares do governador Ricardo Coutinho denunciados pelo MPF.

 

Codificados representam prática não republicana de Ricardo Coutinho

Governador insiste em não romper com as velhas práticas da política paraibana

O governador Ricardo Coutinho anunciou o programa em fevereiro. Foto: José Marques/Secom-PB

O governador Ricardo Coutinho (PSB) foi eleito e reeleito para o cargo com a promessa de acabar com velhas práticas. Ele, certamente, não estava falando da manutenção de codificados na folha de pagamento. O gestor encontrou esse monstrengo administrativo no Palácio da Redenção quando assumiu o cargo e o manteve. É inconcebível que o poder público estadual ache normal pagar R$ 17,2 milhões por mês a 8,4 mil servidores identificados apenas com o CPF. Não há transparência. Para saber como e a quem esse dinheiro é pago, é preciso recorrer ao Tribunal de Contas do Estado via lei de acesso à informação. E pior, a atitude vem justamente de quem se contrapõe à reforma trabalhista. É bom reforçar que é lícito ser contra as reformas propostas pelo presidente Michel Temer (PMDB), mas é preciso dar exemplo.

Durante entrevista coletiva, na manhã desta quinta-feira (25), o procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, disse não ver irregularidade. Enfatizou que apenas sob o comando de Ricardo Coutinho passou-se a ter controle sobre quem são, onde estão e a produtividade dos codificados. Falou ainda em transparência. Uma questão que não foi respondida por ele nem pela secretária de Saúde, Cláudia Veras, é o porquê de este tipo de vínculo ainda existir. Sim, porque os codificados são uma “inovação” no ordenamento trabalhista sem nenhuma base legal. A figura do codificado não existe na legislação trabalhista. É uma aberração.

A porta para o serviço público tem que ser, impreterivelmente, o concurso público. No caso de uma eventualidade, a contratação pode ser por excepcional interesse público. São figuras jurídicas conhecidas. Os codificados, não. A prática começou no governo do hoje senador José Maranhão (PMDB), passou por Cássio Cunha Lima e foi mantida por Ricardo. Os servidores contratados não têm nenhum direito trabalhista. Férias, terço de férias, contribuição para o INSS, nada. É apenas o fulano que recebe um salário, segundo Cláudia Veras, por produtividade. Vale novamente o conceito de aberração, de desrespeito ao servidor.

Lembra muito a figura dos trabalhadores avulsos, uma coisa incompreensível nos dias atuais. Antigamente, as empresas contratavam uma parte dos servidores de forma legalizada, pagando os direitos, e mantinham outros avulsos. Estes últimos recebiam apenas o salário. Eram praticamente fantasmas que alugavam a força de trabalho. O líder da oposição na Assembleia Legislativa, Tovar Correia Lima (PSDB), propôs a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o caso. Foi desafiado pelo deputado Tião Gomes (PSL) a abrir o leque para governos passados. O desafio foi aceito, mas dificilmente a investigação ocorrerá.

De fato nisso tudo há apenas a constatação de que a figura do codificado não deveria existir.

Galdino diz que Ricardo será o novo Epitácio Pessoa da Paraíba

Deputado acredita que Lula não será candidato

Ricardo Coutinho é lembrado pelos aliados para disputar a Presidência. Foto: Francisco França

Os socialistas começam a levar muito a sério uma eventual disputa da Presidência da República pelo governador Ricardo Coutinho (PSB). Pelo menos os socialistas paraibanos. O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) já tem até uma marca a ser alcançada pelo gestor: “ele será o novo Epitácio Pessoa da Paraíba”. Epitácio foi o único paraibano a chegar à Presidência da República e comandou o país entre 1919 e 1922. O advogado paraibano também foi senador e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Era tio do ex-governador da Paraíba, João Pessoa, assassinado em 1930, no episódio que serviu de estopim para a revolução de 1930.

