PPS define pré-candidatura em Campina Grande e bota João Pessoa na geladeira

Pela lógica, a situação de João Pessoa deveria estar definida no raio de alianças do PPS. O partido tem três vereadores na Câmara (Marco Antônio, Bruno Farias e Djanilson da Fonseca) que integram a base do prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Além disso, o vice-prefeito é Nonato Bandeira, que, por um acaso, é presidente estadual da sigla. Mero engano. O partido reúne nesta segunda-feira (23), em Campina Grande, a partir das 10h, 128 virtuais candidatos a prefeitos ou vice-prefeitos, mas João Pessoa está fora da conta.

O evento vai ser comandado pelo presidente nacional da sigla, Roberto Freire, e marcará o lançamento da pré-candidatura do empresário Arthur Bolinha a prefeito de Campina Grande. Nonato não dá pistas sólidas sobre a situação de João Pessoa. Tem conversado com o PSB do ex-desafeto e ex-aliado governador Ricardo Coutinho. O socialista quer lançar o secretário de Infraestrutura, João Azevedo, para prefeito da capital.

Nonato também conversa com o PMDB do deputado federal Manoel Júnior. Os dois estavam na base de sustentação da candidatura do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) ao governo do Estado, no ano passado. Em relação ao PSD do prefeito Luciano Cartaxo, a conversa é difícil. O fato de Bandeira ter sido escanteado durante a gestão do ex-petista fica claro nas declarações do pós-comunista como impeditivo. Ele disse que as discussões ficam para janeiro.

De forma discreta, inclusive, não é raro ver críticas do vice-prefeito ao titular. Nesta segunda-feira, por exemplo, ele criticou o número excessivo de trocas de secretários. Lembrou que só na Saúde, antes de se chegar a Aleuda Nágila, foram três outros profissionais no comando da pasta. “Se fosse pedida a minha opinião, diria não, porque eu sou mais prudente”, alfinetou. Ou seja, o jogo está aberto, mas todos sabem com quem o PPS não fica na capital.

Staff de Coutinho não vai transformar João Azevedo no pai das ações do governo

Os principais entusiastas da pré-candidatura do secretário de Infraestrutura, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Estado, João Azevedo (PSB), a prefeito de João Pessoa fecharam questão em torno da visibilidade a ser dada ao postulante. Um dos quesitos principais é que ele não será um “ministro” do governo em João Pessoa, apesar da associação inevitável por causa da candidatura posta pelo PSB.

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Isso põe por terra as pretensões de parte do partido de colocar o secretário na linha de frente de todos os eventos do governo do Estado em João Pessoa. Um auxiliar próximo a Ricardo Coutinho explicou ao blog que o conceito a ser vendido é o de bom gestor, mas não ocupando o lugar do governador especificamente em João Pessoa. “João Azevedo aparecerá nos eventos de João Pessoa, de Cajazeiras, de todo o Estado”, explicou.

O caminho para se tornar conhecido, pelo menos no discurso do governo, será através das plenárias e do “trabalho duro da militância”. João Azevedo venceu a disputa interna contra a deputada estadual Estela Bezerra, que nutria o desejo de uma revanche contra o prefeito Luciano Cartaxo (PSD) na disputa da reeleição. A leitura de vários socialistas é a de que ela já foi testada nas urnas e ficou em terceiro lugar, portanto, fora do segundo turno.

Um exemplo de que a agenda de João Azevedo não será potencializada é o Fórum de Governança da Internet. Apesar de ser o titular da pasta, quem tem tomado a frente das entrevistas é a secretária executiva da Ciência e Tecnologia, Francilene Procópio. Isso pelo menos por enquanto, já que o evento se estende até o dia 13. Difícil é imaginar que a premissa será mantida à medida que se aproximar as eleições.

Prefeitura “lava as mãos” sobre ostentação de Marmuthe Cavalcanti

A Prefeitura de João Pessoa enviou nota ao blog com algumas observações em relação ao fato de o vereador Marmuthe Cavalcanti ter guardado equipamentos públicos em sua casa e, o mais grave, ter feito propaganda nas redes sociais de que seriam um  presente dele e do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) para o bairro do Valentina Figueiredo, seu reduto político. De saída, a nota diz que “bens públicos não podem, em momento algum, ter tratamento de caráter privado”.

Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

Foto: Olenildo Nascimento/CMJP

A nota esclarece também que a prefeitura não autorizou nem orientou a empresa responsável pela instalação dos equipamentos de ginástica destinados às praças Soares Madruga e Anaíde Beiriz a guarda-los na casa de terceiros, sendo vereador ou não. “Os equipamentos são fruto de contrapartida social e, desta forma, a responsabilidade seria cobrada da empresa, caso houvesse qualquer dano ou extravio dos mesmos”, diz a nota.

