Aos poucos, Cássio passa o bastão para Pedro Cunha Lima na condução de grupo político

Ex-senador não comparece à convenção estadual do PSDB e delega a Pedro o projeto político da família

Pedro Cunha Lima adota tom ácido em relação aos adversários e busca protagonismo na política do Estado. Foto: Divulgação/PSDB

Os discursos e os gestos vistos na convenção estadual do PSDB, em João Pessoa, neste domingo (5), passam uma mensagem inequívoca: o partido busca a renovação. O comando da sigla ficará a cargo do jovem deputado federal Pedro Cunha Lima, que terá a deputada Camila Toscano como vice. A mudança sinaliza no sentido de que o partido, agora, vai investir em novos nomes, mesmo que guindados de dentro do próprio grupo. O ex-senador Cássio Cunha Lima, que conheceu o céu e o inferno na política do Estado nos últimos 30 anos, se apresenta em marcha de retirada das primeiras posições. Caberá ao filho, Pedro, a tentativa de reconstruir a história vencedora da família, iniciada com Ronaldo Cunha Lima na década de 1970.

A busca de protagonismo fica mais evidente pelo tom das declarações de Pedro em relação aos adversários políticos do grupo. O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) foi o alvo favorito do tucano nos discursos deste domingo. Em pelo menos duas oportunidades, o socialista foi alvo de críticas ácidas proferidas pelo novo presidente do PSDB. “O deputado Tovar (Correia Lima) disse que gosta de dar nome aos bois, fazendo referência a Ricardo Coutinho. Ricardo não é um boi, não. É um ladrão. E a gente enfrentou isso com uma desigualdade tão grande. Quão desigual foi a campanha de 2014. Enquanto a gente se esforçava na oposição, enfrentando a estrutura do governo estadual, enfrentando a estrutura do governo federal, enfrentando a estrutura de uma organização criminosa…”, disse, em discurso.

Pedro tem transformado a operação Calvário, do Ministério Público da Paraíba, em arma para atingir o adversário. “Enquanto a gente fazia campanha em 2014, fazendo oposição, no dia 22 de setembro um avião particular pousava na Paraíba. Trazendo a propina da campanha, o dinheiro que sai do (Hospital de) Trauma (Senador Humberto Lucena). Vencemos o primeiro turno. Essa é a nossa força. A força de pessoas que não vão se cansar”, disse em tom brando. Ao ser abordado pelos repórteres, após a solenidade, elevou o tom efusivo das declarações tendo como alvo o adversário político. Novamente, as acusações de corrupção em torno do contrato do Estado com a Cruz Vermelha voltaram à tona.

“Ricardo (Coutinho) é um chefe de quadrilha. Ricardo está à frente de um esquema de corrupção, de uma organização criminosa que desde 2011 retira dinheiro da saúde. Então não dá para debater. Eu estou focado com outras coisas. Eu vejo que a Paraíba está finalmente sabendo o que é Ricardo Coutinho. O que é que ele promoveu aqui no nosso Estado. Qual uso ele deu à coisa pública”, disse, ao ser questionado sobre frase do ex-governador de que ia mais a Campina Grande do que Pedro Cunha Lima. O deputado disse ainda ser cedo para decidir se vai ser candidato a prefeito da cidade natal, que já foi comandada pelo avô e pelo pai. Atualmente, é administrada pelo primo, Romero Rodrigues (PSD), com quem Pedro diz ter uma relação fraterna.

O não comparecimento de Cássio à convenção fez com que muitos especulassem o significado da ausência. Entre aliados, o entendimento é o de que o não comparecimento tem o objetivo de dar cancha ao filho. Pedro assumiu o mandato de deputado federal após a vitória eleitoral de 2014. Mas mesmo com o status de mais votado para a Câmara dos Deputados, na Paraíba, demorou a assumir protagonismo. Vivia mais à sombra do pai. A derrota de Cássio em 2018, quando não conseguiu renovar o mandato, abriu caminho para a ascensão do herdeiro. Caberá a Pedro e a Camila, agora, a tentativa de reerguer a sigla depois do péssimo resultado do partido nacionalmente e na Paraíba, onde não conseguiu reeleger o principal nome da sigla.

