Presidente do PT diz que Ministério Público tem obsessão por Lula

Lula com Dilma durante solenidade em Monteiro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O presidente do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, Charliton Machado, reagiu nesta quinta-feira (23) à abertura da investigação do Ministério Público Federal para apurar suposto crime eleitoral praticado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Monteiro, no último domingo (19). Na oportunidade, o ex-gestor participou da “Inauguração Popular da Transposição”. Para o dirigente partidário, a medida mostra apenas que a Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) tem obsessão pelo ex-presidente.

“Eu vejo uma profunda obsessão política do Ministério Público e de setores da Justiça com o presidente Lula. Daqui a pouco, vão proibi-lo de andar pelo Brasil, porque se o presidente andar, vão ocorrer atos e declarações de voto. Isso é impossível de não acontecer. Um evento que você tem 100 mil pessoas e recebe uma pessoa como o presidente Lula, será impossível não ter manifestação de Lula 2018“, ressaltou Machado, que relativizou os discursos dos petistas com referências à disputa eleitoral.

“O próprio Lula chegou a dizer que não sabe nem se estará vivo em 2018”, acrescentou Charliton Machado, que prevê uma grande movimentação e mais manifestações de apoio ao ex-presidente durante o ato programado para acontecer no dia 31 deste mês, na Avenida Paulista, em São Paulo, que também contará com a presença de Lula. Para dar início à apuração, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) na Paraíba instaurou de ofício procedimento e coletou áudios e imagens do evento realizado em Monteiro.

Cassação de registro

O material foi reunido e encaminhado à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE), em Brasília, em virtude da atribuição para a análise ser da PGE. Em caso de condenação, poderá ser aplicada multa e, dependendo do caso, quando iniciado o processo eleitoral, em 2018, poderá haver representação por abuso de poder econômico com cassação de registro, mesmo por fatos cometidos em 2017. “A PRE na Paraíba está vigilante a todos os casos”, alertou o procurador regional eleitoral, Marcos Queiroga.

Durante o evento, o ex-presidente Lula fez referência à disputa eleitoral de 2018, dizendo que “queira Deus” que ele não seja candidato, porque se for, será para vencer as eleições. As referências a 2018 foram feitas também por outros políticos presentes, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Todos cobraram a paternidade das obras da transposição, atribuída a Lula.

Em relação à investigação, Charliton Machado apontou dois pesos e duas medidas na avaliação da Procuradoria Regional Eleitoral, em 2016. “Vimos ao longo da campanhacrimes que saltaram aos olhos e o Ministério Público Federal perdeu a oportunidade de apurar”, criticou. “O MPF tem que arranjar algo mais substantivo para se preocupar”, acrescentou o dirigente petista.

 

 

Como ‘estranho no ninho’, Ricardo impõe saia justa para Michel Temer

Monteiro (PB) – Presidente Michel Temer durante cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba (Beto Barata/PR)

Em meio a um campo minado, com pucos aliados por perto, o governador Ricardo Coutinho (PSB) fez um discurso efusivo de defesa dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, e ainda do ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PDT-CE), durante a inauguração das obras da transposição. A solenidade ocorreu nesta sexta-feira (10), em Monteiro, com a presença do presidente Michel Temer (PMDB). O discurso, não transmitido pela estatal NBR por problemas técnicos, foi no sentido contrário ao do seu desafeto político, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), e também de Temer, que se restringiu a classificar como elogiável o trabalho dos que vieram antes dele.

No caso de Cássio, ele elogiou desde o imperador Pedro II até os ex-ministros Cícero Lucena e Fernando Catão. Ambos se dedicaram ao projeto durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Não deixou, vale ressaltar, de citar as importâncias de Lula e Dilma, mas lembrou que a petista atrasou a obra. Ainda aliviou o pé nas críticas ao governo petista, atribuindo o atraso a fatos externos, para não melindrar o ministro da Integração Nacional durante o governo dela, o hoje senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que estava a poucos metros dele no palanque. Isso não o impediu de chamar de corrupto o governo que antecedeu Temer.

