Crise no PSB: será erro governista se isolarem Galdino e Pollyanna na Assembleia

Deputada é excluída de reunião do partido e não esconde o desconforto com tratamento dispensado por “aliados”

Deputada Pollyanna Dutra expõe desconforto com tratamento dispensado a ela pelo governo. Foto: Divulgação/ALPB

A deputada estadual Pollyanna Dutra (PSB) não tem escondido de ninguém o desconforto com o tratamento dispensado a ela pelo partido. A parlamentar não esteve estre os convidados para a reunião da executiva com o governador João Azevêdo (PSB). De quebra, aponta o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (PSB), como outro excluído do ninho socialista. A postura, convenhamos, não parece das mais inteligentes. Afinal, no círculo dos excluídos estão o dirigente maior do Legislativo e a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Eu e Adriano estamos sendo tratados como se não fôssemos do PSB. O presidente da Casa exerce uma posição política muito importante neste Estado. Também não pode ser esquecido e nem isolado. Ele também não foi convidado para esta reunião”, desabafou a deputada, lembrando, em outro momento, que vai junto com o colega procurar o partido para pedir uma reunião para ser ouvida. O clima dentro do partido vem se tornando irrespirável desde a eleição para presidente do Legislativo. Mesmo sem ser o favorito do ex-governador Ricardo Coutinho e de João Azevêdo, Galdino costurou a eleição dele para os dois biênios.

Sobre Pollyanna Dutra, o desconforto criado em relação a ela entrou em novo patamar quando a deputada aderiu ao G10. O bloco, ela reforça, é governista e vota com o governador. Mesmo assim, ela alega não ser convidada para as reuniões da sigla e também não ser lembrada na hora das definições para compor as comissões na Assembleia. Ao ser perguntada sobre não ser convidada para uma reunião que discutiria estratégias eleitorais para 2020, ela desabafou: “Esquecimento? Isso não é esquecimento, é proposital. A gente não esquece um membro que está aqui, que conquistou um espaço. Não é esquecimento, é proposital”.

A questão é polêmica. Basta perguntar a qualquer liderança do PSB. Todos vão dizer que não há isolamento. Os sinais, no entanto, apontam em outro sentido. E isso é um perigo quando se fala em peças que comandam o Legislativo. A justificativa para não convidar os parlamentares para a reunião foi o fato de eles não serem membros da executiva do partido. Uma justificativa que seria digerida, com certeza, mas em tempos de menor acirramento interno. Esse acirramento, por isso, tem levado para o lado de fora do PSB a impressão de que há, efetivamente, socialistas de primeira e de segunda classe. Uma posição incômoda para os “excluídos”.

O quadro interno do partido se confunde com o do governo, sob o comando de João Azevêdo. Há uma parcela significativa de socialistas cobrando postura mais aguerrida na defesa dos aliados. E isso inclui o embate em defesa de secretários que, eventualmente, se tornem alvos de investigações. As cobranças vão no sentido oposto aos que defendem a busca da governabilidade. Alguns secretários, vale ressaltar, deixaram o governo ao serem citados na operação Calvário. Em relação ao Legislativo, se não tomar cuidado, João poderá acordar sem uma base aliada consistente para chamar de sua…

João nega existência de secretários de “segunda categoria” no governo

Governador vai se reunir com lideranças do partido na tarde desta segunda-feira para tentar “aparar arestas”

Governador eleito pretende pacificar as discussões dentro do partido. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo vai se reunir nesta segunda-feira (20) com lideranças do PSB para discutir a crise interna no partido. Os desentendimentos começaram depois que o gestor deu início a um conjunto de posturas que os aliados veem como mudança de rumo. Eles alegam que o socialista tem se afastado do núcleo mais próximo ao ex-governador Ricardo Coutinho, padrinho político do atual gestor. O grupo elegeu o secretário de Governo, Nonato Bandeira, como responsável pela mudança no foco de João. Ele chegou a ser chamado de secretário de “segunda categoria” pela deputada Cida Ramos (PSB), por ser contra o mandatário do Estado fazer a defesa dos socialistas que, eventualmente, sejam alvos de operações do Ministério Público.

