Em greve de fome e deitado numa rede, paraibano “Seu Ciço” vira destaque na Marcha Lula Livre

Manifestantes fizeram mobilização para marcar o registro da candidatura de Lula, apesar da condenação dele em segunda instância

Seu Ciço disse que não vai desistir da greve de fome. Foto: Reprodução/TV UOL

O bancário paraibano Seu Ciço virou destaque nesta quarta-feira (16) durante passeata pró-Lula (PT) em Brasília. Em greve de fome há dez dias, para pedir o deferimento do registro do ex-presidente, ele foi para a Marcha Lula Livre em uma rede vermelho e branca. Ao ser questionado por repórteres, fez críticas à Justiça por ter condenado o petista e garantiu que não vai deixar a mobilização. Alega que se passar mal, será socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). O movimento marcou o registro da candidatura do ex-presidente, que tende a ser indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei Ficha Limpa. Lula foi condenado em segunda instância no processo do tríplex do Guarujá.

Seu Ciço é candidato a deputado federal pelo PT. O protesto desta quarta-feira em Brasília reuniu membros do Movimento dos Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Houve discurso também do candidato a vice na chapa, Fernando Haddad (PT). Ele é cotado para assumir a disputa presidencial quando o registro de Lula for rejeitado, o que fatalmente deverá acontecer. Com isso, a vaga de vice ficará com Manuela D’Ávila (PCdoB). A expectativa é a de que o julgamento ocorra até o dia 17 de setembro deste ano.

 

 

‘Maio de 68’ daria lições sobre tolerância e igualdade para os radicais de 2018

Valores como o combate à intolerância, igualdade de gênero e racial perderam espaços nos embates entre direita e esquerda

Manifestantes ocupam as ruas de Paris em maio de 1968 – GOKSIN SIPAHIOGLU

“O agressor não é aquele que se revolta, mas aquele que reprime”. A frase tem cinquenta anos, mas nunca foi tão atual, em tempos de radicalismo político. É uma das cunhadas em maio de 1968, quando um despretensioso protesto estudantil, na França, desencadeou manifestações pelo mundo, inclusive no Brasil. Entre as bandeiras de uma pauta ampla e pouco objetiva estavam o combate à intolerância, ao racismo e a busca por igualdade de gênero e liberação sexual. Os jovens da época cobraram mudanças e elas, aos poucos e a duras penas, foram se concretizando. Num sentido contrário ao que, agora, nos lampejos de ódio aflorados nas redes sociais, começam a se manifestar. Mostras de que o movimento precisa ser revisitado.

O estopim daquela agitação foi o fechamento da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, em 2 de maio. Os estudantes, havia semanas, vinham entrando em conflito com a polícia francesa. Eles então decidiram ocupar a instituição de ensino. Protestavam, entre outras coisas, contra a burocracia. O movimento se expandiu para a Universidade de Sorbonne. O passo seguinte foi a participação dos trabalhadores, que decidiram cruzar os braços e ocupar as fábricas. Eles cobravam melhores salários e condições de trabalho. Não demorou muito para que as mobilizações se intensificassem, com cobranças sobre a mudança de governo. O movimento tinha como bandeira a máxima de que “é proibido proibir”.

As manifestações encontraram campo fértil para expansão em outros países. Os Estados Unidos estavam envoltos com a guerra do Vietnã. O país também vivia a luta pelos direitos civis dos negros que culminou com a morte do líder pacifista Martin Luther King Jr. No Brasil, a bandeira era a luta contra a o regime militar, que tomou o poder através do golpe dado quatro anos antes. Era um período de efervescência estudantil e que culminou com o Ato Institucional Número 5 (AI5), em 13 de dezembro. O clima no país era turbulento desde março, com a morte do estudante carioca Edson Luiz de Lima Souto em confronto com a polícia durante protesto. A classe artística, insatisfeita com a censura, engrossou os protestos.