Galdino, para justificar a tese, fez algumas contas com pouca base científica. Na visão dele, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o nome natural das esquerdas para disputar a Presidência, em 2018. Ele alega, no entanto, que o petista tem sofrido forte resistência do setor produtivo do país e, por isso, pode perder as condições de disputar. Dentro deste aspecto, segundo ele, não tem nenhum nome do PT que tenha abrangência nacional. Apesar de Ricardo também não preencher este requisito, Galdino diz que isso abrirá espaço para o gestor paraibano. “Ele terá o apoio do (ex) presidente Lula para ser o novo Epitácio Pessoa do Estado da Paraíba”, disse Galdino.

Galdino também disse que o PSB tem a quarta maior bancada da Câmara dos Deputados, com 34 deputados, quando, na verdade, ocupa a sexta posição. Fica atrás de PMDB, PT, PSDB, PP e PSD. Bem, pode até faltar voto, mas não otimismo na cartilha socialista…

Com informações de Ângelo Medeiros

 

Ricardo quer provar que não “está nas últimas” e tem fôlego para eleger sucessor

Governador aposta que fará o sucessor no governo do Estado

Ao lado de Ricardo Coutinho, João Azevedo assina ordem para início de licitação para a Adutora Transparaíba. Foto: José Marques

O governador Ricardo Coutinho (PSB) quer afastar da sua gestão o sentimento de fim de feira. Consultas feitas para consumo interno mostraram uma realidade dura: a oposição ganha cancha para 2018; os governistas, não. A demora para entrar no jogo foi cruel com os governistas em 2016, quando acumularam derrotas vergonhosas. Pior. O grupo viu surgir adversários potenciais em João Pessoa, com Luciano Cartaxo (PSD), e Campina Grande, com Romero Rodrigues (PSDB). A oposição tem Cartaxo, Romero e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) como opções para a disputa. O PSB…

A realidade madrasta fez o sinal de alerta acender para as bandas do Palácio da Redenção. A eleição de 2018, para os socialistas, se mostra como um pão com capacidade de se alongar, mas sem manteiga suficiente para preencher os espaços. E na política, isso é fatal, pois não existem espaços vazios. Ou seja, o partido tem um governador bem avaliado, mas que se mostra um péssimo transferidor de votos. Por isso, a estratégia montada é focar que as ações bem sucedidas do governo são mérito do projeto socialista, não de Ricardo. Com isso, a intenção é fazer com que qualquer pessoas tirada do colete já parta com dois dígitos nas pesquisas. Isso na teoria.

Caminhos

A estratégia é arriscada e fracassou em 2016 nas principais cidades paraibanas. Mas, sem outra, ela volta a embalar o projeto de poder do PSB. O governador anunciou na última segunda-feira (8) um programa para investir meio bilhão de reais na economia do Estado. O dinheiro ainda não está todo em caixa, mas Ricardo Coutinho acredita poder executá-lo com a ajuda de empréstimos. Nesta quarta-feira (10), ele fez um périplo por seis cidades para assinar a ordem de serviço para a adutora Transparaíba. O projeto vai beneficiar a população do Agreste e do Curimataú. Algo em torno de 140 mil pessoas.

O curioso da maratona é que em cada uma das seis cidades visitadas houve assinatura da mesma ordem para início da licitação. Mas não se trata de seis licitações, preste atenção. É apenas uma. O objetivo, lógico, era faturar ao máximo com o projeto. Ao lado do governador estavam deputados e auxiliares do governo. O destaque recai sobre um deles, o secretário de Infraestrutura e Recursos Hídricos, João Azevedo. O nome dele chegou a ser guindado à condição de candidato a prefeito de João Pessoa, em 2016, mas ele desistiu da disputa. Muitos dos governistas acreditam que a história poderá ser outra agora.

Seja quem for o escolhido, uma coisa é certa: o governador Ricardo Coutinho precisa correr para tentar fazer o sucessor. Caso contrário, o fim de feira deixará de ser apenas uma impressão…