Só recapitulando o ocorrido, a polêmica surgiu quando o vereador Marmuthe Cavalcanti usou as redes sociais para mostrar que estava guardando em sua casa os equipamentos de educação física que seriam um presente dele e do prefeito para o bairro onde mantém seu reduto político. Mais tarde, justificou que guardou os equipamentos porque ao chegar para instalá-los a empresa não encontrou as bases prontas nas duas praças para que eles fossem parafusados.

Ato contínuo, de forma altruísta, o vereador ofereceu a casa para servir de abrigo aos equipamentos, que foram instalados no dia seguinte, 24 de outubro, véspera do aniversário do bairro. Foi quando ele teve a brilhante ideia de alardear o presente para o Valentina. O pior é que além de se apropriar do público como privado, o vereador ainda foi o responsável pela divisão dos equipamentos que, após serem pensados para uma praça, foram divididos para duas, para que ele pudesse posar de benfeitor.

Vale a observação de um amigo para o caso: “Só faltou citar a célebre frase do Barão de Itararé: não faça na vida pública o que você faz na privada”.

PSB vai ressuscitar conselho político para discutir eleição em João Pessoa

O PSB do governador Ricardo Coutinho vai ressuscitar o conselho político para discutir a disputa eleitoral em João Pessoa. O partido oficializou o desejo de disputar a prefeitura da capital desde que o atual prefeito e ex-aliado Luciano Cartaxo decidiu trocar o PT pelo PSD, há duas semanas. A sigla socialista entendeu o movimento como rompimento de aliança, já que os pessedistas são vistos como oposição ao governo do Estado. As discussões em torno da formação do conselho ocorrerão no início do próximo ano.

O presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, explicou que pelo menos dez partidos já integram o arco de alianças da sigla socialista com vistas às eleições do próximo ano. A lista é composta principalmente pelos partidos que dão sustentação ao governo socialista. É bom lembrar que o conselho político não é a única instância para a definição do candidato socialista à prefeitura da capital, já que o partido decidiu realizar plenárias para isso. O nome mais forte é o do secretário de Recursos Hídricos, João Azevedo, mas a deputada estadual Estela Bezerra não está descartada.

O artifício do conselho político foi usado pelo hoje governador Ricardo Coutinho quando ainda definia o vice para a disputa da reeleição em João Pessoa, em 2008. Na época, PMDB e PT se engalfinharam para indicar o vice, mas na hora da definição valeu a palavra de Ricardo, que optou pelo nome do ex-prefeito Luciano Agra, falecido no ano passado. Os desentendimentos resultantes do debate fizeram o então vice, Manoel Júnior, assumir uma postura de oposição em relação ao hoje governador.

Bruno Farias aceita desafio e coloca cargos à disposição de Luciano Cartaxo

O vereador de João Pessoa, Bruno Farias (PPS), anunciou na noite desta terça-feira (19) que está colocando à disposição do prefeito Luciano Cartaxo (PT) os cargos de sua indicação no governo municipal. A decisão do parlamentar aconteceu horas depois de um colega de bancada, na Câmara Municipal, ter lançado o desafio de que ele entregasse os cargos que tem governo para que a economia da folha fosse revertida em convênios destinados ao turismo.

Foto: Divulgação/CMJP

Foto: Divulgação/CMJP

Informações extraoficiais indicam que os funcionários do Executivo indicados pelo vereador, um dos primeiros a apoiar a eleição do prefeito, em 2012, custam ao erário cerca de R$ 700 mil por ano. Ao blog, Bruno Farias falou que aguarda uma posição do prefeito. “Se ele exonerar, terá dado o recado”, disse, fazendo referência ao sinal esperado para decidir se fica na base governista ou adere à oposição.

Bruno Farias era secretário de Turismo de João Pessoa até a semana passada, quando, na sexta-feira, teve uma reunião com o prefeito Luciano Cartaxo. O pós-comunista diz ter entregue o cargo, enquanto o secretário de Articulação Política, Adalberto Fulgêncio, diz que ele foi exonerado por ter “traído a confiança do prefeito” no momento em que tornou público os cortes no orçamento da Setur. Bruno alega que não poderia ficar em uma pasta onde não pudesse desenvolver um bom trabalho.

O vereador tem convite da oposição, hoje composta por três parlamentares (Lucas de Brito, Raoni Mendes e Renato Martins). Ao que tudo indica, não haverá outro destino.

Aliado desafia Bruno Farias a entregar cargos para financiar o turismo

A promessa de defender o turismo de João Pessoa e os pleitos do trade, na tribuna da Câmara de João Pessoa, feita pelo vereador Bruno Farias (PPS), foi ironizada por um colega de bancada, na manhã desta terça-feira (19). O parlamentar, após pedir reserva, disse que, ao invés de discurso, o Bruno poderia adotar uma postura mais altruísta e abrir mão de todos os cargos indicados na prefeitura, para que o dinheiro seja revertido em convênios com o trade.