“Não tem racha nenhum dentro do partido. Todo partido tem discussão interna e nós estamos exatamente dentro do processo democrático por que se todo mundo pensasse igual seria fácil, mas não é assim. Cada um tem o seu ponto de vista e deseja colocá-lo, incluindo, claro, a posição do Executivo dentro deste processo como um todo”, disse Azevêdo, em relação à reunião marcada para a tarde desta segunda. As críticas ao governo tiveram início, de forma mais evidente, na semana passada, quando João Azevêdo disse, em entrevista ao jornalista Heron Cid, que ele é completamente diferente do ex-governador Ricardo Coutinho. A mensagem foi vista como uma tentativa de se descolar do padrinho político.

O alvo favorito dos críticos da atual postura do governador é Nonato Bandeira. Eles criticam o secretário por defender a governabilidade, inclusive quando isso represente mudanças no secretariado. Em conversa com o blog, Bandeira ressaltou que não faz sentido o governo comprar brigas com as instituições. “Quanto a supostas críticas de o governador não ficar comprando brigas ser atribuídas a mim, essas críticas são justíssimas, embora também acho que seja um traço da própria personalidade de João Azevedo”, ressaltou.

Racha no ninho socialista contrapõe grupos fiéis a Ricardo e a João

Declarações de João Azevêdo nesta semana de que é completamente diferente de Ricardo geraram desconforto entre aliados

Na campanha: chapa com João Azevêdo, Veneziano Vital, Luiz Couto e Lígia Feliciano foi apresentada por Ricardo Coutinho (C). Foto: Divulgação/PSB

 

 

O clima dentro do PSB, na Paraíba, não anda dos melhores. O desconforto começou depois de um movimento gradativo, quase imperceptível, de separação no grupo. De um lado, os aliados mais próximos do ex-governador Ricardo Coutinho. Do outro, as pessoas mais próximas ao governador João Azevêdo. O primeiro grupo defende uma postura mais aguerrida dos governistas em relação às acusações surgidas a partir da operação Calvário. O segundo defende o afastamento do centro da polêmica em nome da governabilidade. O ápice da confusão surgiu nesta semana, com João dizendo, em entrevista, ser completamente diferente de Ricardo.

A mensagem não foi bem digerida até agora pelos aliados do ex-governador. Não foram poucos os que lembraram, em depoimento ao blog, que o alinhamento entre as gestões era buscado por João até bem pouco tempo. “João cortou o cabelo com o mesmo corte de Ricardo na campanha. Contratou um ator para ter oficinas sobre como falar parecido com Ricardo. Foi eleito com votos pedidos por Ricardo. Como dizer agora que é completamente diferente?”, questionou um socialista. Eles dizem, também, que Coutinho foi para o sacrifício na eleição passada, abrindo mão de disputar o Senado em nome do projeto do partido .

Nos bastidores, a queixa dos socialistas recai sobre o secretário de Governo, Nonato Bandeira, e também sobre o argumento da necessidade de salvar a governabilidade e, com isso, evitar um esmorecimento precoce da gestão. Os críticos reclamam ainda do abandono a Ricardo e aos aliados mais fiéis. Alguns secretários que deixaram o governo relatam mágoas. Um exemplo disso é Livânia Farias, da Administração. Ela chegou a ser presa no bojo da operação Calvário. Da cela, reclamou de suposto abandono por parte da ala governista. Amanda Rodrigues, namorada de Ricardo, entregou a Secretaria de Finanças sem avisar previamente a João.

Mais recentemente, Gilberto Carneiro (Procuradoria-Geral do Estado) e Waldson de Souza (Planejamento, Orçamento e Gestão) também pediram para deixar o governo. Ambos foram alvos, em momentos diferentes, de mandados de busca e apreensão pedidos pelo Ministério Público da Paraíba. Setores do governo dizem que o movimento atual de Bandeira é similar ao ocorrido na gestão de Luciano Agra, em João Pessoa. Naquela época, a pressão sobre Agra vinha do escândalo do Jampa Digital. Agora, sobre João Azevêdo, pesa a operação Calvário. Ambos herdaram gestões comandadas por Ricardo Coutinho.

