Desmandos na gestão fazem TCE pedir intervenção do Estado em Bayeux

Prefeito Berg Lima não tem feito pagamentos mínimos exigidos na legislação

Prefeito de Bayeux, Berg Lim, Foi acusado de improbidade administrativa. Foto: Secom/Bayeux

As muitas irregularidades constatadas por auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) na prefeitura de Bayeux fizeram com que o órgão encaminhasse ao governador João Azevêdo (PSB) pedido de intervenção na cidade. A decisão foi tomada em sessão ordinária no final da tarde desta quarta-feira (4). O relator da matéria, André Carlos Torres Pontes, em seu voto, reconheceu os requisitos constitucionais necessários para a medida extrema, diante das graves irregularidades apontadas no relatório da auditoria. A decisão sobre a intervenção caberá ao governador João Azevêdo (Cidadania).

Entre os pontos elencados pelo relator estão a ausência de pagamento regular, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, da dívida fundada, não aplicação do mínimo de 25% da receita municipal em educação, bem como de 15% nas ações e serviços públicos de saúde. Também ficou confirmada a prática pelo prefeito Gutemberg de Lima Davi, de atos de improbidade administrativa, confirmada em recente decisão judicial pelo Tribunal de Justiça.

A decisão da Corte – que será encaminhada pelo presidente, conselheiro Arnóbio Viana, na forma de representação, está embasada nos termos do art. 35 da Constituição Federal e dos arts. 15, 54, 59 e 86 da Constituição do Estado da Paraíba, devendo ser comunicada à Câmara de Vereadores do município. O processo será anexado ao Relatório Prévio da Prestação de Contas de 2019, lavrado no Processo de Acompanhamento da Gestão – Processo TC 00268/19.

A sessão foi conduzida pelo presidente Arnóbio Alves Viana e contou com a participação dos conselheiros Fernando Rodrigues Catão, André Carlo Torres Pontes e Antônio Gomes Vieira Filho. Também dos conselheiros substitutos Oscar Mamede Santiago Melo, Antônio Cláudio Silva Santos e Renato Sergio Santiago Melo. O Ministério Público de Contas esteve representado pelo procurador geral Manoel Antônio dos Santos Neto.

Cartaxo filia secretárias e inicia definição de candidatos após o Carnaval

Daniella Bandeira é lembrada por correligionários como nome para disputar a prefeitura da capital

Daniella Bandeira é um dos nomes lembrados na base de Cartaxo para a disputa da eleição. Foto: Divulgação/Secom-JP

O Partido Verde (PV) anunciou nesta sexta-feira (14) a filiação de 200 nomes ao partido, visando as eleições deste ano, na capital. A sigla comandada no Estado pelo prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, faz planos de reforçar a presença na principal cidade do Estado. Entre os nomes apresentados foi dado destaque nos das secretárias Daniella Bandeira (Planejamento) e Socorro Gadelha (Habitação). A primeira figura entre os preferidos do gestor para disputar a cabeça de chapa nas eleições deste ano.

Cartaxo colocou como prioridade o lançamento de um nome do partido para a disputa da prefeitura de João Pessoa com o apoio dele. A postura elimina da relação de postulantes o atual vice-prefeito, Manoel Júnior (SD), e o deputado federal Ruy Carneiro (PSDB). Ambos, no entanto, demonstraram disposição de disputar o pleito em faixa própria.

O partido do atual prefeito também informou que dará sequência ao diálogo com as siglas que integram a base de apoio em João Pessoa. Cartaxo disse que o reforço dos novos filiados é um importante passo para o processo eleitoral que se aproxima. “Os novos integrantes do PV estão alinhados com o modelo de gestão implementado na Capital, participando de forma direta dos resultados alcançados. Daniela e Socorro têm vasta experiência, cumprindo papéis decisivos em todas as esferas da administração pública”, afirmou.

O gestor também disse que o partido vai seguir o processo de discussão interna para a escolha do nome a disputar as eleições deste ano, cumprindo com uma decisão que acompanha a executiva nacional, que considera a capital paraibana como prioridade no país.

“Mais do que um nome, vamos apresentar um caminho para João Pessoa seguir avançando. Nos últimos oito anos, a cidade tornou-se uma referência em gestão pública, reconhecida dentro e fora do Brasil, com um novo conjunto de praças e parques, ampliação da educação infantil e do ensino em tempo integral, o maior programa de habitação da história e a criação de uma nova rede de urgência e emergência. A hora é de seguir em frente”, apontou.

