Discurso resumido ao embate com fantasmas e moinhos de vento

Temas realmente importantes como desigualdade social e geração de empregos foram ignorados na posse de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro chega ao Palácio do Planalto para cerimônia de transmissão da Faixa Presidencial.

O discurso de posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi uma pérola. Em duas oportunidades, no Congresso e no Parlatório, ele passou longe dos temas que realmente interessam ao Brasil. A retórica populista focou muito mais nas questões ideológicas, de materialidade fantasmagórica. O roteiro não é novo no Brasil. Vai na linha de lideranças populistas que precisam construir um inimigo, real ou fictício. Um dos moinhos de vento quixotescos apresentados pelo capitão reformado do Exército é o comunismo. Lembram de Getúlio Vargas e do Golpe Militar? O roteiro é o mesmo. No discurso, falou-se do “dia em que o povo começou a se libertar do socialismo”.

É preciso apenas elementar conhecimento político para saber que o Brasil nunca passou nem perto do socialismo. A tal doutrinação marxista também não permeou debates nas escolas. Você pode até fazer referência a conquistas sociais ocorridas durante os governos que abraçaram a social-democracia no país. Nenhum, efetivamente, apresentou viés comunista. O discurso, por isso, busca apenas criar trincheiras para o inimigo vindo da esquerda. Uma trincheira política lembrada em várias falas e discursos e que deve nortear as discussões sobre projetos a serem votados no Congresso. “É isso ou a volta do PT”, insiste Bolsonaro nas falas.

A prática mostra que assuntos realmente importantes para o Brasil, como a melhoria da educação, o crescimento econômico e a geração de emprego acabaram ficando em segundo plano. A história dos governos brasileiros, principalmente dos que se propuseram de ruptura, mostra que eles caíram quando não deram respostas na economia. Isso por uma lógica que podemos importar dos Estados Unidos, modelo de país adorado por Bolsonaro. Lá, em 1992, o então marqueteiro de Bill Clinton, James Carville, cunhou uma frase memorável para dizer que o adversário, George Bush, não era invencível: “É a economia, estúpido!” Os maus resultados dela derrubaram Vargas e os militares. Derrubaram Dilma também.

Se o discurso virar prática, realmente Bolsonaro terá grandes problemas. Em meio à necessidade de aprovar medidas como a reforma da previdência, desburocratização da máquina pública e outras propostas, ganhou mais força na posse o discurso sobre gênero. O debate contamina as outras pastas. Na educação, o medieval Ricardo Vélez Rodríguez tem anunciado a extirpação do marxismo e de Paulo Freire das escolas. Isso sem falar na pérola do combate à “ideologia de gênero”. É meio como contar pernas de cobra, já que cientificamente poderíamos falar até em “identidade de gênero”. Ideologia é um termo cunhado em uma cruzada intelectualmente desonesta, que serve apenas para convencer incautos.

Em meio a toda a profusão retórica do novo presidente, resta torcer para que o discurso avance pouco além do discurso. O Brasil já tem problemas demais para enfrentar. Não há espaço para a discussão do sexo dos anjos enquanto volta a crescer a mortalidade infantil e as pessoas passam fome nas ruas. Parafraseando outra fala do presidente, dita anteriormente, é preciso mais trabalho e menos palanque.

Diplomado, Galdino evita falar de favoritismo para a presidência da Assembleia

Deputado agradece incentivo dos colegas, mas diz que todo o processo será conduzido por João Azevêdo e Ricardo Coutinho

Adriano Galdino não quer colocar o carro na frente dos bois, dizem aliados. Foto: Roberto Guedes/Alpb

O deputado estadual Adriano Galdino (PSB) tem sido cauteloso em relação à disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. O nome dele é citado, entre os colegas, como o favorito para comandar a Casa no primeiro biênio. Diplomado nesta terça-feira (18), ele desconversou todas as vezes que foi questionado sobre o assunto. “Para quem saiu das feiras livres de Pocinhos, vendendo confeitos, e foi garçon no Pocinhos Clube, ser deputado pela terceira vez…”, disse, abrindo os braços. Questionado mais uma vez, passou a usar um tom solene, com olhar contemplativo. “Fizemos uma reunião e ficou definido que os condutores do processo serão o governador Ricardo Coutinho e o governador eleito João Azevêdo”, disse, sobre as lideranças do PSB.

