Ricardo usa pagamento de salários para atacar adversários

Gestor faz postagem nas redes sociais dizendo que antes das gestões do PSB, salários eram pagos com atraso

O governador Ricardo Coutinho (PSB) causou polêmica nas redes sociais, nesta quinta-feira (27), em postagem sobre o pagamento dos salários dos servidores estaduais. O gestor apoia a candidatura de João Azevêdo (PSB) para a disputa do Governo e fez referência, na postagem, ao fato de que os salários são pagos atualmente em dia e que “é bom lembrar também disso, no dia 7”. No Twitter, o gestor anuncia pagamento para esta quinta e sexta-feira (28). “Religiosamente em dia e respeitosamente com os trabalhadores e com a economia paraibana”, pontuou na rede social.

A publicação provocou muitas reações contrárias na rede social, assim também como defesas do governador. Ricardo, na postagem, faz referência ao fato de que, antes dele, não haveria regularidade no pagamento dos salários dos servidores. Dos antecessores do governador socialista, dois estão na disputa deste ano. Um deles, José Maranhão (MDB), aparece como principal adversário do candidato governista, João Azevêdo, na disputa. O outro, Cássio Cunha Lima (PSDB), disputa a reeleição para o Senado no pleito deste ano. A coligação dele apoia a candidatura de Lucélio Cartaxo (PV)

 

Coligações: João Azevêdo e Lucélio Cartaxo carreiam alianças e isolam Maranhão

Saldo das convenções mostra João com apoio de 14 partidos e Lucélio com 12 para a disputa

Chapa encabeçada por Lucélio Cartaxo vai para a disputa com 11 partidos. Foto: Marcelo Lima

O saldo das convenções partidárias mostrou que ter aliados poderosos na composição partidária vale mais que “dinheiro na praça”. De um lado, o palanque construído pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) para abrigar João Azevêdo, do mesmo partido. Do outro, uma junção dos prefeitos de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), e de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), para abrigar Lucélio Cartaxo (PV). O primeiro arregimentou 14 partidos para a disputa eleitoral, o que deve representar em torno de 3 minutos e meio no tempo de TV. Já o segundo, terá 12 partidos e pouco mais de três minutos no guia.

Chapa com João Azevêdo, Veneziano Vital, Luiz Couto e Lígia Feliciano vai contar com 14 partidos na base aliada. Foto: Divulgação/PSB

Espremido entre as duas estruturas políticas, o senador José Maranhão vai para a disputa com apenas dois partidos no apoio e menos de dois minutos de TV. João Azevedo terá PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede na sua base aliada. Já Lucélio Cartaxo terá PV, PSDB, PP, PSD, PTC, PRTB, SOLIDARIEDADE, DC, PSL, PPL, PSC e PHS. O senador José Maranhão terá apenas MDB, PR e Patriotas na base de apoio. Com dois partidos vai para as urnas o candidato do Psol, Tárcio Teixeira. Ele fechou com o PCB. Conta também com a Unidade Popular (UP), mas a sigla ainda está em formação.

José Maranhão terá apenas o PR e o MDB na base para a disputa eleitoral deste ano. Angélica Nunes

Não é possível traçar uma relação que alinhe estrutura partidária com vitória certa nas eleições. A história não é tão cartesiana assim quando se fala das disputas. Há sempre uma margem para surpresa, porém, são bem poucos os exemplos em que Davi dá uma surra em Golias. Os vencedores, em geral, são os que possuem maior estrutura. O quadro é sempre difícil para quem não tem como colocar exércitos para pedir voto. A campanha, no entanto, está apenas começando.

 

Veja a composição das chapas:

 

Coligação PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede

Governador: João Azevêdo (PSB)

Vice-governadora: Lígia Feliciano (PDT)

Senadores: Luiz Couto (PT) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB)

 

Coligação PV, PSDB, PP, PSD, PTC, PRTB, SOLIDARIEDADE, DC, PSL, PPL, PSC e PHS

Governador: Lucélio Cartaxo (PV)

Vice-governadora: Micheline Rodrigues (PSDB)

Senador: Cássio Cunha Lima (PSDB) e Daniella Ribeiro (PP)

 

Coligação MDB, Patriotas e PR

Governador: José Maranhão (MDB)

Vice-governador: Bruno Roberto (PR)

Senador: Roberto Paulino (MDB)

 

Coligação Psol, PCB e UP

Governador: Tárcio Teixeira (Psol)

Vice-governador: Adjany Simplício (Psol)

Senador: Nelson Júnior (Psol) e Nivaldo Mangueira (Psol)

 

PSTU (sem coligação)

Governadora: Rama Dantas (PSTU)

Vice-governador: Emanoel Candeia (PSTU)

Senador: Nenhum anunciado.