Operação Irerês: MPF denuncia ex-secretários e aponta suposto superfaturamento nas obras da Lagoa

Ministério Público alega que houve sobrepreço e direcionamento na licitação

Dragagem na Lagoa foi realizada no início das obras. Foto: Divulgação/CMJP

Por Raniery Soares, do Jornal da Paraíba

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, nesta segunda-feira (27), uma nova denúncia relacionada às obras realizadas na Lagoa do Parque Sólon de Lucena, em João Pessoa. Novamente, o ex-secretário de Infraestrutura da Prefeitura de João Pessoa e coordenador do Patrimônio Cultural, Cássio Andrade, foi denunciado e, além dele, agora o também ex-secretário de Planejamento e ex-reitor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Rômulo Polari, teve o nome citado.

Os engenheiros Eduardo Ribeiro Victor, Rodrigo Sarmento Serrano e Eugênio Régis Lima e Rocha, além de Newton Euclides da Silva, que atuou como presidente da comissão especial de licitação da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de João Pessoa, também foram denunciados pelo MPF. Cássio e os três engenheiros são denunciados pelo crime de peculato. Já Rômulo Polari e Newton supostamente teriam cometido fraude em licitações.

A denúncia trata novamente sobre desvio de recursos públicos, desta vez na obra de desassoreamento, demolição de um muro de contenção e a construção de um túnel para regularização do nível do espelho d’água da lagoa do Parque Solon de Lucena. Ao todo, segundo a investigação da Polícia Federal, Cássio e os três engenheiros teriam desviado recursos públicos equivalentes a mais de R$ 2,6 milhões (tendo como base fevereiro de 2014), para beneficiar a empresa Compecc Engenharia, Comércio e Construções LTDA.

Outro ponto abordado pelo MPF, é o pagamento indevido da construção do dique do aterro sanitário e a remoção dos resíduos da Lagoa, chamado de ‘solo mole’. Pelos dois serviços, a Prefeitura de João Pessoa pagou aproximadamente R$ 2,2 milhões, além de logo depois ter acrescentado mais R$ 460 mil, mesmo a perícia da investigação apontando como ‘dano em potencial’.

A Polícia Federal, no laudo elaborado, alegou que foram retirados 117 mil metros cúbicos de resíduos, mas segundo a investigação, a Prefeitura pagou pela extração de 125 mil metros cúbicos. Só neste ponto, segundo a PF, foi identificado um prejuízo aos cofres públicos de cerca de R$ 235 mil. As supostas irregularidades apontadas para Rômulo Polari e Newton Euclides são referentes à época em que os dois atuavam na Secretaria de Planejamento de João Pessoa.

Segundo o MPF, Polari “na qualidade de secretário de planejamento da prefeitura de João Pessoa, assinou documento com a qualificação técnica mínima necessária para a habilitação dos licitantes, contendo exigências que restringiram a competitividade do certame”, passando para Newton, que “era à época o presidente da comissão especial de licitação da Seplan.”.

A nova denúncia cita novamente uma relação familiar. A esposa de Cássio, Luciana Torres Maroja Santos, é engenheira da Caixa Econômica Federal e teria sido responsável pelo acompanhamento da execução dos contratos. O funcionário da Compecc, Marcos Rodrigues dos Santos Júnior é casado com Flaviana Torres Maroja Santos, cunhada de Cássio Andrade. Após o fim da obra, Marcos passou a trabalhar como assessor na Seinfra, onde Cássio era secretário. Esta denúncia ainda é fruto da Operação Irerês, realizada em junho de 2017, com o objetivo de investigar possíveis irregularidades em licitações e execução das obras da Lagoa do Parque Solon de Lucena, em João Pessoa.

De acordo com a Polícia Federal, laudos constataram que as reformas causaram um dano aos cofres públicos no valor de R$ 6,4 milhões. O nome da operação é uma alusão ao Irerê, que é uma espécie de marreco que era abundante nas águas da Lagoa. Tanto que, até o início do século XX, antes da urbanização do parque, o local era conhecido como “Lagoa dos Irerês”.

O que dizem os denunciados?

O engenheiro Eduardo Ribeiro Victor, sócio da Compecc, que foi a empresa responsável pela obra disse que “desde o início vem colaborando com todas as investigações e a única coisa que estão sendo acusados é de terem sido contratados por um preço alto, mas segundo ele, os valores são padronizados nacionalmente”.