Galdino não esconde que tem sido procurado pelos colegas. Ele mesmo largou na busca de apoios com antecedência. A ânsia acabou descontentando Ricardo e João, por causa dos desdobramentos das articulações. Neste processo, com apoio do deputado, foi aprovada uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acabava com a antecipação da eleição do segundo biêncio e com o princípio da reeleição. Após pressão de todos os lados, o texto foi arquivado e, por isso, ele não promulgado pela mesa. Houve quem dissesse no primeiro momento que o socialista havia “queimado a largada”. As conversas seguidas com as duas maiores liderenças do partido, no entanto, contornaram a situação.

Com maioria garantida na Casa, não há dúvidas entre os governistas de que eles conseguirão eleger o comando da mesa diretora para o primeiro e o segundo biênio. Adriano Galdino diz que vai continuar conversando com os colegas. A escolha ocorrerá no dia 1° de fervereiro, quando será empossada a nova legislatura. “Vamos eleger novamente os integrantes da mesa para o primeiro e o segundo biênio, tudo de uma vez”, diz Galdinho, sem querer se colocar como favorito. Ele presidiu o Legislativo no primeiro biênio da atual legislatura.

Paraíba tem quase 3 mil processos em tramitação para cada juiz

Novo presidente do TJPB, Márcio Murilo, diz que há déficit de 50 juízes, mas que órgão não tem como contratá-los

Márcio Murilo da Cunha Ramos foi o mais votado para o cargo de presidente do TJPB. Foto: Kleide Teixeira

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) contabiliza uma carteira de 817 mil processos em tramitação. Para encarar esta montanha de indefinições, dispõe de 276 magistrados. O resultado disso é sentido todos os dias na pele do jurisdicionado: quase 3 mil processos para cada um dos juízes. Os dados foram passados pelo presidente eleito do Poder, Márcio Murilo, durante entrevista ao programa CBN João Pessoa. A equação, para ele, não tem como ser resolvida a curto prazo. Ele alega que existem 50 vagas em aberto para a contratação de juízes, mas não tem como fazer concurso. “Não há dinheiro para nomear um só juiz. Onde não há dinheiro não há o que fazer”, resumiu o desembargador.

Murilo disse que, com o orçamento apertado, o TJPB vai continuar fazendo cortes. Ele falou que o auxílio-moradia já vai acabar no próximo ano, por força do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado disse ainda que, sendo necessário, serão cortados outros benefícios como o carro oficial para os desembargadores. Ele, no entanto, acha contraproducente demitir muitos auxiliares. Atualmente, o gabinete de cada desembargador conta com oito assessores. “É necessário essa quantidade. Todos trabalham de manhã, à tarde e à noite. Eu estou entregando o gabinete com o trabalho quase que zerado, mas isso requerer trabalho sábado e domingo. Eu trabalho de casa via whatsapp, com a assessoria recebendo os votos minutados para estudo, mas no primeiro grau a situação é pior”, disse.

Comarcas

O tema extinção de comarcas deve voltar à pauta dos magistrados. “Irei montar comissões técnicas com juizes para avaliar a necessidade de fechar algumas comarcas”, ressaltou Márcio Murilo. Em agosto deste ano, o desembargador Joás de Brito Pereira decidiu arquivar o projeto de resolução que trabava do assunto. Seriam fechadas as comarcas de Araçagi, Arara, Bonito de Santa Fé, Cabaceiras, Cacimba de Dentro, Caiçara, Coremas, Cruz do Espírito Santo, Lucena, Malta, Paulista, Pilões, Prata, Santana dos Garrotes e São Mamede. “Encaminhamos um orçamento para ser votado e aparentemente haverá um corte de R$ 46 milhões desse orçamento que seria apenas a inflação dos últimos dois anos e parece que a Assembleia não vai aprovar isso”, destacou.