Além de Pedro e Camila, também integram a Executiva: Lauremilia Lucena (segunda vice-presidente), Emerson Panta (terceiro vice-presidente), Zénobio Toscano (secretário-geral), Edna Henrique (secretaria), André Coelho (tesoureiro geral), além dos vigais de Dinaldo Medeiros Wanderley, Cícero Lucena, João Henrique, Dunga Junior e Iraê Lucena. O líder é o deputado Tovar Correia Lima.

Com o slogan “Um novo tempo, um novo PSDB”, os filiados elegeram o diretório estadual, composto por 60 integrantes. Também foram escolhidos os integrantes do Conselho de Ética e Disciplina, Delegados da Convenção Nacional, além do Conselho Fiscal.

O partido

O PSDB conta atualmente com 46.619 filiados no Estado. São três deputados federais, três deputados estaduais, 36 prefeitos e 32 vice-prefeitos eleitos no último pleito, além de 228 vereadores. Entre as lideranças do PSDB presentes estavam o ex-senador Cícero Lucena; a ex-vice-governadora Lauremília Lucena; a deputada federal Edna Henrique; os deputados estaduais Tovar Correia Lima e João Henrique; a ex-deputada Iraê Lucena.

Também estiveram presentes presidentes de partidos como Luciano Cartaxo (PV); Manoel Junior (Solidariedade); Eduardo Carneiro (PRTB); Renato Gadelha (PSC); Walber Virgolino (Patriota); Enivaldo Ribeiro (Progressista); Lucélio Cartaxo (PV); Milanez Neto (PTB); Thiago Lucena (PMN); e Vaulene Rodrigues (Progressista).

Em crise, PSDB deverá ser comandado por Pedro Cunha Lima na Paraíba

Partido marca convenção estadual para o dia 5 de maio e vai buscar a renovação visando as eleições de 2020

Pedro Cunha Lima colocou o nome à disposição para a disputa do comando do partido. Foto: Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

O PSDB vive atualmente a pior crise de sua história, na Paraíba. O partido vem perdendo lideranças e passará por renovação a partir do próximo mês. A sigla marcou para o dia 5 a convenção estadual para escolher a nova Comissão Executiva da legenda e os conselhos de Ética e Fiscal. O deputado federal Pedro Cunha Lima é o nome mais cotado para assumir o comando. Ele vai substituir o também deputado federal Ruy Carneiro. A mudança ocorre no momento em que o partido sofre com a defecção de lideranças. O último foi o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, atualmente no PSD.

Os tucanos agora temem uma revoada do ninho tucano. Em João Pessoa, o partido deverá ficar sem nenhum dos três vereadores eleitos em 2016. Depois da saída de Eliza Virgínia, devem seguir o mesmo caminho Marcos Vinícius e Luiz Flávio. No encontro, que será realizado no Hotel Hardman, no bairro de Manaíra, a partir das 9h, acontecerá inicialmente a eleição para os 60 novos diretorianos que serão os responsáveis por escolher o novo presidente, vices e demais integrantes do comando da sigla na Paraíba. No local, também vai acontecer as convenções do PSDB Jovem e do PSDB Mulher.

O PSDB conta atualmente com 46.619 filiados no Estado. São três deputados federais, três deputados estaduais, 36 prefeitos e 32 vice-prefeitos, além de 228 vereadores eleitos no pleito de 2016. No histórico do comando do partido na Paraíba, figuram os nomes de Ricardo Rique, Inaldo Leitão e Cícero Lucena.