 

Convenção que confirmou João Azevêdo para o governo teve Lula citado em todos os discursos

Chapa formada para a disputa deixou de fora Efraim Moraes para dar feições de esquerda ao grupo apoiado por Ricardo Coutinho

Chapa com João Azevêdo, Veneziano Vital, Luiz Couto e Lígia Feliciano foi apresentada por Ricardo Coutinho (C). Foto: Divulgação/PSB

O ex-presidente Lula (PT) está preso em Curitiba por causa da condenação no caso do tríplex do Guarujá, em São Paulo. Isso não impediu que ele estivesse representado em todos os discursos na convenção do PSB que confirmou João Azevêdo para a disputa do governo do Estado. O evento, realizado em João Pessoa, neste sábado (4), contou até com um boneco gigante em homenagem ao petista. O ex-presidente deve ter o nome inscrito pelo Partido dos Tralhadores para a disputa da Presidência pela sexta vez, apesar da quase certeza de que será impedido pela Justiça Eleitoral. A estratégia do governador Ricardo Coutinho (PSB) em relação ao padrinhado tem sido o alinhamento das campanhas, visando surfar na avaliação positiva do ex-presidente no estado.

Para isso, a composição da chapa foi milimetricamente pensada. Já tinha João, acostumado a fazer discursos favoráveis ao ex-presidente e um crítico do impeachment de Dilma Rousseff (PT). O deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB) votou pelo impeachment de Dilma, mas pegou um bonde rumo à esquerda logo após. Neste sábado, pediu voto para Lula na convenção. O terceiro nome da chapa, o deputado federal Luiz Couto, é petista e fez as honras de abrir os discursos. A chegada de Lígia Feliciano (PDT) seguiu este estendimento, também. O governador Ricardo Coutinho, padrinho da chapa que busca a continuidade do projeto, é, também, um antigo aliado do ex-presidente Lula. O movimento da Paraíba, junto com Pernambuco, foi fundamental para que o PSB, nacionalmente, decidisse apoiar o petista.

Um boneco do ex-presidente Lula com mais de três metros desfilou durante o evento. Foto: Suetoni Souto Maior

O pré-candidato ao governo, João Azevêdo, se mostrou bastante à vontade no palanque, neste sábado. Lembrou pouco o técnico de poucas palavras de antes. Brincou com a platéia formada por militantes do partido e aproveitou para fazer críticas à oposição. Sem citar nomes, ele criticou os discursos de Lucélio Cartaxo (PV), candidato da oposição. “Tem candidato dizendo que quer tocar o coração das pessoas…”, disse, em tom de deboche. Em contraponto, alegou que ele prefere que os médicos do Hospital Dom José Maria Pires, especializado em cardiologia, façam isso. Falou das escolas, das estradas e do conjunto de obras que o governo pretende apresentar como portfólio para a disputa eleitoral.

O pré-candidato ao Senado, Luiz Couto, aproveitou o discurso para falar sobre o risco de a Paraíba voltar ao passado. A referência era claramente ao que ele chamou de legado negativo das gestões anteriores. Seguiu falando do projeto de “nova Paraíba”, em referência à continuidade do projeto de poder do PSB no Estado. Falou que vai, caso seja eleito, honrar o mandato, assim como faz em relação ao cargo de deputado federal. Couto também convocou a platéia para votar no ex-presidente Lula e foi bastante aplaudido neste momento.