Manifestantes foram mantidos longe do palco. Foto: Josusmar Barbosa

Já Ricardo lembrou que Lula nasceu em Pernambuco, mas que sempre foi um parceiro da Paraíba. A Ciro também se referiu como um grande brasileiro e que lutou pela transposição. Lula e Ciro, vale ressaltar, são virtuais candidatos a presidente da República, em 2018. Sobre Dilma, ele lembrou que o governo dela foi responsável pelo pagamento de 70% da obra. Recordou também que o principal ator da transposição foi o povo nordestino. Entre os personagens, recordou do padre Djaci Brasileiro, que foi várias vezes a Brasília com a tradicional cruz de lata cobrar a retirada do projeto da transposição da gaveta.

Protesto

Do lado de fora, longe da solenidade, centenas de pessoas se espremeram nas barreiras de contenção, com cartazes em que se lia volta Lula e gritavam “Fora Temer”. Os gritos eram ouvidos em vários momentos do discurso e foram recepcionados pelo presidente Temer como manifestação e exemplo de democracia. Cássio Cunha Lima descreveu os manifestantes como “inocentes úteis”, sugerindo que eles foram mobilizados pela militância simpática ao ex-presidente.

Confira a agenda do presidente Temer na Paraíba nesta sexta

Michel Temer em recente visita à barragem de Jucazinho, em Surubim. Foto: Beto Barata

Uma verdadeira caravana de lideranças políticas está sendo mobilizada para a visita do presidente Michel Temer (PMDB), nesta sexta-feira (10). A agenda do presidente prevê a ida dele a Campina Grande e Monteiro, na Paraíba, e Sertânia, em Pernambuco, para assinaturas de ordem de serviços ou inauguração de obras. O palanque do gestor terá cores ecléticas, reunindo adversários e aliados.

Confira a agenda

08h30      Embarque para Campina Grande/PB

Local: Base Aérea de Brasília

11h30       Visita Complexo Multimodal Aluízio Campos e assinatura de Ordem de Serviço para Adequação de Capacidade da BR-230 –Trecho Cabedelo – Oitizeiro (João Pessoa)

Local: Campina Grande/PB

13h40       Cerimônia de Abertura da Comporta do Reservatório de Campos

Local: Sertânia/PE

14h50       Chegada à ZPH em Monteiro

Local: Monteiro/PB

14h55       Cerimônia de chegada das Águas do Rio São Francisco à Paraíba

Local: BR 412 – Monteiro/PB

 

Lula lidera em todos os cenários para a Presidência, revela pesquisa CNT/MDA

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todas os cenários para a disputa das eleições de 2018, segundo a pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta quarta-feira (15) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A consulta foi realizada em todo o país, entre os dias 8 e 11 deste mês. Na avaliação espontânea, Lula aparece com grande vantagem em relação aos demais postulantes, com 16,6% da preferência. A surpresa fica por conta do aparecimento do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) em segundo lugar, com 6,5%. O parlamentar, no entanto, cai para terceiro ou quarto colocado, dependendo do cenário na estimulada.

Confira os cenários

1º turno: Intenção de voto espontânea

Lula: 16,6%
Jair Bolsonaro: 6,5%
Aécio Neves: 2,2%
Marina Silva: 1,8%
Michel Temer: 1,1%
Dilma Rousseff: 0,9%
Geraldo Alckmin: 0,7%
Ciro Gomes: 0,4%
Outros: 2,0%
Branco/Nulo: 10,7%
Indecisos: 57,1%

1º turno: Intenção de voto estimulada

CENÁRIO 1: Lula 30,5%, Marina Silva 11,8%, Jair Bolsonaro 11,3%, Aécio Neves 10,1%, Ciro Gomes 5,0%, Michel Temer 3,7%, Branco/Nulo 16,3%, Indecisos 11,3%