Cabedelo: juíza anula projeto que tornaria Geusa “prefeita” de Cabedelo

Votação tumultuada, ocorrida na semana passada, definiu vereadora como próxima presidente da Câmara Municipal

Uma liminar concedida pela juíza Teresa Cristina de Lyra Pereira Veloso anulou o projeto de resolução que conduziria Geusa Ribeiro (PRP) à presidência da Câmara Municipal de Cabedelo. Ela foi escolhida em sessão tumultuada, no dia 27 do mês passado, mas houve contestação dos adversários sobre a legalidade da medida. Enquanto mandatária do Legislativo, a perrepista assumiria o comando interino da prefeitura em 1° de janeiro de 2019, até que fosse escolhido o novo gestor pelo voto direto. A decisão da magistrada atendeu mandado de segurança impetrado por vereadores fiéis ao atual prefeito interino, Vítor Hugo (PRB). A juíza entendeu que, na votação, faltou transparência na propositura da matéria.

“… Não se visualiza na mídia que acompanhou a inicial a explanação da matéria de forma transparente como exige a coisa pública, tanto mais nesse já sofrido Município de Cabedelo, alvo de seríssimas investigações e com uma gestão já interina”, disse, no despacho, Teresa Cristina. “E mais, vê-se o segundo requerimento de urgencia urgentíssima trouxe a lume Projeto de n. 110, na narrativa “subscrito por todos os Vereadores”, e não o Projeto 010 (1:17:33 horas), ou seja, a rigor não houve votação do Projeto 010, já que não foi anunciado, e nem é subscrito por todos os Vereadores, como anunciado, já que a subscrição dos Vereadores consta do pedido de urgencia urgentíssima de vários Projetos”, acrescentou.

A magistrada estabeleceu prazo de dez dias para Geusa se pronunciar sobre as acusações. Com isso, deverá haver nova eleição para definir os integrantes da mesa diretora no segundo biênio. Dos cinco integrantes do colegiado, escolhidos em março, quatro estão presos. O único livre é o prefeito interino Vítor Hugo, atual presidente da Casa. O mandato atual, que garantiu a ele a posse no cargo de prefeito, tem duração até o dia 31 deste mês. Dos 15 vereadores, ele tem o apoio de nove (Benone Bernardo da Silva, Valdi Silva Moreira, Evilásio Cavalcanti Neto, Divino Francisco Felizardo, José Francisco Pereira, Jonas Pequeno dos SAntos, Maria Carlos Rezende e Reinaldo Barbosa de Lima). Todos subscreveram o mandado de segurança contra a escolha atual.

Com a decisão, a menos que haja mudança na análise do mérito, será necessária nova eleição em 1° de janeiro. Quem for eleito presidente da Câmara assumirá o comando da prefeitura e ficará no cargo até a posse do novo eleito. A eleição suplementar para prefeito da cidade ocorre no dia 17 de março.

Com base no regimento interno da Câmara, no dia primeiro de janeiro, Vítor Hugo, enquanto segundo vice-presidente da Casa na chapa eleita para o segundo biênio, assume o comando do Legislativo e poderá conduzir a eleição dos membros da nova mesa diretora. Se eleito presidente, ele volta a comandar a prefeitura de Cabedelo.

Márcio Murilo é eleito presidente do Tribunal de Justiça

Arnóbio Alves Teodósio foi escolhido para o cargo de vice-presidente da corte no próximo biênio

Márcio Murilo da Cunha Ramos foi o mais votado para o cargo de presidente do TJPB. Foto: Kleide Teixeira

O desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos foi eleito presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). O magistrado era o favorito para a disputa e recebeu 14 dos 19 votos possíveis. A escolha ocorreu nesta quarta-feira (14), durante sessão administrativa do pleno, iniciada às 9h. Ele vai comandar o Judiciário paraibano no biênio 2019-2020. A votação foi secreta. Ao todo, 10 desembargadores se inscreveram para a disputa do cargo de presidente. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional permite que apenas os três mais bem posicionados no critério de antiguidade sejam eleitos. Tradicionalmente, o mais antigo recebe a maioria dos votos.

O desembargador eleito para o cargo de vice-presidente foi Arnóbio Alves Teodósio, com 11 votos. Ele concorreu com sete outros magistrados que compõem o colegiado. O desembargador Romero Marcelo foi o mais votado para o cargo de corregedor-geral do Tribunal de Justiça. Ele conquistou dez votos na disputa. A Escola Superior da Magistratura (Esma) continuará sob o comando do desembargador Marcos Cavalcanti, ex-presidente da corte. O magistrado recebeu 14 votos e foi candidato único. A Ouvidoria-geral do órgão será coordenada por José Aurélio da Cruz, que teve 13 votos. O ouvidor substituto será o desembargador João Benedito.