A música “É proibido proibir” foi cantada por Caetano Veloso no Festival Internacional da Canção promovido naquele ano pela Rede Globo. A composição, fruto de parceria com Gilberto Gil, foi vaiada e provocou a irritação do artista. Do palco, ele questionou se era aquela “a juventude que diz que quer tomar o poder”. Aos gritos, ele disse que a platéia não estava entendendo nada. Nas ruas, os movimentos foram repreendidos com violência, principalmente após o Ai5. Mesmo assim, os ideais de liberdade foram plantados naquele momento.

Em entrevista ao G1, na comemoração dos 40 anos do movimento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse ter visto, naquele ano, as bases para mudanças profundas. “O mundo atual tem esse desafio: ou aceita a diversidade ou fica a intolerância. Se não farão como o [George W.] Bush, que invadiu o Iraque para implantar a democracia americana. Não dá certo, vai ter que aceitar que há pedaços do mundo que não são americanos. E não serão nunca. Ou você vai transformar a China em americana? Não dá para impor ao outro. O mundo é maleável, deixe cada um viver ao seu modo”, disse o ex-presidente, que foi professor de Nanterre, de onde partiram os primeiros protestos, e voltou ao Brasil para prestar concurso na USP a tempo de ver a repercussão dos protestos por aqui.

A intolerância, vale ressaltar, tem ganhado espaço nos debates passados 50 anos daquele 1968. Manifestar ideias em público, sejam quais forem, abre espaço para um embate insano entre radicais de direita e também da esquerda. Tudo em um movimento que começa a deixar a esfera virtual, da internet, e começa a ganhar as ruas. A consequência esperada é a violência desmedida. Para esse pessoal, beber na fonte de 68 não seria má ideia.

Protesto: moradores de São Bento tapam buracos na rua em frente à Secretaria de Obras

Faixas foram exibidas na rua com cobranças para que o prefeito Jarques Lúcio resolva o problema na cidade

Moradores acusam o prefeito Jarques Lúcio de não cumprir com as promessas de campanha. Foto: Divulgação

Os moradores da cidade de São Bento, no Sertão, promoveram um protesto diferente, neste domingo (22). Cansados de cobrar a revitalização do asfalto nas ruas, eles decidiram tapar os buracos por conta própria. O local do protesto foi, curiosamente, a frente da Secretaria de Infraestrutura e Obras. A parte frontal ao prédio municipal também apresenta estrutura deteriorada. Foram estendidas faixas na rua com cobranças direcionadas ao prefeito Jarques Lúcio (DEM), eleito em 2016. No protesto, os moradores acusam o gestor de estar fugindo das suas obrigações.

Confira o vídeo:

Ricardo protesta nas redes sociais contra a condenação de Lula

Governador é um dos principais aliados do ex-presidente no Nordeste e busca o apoio eleitoral do PT na Paraíba

Reprodução/Twitter

O governado Ricardo Coutinho (PSB) usou as redes sociais para protestar contra a manutenção da condenação do ex-presidente Lula, nesta quarta-feira (24). O petista teve a pena imposta pelo juiz Sérgio Moro aumentada para 12 anos e 1 mês. Ele foi acusado pelo Ministério Público dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O governador, aliado do ex-presidente, usou a conta dele no Twitter para dizer, em tom filosófico, que o julgamento do recurso no Tribunal Regional Federal (TRF4), com sede em Porto Alegre, teve como saldo “Uma sentença, 190 milhões de condenados…”

O governador foi aliado do ex-presidente durante todo o mandato do petista e mantém, até hoje, a fidelidade a Lula.

Radicalização, pedras e balas de borracha em ato pró-Lula em João Pessoa. Veja imagens

Manifestação inicialmente pacífica descamba para violência após ação de vândalos infiltrados no movimento

A manifestação promovida pela militância simpática ao ex-presidente Lula (PT), em João Pessoa, terminou em pancadaria nesta quarta-feira (24). O grupo saiu da Praça João Pessoa, no Centro, em direção ao prédio da Justiça Federal, no Pedro Gondim. Ao chegarem ao local, alguns deles tentaram forçar a entrada, empurrando o portão frontal. A Polícia Militar usou spray de pimenta para dispersar a multidão, que reagiu atirando pedras. A PM, então, reagiu com tiros com balas de borracha. Houve feridos dos dois lados. As imagens divulgadas após o incidente mostram um cenário de guerra.