Nonato nega racha

“Em primeiro lugar, desconheço qualquer divisão ou racha no Governo. Pelo contrário. João Azevedo tem demonstrado para muitos até uma surpreendente capacidade política de unir e convergir, com muita paciência e tolerância, mesmo em momentos difíceis. Isso aliado à sua capacidade administrativa em dar sequência a todos os projetos herdados da gestão do ex-governador Ricardo Coutinho. O equilíbrio financeiro, a racionalização dos gastos, a aceleração do desenvolvimento do Estado, com inclusão social e contemplando as diversas regiões da Paraíba continuam em ritmo acelerado, sob a supervisão do próprio governador.

Quanto a supostas críticas de o governador não ficar comprando brigas ser atribuídas a mim, essas críticas são justíssimas, embora também acho que seja um traço da própria personalidade de João Azevedo.

Quem esperar que eu um dia defenda confrontos sistemáticos de quem está no Governo com entidades e instituições, com a imprensa, com a Justiça, com universidades, com os deputados, com os aliados e com membros do próprio governo, assim como está fazendo, por exemplo, o presidente Bolsonaro, pode tirar o cavalinho da chuva. Esse não é o meu estilo e nem a minha concepção de governo. Só sei fazer política somando, jamais dividindo e alimentando eternos conflitos.

Quem me convida para cargos e funções, já sabe da minha conduta. E não é depois de 50 anos e com os cabelos brancos que sobraram que vou mudar. E mudar pra pior, pois não acredito que se construa nada à base de patadas e bravatas, comprando brigas em toda as esquinas da vida.”

Marcos Vinicius deixa o PSDB e pode se filiar ao PT ou ao PSB

Ex-presidente da Câmara de João Pessoa foi convidado também pelo PSDC para se filiar

Marcos Vinícius evita dizer em qual legenda vai se filiar. Foto: Andréa Santana/CBN

O vereador e ex-presidente da Câmara de João Pessoa, Marcos Vinícius, poderá se filiar ao PT ou ao PSB. A possibilidade de mudança de ares foi aventada após a desfiliação dele do PSDB, partido no qual militava há mais de duas décadas. O agora ex-tucano não dá pistas do destino. Deixa clara apenas a satisfação pelo convite dos colegas. O convite para se filiar ao Partido dos Trabalhadores foi feito pelo vereador Marcos Henriques. Já a proposta de filiação no PSB foi feita pelo também vereador Léo Bezerra. Houve ainda um terceiro convite, feito pelo atual presidente da Câmara, João Corujinha. Se aceitar, o destino será o PSDC, sigla que fatalmente sofrerá com a cláusula de desempenho nas próximas eleições, por causa da baixa representatividade no Congresso – apenas um deputado federal eleito.

Vinícius diz que vai analisar com carinho para qual partido vai migrar. Pessoas próximas a ele alegam que a legenda do futuro partido será um ponto importante a ser analisado. Caso decida migrar para o PT ou para o PSB, fará um daqueles caminhos raros na política nacional. Os tucanos caminham em faixas opostas aos petistas em praticamente todas as cidades brasileiras. Atuam em campos opostos aos socialistas em grande parte delas também. Vinícius, apesar disso, trilhou caminho de conciliação com as duas siglas desde o período em que se articulou para disputar a presidência da Câmara de João Pessoa. Contra a vontade do prefeito Luciano Cartaxo (PV), uniu governistas e oposicionistas, isolando o até então imbatível Durval Ferreira (PP).

O clima para a permanência de Marcos Vinícius no PSDB não era bom desde as eleições de 2016. Na época, houve queixas dos tucanos pessoenses por causa da difícil composição de alianças firmada naquele ano. De lá para cá, as posições nacionais e locais do partido acabaram minando o ânimo das lideranças pessoenses. Dos três vereadores eleitos na capital (Marcos Vinícius, Eliza Virginia e Luiz Flávio), apenas o último deve permanecer no partido. São menos de dois anos até a eleição de 2020. Pelos sinais emitidos pelo ex-presidente da Câmara, não vai demorar para que ele escolha o destino.

Ricardo usa pagamento de salários para atacar adversários

Gestor faz postagem nas redes sociais dizendo que antes das gestões do PSB, salários eram pagos com atraso

O governador Ricardo Coutinho (PSB) causou polêmica nas redes sociais, nesta quinta-feira (27), em postagem sobre o pagamento dos salários dos servidores estaduais. O gestor apoia a candidatura de João Azevêdo (PSB) para a disputa do Governo e fez referência, na postagem, ao fato de que os salários são pagos atualmente em dia e que “é bom lembrar também disso, no dia 7”. No Twitter, o gestor anuncia pagamento para esta quinta e sexta-feira (28). “Religiosamente em dia e respeitosamente com os trabalhadores e com a economia paraibana”, pontuou na rede social.