Veja quem concorreu aos cargos:

Presidente

Márcio Murilo da Cunha Ramos, Saulo Henriques de Sá e Benevides, Arnóbio Alves Teodósio, João Benedito da Silva, João Alves da Silva, Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho, Maria das Graças Morais Guedes, Leandro dos Santos, Oswaldo Trigueiro do Valle Filho e Ricardo Vital de Almeida

Vice-presidente

Saulo Henriques de Sá e Benevides, Arnóbio Alves Teodósio, João Alves da Silva, Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho, Maria das Graças Morais Guedes, Leandro dos Santos, José Aurélio da Cruz, Oswaldo Trigueiro do Valle Filho e Ricardo Vital de Almeida

Corregedor-geral

Saulo Henriques de Sá e Benevides, Romero Marcelo da Fonseca Oliveira, João Alves da Silva, Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho, Maria das Graças Morais Guedes, Leandro dos Santos, Oswaldo Trigueiro do Valle Filho e Ricardo Vital de Almeida.

Esma

Marcos Cavalcanti

Ouvidor-geral

 José Aurélio da Cruz, Arnóbio Alves Teodósio e Marcos Cavalcanti

Márcio Murilo é o preferido dos juízes para eleição de presidente do TJPB

Frederico Martinho seria escolhido para vice-presidente em votação dos magistrados estaduais

Márcio Murilo seria eleito para presidente e Frederico Martinho para vice do Tribunal de Justiça. Foto: Montagem/AMPB

Se a escolha dependesse apenas da preferêcia dos juízes, o desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos já poderia comemorar a escolha dele para presidente do Tribunal de Justiça. Em consulta realizada pela Associação dos Magistrados da Paraíba, ele apareceu como o preferido da categoria, com 58,5% dos votos totais. A vice-presidência ficaria com Frederico Martinho da Nóbrega Coutinho, com 25,8% dos votos. A eleição para a mesa diretora do Poder ocorre nesta quarta-feira (14), mas apenas os 19 desembargadores têm direito a voto. Dez deles se inscreveram para a disputa da presidência. A votação foi online, pelo site da entidade, e ocorreu nestes dias 12 e 13 de novembro.

Na simulação, o votante poderia optar por um candidato a presidente e outro a vice-presidente, entre todos os desembargadores inscritos para concorrer aos cargos da mesa diretora do Tribunal. Para presidente, o segundo mais votado foi o desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle Filho. Para vice-presidente, ocorreu um empate no segundo lugar, entre os desembargadores Arnóbio Alves Teodósio e Oswaldo Trigueiro do Valle Filho. Ao todo, foram computados 165 votos para presidente e 164 para vice-presidente, num universo de 270 juízes e juízas votantes.

Segundo a presidente da Associação dos Magistrados da Paraíba, a magistrada Maria Aparecida Sarmento Gadelha, o resultado será apresentado ao atual presidente do Tribunal de Justiça do Estado, des. Joás de Brito, nesta quarta-feira (14 de novembro), antes da eleição para escolha da nova mesa diretora do TJPB.

“Nosso objetivo é democratizar o Poder Judiciário. Para isso, queremos apresentar aos 19 desembargadores do TJPB que os juízes e juízas do 1º Grau de Jurisdição também querem e devem participar do processo de escolha daqueles que são responsáveis pela gestão do Tribunal paraibano. A escolha democrática e direta da mesa diretora do TJPB possibilitará uma administração mais direcionada aos anseios da magistratura e ao aperfeiçoamento do Poder Judiciário”, declarou Aparecida Gadelha.

Eleito democraticamente, Bolsonaro promete respeito à Constituição, mas ainda gera desconfiança

Capitão reformado do Exército promete governar para todos, mas eleva o tom contra a oposição

Jair Bolsonaro é eleito o 38° Presidente do Brasil – Redes SociaisO presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deu declarações, após a vitória, neste domingo (28), que sinalizam em dois sentidos. Um deles tranquiliza, o outro preocupa. Ele conquistou a vitória dentro dos parâmetros da normalidade democrática. Foi o mais votado nas eleições deste ano, criando as condições para que um militar chegasse ao poder depois de 33 anos da redemocratização do país. Após a vitória, fez dois discursos – um numa live e outro lido. No primeiro, ele se manteve no palanque e deu sinais de que não seguirá os ditames do estado laico e fez críticas aos adversários, chamados de comunistas. No segundo, foi mais polido e consiliador. Prometeu, entre outras coisas, respeitar a Constituição. Se o fizer, o conteúdo da live será irrelevante.