Veneziano foi o segundo a discursar. Ele se apropriou dos argumentos de Ricardo Coutinho em relação à composição do palanque, dizendo que ele é pautado na decência e na eficiência. “Aqui está a Paraíba das novas estradas, aqui está a Paraíba das novas adutoras, aqui está a Paraíba dos paraibanos, dos investimentos sociais. Aqui está a Paraíba dos novos hospitais, 12 pelo menos entregues para que a saúde paraibana se qualificasse”, disse. Ele alegou que todos, no palanque, têm a missão de dar continuidade ao que foi feito por Ricardo. Veneziano ressaltou ainda que o governador era nome natural para a disputa do Senado. Como o gestor decidiu ficar até o fim do mandato, o socialista disse que isso aumentava a missão dele e de Couto. De saída, o parlamentar pediu votos para Lula.

O governador Ricardo Coutinho foi mais enfático em relação ao que ele chamou de injustiça com Lula. Ele alega que o petista foi condenado pelo juiz Sérgio Moro sem provas. “Não há prova alguma no processo”, alegou o socialista, para quem o ex-presidente deveria disputar as eleições. Coutinho pediu à militância para que se peça votos para todos os membros da chapa. O voto completo. Como o de costume, fez muitas críticas ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O tucano foi acusado de ter tramado em todas as horas do dia o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Tramava contra a democracia”, enfatizou.

Lígia Feliciano recebeu elogios nos discursos. Ricardo elogiou o fato de ela, mesmo quando se afastou do grupo buscando construir um projeto próprio, nunca fez críticas ao governo. A escolha dela ocorreu em um processo que retirou Efraim Moraes, do DEM, da linha de composição. A presença dele prejudicava o tom de esquerda que o PSB quis dar à chapa encabeçada por João Azevêdo. Havia boatos de que, magoado, Efraim levaria o DEM para a oposição, o que não aconteceu. O deputado federal Efraim Filho (DEM), inclusive, participou do evento.

Veja os partidos que foram anunciados no arco de aliança de João Azevêdo:  PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede.

 

 

 

Com o não de Ciro Gomes, petistas tentam Manuela para vice de Lula

Proposta será formalizada em reunião nesta sexta-feira e esperança do PT é que o PCdoB retire candidatura a presidente

Manuela D’Ávila durante evento de pré-campanha realizado em João Pessoa. Foto: Reprodução/Twitter

A pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), é o novo alvo dos petistas para a disputa eleitoral deste ano. Uma reunião solicitada pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), servirá para a formalização do convite, nesta sexta-feira (3). Aos dirigentes da sigla comunista, com autorização do ex-presidente Lula, os dirigentes petistas pedirão que Manuela retire sua candidatura e dispute o pleito na vaga de vice do ex-presidente. O convite está sendo formulado depois da frustrada tentativa de convencer o presidenciável Ciro Gomes (PDT) a assumir a suplência na disputa. Com o movimento, os petistas completam o isolamento do pedetista.

A possibilidade de deixar a disputa foi reconhecida por Manuela D’Ávila durante palestra em João Pessoa, na semana passada. Ela defendeu a criação de uma frente de esquerda e disse que, para isso, não se oporia a uma eventual retirada da candidatura dela. O ex-presidente Lula está preso há mais de 100 dias por causa da condenação no caso do tríplex do Guarujá, no litoral paulista. Ele foi condenado pelo juiz Sérgio Moro sob acusação de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Os petistas vão fazer a inscrição da chapa mesmo assim, apesar da condenação do ex-presidente também na segunda instância. A confirmação da condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região faz com que o postulante corra o risco de ser alcançado pela Lei Ficha Limpa.

O PCdoB é o segundo partido que os petistas tiram do radar de Ciro Gomes nas eleições deste ano. O primeiro foi o PSB, em um movimento que gerou grande divisão dentro do partido em vários estados. Em Pernambuco, por exemplo, os petistas retiraram a candidatura de Marília Arraes ao governo do Estado. A medida foi para beneficiar a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Em contrapartida, em Minas Gerais, a operação seguiu no caminho de retirada da candidatura do socialista Márcio Lacerda, para que o partido apoie a reeleição do governador Fernando Pimentel (PT). Caso o PCdoB atenda ao pedido de Lula, a retirada da candidatura de Manuela D’Ávila, aprovada em convenção na última quarta-feira (1°), será retirada.