CENÁRIO 2: Lula 31,8%, Marina Silva 12,1%, Jair Bolsonaro 11,7%, Geraldo Alckmin 9,1%, Ciro Gomes 5,3%, Josué Alencar 1,0%, Branco/Nulo 17,1%, Indecisos 11,9%

CENÁRIO 3: Lula 32,8%, Marina Silva 13,9%, Aécio Neves 12,1%, Jair Bolsonaro 12,0%, Branco/Nulo 18,6%, Indecisos 10,6%

2º turno: Intenção de voto estimulada

CENÁRIO 1: Lula 39,7%, Aécio Neves 27,5%, Branco/Nulo: 25,5%,
Indecisos: 7,3%

CENÁRIO 2: Aécio Neves 34,1%, Michel Temer 13,1%, Branco/Nulo: 39,9%,
Indecisos: 12,9%

CENÁRIO 3: Aécio Neves 28,6%, Marina Silva, 28,3%, Branco/Nulo: 31,9%,
Indecisos: 11,2%

CENÁRIO 4: Lula 42,9%, Michel Temer 19,0%, Branco/Nulo: 29,3%,
Indecisos: 8,8%

CENÁRIO 5: Marina Silva 34,4%, Michel Temer 16,8%, Branco/Nulo: 35,2%,
Indecisos: 13,6%

CENÁRIO 6: Lula 38,9%, Marina Silva 27,4%, Branco/Nulo: 25,9%,
Indecisos: 7,8%

 

PP tenta emplacar Aguinaldo Ribeiro na CCJ da Câmara

Depois de ver fracassado na tentativa de emplacar Jovair Arantes (PTB) na presidência da Câmara dos Deputados, os partidos que formam o centrão agora se movimentam para levar o deputado paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O bloco, considerado vital por Michel Temer (PMDB) no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foi minado pelo Planalto, que temia se tornar refém do grupo. A CCJ, neste caso, viria como um prêmio de consolação.

Vale lembrar que a comissão é a principal da Casa e passará por ela, neste ano, todas as matérias consideradas importantes pelo governo federal. Ribeiro é um dos citados nas delações da operação Lava Jato, mas isso não pode figurar como impedimento depois que o governo federal bancou a escolha de Edison Lobão (PMDB-MA) para a CCJ do Senado. O paraibano também chegou a ser especulado para o cargo de ministro da Saúde, para o lugar de Ricardo Barros, mas a indicação não foi adiante.

Rodrigo Maia é reeleito, Bolsonaro dá vexame e Rômulo fica com a 4ª Secretaria

Rodrigo Maia discursa para os colegas durante sessão. Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito nesta quinta-feira (2) para um novo mandato à frente da Câmara dos Deputados. Ele teve o nome sacramentado com 293 votos, seguido de Jovair Arantes (PTB-GO), com 105 votos; André Figueiredo (PDT-CE), com 59; Júlio Delgado (PSB-MG), com 28 votos, e Luiza Erundina (Pson-SP), com 10. O “badalado” e polêmico deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato a presidente da República em 2018, completou a lista de postulantes com inexpressivos 4 votos (certamente o dele, o do filho, Eduardo, e outros dois).

 

Foto: Reprodução/TV Câmara

Foram registrados cinco votos em branco. Com o resultado, Maia permanece no comando da Casa até o final de 2018. A eleição confirmou o favoritismo do democrata que contava com o apoio do Palácio do Planalto. Apoiado por um bloco formado por 13 partidos, ele também contou com o apoio do PCdoB para a sua eleição, apesar da legenda ter formado um bloco com o PT e o PDT, que apoiaram a eleição de André Figueiredo (PDT-CE).

Foto: Reprodução/TV Câmara

O deputado federal paraibano Rômulo Gouveia (PSD) foi eleito para a quarta secretaria. O cargo é responsável, entre outras coisas, pela concessão de auxílio moradia para os parlamentares. Durante entrevista à CBN João Pessoa, na manhã desta quinta-feira, o parlamentar demonstrou otimismo em relação à eleição. Ele conquistou 433 votos no pleito.