A soma do custo Bruno Farias, acreditem, não é baixa e poderia, sim, incrementar os investimentos no turismo da capital. Afinal, os cargos indicados por ele representam mais de R$ 50 mil por mês, o que daria perto de R$ 700 mil por ano. “O desafio está lançado”, disse o parlamentar. O pós-comunista ocupava a pasta do Turismo até a sexta-feira da semana passada, quando, após reunião com o prefeito Luciano Cartaxo (PT), foi comunicado de que não permaneceria na pasta.

Bruno retomou o mandato nesta terça-feira na Câmara de João Pessoa, fazendo com que Eduardo Carneiro (PPS) retornasse para a suplência. O clima de descontentamento entre Bruno Farias e o prefeito Luciano Cartaxo teve início há um mês, quando tomou conhecimento de que haveria cortes no orçamento para a pasta comandada por ele. Os petistas não gostaram de ver o tema ser tratado em público. Menos ainda das declarações de que Cartaxo foi desleal ao exonerá-lo.

Manoel Júnior convicto de um lado, Gervásio Maia no papel de traído do outro

O cálculo do deputado estadual Gervásio Maia era simples: existia um acordo, o mandato do deputado federal Manoel Júnior acaba em 14 de julho, transcorrido o primeiro biênio, e ele assumiria o comando do PMDB de João Pessoa pelos próximos dois anos. Mero engano. Manoel Júnior mandou o recado: não sai e não abre do mandato “nem para um trem”. Quer organizar o partido para as eleições do ano que vem e ser candidato a prefeito da capital e, para isso, não quer enfrentar nenhum risco.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

E tem sido muito direto nos seus recados para Gervásio Maia. Ele diz que tem credenciais para comandar a legenda e que o colega peemedebista não as tem. “Existem credenciais em relação ao meu nome. Se existir outro que tenha mais que eu, vamos pôr na mesa para comparar. A área de Gervasinho é Catolé do Rocha. Ele foi o quarto ou quinto do PMDB em votos em João Pessoa (na eleição passada). Perdeu até para Olenka (Maranhão), que só ganhou para suplente, e Raniery (Paulino), que tem a base eleitoral dele no Brejo”, alfinetou.

Manoel Júnior teme ficar sem legenda no PMDB, caso com outro presidente, o partido decida apoiar outro candidato. “Tenho uma relação com João Pessoa e venho estudando essa cidade há mais de 10 anos. Em 2004 era para eu ter sido o candidato do meu partido, que pediu para fazer uma coligação (com Ricardo Coutinho). Em 2012 eu acabei deixando para depois, já que (José) Maranhão foi o candidato. Ele queria ser de todo jeito e eu acatei por respeito ao nosso líder”, disse.

Foto: Rizemberg Felipe

Foto: Rizemberg Felipe

Gervásio Maia ficou perplexo com o que tem considerado uma manobra de Manoel Júnior. Segundo ele, o acordo foi registrado em ata e não pode ser quebrado. “Se ele não me entregar (o cargo), estará quebrando o que ficou pactuado, com a chancela da executiva estadual. Eu até havia sugerido que eu assumisse o primeiro biênio e ele ficasse com o segundo, porque o período das eleições é mais importante, mas ele preferiu assim”, disse, sem esconder o descontentamento.

Apesar de não confirmar que pretende entrar na disputar interna para ser o candidato a prefeito pelo PMDB, Gervasinho disse que o seu nome estará sempre à disposição do partido para qualquer investidura e alfinetou o “concorrente”, que segue orientação diferente do partido desde as últimas eleições, quando apoiou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) para o governo. “Tem gente que só é partido na hora do bem bom”, finalizou. (Com informações de Angélica Nunes)

Orçamento Participativo um pouco mais modesto na Prefeitura de João Pessoa

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), lança nesta quarta-feira (22) um Orçamento Participativo um pouco mais realista que os de anos anteriores. O motivo é simples: desde que assumiu o mandato, em 2013, as demandas têm se tornado repetitivas, por serem maiores que a capacidade de execução da Prefeitura de João Pessoa. Por conta disso, a partir deste ano, o Círculo do Orçamento Participativo será bi-anual.

Foto: Kleide Teixeira

Foto: Kleide Teixeira

O secretário executivo do OP, Jacson Macedo, explicou que a decisão foi tomada porque nas reuniões do Orçamento Participativo, as demandas aprovadas pela população têm se repetido. A origem do problema é anterior à gestão petista. Sobrou uma carteira de pedidos não executados ainda na gestão anterior, que tinha à frente Luciano Agra (já falecido). Por conta disso, foi criada uma Câmara Técnica que vai trabalhar a hierarquização das demandas.

Ao todo estão previstas 14 audiências do Orçamento Participativo para este ano, quando a equipe de secretários municipais estará reunida com representantes de todos os bairros para receber as demandas prioritárias de investimentos públicos em cada região administrativa da Capital. Os encontros acontecerão de 5 de maio a 18 de junho, sempre às 19h. O OP, segundo Macedo, tem cumprido o seu papel, com estímulo à participação popular na gestão.