 

PSB da Paraíba vai defender na convenção nacional apoio à candidatura de Lula

Partido está dividido nacionalmente entre os apoios a Lula ou a Ciro Gomes ou ainda a adoção de neutralidade

Lula (D) conversa com Ricardo Coutinho e com a ex-presidente Dilma Rousseff durante uma das últimas agendas cumpridas na Paraíba. Foto: Divulgação

O Partido Socialista Brasileiro (PSB), na Paraíba, decidiu apoiar a candidatura do ex-presidente Lula (PT) ao Planalto. A decisão foi tomada em reunião nesta segunda-feira (30) e vai ser levada para a convenção nacional, no dia 5 de agosto. O entendimento ocorre no mesmo momento em que o Partido dos Trabalhadores formalizam apoio à pré-candidatura de João Azevedo (PSB) ao governo. Nesta segunda-feira, também, o presidente estadual do PT, Jackson Macedo, divulgou áudio pedindo que os coletas de partido votem e peçam voto para o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB), pré-candidato ao Senado. Ele deve dividir espaço na chapa com o petista Luiz Couto, também deputado federal. Veneziano era tratado por golpista pelos petistas, por ter votado pró-impeachment de Dilma Rousseff (PT).

A convenção nacional do PSB vai acontecer em Brasília, no dia 5, o último para as convenções partidárias. O partido, nacionalmente, está dividido. Uma parte significativa quer votar no ex-presidente Lula, outra torce por uma aliança com Ciro Gomes (PDT) e há ainda um grupo bastante representativo que defende a neutralidade. Neste caso, os arranjos locais indicariam com quem haveria a aliança nos Estados. A proximidade do petista é mais forte entre os nordestinos e no Norte do país. O posicionamento do governador Ricardo Coutinho segue no mesmo sentido do governador de Pernambuco, Paulo Câmara. No estado vizinho, o gestor quer apoiar Lula e espera que o partido, lá, retire a candidatura de Marília Arraes (PT).

A resolução, resultante da reunião do PSB, justifica a adesão com a defesa da “democracia e, principalmente, em nome da esperança no restabelecimento das garantias sociais, tão duramente atacadas neste País, durante o atual e ilegítimo governo, bem como da recuperação da economia com a superação das desigualdades”. Outro ponto ressaltado é a suposta perseguição ao ex-presidente Lula.

“O dia 8 de julho passado produziu (mais) uma cena lamentável do completo desmonte do Estado Democrático de Direito em que o Brasil passou a experimentar sistematicamente desde que aqueles que perderam as eleições de 2014 resolveram atentar contra à escolha popular. Um juiz de primeira instância, sob a anuência de parte dos sistemas nacionais de comunicação de massa, em pleno abuso de autoridade, resolve confrontar publicamente a decisão de um desembargador de instância
superior, deixando mais do que evidente que não há nem haverá limites na manutenção da nova velha ordem que se estabeleceu no Brasil, onde só há espaço para abusos e violências antidemocráticas, e, pior, onde a justiça tem sido seletiva em diversos procedimentos. Reerguer os pilares do Estado Democrático de Direito é uma tarefa de todos os setores comprometidos com a democracia no Brasil”, diz a nota.

DEM cobra espaço na chapa de João Azevedo e não vê problema em dividir palanque com petistas

Efraim Filho sai otimista de reunião da executiva nacional que deu autonomia a lideranças para conduzir alianças nos estados

Efraim Filho questiona parâmetros questionados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Foto: Alex Ferreira

Os democratas paraibanos querem espaço na chapa encabeçada por João Azevedo (PSB). O deputado federal Efraim Filho participou da reunião com a executiva nacional do DEM, nesta quarta-feira (25), e recebeu sinal verde para conduzir as aliança no Estado. Havia o temor de que a sigla impusesse a verticalização das alianças. Se isso ocorresse, o caminho certo seria a aliança com o PV de Lucélio Cartaxo. Tudo por causa da participação do PSDB na chapa. Tucanos e democratas têm aliança nacional firmada. O entendimento dos caciques, nacionalmente, no entanto, é que cada um defina o seu destino. “Vamos colaborar com as discussões sobre os nomes que comporão a majoritária e apresentamos o nome de Efraim Moraes como opção”, disse o deputado federal.