O Brasil vive uma crise sem precedentes desde o final das eleições de 2014. Naquele ano, Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) e o derrotado nas eleições não aceitou a derrota. A sequência disso, em um país extremamente dividido, foi uma crise política que agravou a crise econômica. A consequência é sentida até hoje. Por tudo isso, após a campanha, esperava-se uma sinalização mais firme em relação à busca de união. Lógico que houve promessa de governar para todos em discurso lido, mas ela precisaria ser mais enfática. Na live gravada após o resultado das urnas, houve frases de ataques à esquerda, como se ela fosse ameaça. Houve, portanto, a manutenção da rivalidade erigida durante a campanha, quando deveria haver distensão.

É bom lembrar que o cenário que se avizinha é de complexidade na economia e na política. Não é hora de procurar inimigos…

Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil. Confira trajetória e polêmicas

Candidato obteve sucesso eleitoral se colocando como oposição ao PT e ao ex-presidente Lula

Acompanhado de agentes da PF e da mulher, o candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, vota na Escola na Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, no Rio de Janeiro. Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, foi eleito neste domingo (28) com mais de 55% dos votos. O capitão reformado do Exército venceu o petista Fernando Haddad (PT), em disputa recheada de polêmicas e trocas de acusações. O militar da reserva passou boa parte da campanha em um hospital, por causa de um atentado. O novo governador, por causa disso, recusou participar dos debates em um primeiro momento por causa da recuperação da facada sofrida em Juiz de Fora (MG) e depois por questões extratégicas. Haddad substituiu o ex-presidente Lula na disputa eleitoral após o petista ser enquadrado na Lei Ficha Limpa e, por isso, ser impedido de disputar o cargo.

Desde o período pré-eleitoral, sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa, o mestre em saltos da brigada paraquedista do Exército liderou todas as pesquisas de intenções de voto para a Presidência da República. Ele venceu o primeiro turno, e conquistou a presidência no segundo turno com mais de 55% dos votos válidos.

Com apoio até de defensores da monarquia, o capitão da reserva, nascido em Campinas (SP) há 63 anos, fez uma campanha popular, que reuniu grandes grupos de simpatizantes nas ruas, mas também foi alvo de muitas críticas e contraofensivas.

Ocupando o espaço de principal rival do PT, Bolsonaro firmou-se como defensor de propostas que se enquadram no arco da extrema-direita e nunca se intimidou com os limites impostos pelo politicamente correto. Sua trajetória parlamentar é marcada pela virulência de seus discursos – que ele considera como livre opinião, protegida pela imunidade parlamentar.

Fez, por exemplo, declarações consideradas ofensivas e discriminatórias contra negros e quilombolas. Em 11 de setembro, o STF julgou Bolsonaro por acusação de racismo – inocentando-o por um placar de 3 a 2 na Primeira Turma. Publicamente, se opôs às ações afirmativas, como a adoção de cotas étnicas para o ensino superior.

Demonstrou também ser contrário às leis de proteção ao público LGBT. Como deputado, combateu sem trégua, em 2011, quando Fernando Haddad (PT) era ministro da Educação, o que chamou de “kit gay” – um material didático contra homofobia que seria distribuído pelo governo para as escolas públicas.

Bolsonaro sempre se insurgiu ainda contra a proteção que os direitos humanos conferem aos que estão sob custódia do Estado. Já disse ser a favor da pena de morte e contra o Estatuto do Desarmamento. Condena a descriminalização das drogas e quer que o cidadão comum possa se armar, em legítima defesa, contra ação de bandidos. Esse foi o seu principal recado aos eleitores na área de segurança.

Durante a campanha, seu discurso foi se tornando mais moderado. Teve inclusive que enviar carta ao STF para prestigiar a Corte depois que seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SL), apareceu em vídeo dizendo que “bastava um cabo e soldado para fechar o STF”. Jair Bolsonaro condenou a violência entre eleitores e conclamou os brasileiros à pacificação.