A publicação provocou muitas reações contrárias na rede social, assim também como defesas do governador. Ricardo, na postagem, faz referência ao fato de que, antes dele, não haveria regularidade no pagamento dos salários dos servidores. Dos antecessores do governador socialista, dois estão na disputa deste ano. Um deles, José Maranhão (MDB), aparece como principal adversário do candidato governista, João Azevêdo, na disputa. O outro, Cássio Cunha Lima (PSDB), disputa a reeleição para o Senado no pleito deste ano. A coligação dele apoia a candidatura de Lucélio Cartaxo (PV)

 

Coligações: João Azevêdo e Lucélio Cartaxo carreiam alianças e isolam Maranhão

Saldo das convenções mostra João com apoio de 14 partidos e Lucélio com 12 para a disputa

Chapa encabeçada por Lucélio Cartaxo vai para a disputa com 11 partidos. Foto: Marcelo Lima

O saldo das convenções partidárias mostrou que ter aliados poderosos na composição partidária vale mais que “dinheiro na praça”. De um lado, o palanque construído pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) para abrigar João Azevêdo, do mesmo partido. Do outro, uma junção dos prefeitos de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), e de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), para abrigar Lucélio Cartaxo (PV). O primeiro arregimentou 14 partidos para a disputa eleitoral, o que deve representar em torno de 3 minutos e meio no tempo de TV. Já o segundo, terá 12 partidos e pouco mais de três minutos no guia.

Chapa com João Azevêdo, Veneziano Vital, Luiz Couto e Lígia Feliciano vai contar com 14 partidos na base aliada. Foto: Divulgação/PSB

Espremido entre as duas estruturas políticas, o senador José Maranhão vai para a disputa com apenas dois partidos no apoio e menos de dois minutos de TV. João Azevedo terá PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede na sua base aliada. Já Lucélio Cartaxo terá PV, PSDB, PP, PSD, PTC, PRTB, SOLIDARIEDADE, DC, PSL, PPL, PSC e PHS. O senador José Maranhão terá apenas MDB, PR e Patriotas na base de apoio. Com dois partidos vai para as urnas o candidato do Psol, Tárcio Teixeira. Ele fechou com o PCB. Conta também com a Unidade Popular (UP), mas a sigla ainda está em formação.

José Maranhão terá apenas o PR e o MDB na base para a disputa eleitoral deste ano. Angélica Nunes

Não é possível traçar uma relação que alinhe estrutura partidária com vitória certa nas eleições. A história não é tão cartesiana assim quando se fala das disputas. Há sempre uma margem para surpresa, porém, são bem poucos os exemplos em que Davi dá uma surra em Golias. Os vencedores, em geral, são os que possuem maior estrutura. O quadro é sempre difícil para quem não tem como colocar exércitos para pedir voto. A campanha, no entanto, está apenas começando.

 

Veja a composição das chapas:

 

Coligação PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede

Governador: João Azevêdo (PSB)

Vice-governadora: Lígia Feliciano (PDT)

Senadores: Luiz Couto (PT) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB)

 

Coligação PV, PSDB, PP, PSD, PTC, PRTB, SOLIDARIEDADE, DC, PSL, PPL, PSC e PHS

Governador: Lucélio Cartaxo (PV)

Vice-governadora: Micheline Rodrigues (PSDB)

Senador: Cássio Cunha Lima (PSDB) e Daniella Ribeiro (PP)

 

Coligação MDB, Patriotas e PR

Governador: José Maranhão (MDB)

Vice-governador: Bruno Roberto (PR)

Senador: Roberto Paulino (MDB)

 

Coligação Psol, PCB e UP

Governador: Tárcio Teixeira (Psol)

Vice-governador: Adjany Simplício (Psol)

Senador: Nelson Júnior (Psol) e Nivaldo Mangueira (Psol)

 

PSTU (sem coligação)

Governadora: Rama Dantas (PSTU)

Vice-governador: Emanoel Candeia (PSTU)

Senador: Nenhum anunciado.