Para ter espaço na majoritária, o partido não pretende vetar qualquer nome de outro grupo partidário. Isso por conta da grande chance de uma das vagas para o Senado ser disputada pelo deputado federal Luiz Couto (PT). Os petistas têm imposto resistência à participação em chapas que tenham partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff. O DEM está entre os mais combatidos pela sigla do ex-presidente Lula. “Não tralhamos com veto a nenhum partidos ou a nomes”, disse Efraim Filho, assegurando que em nome da Paraíba o partido está disposto a sentar e conversar com qualquer partido. A defesa do nome de Efraim Moraes, segundo os caciques do partido, se dá pela capacidade de articulação dele e por que traria equilíbrio geopolítico à chapa.

PSB antecipa convenção partidária para o dia 4 de agosto

Data foi mudada por causa da convenção nacional do partido, marcada para o dia 5

João Azevedo será confirmado como candidato do partido para as eleições deste ano. Foto: Divulgação

O PSB antecipou para o dia 4 de agosto a data da convenção do partido para as eleições deste ano. A previsão anterior era o dia 5, data de aniversário de João Pessoa. A data também é o limite para a realização das convenções. A mudança ocorreu porque a Executiva Nacional do partido marcou a convenção também para 5 de agosto. Isso faria com que alguns dos delegados paraibanos não participassem do evento. A nova data foi confirmada pelo presidente estadual da sigla, Edvaldo Rosas.

O dirigente socialista adiantou que a convenção do PSB paraibano contará com a participação de representantes de todos os partidos que apoiam a pré-candidatura de João Azevêdo ao Governo do Estado. Rosas revelou que lideranças do PSB nacional deverão participar da convenção paraibana. Ele antecipou a participação no evento do governador Ricardo Coutinho, presidente de honra da legenda socialista na Paraíba.

PDT e PT brigam palmo a palmo pelo apoio de Ricardo Coutinho

Disputa na Paraíba é a mesma reproduzida na região que garante maior apoio ao ex-presidente Lula

Gleisi Hoffmann tenta evitar o crescimento de Ciro Gomes na região. Foto: Alessandro Dantas

A senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, está na Paraíba para discutir a busca de apoios para o ex-presidente Lula. Ela será recebida pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) à tarde. Antes, fará uma rodada de conversas com dirigentes e deputados petistas. A pauta inclui a busca por uma aliança com o governador. A proposta é simples: o Partido dos Trabalhadores apoiará João Azevedo (PSB), com a contrapartida de que ele manifeste antecipadamente apoio a Lula. Não haverá mais exigência de espaço na majoritária, como antes se pretendia.

O movimento tenta estancar o avanço do pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, na região em que Lula tem a melhor avaliação. Gleisi segue da Paraíba para Pernambuco, ainda nesta quinta-feira (12). No Estado vizinho fará a mesma discussão, desta vez com o governador Paulo Câmara (PSB). Lá, o PT tem uma candidata viável, que é Marília Arraes. A retirada da postulação dela não está descartada. O partido promete apoio, também, ao candidato socialista no Amazonas. A preocupação é não deixar a base aliada de Lula se esvaziar, o que inviabilizaria a apresentação de um plano B pela legenda.

Lula está preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Mesmo que seja solto, terá dificuldades para manter a pré-candidatura, em decorrência da Lei Ficha Limpa. Como ele teve a condenação no caso do tríplex do Guarujá mantida pela 2ª instância, a 8ª T urma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre, provavelmente não poderá ser candidato. O temor é que se a base petista for tratorada, o nome que for ungido por Lula para a disputa não terá espaço para crescimento. O PSB é visto como estratégico nesta articulação.

Antes de Gleisi, o percurso foi feito por Ciro Gomes. Ele se reuniu com o governador Ricardo Coutinho, com Paulo Câmara e também com o governador de São Paulo, Márcio França. Tenta a consolidação do grupo na base aliada. Vai trabalhar por isso, inclusive. Para isso, se apresenta como um postulante da esquerda, assim como Lula. A partir de agora, cada palmo de terra avançado tem que ser encarado como vitória.