Mulheres
Com o sucesso de suas propostas e de sua pregação, Bolsonaro virou um fenômeno de massa, mas encontrou resistência, segundo demonstraram as pesquisas de opinião, no eleitorado feminino. Ele afirmou considerar questão de mercado a diferença salarial entre homens e mulheres – posição da qual mais tarde recuou.

O candidato já foi condenado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por apologia ao estupro. Em 2014, da tribuna da Câmara, ele disse à colega deputada Maria do Rosário (PT-RS) que ela não merecia ser estuprada. Ele recorreu e o caso aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Por causa dessa decisão do STJ, ele se elege como o primeiro presidente que é réu na Justiça.

Memória
Um fato rumoroso marca o início da vida pública de Bolsonaro. Em 1987, reportagem publicada pela revista Veja informou que havia um plano denominado “Beco Sem Saída” para explodir bombas em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), quartéis e locais estratégicos do Rio. O objetivo seria protestar contra os baixos salários. O então capitão publicara um artigo em que reivindicava a melhoria dos soldos – o que lhe rendeu, posteriormente, punição disciplinar.

Na ocasião, Bolsonaro foi identificado como fonte da reportagem, que exibia croquis feitos a mão supostamente pelo próprio militar. Ele negou as acusações, recorreu ao Superior Tribunal Militar (STM) e foi absolvido. Em 1988, foi para reserva. Já conhecido e identificado inicialmente como porta-voz de reivindicações militares, iniciou então a carreira política no Rio de Janeiro.

Com a pauta ampliada para segurança e temas “contra a ideologia esquerdista”, foi eleito sete vezes deputado federal, permanecendo quase três décadas no Congresso Nacional, período em que apresentou mais de 170 projetos, mas teve apenas dois aprovados. Foi o mais votado no Rio para a Câmara em 2014, obtendo 464 mil votos.

Corrida Presidencial
Na corrida ao Palácio do Planalto, o candidato teve dificuldade para ampliar alianças e negociar um nome para vice-presidente – cargo entregue ao polêmico general Mourão (PRTB), que trouxe consigo o apoio de alas da elite das Forças Armadas. Bolsonaro já negou várias vezes que tenha existido golpe militar e tortura política no Brasil.

Desde o início, ele apresentou o banqueiro Paulo Guedes como o fiador de seu programa econômico. Com o aumento de sua popularidade e a entrada de Guedes na campanha, cresceu também o apoio de setores empresariais e financeiros ao PSL. Fiel ao discurso anticorrupção, diz que vai combatê-la acabando com ministérios e estatais.

Casado três vezes, tem cinco filhos, dos quais três estão na vida política – Carlos é vereador no Rio, Flávio é deputado estadual no Rio e Eduardo é deputado federal por São Paulo. O PSL é o seu nono partido. À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 2,3 milhões.

Atentado
Com apenas oito segundos de propaganda eleitoral, o candidato e seus filhos, que costumam criticar a imprensa, usaram as redes sociais intensamente e terminaram acusados pelos adversários de liderarem a produção de fake news nessas eleições. Denúncia sobre o uso impulsionado de mensagens em aplicativos, supostamente pago por empresários pró-Bolsonaro, está sendo investigada pela Justiça Eleitoral. Pelas redes, detalharam até o estado de saúde de Bolsonaro quando esteve hospitalizado durante o primeiro turno, alvo de atentado a faca – algo que nunca aconteceu a presidenciáveis em campanha, após a redemocratização no Brasil. Ferido em 6 de setembro quando participava de ato público em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou 22 dias internado, recuperando-se de uma hemorragia e de duas cirurgias no intestino. Ele foi atacado pelo desempregado Adélio Bispo – que hoje é réu por “atentado pessoal por inconformismo político”. Nos últimos dias de campanha, Bolsonaro, que votou com colete à prova de bala e forte esquema de segurança, voltou a dizer que não acredita que Adélio agiu sozinho.