 

Convenção que confirmou João Azevêdo para o governo teve Lula citado em todos os discursos

Chapa formada para a disputa deixou de fora Efraim Moraes para dar feições de esquerda ao grupo apoiado por Ricardo Coutinho

Chapa com João Azevêdo, Veneziano Vital, Luiz Couto e Lígia Feliciano foi apresentada por Ricardo Coutinho (C). Foto: Divulgação/PSB

O ex-presidente Lula (PT) está preso em Curitiba por causa da condenação no caso do tríplex do Guarujá, em São Paulo. Isso não impediu que ele estivesse representado em todos os discursos na convenção do PSB que confirmou João Azevêdo para a disputa do governo do Estado. O evento, realizado em João Pessoa, neste sábado (4), contou até com um boneco gigante em homenagem ao petista. O ex-presidente deve ter o nome inscrito pelo Partido dos Tralhadores para a disputa da Presidência pela sexta vez, apesar da quase certeza de que será impedido pela Justiça Eleitoral. A estratégia do governador Ricardo Coutinho (PSB) em relação ao padrinhado tem sido o alinhamento das campanhas, visando surfar na avaliação positiva do ex-presidente no estado.

Para isso, a composição da chapa foi milimetricamente pensada. Já tinha João, acostumado a fazer discursos favoráveis ao ex-presidente e um crítico do impeachment de Dilma Rousseff (PT). O deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB) votou pelo impeachment de Dilma, mas pegou um bonde rumo à esquerda logo após. Neste sábado, pediu voto para Lula na convenção. O terceiro nome da chapa, o deputado federal Luiz Couto, é petista e fez as honras de abrir os discursos. A chegada de Lígia Feliciano (PDT) seguiu este estendimento, também. O governador Ricardo Coutinho, padrinho da chapa que busca a continuidade do projeto, é, também, um antigo aliado do ex-presidente Lula. O movimento da Paraíba, junto com Pernambuco, foi fundamental para que o PSB, nacionalmente, decidisse apoiar o petista.

Um boneco do ex-presidente Lula com mais de três metros desfilou durante o evento. Foto: Suetoni Souto Maior

O pré-candidato ao governo, João Azevêdo, se mostrou bastante à vontade no palanque, neste sábado. Lembrou pouco o técnico de poucas palavras de antes. Brincou com a platéia formada por militantes do partido e aproveitou para fazer críticas à oposição. Sem citar nomes, ele criticou os discursos de Lucélio Cartaxo (PV), candidato da oposição. “Tem candidato dizendo que quer tocar o coração das pessoas…”, disse, em tom de deboche. Em contraponto, alegou que ele prefere que os médicos do Hospital Dom José Maria Pires, especializado em cardiologia, façam isso. Falou das escolas, das estradas e do conjunto de obras que o governo pretende apresentar como portfólio para a disputa eleitoral.

O pré-candidato ao Senado, Luiz Couto, aproveitou o discurso para falar sobre o risco de a Paraíba voltar ao passado. A referência era claramente ao que ele chamou de legado negativo das gestões anteriores. Seguiu falando do projeto de “nova Paraíba”, em referência à continuidade do projeto de poder do PSB no Estado. Falou que vai, caso seja eleito, honrar o mandato, assim como faz em relação ao cargo de deputado federal. Couto também convocou a platéia para votar no ex-presidente Lula e foi bastante aplaudido neste momento.

Veneziano foi o segundo a discursar. Ele se apropriou dos argumentos de Ricardo Coutinho em relação à composição do palanque, dizendo que ele é pautado na decência e na eficiência. “Aqui está a Paraíba das novas estradas, aqui está a Paraíba das novas adutoras, aqui está a Paraíba dos paraibanos, dos investimentos sociais. Aqui está a Paraíba dos novos hospitais, 12 pelo menos entregues para que a saúde paraibana se qualificasse”, disse. Ele alegou que todos, no palanque, têm a missão de dar continuidade ao que foi feito por Ricardo. Veneziano ressaltou ainda que o governador era nome natural para a disputa do Senado. Como o gestor decidiu ficar até o fim do mandato, o socialista disse que isso aumentava a missão dele e de Couto. De saída, o parlamentar pediu votos para Lula.