A radicalização do movimento, puxada por vândalos infiltrados, foi no sentido contrário do pregado, logo cedo, pelos dirigentes do Partido dos Trabalhadores. O presidente da sigla, Jackson Macedo, garantiu que o caráter do ato seria pacífico. O clima de tensão seguiu numa crescente. Ao passarem em caminhada em frente ao prédio do Ministério Público Federal, os manifestantes vaiaram procuradores e servidores. Eles alegam caráter político na condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro, na primeira instância.

Ferido com um tiro de borracha, o deputado estadual Frei Anastácio (PT) acusou os militares de terem incitado a violência.

 

Sindicalistas “enforcam” deputados no aeroporto em protesto contra a reforma

Grupos espalharam fotos e faixas no Castro Pinto para abordar deputados no embarque para Brasília

Sindicalistas espalham fotos com enforcamento dos deputados governistas. Foto: Divulgação

Um grupo de sindicalistas e representantes de associações marca presença no Aeroporto Castro Pinto desde esta segunda-feira (12). Munidos de faixas, cartazes e fotos de parlamentares, eles protestaram contra a Reforma da Previdência. O texto proposto pelo presidente Michel Temer (PMDB), apesar de desidratado em relação à proposta inicial, é contestado pela categoria. Entre os pontos propostos está a idade mínima para a aposentadoria e um mínimo de 40 anos de trabalho comprovado para poder requerer o benefício pago pela Previdência Social.

O deputado federal Wellington Roberto chegou a posar ao lado dos manifestantes. Foto: Divulgação

Os manifestantes, no entanto, cometem erros sobre os escolhidos para ser “enforcados”. Incluem no grupo até os deputados federais que anunciaram voto contrário à proposta. Lá estão os deputados Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) e Wellington Roberto (PR). Ambos já se pronunciaram contra a reforma. Este último, vale ressaltar, alegou isso para os manifestantes e acabou posando para fotos antes do embarque. Além deles, a relação dos “enforcados” inclui André Amaral (PMDB), Rômulo Gouveia (PSD), Aguinaldo Ribeiro (PP), Benjamin Maranhão (SD), Pedro Cunha Lima (PSDB), Efraim Filho (DEM), Wilson Filho (PTB) e Hugo Motta (PMDB).

Fotos foram colocadas também na área de acesso ao setor de embarques para Brasília. Foto: Divulgação

A projeção do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é que o tema comece a ser discutido nesta semana. O presidente Michel Temer trabalha para conseguir os 308 votos necessários para bancar a proposta ainda neste ano. O projeto poderá ser colocado em votação na próxima semana. A grande dificuldade tem sido conseguir os votos necessários para garantir a aprovação da matéria.

Moradores de Bayeux fazem protesto contra parecer pró-Berg Lima

Manifestantes fecharam a Avenida Liberdade, a principal da cidade com faixas e cartazes

Moradores querem que a Câmara Municipal vote a cassação de Berg Lima. Foto: Divulgação

O início da noite desta quinta-feira (29) foi marcado por protestos na cidade de Bayeux. Munidos de faixas e cartazes, moradores ocuparam a Avenida Liberdade, a principal da cidade localizada na Região Metropolitana de João Pessoa. A ato ocorre um dia após o parecer do subprocurador-geral da República, Eitel Santiago. Ele sugeriu, em consulta feita pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que a prisão preventiva do prefeito afastado Berg Lima (sem partido) seja convertida no cumprimento de medidas cautelares. Entre elas, estão desde o recolhimento residencial noturno à proibição de que, no exercício da função, o gestor atue como ordenador de despesa.