Romero Rodrigues descarta PSL e está a um passo de trocar o PSDB pelo PSD

Prefeito deve assumir o comando do PSD e visa a organização da sigla para a disputa eleitoral de 2020

Romero Rodrigues prepara a saída do PSDB. Foto: Divulgação

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, está de malas prontas, mais uma vez, para deixar o PSDB. Ele segue curso parecido com o de outras lideranças que, gradativamente, vêm abandonando o ninho tucano. Em conversa com o blog, Rodrigues foi taxativo nas afirmações de que não deixará a sigla por problemas pessoais com as principais lideranças do partido. “Tenho ótima relação com (o ex-senador) Cássio (Cunha Lima). O problema não é esse”, ressalta. O tucano já foi até sondado para assumir o comando estadual tucano. O caminho mais sólido, por enquanto, é o PSD, do ex-deputado Rômulo Gouveia, falecido no ano passado. A possibilidade de filiação ao PSL é carta fora do baralho. As brigas internas, na sigla, inviabilizam a migração.

Sobre o PSD, a ida de Romero para o partido é cogitada desde a criação da sigla, em 2011. Ele recebeu, mais recentemente, um chamamento com status de “convidado de honra” para se filiar ao partido. Apesar de a resposta final ainda não ter sido dada, já tem gente comemorando na agremiação. O presidente do diretório municipal, João Dantas, é um deles. Ele ressaltou o profícuo trabalho do prefeito Romero Rodrigues que, segundo ele, entra para a história como um dos melhores prefeitos que Campina Grande já teve. “Romero definitivamente escreveu seu nome entre os maiores prefeitos da história da nossa cidade, ao lado de nomes como Cristiano Lauritzen, Enivaldo Ribeiro, Ronaldo Cunha Lima e Cássio Cunha Lima”. Afirmou.

Procurados pelo blog, vários aliados do prefeito demonstram afeição pela ida dele para o PSD. Quanto ao PSL, todos desaconselham a migração para a sigla. Todos alegam que, apesar da proximidade de Romero com Jair Bolsonaro, construída durante a campanha, não há clima para a mudança. “O partido vive um momento difícil, com muita estrela e um clima de desarmonia perigosa”, ressaltou o prefeito. Atualmente, o irmão de Romero, Moacir Rodrigues, trava uma dura disputa interna no partido.

O PSDB tem sofrido baixas constantes de lideranças desde o ano passado. Em João Pessoa, a sigla perdeu a vereadora Eliza Virgínia. O ex-presidente da Casa, Marcos Vinícius, já anunciou que deixa a sigla tucana em março do ano que vem, com a janela para a transferência partidária. O mesmo deve acontecer com o vereado da capital, Luiz Flávio.

Ruy Carneiro nega saída do PSDB, mas espera mea-culpa do partido

Presidente estadual do partido passará o cargo para Cássio a partir de fevereiro do ano que vem

Ruy Carneiro defende que o partido faça reciclagem. Foto: Larissa Ponce/Agência Câmara

O deputado federal eleito Ruy Carneiro negou na tarde desta segunda-feira (22) a intenção de deixar o PSDB. Ele vai entregar o comando da sigla, no estado, para o senador Cássio Cunha Lima, no ano que vem. Desde o fechamento das urnas, no último dia 7, admite pressões de pessoas próximas para mudar de ares. “Não está dentro dos meus planos essa mudança”, ressaltou, em conversa com o blog. O tucano, no entanto, defende que o partido faça uma mea-culpa dos seus erros e se recicle, visando eleições futuras. A sigla tucana tem 49 deputados federais atualmente, mas só conseguiu eleger 29 para a próxima legislatura.

A transição de partido grande para médio fez os tucanos acenderem o sinal de alerta. Ex-presidente da sigla, o senador Tasso Jereissati (CE) apontou como um dos erros do partido a não aceitação do resultado das urnas, de 2014. Com isso, ele reforçou, trabalhou para inviabilizar o governo de Dilma Rousseff (PT) contra as próprias convicções e apoiou pautas bomba no Congresso. Depois disso, viu suas principais lideranças serem acusadas de corrupção. O senador Aécio Neves (MG) foi denunciado no esquema da JBS e, para ser eleito, neste ano, disputou vaga na Câmara.