Discursos

Antes da eleição, os candidatos ocuparam a tribuna para apresentar suas propostas. Primeiro candidato a falar, Maia começou seu discurso mostrando solidariedade à família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela morte cerebral da ex-primeira dama Marisa Letícia, decretada na manhã desta quinta.

Na oportunidade, ele criticou a judicialização do processo de escolha da Mesa Diretora da Casa. A candidatura de Maia foi alvo de quatro ações no Supremo Tribunal Federal que questionavam sua legalidade. “Muito se fala em fortalecimento da nossa Casa, muito se fala em fortalecimento da Câmara, mas mais uma vez o ator principal da nossa eleição foi o poder Judiciário e, por incrível que pareça, por decisão dos próprios políticos. Essa é uma decisão que vem enfraquecendo a nossa casa”, disse Maia.

Segundo Maia, para que país saia da crise, é preciso que se discuta o pacto federativo, para aliviar o caixa dos estados e municípios. O candidato também defendeu as reformas Trabalhista e Previdenciária. Maia presidiu a Câmara por sete meses, em substituição ao ex-deputado Eduardo Cunha. Durante sua gestão, manteve boa relação com o Poder Executivo. Para ele, não só a independência dos Poderes é importante, mas também a harmonia entre eles.

Em seguida, foi a vez de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ocupar a tribuna. O candidato disse que o Brasil vive uma crise entre os três Poderes e que a eleição do novo presidente precisa resgatar a credibilidade da Casa. “Hoje temos um Câmara que não cria lei, que não fiscaliza, que não representa os anseios do povo. O pode Legislativo se apresenta subserviente ao Executivo e ao Judiciário”, disse Bolsonaro em seu discurso.

Jovair Arantes (PTB-GO) discursou na sequência e dedicou boa parte de sua fala para tratar do funcionamento da Câmara. Ele defendeu rodízio “rigoroso” nas presidências e relatorias de comissões, dando “protagonismo aos deputados dos mais variados cantos do Brasil”. Arantes também defendeu que as sessões deliberativas terminem antes das 21h. “Aqui não é boate para funcionar à noite”, disse.

Candidato avulso pelo PSB, Júlio Delgado (MG) foi o quarto a ocupar a tribuna e criticou a candidatura de Maia à reeleição. Delgado leu trechos da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello que liberou a candidatura de Maia, mas determinou que ele se pronuncie a respeito dos questionamentos sobre a ilegalidade de sua candidatura.

Maia assumiu o cargo em julho passado, após a renúncia de Cunha. Na avaliação de Delgado, o candidato fluminense faltou com a palavra de cumprir apenas o mandato-tampão e não tentar se reeleger. “Corremos o risco de abrir um precedente perigoso com a eleição de um candidato sub judice que pode trazer consequências para este Parlamento. A instabilidade política e institucional volta a pairar nesse momento perigoso”, disse Delgado.

André Figueiredo (PDT-CE), candidato da oposição, começou o seu discurso criticando o que chamou de subserviência do Legislativo ao poder Executivo. “Há dois caminhos a seguir nesta eleição: o primeiro, da subserviência, de a Câmara estar sempre atrelada ao Poder Executivo; o segundo, de abertura da Casa para a discussão de temas encaminhados não só pelo Executivo, como pela população brasileira e pelos próprios parlamentares”, disse Figueiredo que defendeu que o parlamento seja mais permeável às demandas da sociedade.

“Queremos resgatar o que a Casa já foi. O presidente da Câmara não pode ser instrumento de chantagem do Poder Executivo, como foi há pouco tempo, ou mero carimbador da vontade do Executivo, como está sendo agora”, disse.

Última a se pronunciar, a deputada Luiza Erundina (Psol-SP) disse que o parlamento tem que respeitar as manifestações populares que ocorrem dentro da Casa e querem ser ouvidas pelos deputados. Ela cobrou igualdade de gênero e raça. “Precisamos abrir a Câmara a temas como a igualdade de gênero e raça””, disse. Erundina também defendeu a reforma política e cobrou o cumprimento do Regimento Interno e respeito às posições da Maioria da Minoria.