O engenheiro da Prefeitura de João Pessoa, Eugênio Régis Lima e Rocha, informou que “ainda vai se inteirar das acusações e que vai contribuir com a justiça”.

Em nota, Cássio Andrade, reforçou a tranquilidade e disse que em momento oportuno, apresentará sua defesa. “Não cometi nenhum ilícito, por isso tenho a consciência tranquila. A defesa técnica, que se inicia somente agora, comprovará a lisura de meus atos”. O ex-secretário de Planejamento da Prefeitura de João Pessoa e ex-reitor da UFPB, Rômulo Polari, informou que “vai se inteirar sobre a denúncia para emitir um posicionamento oficial”.

Os engenheiros Rodrigo Sarmento e Newton Euclides da Silva não atenderam as ligações.

O que diz a Prefeitura?

Em relação à denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Procuradoria-Geral de João Pessoa reafirma a colaboração ativa da administração municipal, como vem acontecendo desde o início da apuração das obras da Lagoa, por determinação do prefeito Luciano Cartaxo, que foi novamente isento pelo MPF de qualquer participação em ato considerado irregular. Segundo a Procuradoria, os indiciados terão agora a oportunidade de apresentar defesa no judiciário. Mesmo antes da denúncia dos órgãos fiscalizadores, os instrumentos de controle interno já haviam sido acionados pela gestão municipal. O MPF apresentou pedido de arquivamento do inquérito que trata da urbanização do parque, hoje o maior e mais frequentado equipamento de lazer da cidade.

Wilson e Ana Cláudia querem apoio de João para disputa em JP e CG

PTB e Podemos fecham primeira aliança visando as eleições do ano que vem na Paraíba

Wilson Filho (com microfone) e Ana Cláudia (E) se preparam para as eleições. Foto: Divulgação/PTB

O PTB e o Podemos querem o apoio do governador João Azevêdo (sem partido) para as eleições nas duas principais cidades do Estado, no ano que vem. Os diretórios das duas siglas fecharam aliança visando o pleito municipal. Para a capital, a escolha foi a do deputado estadual Wilson Filho (PTB). Já para Campina Grande, o nome escolhido foi o da secretária de Estado do Desenvolvimento e Articulação Municipal da Paraíba, Ana Cláudia Vital do Rêgo (Pode). O acordo foi oficializado durante entrevista coletiva, na capital, nesta sexta-feira (6).

“E eu vejo que as pessoas querem mudanças. João Pessoa há muito tempo dá oportunidade, cobra aos seus gestores, e se eles não atuam da forma que deveriam, muda o ciclo. Foi assim com Cícero, com Ricardo, com Cartaxo e será assim mais uma vez, porque João Pessoa terá opções”, destacou Wilson Filho. Ex-aliado do agora ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), o parlamentar assegura que não tem medo de enfrentar o socialista nas urnas nas eleições do ano que vem, caso ele decida lançar a candidatura.

Ana Cláudia Vital, por sua vez, ressaltou que é um projeto que não irá se exaurir no processo eleitoral de 2020. “É um projeto de governança, de planejamento e de respeito às boas práticas da política. É por isso que estamos juntos. É uma aliança na qual estamos pensando a Paraíba, nas formas gestão, e tenho certeza que saímos fortes e fortalecidos”.

O deputado federal Wilson Santiago, presidente estadual do PTB, disse acreditar que a partida na frente, com o fechamento da aliança, fará com que a parceria seja reproduzida na maior parte dos municípios paraibanos. Já o presidente do Podemos-PB, Galego do Leite, destacou que os dois partidos possuem em seus quadros diversas lideranças políticas de peso e que a coalizão irá receber em breve novas adesões que irão fortalecer ainda mais a aliança.

João Azevêdo

Um dos pontos destacados na coletiva de imprensa desta sexta-feira (6), na qual PTB e Podemos selaram a primeira aliança partidária na Paraíba objetivando as eleições do ano que vem, foi a ratificação no posicionamento de apoio ao governador João Azevêdo. “É um nome ponderado, equilibrado e que tem um poder de aglutinação espetacular. Com sua calma e leveza, consegue unir os opostos e trazer avanços significativos para a Paraíba, pois tem capacidade de diálogo e de respeitar o pluralismo de ideias”, afirmou Wilson Santiago, presidente estadual do PTB.