O governador Ricardo Coutinho foi mais enfático em relação ao que ele chamou de injustiça com Lula. Ele alega que o petista foi condenado pelo juiz Sérgio Moro sem provas. “Não há prova alguma no processo”, alegou o socialista, para quem o ex-presidente deveria disputar as eleições. Coutinho pediu à militância para que se peça votos para todos os membros da chapa. O voto completo. Como o de costume, fez muitas críticas ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O tucano foi acusado de ter tramado em todas as horas do dia o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Tramava contra a democracia”, enfatizou.

Lígia Feliciano recebeu elogios nos discursos. Ricardo elogiou o fato de ela, mesmo quando se afastou do grupo buscando construir um projeto próprio, nunca fez críticas ao governo. A escolha dela ocorreu em um processo que retirou Efraim Moraes, do DEM, da linha de composição. A presença dele prejudicava o tom de esquerda que o PSB quis dar à chapa encabeçada por João Azevêdo. Havia boatos de que, magoado, Efraim levaria o DEM para a oposição, o que não aconteceu. O deputado federal Efraim Filho (DEM), inclusive, participou do evento.

Veja os partidos que foram anunciados no arco de aliança de João Azevêdo:  PSB, PDT, PT, PTB, PRP, DEM, PCdoB, PPS, Avante, PROS, PRB, PMN, Podemos e Rede.

 

 

 

Com o não de Ciro Gomes, petistas tentam Manuela para vice de Lula

Proposta será formalizada em reunião nesta sexta-feira e esperança do PT é que o PCdoB retire candidatura a presidente

Manuela D’Ávila durante evento de pré-campanha realizado em João Pessoa. Foto: Reprodução/Twitter

A pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), é o novo alvo dos petistas para a disputa eleitoral deste ano. Uma reunião solicitada pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), servirá para a formalização do convite, nesta sexta-feira (3). Aos dirigentes da sigla comunista, com autorização do ex-presidente Lula, os dirigentes petistas pedirão que Manuela retire sua candidatura e dispute o pleito na vaga de vice do ex-presidente. O convite está sendo formulado depois da frustrada tentativa de convencer o presidenciável Ciro Gomes (PDT) a assumir a suplência na disputa. Com o movimento, os petistas completam o isolamento do pedetista.

A possibilidade de deixar a disputa foi reconhecida por Manuela D’Ávila durante palestra em João Pessoa, na semana passada. Ela defendeu a criação de uma frente de esquerda e disse que, para isso, não se oporia a uma eventual retirada da candidatura dela. O ex-presidente Lula está preso há mais de 100 dias por causa da condenação no caso do tríplex do Guarujá, no litoral paulista. Ele foi condenado pelo juiz Sérgio Moro sob acusação de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Os petistas vão fazer a inscrição da chapa mesmo assim, apesar da condenação do ex-presidente também na segunda instância. A confirmação da condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região faz com que o postulante corra o risco de ser alcançado pela Lei Ficha Limpa.

O PCdoB é o segundo partido que os petistas tiram do radar de Ciro Gomes nas eleições deste ano. O primeiro foi o PSB, em um movimento que gerou grande divisão dentro do partido em vários estados. Em Pernambuco, por exemplo, os petistas retiraram a candidatura de Marília Arraes ao governo do Estado. A medida foi para beneficiar a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Em contrapartida, em Minas Gerais, a operação seguiu no caminho de retirada da candidatura do socialista Márcio Lacerda, para que o partido apoie a reeleição do governador Fernando Pimentel (PT). Caso o PCdoB atenda ao pedido de Lula, a retirada da candidatura de Manuela D’Ávila, aprovada em convenção na última quarta-feira (1°), será retirada.

 

PSB da Paraíba vai defender na convenção nacional apoio à candidatura de Lula

Partido está dividido nacionalmente entre os apoios a Lula ou a Ciro Gomes ou ainda a adoção de neutralidade

Lula (D) conversa com Ricardo Coutinho e com a ex-presidente Dilma Rousseff durante uma das últimas agendas cumpridas na Paraíba. Foto: Divulgação

O Partido Socialista Brasileiro (PSB), na Paraíba, decidiu apoiar a candidatura do ex-presidente Lula (PT) ao Planalto. A decisão foi tomada em reunião nesta segunda-feira (30) e vai ser levada para a convenção nacional, no dia 5 de agosto. O entendimento ocorre no mesmo momento em que o Partido dos Trabalhadores formalizam apoio à pré-candidatura de João Azevedo (PSB) ao governo. Nesta segunda-feira, também, o presidente estadual do PT, Jackson Macedo, divulgou áudio pedindo que os coletas de partido votem e peçam voto para o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB), pré-candidato ao Senado. Ele deve dividir espaço na chapa com o petista Luiz Couto, também deputado federal. Veneziano era tratado por golpista pelos petistas, por ter votado pró-impeachment de Dilma Rousseff (PT).