Fora isso, os ex-governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Paraná, Beto Richa, chegaram a ser presos. Ambos sofreram fragorosas derrotas nos seus estados. Aqui na Paraíba, o senador Cássio Cunha Lima, maior liderança do partido, não conseguiu renovar o mandato. A sigla, por isso, precisará se reinventar para ressurgir visando eleições futuras.

 

 

Tucanos e emedebistas “fogem” de presidenciáveis para liderar eleições nos estados

Os partidos têm 8 candidatos a governador que despontam nas pesquisas

O caminho para mudar é através do voto. Foto: Divulgação/TSE

As eleições deste ano têm demonstrado um descolamento das disputas para presidente da República e para governador dos estados e do Distrito Federal. Enquanto Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT) despontam nas pesquisas nacionais de intenção de voto, nos estados a preferência recai sobre candidatos do MDB e do PSDB. Nos estados, para obter sucesso, a receita tem sido se descolar das lideranças nacionais. Na Paraíba, o senador José Maranhão (MDB), segundo colocado nas pesquisas, evita falar no presidente Michel Temer (MDB), tampouco no candidato à Presidência, Henrique Meireles.

Tanto o MDB como o PSDB têm oito candidatos a governador bem colocados nas pesquisas de intenção de votos do Ibope, feitas neste mês de setembro e registradas na Justiça Eleitoral. Considerando a coligação que apoia o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), sobe para 18 o número de postulantes aos governos estaduais que despontam nas sondagens eleitorais.

Os candidatos do PSDB aparecem bem posicionados nas pesquisas em estados importantes, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O MDB também está entre os dois primeiros em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com chances de resolver a eleição no primeiro turno em Alagoas e no Pará.

Mesmo com Bolsonaro liderando as pesquisas, somente em Roraima o candidato a governador do PSL está bem colocado nas sondagens de intenção de votos. O partido lançou candidaturas próprias a governador de 14 estados.

Já o PT tem sete candidatos bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto, inclusive com a possibilidade de vitória no primeiro turno, no Ceará, na Bahia e no Piauí. Considerando o Pros e o PCdoB, que integram a coligação de Haddad, são mais dois candidatos a governador com chances eleitorais – no Distrito Federal e no Maranhão, respectivamente.

O PSB não lançou candidato a presidente da República, porém, pelas pesquisas de intenção de voto, está bem na corrida eleitoral em seis estados. No Espírito Santo, o PSB pode resolver o pleito no primeiro turno. O PDT tem concorrentes com chances eleitorais em cinco estados, um a mais do que o DEM.

Da Agência Brasil

 

 

 

PSDB oficializa apoio a Lucélio Cartaxo para a disputa do governo

Tucanos vão colocar o nome de Cássio para o Senado e Pedro para a Câmara dos Deputados

Tucanos querem que Lucélio Cartaxo assuma a cabeça de chapa das oposições. Foto: Divulgação

Os tucanos fecharam questão em relação ao apoio ao militante do PV, Lucélio Cartaxo, para a disputa do governo. Esse é o primeiro movimento das lideranças das oposições em busca de uma chapa de consenso. Havia cobrança dos verdes por um gesto do bloco comandado pelo senador Cássio Cunha Lima e o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues. A demora por uma posição, inclusive, fez o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), desistir da disputa. O passo seguinte agora é conseguir apoio do PP de Aguinaldo Ribeiro e do PSC, de Marcondes Gadelha.

O PP é o partido que inspira maiores cuidados. O prefeito Luciano Cartaxo ficou encarregado de conversar com a família Ribeiro. O presidente estadual da sigla, o vice-prefeito de Campina Grande Enivaldo Ribeiro chegou a lançar a deputada estadual Daniella Ribeira como candidata ao governo. O PDT da vice-governadora Lígia Feliciano também está no radar. Os oposicionistas entendem que o momento é de não fechar a composição da chapa majoritária e trabalhar o consenso entre os partidos. O senador José Maranhão, que se lançou para a disputa do governo, também será procurado.

