Luciano Cartaxo manda recado a Charliton: quer PSDB e PMDB no palanque

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), tem mandado recados para o presidente do seu partido, no estado, Charliton Machado. Ele não vai abrir mão de pelo menos tentar manter todas as alianças administrativas para a disputa da reeleição, no ano que vem, mesmo que isso contrarie a orientação nacional da sigla petista. O entendimento é que não se ganha eleição dividindo, principalmente quando os hoje aliados podem migrar para a oposição.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

Machado deu declarações recentemente de que o PT, em João Pessoa, tem aliado prioritário: o PSB. Não haveria, portanto, espaço para o PSDB e o DEM na chapa. O impedimento seria o fato de as duas legendas serem adversárias e críticas da presidente Dilma Rousseff. Para o dirigente petista, não haveria alinhamento ideológico entre as agremiações que justificasse o alinhamento. O pronunciamento surge no momento em que o PSDB e PMDB, hoje aliados, discutem candidatura.

Luciano Cartaxo, no entanto, segue no caminho contrário. Sabe que dificilmente o PSB abrirá mão do desejo de lançar candidatura própria no próximo ano. O governador Ricardo Coutinho (PSB) já disse que não tem dívida partidária com o PT, por isso, não está obrigado a retribuir o apoio recebido no ano passado. Os dirigentes estaduais do PSDB, por outro lado, estão dispostos a discutir um acordo, já que a sigla tem três vereadores na base aliada do prefeito.

Cartaxo, nesta semana, deixou bem claro que as portas estão abertas para todos os partidos que desejem trabalhar pela sua reeleição. Quer o PSDB e o PMDB, siglas que ensaiam candidaturas próprias, inclusive, com uma aliança entre elas. A lógica é a de que ele não pode repetir o erro de Cássio Cunha Lima (PSDB), no ano passado, que se achando eleito governador não quis o PT no arco de alianças, porque achava que Dilma Rousseff estava mal. Também não quis o PMDB.

O resultado dessa história, envolvendo o senador tucano, todo mundo conhece…

PT não quer DEM e PSDB na composição para disputar prefeitura de João Pessoa

O PSDB tem dois vereadores na Câmara de João Pessoa, além de um parlamentar licenciado no comando da Secretaria de Comunicação da Capital. O DEM tem dois vereadores, sendo um governista e outro de oposição. Apesar da aproximação e das afinidades com o prefeito Luciano Cartaxo, nenhuma das duas siglas serão bem-vindas na chapa petista para a disputa da reeleição. A garantia é do presidente do partido no Estado, Charliton Machado.

Em conversa com a repórter do Jornal da Paraíba, Larissa Claro, Machado foi enfático em dizer que as portas estão fechadas para uma composição entre as legendas, que são inimigas do PT no plano nacional. A posição da direção partidária vai de encontro ao desejo dos tucanos de João Pessoa. A vereadora Eliza Virgínia (PSDB), inclusive, defende que a sigla indique o vice na chapa petista para o pleito do próximo ano.

Além de Eliza, compõem a base tucana na Câmara os vereadores Luiz Flávio e Marcos Vinícius, atualmente exercendo o cargo de secretário de Comunicação de João Pessoa. Do DEM, Bosquinho é um dos entusiastas em relação à candidatura de Luciano Cartaxo. Ele segue no sentido contrário a Lucas de Brito, que faz oposição ferrenha. As afirmações de Charliton Machado surgem ao mesmo tempo que PSDB e DEM defendem candidaturas alternativas à petista.

Sendo mais claro, se Eliza Virgínia, Marcos Vinícius, Luiz Flávio e Bosquinho quiserem mesmo apoiar Luciano Cartaxo na reeleição, terão que trocar de partido até 2 de outubro. Caso contrário, terão que se entrincheirar no campo da oposição e escolher outro candidato.