Berg Lima foi preso em flagrante no dia 5 de julho, em operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, em parceria com a Polícia Civil. Desde então, ele está preso no 5° Batalhão da Polícia Militar. O gestor foi gravado em vídeo em conversa vadia com um empresário da cidade, forçado, segundo o Ministério Público, a pagar propina para receber por serviços atrasados contratados pela prefeitura de Bayeux. Desde o afastamento de Berg Lima, o município é comandado pelo vice, o tucano Luiz Antônio. Parte do secretariado da cidade foi trocado.

No protesto desta quinta-feira, os moradores também cobram da Câmara Municipal agilidade no processo de cassação do gestor.

Deputado petista disponibiliza lixeira com rosto de Bolsonaro em Parada LGBT

Presidenciável é crítico das pautas relacionadas à homossexualidade em debate no Congresso

Lixeira com o rosto de Jair Bolsonaro foi instalada durante o protesto. Foto: Divulgação

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi alvo de um protesto durante a Parada do Orgulho LGBT, em João Pessoa, neste domingo (25). O deputado estadual Anísio Maia (PT) disponibilizou na avenida uma lixeira cuja parte frontal tinha o rosto do parlamentar carioca. Bolsonaro é virtual candidato a presidente da República e, na Câmara dos Deputados, adota postura crítica aos temas relacionados aos homossexuais. Desde o último mandato, tem protagonizado embates com o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ). O deputado carioca tem sido um dos principais alvos dos ataques de Maia na Assembleia Legislativa.

A 16ª edição da Parada do Orgulho LGBT de João Pessoa teve como tema ‘Resistência e close, nenhum direito a menos. A Parada foi organizada pelo Movimento Espírito Lilás (MEL), Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria (GMMQ), Movimento de Bissexuais (MOVBI) e Associação de Travestis e Transexuais da Paraíba (Astrapa). A expectativa dos organizadores é de que cerca de 10 mil pessoas participem. A concentração aconteceu em frente ao Sesc Cabo Branco e foi finalizado em frente ao Busto de Tamandaré. O grupo fez críticas, durante o ato, à decisão judicial que permitiu a terapia de reversão homossexual.

Frente Brasil Popular fará ato pedindo o “fora Temer” em frente ao Liceu

Os representantes da Frente Brasil Popular agendaram para as 15h desta quinta-feira (18), em frente ao Lyceu Paraibano, um ato público pedindo o a saída do presidente Michel Temer (PMDB) do poder. O grupo, ligado ao PT e aos movimentos sociais, cobra também a realização de eleições diretas em caso de vacância na Presidência da República. O peemedebista foi gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, acertando o pagamento de propina para manter o ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), calado. O ex-parlamentar vinha fazendo ameaças veladas em relação ao presidente, dando sinais de que poderia fazer delação premiada.

Na convocação feita nas redes sociais, a Frente Brasil Popular diz que luta há mais de um ano “contra o golpe na democracia brasileira que retirou uma presidente eleita e esmaga direitos históricos dos trabalhadores. Da rua não sairemos, é preciso defender nossa democracia, nosso país e nossos direitos”. Caso o presidente renuncie, seja cassado ou alvo de impeachment, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumirá o comando do país e terá que convocar eleições indiretas dentro de 30 dias. Maia também é acusado de ter recebido dinheiro de caixa 2 pago pela empreiteira Odebrecht e foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Vai ter protesto também em Campina Grande.

Vereadores do Conde cumprem promessa e usam saias em sessão

Vereadores cumprem promessa e usam saia em sessão. Foto: Diego Nóbrega

Os vereadores do Conde, cidade da Região Metropolitana de João Pessoa, cumpriram a promessa. Pelo menos oito, dos 11, toparam trabalhar de saia nesta segunda-feira (8). Eles protestaram contra o “machismo”, o “sexismo” e aproveitaram para fazer uma homenagem às mães, por causa do mês de maio. Eles exibiram a indumentária logo no início da sessão. Alguns vestiram, de forma meio desajeitada, por cima das calças. Outros apenas ergueram a roupa feminina até a altura da cintura. Um pouquinho de machismo atrapalhou a manifestação. LEIA MAIS