Mesa Diretora

Neste momento, o presidente eleito Maia conduz a eleição para os demais cargos da Mesa Diretora. Antes do início da votação, o líder do PSDB Ricardo Tripoli (SP) informou que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) retirou candidatura para o cargo de segundo secretário, deixando o caminho aberto para Mariana Carvalho (PSDB-RO) vai ficar com a vaga.

Quem também tenta construir unidade é o PMDB. O partido estava dividido em torno da disputa para a primeira vice-presidência. Mas o líder da legenda, Baleia Rossi (SP), disse que Jose Priante (PMDB-PA) desistiu da candidatura atendendo aos apelos do presidente da República, Michel Temer, pela unidade do partido. Com isso, a legenda vai apoiar o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), candidato oficial. Ainda seguem na disputa Osmar Serraglio (PMDB-RS) e Fábio Ramalho (PMDB-MG).

Para a segunda vice-presidência estão concorrendo André Fufuca (PEN-MA) e Eduardo da Fonte (PP-PE). A disputa também ocorre para o cargo e 3º secretário no qual concorrem João Fernando Coutinho (PSDB-PE) e o deputado JHC (PSB-AL).

Com informações da Agência Brasil

 

Gervásio refaz caminho do pai, mas ainda vai penar para se igualhar ao avô

Foto: Rizemberg Felipe

O deputado estadual Gervásio Maia Filho (PSB) assume nesta quarta-feira (1°) o comando da Assembleia Legislativa, refazendo o caminho do pai, também Gervásio Maia, que comandou a Casa entre os anos de 2001 e 2003. Sem dúvida, um importante passo político do parlamentar, mas ainda muito distante do seu objetivo principal: chegar no mesmo posto alcançado pelo avô, João Agripino (1966-1971). Para isso, como se diz no interior, terá ainda que “comer muita farinha”. O parlamentar assume o cargo com ares de preferido do governador Ricardo Coutinho (PSB) para a disputa do Executivo, em 2018, e tem feito por onde merecer a deferência do “chefe”. Maia tomou a frente das principais articulações para atrair prefeitos eleitos por outras siglas para as fileiras do PSB e tem feito a defesa do partido.

Ricardo não esconde de ninguém o apreço pelo neossocialista, importado das fileiras do PMDB. O governador sabe que terá dificuldades para fazer um sucessor, até por que os principais nomes entre os potenciais candidatos ao governo se agrupam nas fileiras da oposição. Integram a lista o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), e o senador José Maranhão (PMDB) – todos ex-aliados e atuais desafetos de Ricardo Coutinho. Mas é bom lembrar que a Paraíba, em seus registros históricos, tem um cemitério cheio de candidatos que se lançaram em disputas achando que estavam eleitos. Que o digam os ex-adversários e hoje aliados Cássio Cunha Lima e José Maranhão, ambos derrotados pelo governador socialista.

Derrotas

A fama de imbatível de Ricardo Coutinho, no entanto, acaba sempre que ele se coloca como transferidor de votos. Talvez pela insistência de a propaganda eleitoral para beneficiar os aliados focarem muito mais o gestor socialista que as suas crias políticas. Outro ponto que poderá complicar a vida de Gervásio Maia, lógico, é o terreno movediço que se forma para a sucessão. O governador tem agido para fragmentar a oposição, principalmente o PMDB, que padece da falta de renovação com fôlego para voos estaduais, mas terá que exorcizar os fantasmas na sua própria base. A deputada Estela Bezerra (PSB), por exemplo, não fica à vontade vendo o crescimento de Maia. Mas a bomba relógio pode estar nas mãos da vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT).