Cartaxo diz que conversará com partidos aliados, mas candidato dele sairá do PV

Agendas do prefeito da capital têm sido repletas de pré-candidatos interessados em apoio

O deputado federal Ruy Carneiro (PSDB), o deputado estadual Eduardo Carneiro (PRTB) e vice-prefeito Manoel Júnior (SD) estão na rua em busca de apoio para a disputa eleitoral de 2020. Todos querem o apoio do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), para o pleito. O gestor pessoense, no entanto, dá sinais de que vai buscar um nome dentro do Partido Verde. Em conversa com o blog, nesta segunda-feira (2), ele disse que deve afunilar a discussão em janeiro. “O mês de dezembro será de intenso trabalho no Executivo”, garante.

Questionado sobre a filiação partidária do ungido do grupo apoiado por ele, Cartaxo ressaltou a necessidade de ser alguém do Partido Verde. “Será do PV. Essa é a nossa disposição. Alguém com esse perfil (de conhecedor da gestão), do Partido Verde, que pense em uma cidade sustentável, equilibrada, com qualidade de vida para a população, que pense em espaços de lazer. Então, a gente tem feito esse debate e isso não impede os aliados de apresentarem nomes para a discussão, mas a nossa compreensão é a de que João Pessoa não pode dar um passo atrás”, disse.

Entre os nomes do PV mais próximos ao prefeito e que poderão disputar as eleições estão os secretários Diego Tavares (Desenvolvimento Social) e Zennedy Bezerra (Desenvolvimento Urbano). Aparecem na lista também as secretárias Daniella Bandeira (Planejamento) e Socorro Gadelha (Habitação). O atual prefeito não pode mais ser candidato por já ter sido reeleito. Em conversa com o blog, ele alegou que o nome a ser escolhido será alguém que conheça bem a gestão municipal.

PTB e Podemos alinham discurso e aliança para 2020 em JP e CG

Plano é lançar Wilson Filho (PTB) para prefeito de João Pessoa e Ana Cláudia (Pode) em Campina Grande

Wilson Filho deve disputar a prefeitura de João Pessoa. Foto: Divulgação/ALPB

O PTB e o Podemos devem se tornar os primeiros partidos a firmarem aliança para as eleições de 2020. O tema foi alvo de reuniões de dirigentes das duas legendas no fim de semana. De acordo com informações de bastidores, falta apenas oficializar a composição. O ponto de partida será o anúncio das candidaturas de Wilson Filho (PTB), em João Pessoa, e Ana Cláudia Vital do Rêgo (Pode), em Campina Grande.

Ana Cláudia é o nome de Veneziano para disputar a prefeitura de Campina Grande. Foto: Divulgação

Uma reunião entre dirigentes das duas legendas ocorreu na última sexta-feira (29) e o tema foi amadurecido no fim de semana. Estiveram presentes, entre outras lideranças, o presidente estadual do PTB, Wilson Santiago, e o senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB), marido de Ana Cláudia. O Podemos, inclusive, é a sigla que vem investindo com mais insistência nos convites para atrair o governador João Azevêdo (PSB) para o rol de filiados da agremiação, hoje comandada pelo vereador de Campina Grande, Galego do Leite.

O PTB, vale ressaltar, também é uma das siglas que poderão receber o governador em suas fileiras para eleições futuras. Veneziano, que chegou a ser cotado para a disputa em Campina Grande, tem dito que a prioridade é investir em Ana Cláudia para a disputa. Já Wilson Filho tem sido às pessoas próximas que não abre mão da disputa. Ambos poderão ter o apoio de João Azevêdo nas eleições de 2020.

O petebista coloca o nome para a disputa da prefeitura da capital pela segunda vez. Em 2016, ele acabou abrindo mão da cabeça de chapa para a hoje deputada estadual Cida Ramos (PSB), que tinha o apoio do então governador Ricardo Coutinho (PSB). Para o pleito atual, ele tem dito a aliados que não abre mão de concorrer. O projeto eleitoral, ele reforma, foi o que o convenceu a trocar um mandato na Câmara dos Deputados pela Assembleia. A conta do petebista foi a de que o convívio diário em João Pessoa abriria espaço maior para a busca da viabilidade eleitoral.

Além de João Pessoa e Campina Grande, a parceria entre as duas legendas será espelhada em todas as cidades onde os arranjos políticos paroquiais não interfiram. A perspectiva das lideranças das duas siglas é que a oficialização da parceria seja anunciada ainda nesta semana.