Relação entre PSB e PT vai para o divã na Paraíba

Petistas ampliam diálogo eleitoral com outras siglas e recebem repreenda de lideranças socialistas

Jackson Macedo diz que o partido vai conversar com todas as siglas alinhadas com o projeto nacional do PT. Foto: Dani Rabelo

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”, diz a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Os versos lembram muito bem as relações políticas paraibanas, principalmente na relação entre o PT e o PSB. Os dois partidos trabalhavam com a perspectiva de aliança para as eleições deste ano. Os petistas asseguraram apoio ao pré-candidato governista João Azevedo (PSB), mas não sem uma contrapartida. A sigla quer figurar na chapa majoritária e cobra a vaga para o Senado. O partido também exige o compromisso de João de que votará no ex-presidente Lula (PT).

A consequência da falta de garantias foi a abertura de conversas, pelos petistas, com lideranças do PSD da vice-governadora Lígia Feliciano. Lígia, vale lembrar, teve a pré-candidatura ao governo lançada pelo presidenciável Ciro Gomes (PDT) no fim de semana. Ela se apresenta como uma postulante governista, na Paraíba, apesar de não ser reconhecida como tal pelo governador Ricardo Coutinho (PSB). A reação dos socialistas à rebeldia petista veio de forma imediata, com críticas ferrenhas do líder do governo na Assembleia Legislativa. Hervázio Bezerra critica o PT por conta do diálogo com o PDT.

O presidente da sigla petista na Paraíba, Jackson Macedo, não gostou das cobranças dos socialistas. O partido pretende até o dia 28 deste mês ver definidos os espaços que poderá ter na chapa majoritária. Se não houver a contrapartida por parte do PSB, eles prometem buscar outras opções. “Já conversamos com PDT, PSB e PCdoB. Estamos dialogando com os partidos aliados e precisamos fechar isso até o dia do Encontro de Definição de Tática Eleitoral, no dia 28”, ressaltou Macedo. Ele alega ainda que o partido não vai se intrometer nos assuntos das outras siglas e exige o mesmo tratamento.

Mesmo nanico, PCdoB era disputado por PV e PSB por ser “grife”

Partido migrou da base aliada de Luciano Cartaxo para o apoio à candidatura de João Azevedo

Helton Renê deve ficar na direção do Procon de João Pessoa. Foto: divulgação

O PCdoB é um partido com baixa representação parlamentar na Câmara dos Deputados. É uma sigla que agrega pouco ou quase nada no tempo de TV. Mesmo assim, era disputado por PV e PSB para a disputa das eleições deste ano. E daí vem a pergunta sobre o porquê disso. A resposta é simples, apesar de não ser ponto pacífico. Ter a agremiação na base aliada representa um canal de diálogo com o eleitorado do espectro de esquerda. Esse público, naturalmente, já tinha interlocução com o governador Ricardo Coutinho (PSB). Tinha também com o prefeito Luciano Cartaxo (PV) por sua origem petista, mas sobretudo por causa do reforço comunista na base.

O eleitorado de esquerda, na Paraíba, é bastante representativo. Basta lembrar que o apoio ao ex-presidente Lula no Estado supera a casa dos 50%, segundo o mostrado na pesquisa do Datafolha. O partido que agora apoia João Azevedo, em 2016, fez movimento contrário. Eles apoiaram a candidatura à reeleição de Luciano Cartaxo. Na época, houve a filiação do atual secretário Executivo do Procon Municipal, Helton Renê. O auxiliar do prefeito, no entanto, permanece no apoio a Lucélio Cartaxo para as eleições deste ano e não deve sofrer pressão do PCdoB.

A permanência dele, que está licenciado da Câmara de João Pessoa, deverá ser mantida pelo prefeito Luciano Cartaxo. A presidente do partido, Gregória Benário, deixou isso claro. Ela alega que não foi pensada qualquer punição para o caso de o coordenador do Procon Municipal permanecer no cargo. O prefeito Luciano Cartaxo também disse que não pretende promover a saída de Helton Renê. O motivo de a disputa pelo PCdoB se deve ao fato de a sigla ser próxima do ex-presidente Lula (PT). Além disso, tem história centenária e está de fora dos escândalos de corrupção denunciados na operação.