Lígia é vista com desconfiança pelo coletivo, ligado a Coutinho, mas será a governadora a partir de abril de 2018, quando o atual gestor deve se afastar do cargo para a provável disputa por uma vaga no Senado. Sem fazer conta disso, Maia tem feito a parte dele, evitando temas espinhosos, como a construção da nova sede da Assembleia Legislativa. Promete colocar mais de 100 prefeitos na sua solenidade de posse, além de deputados e do governador. Terá dois anos à frente no Legislativo para tentar construir um caminho rumo a 2018 mais sólido que a fracassada tentativa do seu antecessor, Adriano Galdino (PSB), no ano passado, quando disputou a prefeitura de Campina Grande e ficou em um constrangedor quarto lugar.

Histórico

De acordo com a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa, Gervásio Filho será o 60° presidente da Casa em 182 anos da sua existência. Nascido em abril de 1975 e advogado por formação, ele é casado com a também advogada Manuela Maia. Filho do ex-deputado Gervásio Bonavides Mariz Maia e neto do ex-governador da Paraíba, João Agripino Filho. A primeira experiência política de Gervásio Maia foi no ano de 2002, quando foi eleito deputado estadual pelo PMDB com 26.152 votos. Atualmente exerce o quarto mandato de deputado estadual e integra a Comissão de Constituição, Justiça e Redação e Comissão de Administração, Serviços Públicos e Segurança na Assembleia Legislativa da Paraíba.

 

Alckmin faz “agrado” a Paraíba e Pernambuco focando PSB e eleições de 2018

Governador Geraldo Alckmin assina termo para ceder bombas para a transposição. Foto: Ciete Silvério

Não é muito difícil fazer prognósticos sobre o futuro das lideranças políticas. Basta, para isso, levar em consideração que todos, independente da cor partidária, buscam no fim do filme apenas a sobrevivência. O gesto do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de emprestar os quatro conjuntos de motobombas usadas durante a maior seca da história do Estado do Sudeste para acelerar a chegada da água da transposição em Pernambuco e na Paraíba vai neste sentido. É a sinalização de um um gestor com pretensões presidenciais e que poderá se filiar ao PSB para a disputa.

Sem espaço dentro do PSDB para a eleição presidencial, já que o senador mineiro Aécio Neves dá as cartas no partido, não restará outra alternativa a Alckmin que não seja a troca do tucano pela pomba (símbolos do PSDB e do PSB, respectivamente). O “favor” prestado a pernambucanos e paraibanos tem sentido. Os governadores dos dois estados, Paulo Câmara, de Pernambuco, e Ricardo Coutinho, da Paraíba, são militantes do PSB, partido também do vice-governador de São Paulo, Márcio França. Para juntar ainda mais a fome com a vontade de comer, a sigla está sem liderança nacional desde a morte de Eduardo Campos.

Outra liderança de ponta, a ex-ministra Marina Silva, militou nas fileiras do partido apenas enquanto esperava a Rede ser criada. O partido, que vinha crescendo em força, de olho na Presidência da República, acabou surpreendida pelo vácuo de lideranças. E, neste quesito, Alckmin pode ser a solução. A vinda das bombas que captavam a água no Cantareira vai antecipar a chegada da água à Paraíba em 25 dias, segundo projeções do Ministério da Integração Nacional. A medida, certamente, trará dividendos para o tucano.

Ricardo Coutinho

A solenidade em São Paulo, para a assinatura da concessão das motobombas, contou com a participação da vice-governadora Lígia Feliciano (PDT). A ascensão de Alckmin como possível presidenciável pelo PSB tem causado descontentamento em alguns dos aliados do governador Ricardo Coutinho, afeitos à ideia de que o socialista poderia ser o candidato do partido em 2018. O quadro, no entanto, se reveste de grande grau de improbabilidade pelo fato de o gestor paraibano ser desconhecido nacionalmente. Apesar da popularidade adquirida na Paraíba, ela vai pouco além da ponte de Goiana (PE).