Convenção do PSDB é o primeiro passo para o racha na base de Cartaxo

A convenção do PSDB, prevista para o próximo domingo (14), merece uma análise especial, porque vai representar o primeiro tijolo no caminho da desconstrução da base aliada do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT). O cenário atual é do gestor voando em céu de brigadeiro na Câmara Municipal. Tem ao seu lado 24 dos 27 vereadores da Casa. Mas essa é uma comodidade que tem data para acabar, porque vários partidos hoje aliados têm interesse eleitoral.

Foto: Larissa Ponce/Agência Câmara

Foto: Larissa Ponce/Agência Câmara

O PSDB é um deles, apesar de ter três vereadores na base do petista. Um deles, inclusive, Marcos Vinícius, integra a gestão de Cartaxo. O partido ainda está de olho e fez convites aos três vereadores da oposição na Câmara Municipal: Lucas de Brito (DEM), Raoni Mendes (PDT) e Renato Martins (PSB). O presidente estadual da sigla, Ruy Carneiro, não nega o interesse de figurar como uma das opções para a disputa, principalmente com o ex-senador Cícero Lucena se dizendo aposentado.

Se formos colocar os pontos nos is, dá para prever uma defecção muito grande na base, de pelo menos 16 vereadores que terão a opção de seguir o partido ou não disputar a reeleição. Só do PSDB são três vereadores, mas o partido, contando com a força do senador Cássio Cunha Lima, pode atrair para a sua órbita os três do Solidariedade, que esteve na composição do ano passado. O PPS, com dois vereadores, também integrou o grupo que tentou eleger o tucano.

Assim como o PSDB, o PSB do governador Ricardo Coutinho tem interesse eleitoral em João Pessoa. Caso isso se concretize, não é difícil imaginar que os vereadores filiados a DEM e PR sigam os do PSB. A fila pode ser engrossada ainda pelo PPS, em processo de fusão com a sigla socialista, levando nove vereadores para a oposição. Correndo por fora ainda tem o PMDB do deputado Manoel Júnior, que quer disputar a eleição. Tem um vereador, mas pode atrair outros.

O PT, por enquanto, tem anunciado o apoio do PSD, do deputado federal Rômulo Gouveia. Poderá manter o PP do também deputado federal Aguinaldo Ribeiro. Tudo por enquanto é apenas conjectura, mas pode-se dizer que a manutenção da base inteira é uma tarefa quase impossível. Com isso, vai depender do prefeito Luciano Cartaxo a articulação para manter o máximo de aliados. E quando chegar o momento vai valer uma análise sobre a avaliação política da gestão petista.

Marketing do panelaço nas propagandas partidárias nas TVs brasileiras

Esta semana foi muito emblemática de como os marqueteiros e os partidos estão antenados e tentam incorporar em suas propagandas o movimento das ruas. Por mais sem sentido que isso possa parecer, o modismo da vez é o uso de panelas sendo batidas, como uma forma (já ultrapassada, por incrível que pareça) de demonstrar a indignação da população. Um modelo seguido tanto pelo PSDB, na teça, quanto pelo PTB, nesta quinta (21).

Foto: reprodução

Foto: reprodução

O PSDB pode ser classificado como um legítimo partido de oposição e vai recorrer a todos os recursos para demonstrar isso. Mesmo não compartilhando mais com o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), temendo fortalecer ainda mais o PMDB, do vice Michel Temer, o partido busca a identificação com as panelas batidas nos protestos contra a petista. A entonação delas deu o ritmo da propaganda veiculada tendo o PT como foco principal.

O PTB, em meio a uma crise de identidade, dessas de governista que quer abandonar o barco, usou as panelas para separar os blocos. O partido, entre altos e baixos, esteve sempre próximo aos focos de corrupção denunciados no governo, tem ensaiado um processo de migração para a oposição, estimulada pela baixíssima avaliação do governo. Ele tenta, também, dar provas ao DEM de que pode ser a casa dos democratas no processo de fusão.

Agora estou ansioso para saber o que o PT fará com as panelas em suas inserções, já que o programa de 10 minutos já aconteceu.