Na foto, as lideranças da oposição na Convenção do PSDB, ocorrida no ano passado. Foi dos poucos movimentos que sinalizaram para a unidade. Foto: Josusmar Barbosa

Enquanto isso, o bloco comandado pelo governado Ricardo Coutinho (PSB) espera pelos dissidentes para compor a chapa encabeçada pelo ex-secretário João Azevedo. Se os partidos de oposição quiserem trabalhar uma unidade, vão ter que trabalhar dobrado para isso.

Confira a nota do PSDB

Uma agenda para o futuro da Paraíba.

Tendo em vista seus compromissos históricos com o desenvolvimento da Paraíba, a Executiva estadual do PSDB vem a público comunicar o que segue:

1) O partido defende, desde o ano passado, a unidade das oposições no Estado por entender que este é o caminho adequado para promover as transformações que a população da Paraíba espera;

2) Com essa compreensão, em mais um gesto de desprendimento, o PSDB decidiu apoiar o nome de Lucélio Cartaxo, do Partido Verde, ao governo do Estado, abrindo caminho para um entendimento mais amplo;

3) O processo eleitoral marca o fim do ciclo de oito anos de um governo que deixa uma dívida de cuidados com as pessoas, sobretudo as que mais precisam, em áreas essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública;

4) Isso exige de todos nós a união de esforços em torno de uma agenda programática que recoloque o Estado na rota do crescimento, que estabeleça um novo padrão de gestão, com respeito aos recursos do contribuinte e a adoção de políticas públicas voltadas para transformar a vida das pessoas, gerando mais oportunidades, mais emprego e renda;

5) O que nos une, portanto, são os pilares de uma agenda de futuro para os paraibanos e paraibanas: compromisso com a melhora da qualidade de vida da população; diálogo e respeito com todos os segmentos da sociedade; responsabilidade fiscal, fim do arrocho tributário; planejamento e gestão com desenvolvimento sustentável; além de políticas públicas eficazes nas áreas essenciais, voltadas para os mais pobres.

6. Para o PSDB, é fundamental que as forças de oposição, com maturidade e respeito, se mantenham unidas e aprofundem o diálogo em torno da construção desse projeto de transformação que queremos, juntos, oferecer à Paraíba. Um projeto que permita a todos os paraibanos e paraibanas olhar para frente novamente com esperança e fé.

 

Vice-presidente do Senado critica a reforma da Previdência proposta por Temer

Durante entrevista à CBN João Pessoa, tucano alegou divergências com as propostas do governo

Cássio Cunha Lima diz que a proposta precisa ser melhor discutida com a sociedade. Foto: Júlia Karoliny/CBN

O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB), anunciou nesta sexta-feira (5) voto contrário à reforma da previdência. O parlamentar paraibano é o primeiro entre as lideranças nacionais de proa do partido a se colocar claramente contra a proposta. O projeto foi encaminhado pelo presidente Michel Temer (MDB) ao Congresso e sequer foi votado ainda na Câmara dos Deputados. O tucano diz não ter certeza da efetividade das propostas apresentadas. As declarações surgem no momento em que o Executivo pressiona os aliados tucanos pelo apoio à proposta.

“Eu tenho dito que voto contra (a reforma da Previdência). Voto contra porque não concordo com a proposta, sobretudo no que diz respeito ao trabalhador rural e algumas outras regras que estão sendo apresentadas. E por acreditar que esta reforma exige um debate e uma discussão mais profunda para amadurecimento da sua necessidade com a sociedade”, ressaltou o senador durante entrevista à jornalista Michelle Souza, no CBN João Pessoa. Ele lembrou que a matéria ainda não é discutida no Senado e encontra dificuldades na Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pretende colocar o projeto em pauta neste ano, no retorno do recesso. O governo federal tem pressionado os partidos da base aliada a fecharem questão sobre a proposta. O PSDB, no entanto, está entre as siglas da base aliada mais pressionadas. Há uma orientação da direção nacional do partido para que os deputados votem a favor da proposta, mas não a obrigatoriedade. Os parlamentares tucanos, assim como outros aliados, têm fugido de compromissos com propostas impopulares. O seguimento da proposta para o Senado, vale ressaltar, depende da sua aprovação na Câmara.