Veja como era o mundo quando Durval se tornou presidente da Câmara pela 1ª vez

Durval Ferreira durante sessão na Câmara. Crédito: Olenildo Nascimento

O presidente da Câmara de Vereadores de João Pessoa, Durval Ferreira (PP), comunicou nesta quinta-feira (22) a sua saída da disputa pela reeleição, abrindo caminho para que o também governista Marcos Vinícius (PSDB) construa as condições para uma chapa de consenso na Casa. Ferreira deixa o cargo após 10 anos no comando dos destinos do Legislativo pessoense. Neste período, conviveu com as mais variadas cores partidárias à frente do Executivo. Em sequência, os prefeitos “parceiros” foram Ricardo Coutinho (PSB), Luciano Agra (já falecido) e, finalmente, Luciano Cartaxo (PSD).

A permanência de Durval Ferreira no cargo foi tão longeva que, neste período, o mundo, a informática, a política e a cultura e a ciência passaram por grandes transformações. Veja alguns dos fatos que marcaram o planeta no primeiro ano de mandato do pepista à frente da Câmara de João Pessoa:

1. Lula assume o segundo mandato na presidência do país

Enquanto os vereadores de João Pessoa escolhiam Durval Ferreira para presidente da Câmara de João Pessoa pela primeira vez, o presidente reeleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assumia o cargo para um novo mandato.

2. Outra configuração política no mundo

George W. Bush era o presidente dos Estados Unidos, enquanto que Hugo Chavez estava reassumindo o mandato na Venezuela; Cristina Kirchner, na Argentina, e Nicolas Sarkozy, na França.

3. Cássio Cunha Lima foi cassado pela primeira vez

O então governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), que assumiu o mandato no mesmo dia em que Durval Ferreira foi eleito, foi cassado pela primeira vez no mês de agosto, em julgamento no Tribunal Regional Eleitoral.

4. Após escândalo com Renan Calheiros, a jornalista Mônica Veloso posou para a Playboy

Estourava em Brasília o escândalo envolvendo o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). a jornalista Mônica Veloso revelou que tinha uma filha com o parlamentar e que ele usava dinheiro de propina para pagar a pensão. Mônica posou para a Playboy em 2007.

5. O Orkut era a rede social do momento

O finado Orkut era a coqueluche de um período em que praticamente não se ouvia falar em Facebook. Naquele ano, o Second Live começou a embicar na proposta de rede social.

6. Lançamento do iPhone

O iPhone começou a ser vendido nos Estados Unidos, causando uma verdadeira revolução no mundo da telefonia. A revista “Time” o elegeu depois como “invenção do ano”.

6. Separação de Sandy e Júnior

A já ex-dupla teen anunciou a separação depois de 17 anos de carreira. Eles fizeram cerca de 40 shows pelo Brasil para se despedir dos fãs.

7. A Globo exibia a novela Paraíso Tropical

A novela “Paraíso Tropical”, de Gilberto Brago e Ricardo Linhares, começou a passar na Globo. Ela tinha no elenco Camila Pitanga no papel da prostituta Bebel e de Wagner Moura como o vilão Olavo.

8. Tropa de Elite ganhava as telas, depois de “vazar” para os camelôs

O filme Tropa de Elite, primeiro longa de ficção do diretor José Padilha, estréia, com sucesso, no Rio e São Paulo.

 

9. O papa Bento 16

O papa Bento 16 veio ao Brasil para canonizar o frei franciscano Antônio de Sant’Anna Galvão, o frei Galvão. Ele celebrou missa no Campo de Marte (zona norte de São Paulo) para 1,2 milhão de fiéis.

 

10. São Paulo é campeão Brasileiro

O São Paulo conquistou o quinto título brasileiro, o que causou a polêmica da Taça das Bolinhas.

Joás de Brito é eleito presidente do TJ em disputa tumultuada

Joás de Brito (C), ao lado de João Benedito e José Aurélio da Cruz. Foto: Angélica Nunes

O desembargador Joás de Brito Pereira Filho foi eleito nesta quinta-feira (22) presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba em uma disputa que ganhou notoriedade pelo racha interno. Ele conquistou dez votos e houve a abstenção do desembargador Romero Marcelo. Apenas 11 dos 19 magistrados que compõem a corte estavam presentes. O vice eleito foi João Benedito da Silva e José Aurélio da Cruz ficou com o carto de corregedor. A disputa ocorreu depois de a corte derrubar a liminar concedida pela desembargadora Maria das Graças Moraes Guedes, que havia atendido mandado de segurança impetrado pelo desembargador Fred Coutinho. O magistrado pedia o adiamento da eleição.