Mesmo inocentado na Confraria, Cícero não quer mais voltar à vida pública

Quarta turma do TRF5 entendeu que o ex-prefeito não cometeu os crimes apontados pelo MPF

Cícero Lucena foi acusado de desvio de recursos públicos em obras na prefeitura de João Pessoa. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

O ex-senador Cícero Lucena (PSDB) não faz planos de voltar à vida pública. Em contato com o blog, o tucano disse que não tem qualquer pretensão de disputas as eleições para prefeito de João Pessoa. Ele é cotado por aliados para o pleito do ano que vem. As especulações sobre um retorno à vida pública aumentaram depois da decisão da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que o inocentou no caso que ficou conhecido como “Operação Confraria”.

Os desembargadores entenderam, no julgamento, que as provas juntas aos autos não eram suficientes para uma condenação do ex-prefeito de João Pessoa. A defesa foi feita pela advogada Fabíola Marques Monteiro. Os magistrados aceitaram os argumentos de que o material probatório, recolhido durante a Operação Confraria, não se confirmou. “As oitavas e as investigações como um todo não comprovaram as acusações”, ressaltou.

Fabíola diz que todos os convênios foram executados e os balancetes aprovados pelos órgãos de controle e pelos financiadores. Com a decisão, Cícero foi inocentado das acusações de fraudes em licitações, desvio de dinheiro público e participação em organização criminosa. O desfecho do processo aconteceu após 15 anos. Ela explicou que muitas das acusações já haviam sido rejeitadas anteriormente.

Sobre a volta à disputa de eleições, Cícero diz que se reuniu com a família e que a decisão foi a de que não haveria mais retorno. O posicionamento do ex-senador, ex-governador e ex-prefeito de João Pessoa agora é divergente da de meses atrás, quando ele admitia essa possibilidade.

Sem negar disposição eleitoral, Cícero Lucena vai de “13” para corrida

Histórico adversário do PT, foto com o número da sigla petista chamou a atenção

Cícero Lucena posa para foto ao lado do advogado Marcos Pires. Foto: Divulgação

O ex-senador Cícero Lucena (PSDB) está sem mandato desde janeiro de 2015. De lá para cá, traçou rota de fuga da política. Negava para quem o perguntasse qualquer vontade de voltar a disputar novas eleições. Isso, pelo menos, até setembro deste ano, quando admitiu a possibilidade de concorrer ao cargo de prefeito de João Pessoa em 2020. A carreira político eleitoral dele inclui mandatos de governador, prefeito da capital e senador por oito anos.

Neste domingo (3), o ex-senador chamou a atenção pelo número ostentado na blusa, o 13. Cícero disputou o Santander Track&Field Run Series, em João Pessoa. O número que sobrou para ele, na prova, foi o mesmo do Partido dos Trabalhadores, sigla da qual foi antagonista durante toda a carreira política. Além do acaso, restaram as gozações dos amigos, que fizeram questão de tirar foto com ele para registrar o fato. Um deles foi o advogado Marcos Pires.

O Track&Field dá sequência às etapas de 2019. A corrida contou com categorias nas modalidades de 5 km, 10k m e 15 km. O evento esportivo acontece há 16 anos. Quem acompanha a participação do senador no evento diz que ele tem levado a sério os treinamentos. Resta saber se terá a mesma disposição no campo eleitoral.

Prefeitura que declarou pagamentos inexistentes a mulher terá que pagar indenização à vítima

Mulher foi apontada em balancetes como beneficiária de quase R$ 600 mil em pagamentos e se disse constrangida

Decisão do Tribunal de Justiça levou em conta o constrangimento sofrido pela autora da ação. Foto: Divulgação

Uma mulher virou notícia, em Areia, na Paraíba, por ter recebido quase R$ 600 mil em pagamentos feitos pela prefeitura. O problema é que estes pagamentos declarados nunca foram feitos. O caso foi julgado pela Terceira Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça, nesta terça-feira (20). O colegiado decidiu manter decisão de primeira instância que condenou a prefeitura ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais.

De acordo com a denúncia, por falha técnica, Dilza Alves de Almeida Sena teve o nome inserido no Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres) do Tribunal de Contas do Estado (TCE). No site de transparência, ela aparece como beneficiária de quantia vultosa, oriunda de contratos administrativos inexistentes. A relatoria da Apelação Cível foi da desembargadora Maria das Graças Morais Guedes.

Consta nos autos que por conta do erro, a autora foi alvo de diversas notícias jornalísticas desabonadoras, as quais davam conta de que ela havia recebido dos cofres públicos pagamentos muito altos, dentre os quais as quantias de R$ 430 mil pelo fornecimento de salgadinhos e de 138.483,66 a título de abono natalino, tudo isso, nos exercícios de 2006 e 2007.