O PSDB, suas muitas contradições e as eleições de 2018

Em meio a crise de identidade, partido confirma neste sábado Geraldo Alckmin como presidente

Geraldo Alckmin posa para fotos em frente ao canal da transposição, depois do empréstimo dos motores da Sabesp. Imagem: Reprodução/Facebook

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assume o comando do PSDB neste sábado (9) no momento de maior crise de identidade do partido. Os tucanos não sabem mais se são governo, oposição e, sequer, se apoiadores das reformas chanceladas por Michel Temer (PMDB). E tem motivo de ser: uma parcela significativa do partido teme não conseguir ser reeleita em 2018. O plano presidencial do partido, quase conseguido em 2014, agora é visto como realidade muito distante. A bandeira da honestidade, usada no confronto com os petistas, foi empacotada em malas de R$ 500 mil. A cartada final rumo ao fundo do poço foi o esforço para salvar o pescoço do presidente licenciado da sigla, o senador mineiro Aécio Neves.

Aécio, diga-se de passagem, vai comparecer ao congresso do partido neste sábado apenas para votar. Para não constranger os colegas, não estará presente na foto oficial. Dono de mais de 50 milhões de votos em 2014, hoje enfrentaria dificuldades para se eleger deputado em Minas Gerais. Aécio foi denunciado nas delações da Odebrecht e flagrado no grampo do empresário Joesley Batista, da JBS. Teria pedido, segundo as investigações, R$ 2 milhões ao executivo da J&F. O paladino do embate com os petistas é alvo de oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de corrupção passiva, entre outros crimes. E não apenas isso. Chegou a ser impedido de exercer o mandato no Senado e de sair de casa à noite por causa de medidas cautelares. Só não foi preso por conta do mandato.

Virando a página Aécio Neves, chegamos a outras grandes contradições do partido. A sigla, que não consegue mais do que traço nas pesquisas, não sabe se é aliada ou adversária do governo de Michel Temer. O partido que foi sócio da retirada de Dilma Rousseff (PT) do poder, agora tenta escapar da impopularidade do governo do peemedebista. No bojo desta fuga vale até se contrapor ou fugir das reformas defendidas no plano de governo tucano. Tirando alguns expoentes, não se vê tucanos defendendo mais a Reforma da Previdência. A sigla não quer fechar questão e deve entregar menos votos que o esperado por Temer. Dos quatro ministérios, os tucanos já entregaram dois. Saíram Bruno Araújo (PE) e Antônio Imbassahy.

Do ponto de vista eleitoral, nem o prefeito João Dória (SP) chegou a emplacar dois dígitos. O novo “salvador” do partido, Alckmin, também não sabe o que é isso. O maior adversário dos tucanos, atualmente, não é o ex-presidente Lula, que lidera as pesquisas. Trata-se do deputado federal Jair Bolsonaro, que ainda nem sabe por qual partido vai disputar as eleições. Está no PSC e namora com o Patriotas. O ex-militar abocanhou para si a parcela do eleitorado mais conservadora, tradicionalmente alinhada com os tucanos. Eles agora têm um candidato que não se esconde na hora de defender ideais como o fim do Estatuto do Desarmamento e ataca as minorias. Aos tucanos e suas contradições, resta agora um longo caminho de recuperação. O detalhe é que pode não dar tempo de fazer isso até 2018.