Onze parlamentares levam falta em reunião para discutir soluções para a crise

A bancada paraibana é formada por 15 parlamentares, sendo três senadores e 12 deputados federais. Mas não é o que pareceu, na manhã desta segunda-feira (27), durante reunião com o governador Ricardo Coutinho (PSB). A pauta, em tese, era do interesse de todos, mas apenas quatro pessoas compareceram. Dois enviaram representante, no caso do senador Cássio Cunha Lima e do deputado federal Pedro Cunha Lima, ambos do PSDB.

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Os dois foram representados pelo ex-deputado federal Ruy Carneiro (PSDB). Estiveram presentes Damião Feliciano (PDT), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), Rômulo Gouveia (PSD) e Wilson Filho (PTB), este último líder da bancada paraibana. O encontro girou em torno do pedido de apoio aos parlamentares para a aprovação das demandas que possam beneficiar o estado. Ricardo Coutinho disse que a grande preocupação é atender os 170 municípios em estado de emergência.

O secretário de Estado dos Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo, disse que o contingenciamento dos recursos federais têm, sim, prejudicado o estado. Segundo ele, obras importantes como a adutora Acauã-Araçagi estão sendo executadas graças aos recursos alocados para a contrapartida. Isso apesar das dificuldades de arrecadação do estado, já que houve uma queda real do ano passado para cá.

Ricardo Coutinho disse ainda que vai aproveitar o encontro com a presidente Dilma Rousseff (PT), nesta terça, em Goiana (PE), para conversar sobre a necessidade de liberação de recursos para a Paraíba.

A oposição ainda procura um Fiat Elba para Dilma Rousseff

Não há consenso na oposição em relação à busca do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem gastado o francês dele em seguidas afirmativas de que uma briga judicial pela saída da petista não é positiva. O senador Aécio Neves (PSDB), por outro lado, tem buscado o inverso. Talvez tentando jogar para a galera e fazer Dilma “sangrar mais”, já que todos saber que em caso de impedimento, assume Michel Temer (PMDB).

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Outro ponto é que não há certeza sobre admissibilidade de um processo no mundo jurídico e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), apesar da postura anti-Dilma, não vê possibilidade de um impeachment. Ele recorre ao preceito legal para afirmar isso, já que um presidente não pode ser julgado por fatos pretéritos ao mandato. Mas é bom lembrar que, apesar de as ligações diretas a Dilma não passarem de alquimia política, nunca na história deste país houve tanta denúncia.

O ex-presidente e hoje senador Fernando Collor (PTB) foi cassado em 1992 com a combinação de dois fatores: pressão popular e denúncias de corrupção no governo. Mas diretamente contra ele teve apenas a compra de um Fiat Elba com dinheiro vindo das contas fantasmas criadas pelo tesoureiro da campanha, PC Farias. Contra Dilma falta a compra do carro, mas sobram denúncias e casos que beiram a irresponsabilidade.

Em todas as denúncias, apesar de ninguém ter comprovado ligação, houve sempre algum tipo de influência da presidente. O Petrolão é pródigo nisso. O caso do prejuízo com a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, é um dos pontos. Dilma era presidente do conselho que autorizou o negócio. Os desvios de recursos da Petrobras para financiar campanhas do PT denunciados na operação Lava Jato ocorreram tendo ela como presidente do Conselho de Administração da Petrobras ou como presidente da República.

Na economia, as “pedaladas fiscais” também apontam como a economia brasileira foi conduzida nos últimos anos unicamente pensando nos fins eleitorais. Para piorar, a última pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha revela que 63% da população é a favor do impeachment da presidente. Ou seja, a pressão popular já existe, falta apenas o Fiat Elba.