Em suas razões recursais, a Prefeitura suscitou a preliminar de ilegitimidade passiva ad causam, sob o argumento de que não fora responsável pela veiculação de informação supostamente desabonadora em relação à autora, não podendo responsabilizar-se pela reportagem divulgada pela imprensa. Acrescentou que tão logo soube do ocorrido, tomou todas as medidas cabíveis, com o objetivo de retificar as informações equivocadas transmitidas ao sistema Sagres, sem causar qualquer dano moral ou patrimonial em desfavor da demandante.

A desembargadora Maria das Graças Morais Guedes destacou que, pela farta documentação carreada aos autos, restou demonstrado que o Município de Areia, reiteradas vezes, inseriu o nome da autora como beneficiária de pagamentos relacionados à prestação de serviços diversos e ao recebimento de verbas salariais, apesar de não possuir nenhum vínculo com a Edilidade, concorrendo, portanto, culposamente para os transtornos vivenciados pela demandante, cuja dignidade fora maculada pela opinião pública, ao especular a sua participação em supostos esquemas fraudulentos no âmbito municipal, com divulgação, inclusive, na mídia local e estadual.

“Isto posto, considerando que a recorrida logrou demonstrar a ocorrência do ilícito por parte da Municipalidade, bem como diante da inexistência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito da autora, imperioso se torna a manutenção do decisum de primeiro grau”, ressaltou a relatora.

Vítor Hugo diz que não tem nada a ver com briga entre João e Bolsonaro

Prefeito de Cabedelo não descarta deixar o PRB e sinaliza com possibilidade de se filiar ao DEM

Vítor Hugo diz que poderá trocar o PRB pelo DEM. Foto: Fábio Hermano/CBN

O prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo (PRB), tem feito mistério sobre seu futuro político. Diz que disputará a reeleição na cidade portuária, mas só se as pesquisas feitas para consumo interno derem larga vantagem a ele. E quando fala em vantagem, não está brincando. O gestor assegura que não disputará o pleito se tiver menos de 80% de aprovação. A marca é pra lá de ambiciosa. Ele foi eleito na disputa suplementar com 73% dos votos válidos. E para conseguir o intento, promete buscar a coluna do meio. Por coluna do meio entenda uma postura que foge à direita e à esquerda.

“Não tenho nada a ver com a briga de João Azevêdo (governador da Paraíba) com Jair Bolsonaro (presidente da República). Minha preocupação é com Cabedelo”, diz Hugo, para quem quiser ouvir. Para o município, ele reforça, tem conseguido recursos com parlamentares dos dois lados. O campeão de emendas destinadas ao município portuário é Efraim Filho (DEM). Mas tem recursos destinados também através de emendas de Julian Lemos (PSL). Isso apesar do prefeito ser aliado do governador João Azevêdo.

Sobre saída do PRB, essa é uma conversa que Vítor Hugo procura fazer mistério. “Não estou pensando em deixar o partido por enquanto”, diz. Mas confrontado com a óbvia constatação de que  disputa eleitoral é no ano que vem, ele admite a troca do partido pelo DEM. Diz que por gratidão, apesar de ressaltar o apoio que teve da sigla que o levou aos cargos de vereador e prefeito. O gestor pretende manter a relação com os grupos políticos que ajudarem no repasse de recursos para o município.

Sobre os escândalos de corrupção que atingiram o município, ele assegura que os problemas foram equacionados. Diz que o dinheiro que ia para o pagamento de fantasmas agora é revertido para a cidade. “Sobram R$ 2 milhões todos os meses no caixa da prefeitura, que usamos para obras”, ressaltou, em referência às denúncias proveniente da operação Xeque-Mate, desencadeada no município em conjunto por Polícia Federal e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Sobre o indiciamento também na Xeque-Mate, feito pela Polícia Federal, o prefeito diz que as provas mostram que ele não teve relação com os crimes. As suspeitas contra ele surgiram depois que o ex-prefeito Leto Viana (PRP) apontou o atual prefeito como membro do esquema de corrupção. Ele teria recebido R$ 20 mil para aderir ao esquema e ainda um mensalinho de R$ 3 mil. Vítor Hugo diz que as provas já colhidas no processo mostram que ele nunca recebeu recursos pagos pelo ex-prefeito.