A convenção nacional do PSB vai acontecer em Brasília, no dia 5, o último para as convenções partidárias. O partido, nacionalmente, está dividido. Uma parte significativa quer votar no ex-presidente Lula, outra torce por uma aliança com Ciro Gomes (PDT) e há ainda um grupo bastante representativo que defende a neutralidade. Neste caso, os arranjos locais indicariam com quem haveria a aliança nos Estados. A proximidade do petista é mais forte entre os nordestinos e no Norte do país. O posicionamento do governador Ricardo Coutinho segue no mesmo sentido do governador de Pernambuco, Paulo Câmara. No estado vizinho, o gestor quer apoiar Lula e espera que o partido, lá, retire a candidatura de Marília Arraes (PT).

A resolução, resultante da reunião do PSB, justifica a adesão com a defesa da “democracia e, principalmente, em nome da esperança no restabelecimento das garantias sociais, tão duramente atacadas neste País, durante o atual e ilegítimo governo, bem como da recuperação da economia com a superação das desigualdades”. Outro ponto ressaltado é a suposta perseguição ao ex-presidente Lula.

“O dia 8 de julho passado produziu (mais) uma cena lamentável do completo desmonte do Estado Democrático de Direito em que o Brasil passou a experimentar sistematicamente desde que aqueles que perderam as eleições de 2014 resolveram atentar contra à escolha popular. Um juiz de primeira instância, sob a anuência de parte dos sistemas nacionais de comunicação de massa, em pleno abuso de autoridade, resolve confrontar publicamente a decisão de um desembargador de instância
superior, deixando mais do que evidente que não há nem haverá limites na manutenção da nova velha ordem que se estabeleceu no Brasil, onde só há espaço para abusos e violências antidemocráticas, e, pior, onde a justiça tem sido seletiva em diversos procedimentos. Reerguer os pilares do Estado Democrático de Direito é uma tarefa de todos os setores comprometidos com a democracia no Brasil”, diz a nota.

DEM cobra espaço na chapa de João Azevedo e não vê problema em dividir palanque com petistas

Efraim Filho sai otimista de reunião da executiva nacional que deu autonomia a lideranças para conduzir alianças nos estados

Efraim Filho questiona parâmetros questionados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Foto: Alex Ferreira

Os democratas paraibanos querem espaço na chapa encabeçada por João Azevedo (PSB). O deputado federal Efraim Filho participou da reunião com a executiva nacional do DEM, nesta quarta-feira (25), e recebeu sinal verde para conduzir as aliança no Estado. Havia o temor de que a sigla impusesse a verticalização das alianças. Se isso ocorresse, o caminho certo seria a aliança com o PV de Lucélio Cartaxo. Tudo por causa da participação do PSDB na chapa. Tucanos e democratas têm aliança nacional firmada. O entendimento dos caciques, nacionalmente, no entanto, é que cada um defina o seu destino. “Vamos colaborar com as discussões sobre os nomes que comporão a majoritária e apresentamos o nome de Efraim Moraes como opção”, disse o deputado federal.

Para ter espaço na majoritária, o partido não pretende vetar qualquer nome de outro grupo partidário. Isso por conta da grande chance de uma das vagas para o Senado ser disputada pelo deputado federal Luiz Couto (PT). Os petistas têm imposto resistência à participação em chapas que tenham partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff. O DEM está entre os mais combatidos pela sigla do ex-presidente Lula. “Não tralhamos com veto a nenhum partidos ou a nomes”, disse Efraim Filho, assegurando que em nome da Paraíba o partido está disposto a sentar e conversar com qualquer partido. A defesa do nome de Efraim Moraes, segundo os caciques do partido, se dá pela capacidade de articulação dele e por que traria equilíbrio geopolítico à chapa.