A disputa pela presidência do Tribunal de Justiça foi pródiga em pendengas judiciais, com direito a liminares para todos os gostos. A primeira foi concedida na semana passada pelo ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Teori Zavascki, em atendimento a uma reclamação formulada pelo desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos. Ele pediu o cancelamento da eleição ocorrida no dia 16 de novembro e que escolheu João Alves para o comando da corte para o próximo biênio.

Zavascki acatou os argumentos de Márcio Murilo, de que deveria ser respeitado o artigo 102 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que estabelece a antiguidade como o critério a ser seguido para a definição dos candidatos a presidente do Tribunal de Justiça. Com base nisso, o atual presidente, Marcos Cavalcanti, convocou na última segunda-feira (19) as eleições para presidente da corte, a ser realizada nesta quinta-feira (22). Só que na quarta, tanto Fred Coutinho quanto outro integrante da chapa, Saulo Benevides, judicializaram a questão.

Fred Coutinho entrou com o mandado de segurança julgado nesta quinta pela desembargadora Maria das Graças, que estava de plantão. A corte entendeu que ela não poderia ter concedido a liminar por causa uma exceção de impedimento movida pelo desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos. O magistrado entendia que ela não poderia julgar o caso pelo fato de ser parte interessada. Ramos constava na lista de candidatos, mas abriu mão da disputa para apoiar Joás de Brito.

Também na quarta-feira, foi julgado o pedido de providências contra a realização da nova eleição, formulado pelo desembargador Saulo Henrique de Sá e Benevides. O caso foi apreciado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão de manter a data da nova eleição ocorreu após o conselheiro Bruno Ronchetti de Castro decidir não reconhecer Pedido de Providências, com pedido de liminar, formulado pelo desembargador Saulo Henrique de Sá e Benevides. Ele contestava ato do presidente da Corte de Justiça, desembargador Marcos Cavalcanti, que convocou os desembargadores da Corte para participarem de sessão extraordinária destinada à escolha dos novos membros da mesa diretora do TJPB, biênio 2017/2018, a ser realizada no dia 22 de dezembro de 2016.

Histórico

A reclamação acatada por Teori Zavascki contesta a regra adotada nas duas últimas eleições para o comando da casa, baseada no voto direto e não mais pelo critério de antiguidade. Com a decisão, a atual mesa terá a sua vigência prolongada e convocará novas eleições. As regras valem até o julgamento do mérito da ação, que poderá manter ou não a suspensão do pleito.

Na disputa ocorrida no dia 16, foram eleitos para o comando da corte os desembargadores João Alves (presidente), Leandro dos Santos (vice-presidente) e José Aurélio da Cruz (Corregedor). Na reclamação, Márcio Murilo alega o TJPB tem apenas três cargos de direção (Presidente, Vice­Presidente e CorregedorGeral), por isso, na linha de jurisprudência sufragada pelo Supremo, somente os três desembargadores mais antigos e
desimpedidos é que poderiam concorrer a esses cargos.

Votos pró-Joás de Brito

João Benedito da Silva
Carlos Martins Beltrão Filho
José Aurélio da Cruz
Marcos Cavalcanti de Albuquerque
Luiz Silvio Ramalho Júnior
Abraham Lincoln da Cunha Ramos
Márcio Murilo da Cunha Ramos
Joás de Brito Pereira Filho
Maria das Neves do Egito de Araújo Duda Ferreira
Arnóbio Alves Teodósio

Abstenção
Romero Marcelo da Fonseca Oliveira

Com informações de Angélica Nunes, do jornaldaparaiba.com.br