Ruy Carneiro, o convite feito aos oposicionistas, e a reação tucana

A semana promete ser tensa no PSDB de João Pessoa. Depois da notícia de um suposto convite feito pelo presidente estadual da sigla, Ruy Carneiro, para o ingresso dos vereadores Raoni Mendes (PDT), Lucas de Brito (DEM) e Renato Martins (PSB), lideranças tucanas simpáticas à reeleição do prefeito Luciano Cartaxo (PT) já ensaiam uma reação. Eles consideram o convite negativo para o partido, que, na avaliação deles, está bem na capital.

Foto: Larissa Ponce/Agência Câmara

Foto: Larissa Ponce/Agência Câmara

Em contato com o blog, o ex-deputado federal Ruy Carneiro desmentiu a informação de que teria se reunido com os vereadores recentemente, mas deixou claro que o convite está nos planos da sigla tucana. “Pelo posicionamento firme que têm assumido e o trabalho legislativo demonstrado, são lideranças que nos interessam”, disse o dirigente tucano, que espera iniciar as conversas com os vereadores de João Pessoa nesta semana.

Ao blog, tanto Lucas de Brito quanto Raoni Mendes garantiram também que não foram procurados pelo PSDB com a proposta de filiação, apesar das afirmativas de uma liderança tucana de peso. Os dois, no entanto, confirmaram a boa relação com a sigla e se mostraram felizes com a notícia de um eventual convite. “Isso mostra que estamos fazendo bem o nosso trabalho como oposicionistas”, disse Brito.

Atualmente a bancada do PSDB na Câmara de João Pessoa é formada por Eliza Virgínia, Luís Flávio e Marcos Vinícius, todos aliados do prefeito de João Pessoa. Vinícius, inclusive, está licenciado e atua como secretário de Comunicação da capital. Nos bastidores corre a informação de que a vinda dos “cristãos novos” para o partido não seria bem aceita. Ruy Carneiro, por outro lado, disse que eles serão procurados e ouvidos no tempo certo.

O PSDB está em processo de construção dos diretórios em todo o estado. Ruy Carneiro disse que começou o trabalho pelo interior e deve finalizá-lo em João Pessoa, por ser a principal cidade do estado. A ideia dele é formar diretórios fortes em todos os municípios, com a filiação de pelo menos 30 lideranças de peso para a disputa das prefeituras. A meta é superar o número atual de prefeitos, de pouco mais de 20.

A conclusão é que se não rolou, vai rolar convite em João Pessoa, mas já há quem preveja rebelião na base.

Ruy Carneiro convida Raoni, Lucas e Renato para se filiarem ao PSDB

A bancada do PSDB na Câmara Municipal de João Pessoa poderá ganhar mais três vereadores nos próximos dias. O presidente estadual da sigla tucana fez convite recentemente a Lucas de Brito (DEM), Raoni Mendes (PDT) e Renato Martins (PSB) para ingressarem no partido e disputarem a eleição do próximo ano pela legenda. Os três vereadores de João Pessoa têm externados aos colegas de bancada insatisfações com seus atuais partidos.

Lucas de Brito é assediado também pelo PSL

Lucas de Brito é assediado também pelo PSL

Lucas de Brito, inclusive, é assediado pelo PSL, do deputado estadual Tião Gomes, que ofereceu ao vereador a possibilidade de disputar a prefeitura de João Pessoa pela sigla, no próximo ano. Ruy Carneiro figurou como vice na chapa encabeçada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB), na eleição do ano passado. Aos parlamentares, segundo um tucano de alta patente, Ruy falou sobre a intenção de fortalecer a legenda no próximo ano para enfrentar o prefeito Luciano Cartaxo (PT).

O fator que tem aproximado o PSDB dos três vereadores de João Pessoa é o fato de eles fazerem oposição firme ao prefeito Luciano Cartaxo, mas não haver certeza nos seus partidos de que eles estarão na oposição ao gestor no próximo ano. O PSDB elegeu três vereadores na eleição de 2012. Foram eles Marcos Vinícius (atual secretário de Comunicação de João Pessoa), Eliza Virgínia e Luiz Flávio.