Com informações da Agência Brasil

 

 

Haddad pede voto sem ódio e diz que urna é para “depositar esperança”

Petista recebeu apoio de artistas e voltou a criticar o candidato do PSL na corrida eleitoral

Fernando Haddad participou neste sábado (27) de caminhada na capital paulista – Rovena Rosa/Agência Brasil

Em último ato de campanha antes da votação do segundo turno, o candidato do PT, Fernando Haddad, fez uma transmissão ao vivo pela rede Facebook em que respondeu perguntas de internautas, além de receber apoio de artistas, como o ator Wagner Moura, a cantora Daniela Mercury e a apresentadora Astrid Fontenelle.

Ao lado da esposa Ana Estela, Haddad falou sobre propostas do seu programa de governo, como reajustar o salário mínimo acima da inflação. Segundo o candidato, os pobres são os que mais sofrem com o aumento da inflação e o reajuste é necessário para recuperar o poder de consumo. “Jamais [o reajuste do salário mínimo] será abaixo da inflação”, disse, acrescentando que o aumento será feito, caso eleito, “com toda a responsabilidade”.

Haddad voltou a criticar a proposta do adversário Jair Bolsonaro de flexibilizar o porte de arma no país. Para o candidato do PT, “armar a população não vai resolver o problema” e defendeu que a Polícia Federal assuma responsabilidades nacionais, com remanejamento e aumento do efetivo, para que as polícias estaduais possam cuidar da segurança ostensiva nas ruas.

Ao final da transmissão, com duração de quatro horas, Haddad agradeceu o apoio de eleitores e da família e pediu que o eleitor vote com um livro na mão neste domingo (28). “Deixa o ódio pra lá. Urna é lugar de depositar esperança”, disse.

Da Agência Brasil

 

Datafolha: Bolsonaro recua para 56% e Haddad vai a 44% dos votos válidos

Considerando os votos totais, Jair Bolsonaro, do PSL, tem 48%, e Haddad, 38%.

Foto: Divulgação/TSE

A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (25), mostrou uma diferença menor entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). De acordo com a consulta, apenas 12 pontos percentuais separam os dois. Considerando os votos válidos, o capitão reformado do Exército tem 56%, enquanto que o petista aparece com 44%. O levantamento foi realizado nesta quarta-feira (24) e quinta-feira (25) e tem margem de erro de 2 pontos, para mais ou para menos. Ao todo, 9.173 eleitores foram ouvidos. No levantamento anterior, Bolsonaro tinha 59% e Haddad, 41%.

Para calcular os votos válidos, são excluídos da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

Nos votos totais, os resultados foram os seguintes:

Jair Bolsonaro (PSL): 48%
Fernando Haddad (PT): 38%
Em branco/nulo/nenhum: 8%
Não sabe: 6%

Rejeição

O Datafolha também levantou a rejeição dos candidatos. O instituto perguntou: “E entre estes candidatos a presidente, gostaria que você me dissesse se votaria com certeza, talvez votasse ou não votaria de jeito nenhum em”:

Os resultados foram:

Jair Bolsonaro

Votaria com certeza – 46%
Talvez votasse – 9%
Não votaria de jeito nenhum – 44%
Não sabe – 2%

Fernando Haddad

Votaria com certeza – 37%
Talvez votasse – 9%
Não votaria de jeito nenhum – 52%
Não sabe – 2%

Número dos candidatos

O Datafolha também perguntou “Qual número você vai digitar na urna eletrônica para confirmar/ anular seu voto para presidente?”. As respostas foram:

Jair Bolsonaro

Menções corretas – 94%
Não sabe o número do candidato – 5%
Menções incorretas – 1%

Fernando Haddad

Menções corretas – 93%
Não sabe o número do candidato – 6%
Menções incorretas – 1%

Decisão do voto

A pesquisa também apontou qual o grau de decisão em relação ao voto:

Jair Bolsonaro

Está totalmente decidido a votar em… – 94%
Seu voto ainda pode mudar – 6%

Fernando Haddad

Está totalmente decidido a votar em… – 91%
Seu voto ainda pode mudar – 9%

Sobre a pesquisa

Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
Entrevistados: 9.173 eleitores em 341 municípios
Quando a pesquisa foi feita: 24 e 25 de outubro
Registro no TSE: BR-05743/2018
Nível de confiança: 95%
Contratantes da pesquisa: TV Globo e “Folha de S.Paulo”
O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.

Com informações do G1