Ricardo diz que oposicionistas continuam procurando ele para propor aliança

Governador demonstrou irritação com o discurso de que período socialista está no fim

Ricardo Coutinho critica oposicionistas. Foto: José Marques/Secom-PB

O governador Ricardo Coutinho (PSB) demonstrou irritação com as declarações dos oposicionistas, proferidas neste fim de semana. Os membros do grupo alegaram, durante a Convenção Estadual do PSDB, que “o tempo” socialista no governo está acabando. Eles alegaram, no encontro, que mudarão vários pontos da atual gestão. As declarações compartilhadas pelos ex-aliados de Coutinho irritaram o socialista. “Eles continuam desconfiando um do outro da mesma forma, eles continuam querendo conversar comigo da mesma forma, então, isso é conversa fiada e não acrescentaram um pé de coentro a mais naquela reunião”, disse.

Os oposicionistas disseram que vão mudar no governo, caso sejam eleitos, todos os programas que não estejam dando certo. Ricardo também criticou isso: “Se eles querem acabar com a escola de ensino integral, se eles querem acabar com o (programa) Gira-mundo, com a extensão da rede estadual de saúde, como fizeram com o Trauminha, que eu construí….”, questionou o governador. Ricardo, questionado por jornalistas, se recusou a dizer quem tem procurado ele para propor aliança.

Na Convenção do PSDB estavam praticamente todos os ex-aliados de Ricardo Coutinho. No mesmo palanque, estavam presentes os prefeitos de João Pessoa e Campina Grande, Luciano Cartaxo (PSD) e Romero Rodrigues (PSDB), respectivamente, além dos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão (PMDB). Dos quatro, apenas Maranhão demonstra disposição de disputar o governo em qualquer cenário.

Principais lideranças da oposição comparecem à convenção do PSDB e criticam Ricardo

Cartaxo, Romero, Cássio e Maranhão engrossaram o coro focando a unidade das oposições

Lideranças da oposição participaram da Convenção do PSDB e projetaram a eleição para 2018. Foto: Josusmar Barbosa

Convergência, unidade e projeto conjunto foram as palavras mais ouvidas durante a Convenção do Estadual do PSDB. O evento reuniu, para a surpresa de muitos, as principais lideranças dos partidos de oposição no Estado. Estavam lá os prefeitos de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD); Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), e os senadores José Maranhão (PMDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB). Os três primeiros, vale ressaltar, têm protagonizado uma briga renhida para encabeçar a chapa das oposições. Dos quatro, Maranhão, aquele que mais tem defendido a própria candidatura, fez o discurso mais voltado para a unidade. Ele alegou que já se perdeu muito tempo com o que separa o grupo e que a hora é de buscar a convergência.

O mesmo discurso foi adotado por Romero Rodrigues, outro que constantemente demonstra irritação com o próprio partido. Ele defende que a sigla tenha candidatura própria, porém, durante a convenção, admitiu que poderá votar em outro nome que não seja do PSDB. Ele alega que quem está na política está para ser votado, mas também para votar. Ele alegou, com isso, que não vai forçar uma candidatura a todo custo. O discurso segue no mesmo sentido do adotado pelo prefeito Luciano Cartaxo. O pessedista disse, durante entrevista, que os partidos de oposição vão compor um plano de governo comum. As experiências de João Pessoa e Campina Grande, segundo ele, serão essenciais para que o grupo dialogue com a população.

A convenção do PSDB confirmou a recondução de Ruy Carneiro para a presidência do partido no Estado. O tucano, ao lado do senador Cássio Cunha Lima, têm sido os maiores defensores da unidade. Cássio, inclusive, garante que haverá espaço para todas as siglas na chapa majoritária. Há as vagas para candidato ao governo, a vice, dois senadores e quatro suplências. A meta é também unir o grupo para eleger uma chapa consistente para a Câmara dos Deputados e para o Senado. O adversário comum, citado nas entrevistas, é o esquema do governador Ricardo Coutinho (PSB). A aposta é a de que o socialista lance João Azevedo para a disputa. Entre as lideranças da oposição, ninguém acredita que o gestor não será candidato a uma das vagas no Senado.

Com informações de Josusmar Barbosa, do jornaldaparaiba.com.br