Escanteado no PMDB, Veneziano poderá assumir o Podemos na Paraíba

Peemedebista tem votado contra projetos de interesse do governo

Veneziano tem se distanciado das diretrizes do PMDB. Foto: Reprodução

O deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) está de malas prontas para deixar o PMDB. O destino, segundo fontes de Brasília, seria o Podemos (antigo PTN). As conversas entre o parlamentar e a presidente nacional da sigla, Renata Abreu, estão avançadas. Se forem concretizadas, o peemedebista assumiria o comando da agremiação na Paraíba, hoje nas mãos do deputado estadual Janduhy Carneiro. Na bagagem, Veneziano levaria também lideranças peemedebistas que, assim como ele, vivem uma espécie de “inferno astral” no PMDB. LEIA MAIS

Delator que acertou propina para o PMDB em reunião com Temer foi ouvido na Paraíba

Reunião teria fixado doação de US$ 40 milhões ao partido

Depoimento de Marcio Faria

Márcio Faria, ex-executivo da Odebrecht, presta depoimento na Paraíba. Imagem: Reprodução/YouTube

O delator que deu detalhes sobre a suposta doação de US$ 40 milhões (R$ 124 milhões) em propina para o PMDB, em 2010, foi ouvido por procuradores da República na Paraíba. O depoimento, considerado um dos mais bombásticos na operação Lava Jato, foi colhido do ex-diretor da área internacional da empreiteira Norberto Odebrecht, Márcio Faria da Silva.

O delator foi ouvido pelos procuradores Bruno Barros de Assunção e Bruno Galvão Paiva, no dia 14 de dezembro, dentro da operação montada pela Procuradoria Geral da República (PGR) para agilizar a oitiva dos 77 executivos e ex-executivos da empreiteira. No depoimento, ele falou da “compra do PMDB” em reunião com a presença do presidente Michel Temer, em 2010.

No depoimento, o delator falou que a reunião ocorreu no escritório político de Temer, em São Paulo, na rua Antônio Batuira, 470. Lá estava presente o ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Coube a Cunha introduzir a reunião, com a presença de Temer, então candidato a vice de Dilma Rousseff (PT).

Na hora de tratar dos valores, propriamente ditos, Temer deixou a sala, mas não sem antes dizer que, caso houvesse qualquer problema, os rapazes presentes (Eduardo Cunha e o ex-ministro Henrique Alves) resolveriam. Márcio Faria lembrou que a reunião foi descrita em uma das perguntas feitas a Temer, na qualidade de testemunha, por Eduardo Cunha e cortadas pelo juiz Sérgio Moro.

“Vossa Excelência em conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antôio Batuira, n° 470, em São Paulo/SP, justamente com o Sr. João Augusto Henriques?”, dizia a 34ª  das 41 perguntas encaminhadas por Eduardo Cunha a Michel Temer. Esta foi uma das cortadas pelo juiz Sérgio Moro.

No depoimento colhido na Procuradoria da República na Paraíba, o delator afirma que o encontro foi marcado para “abençoar” um acordo que envolvia o pagamento de propina para garantir o andamento de um contrato da Odebrecht com a diretoria Internacional da Petrobras – que, segundo ele, era comandada à época pelo PMDB.

De acordo com Faria, a propina, que ele diz ter sido exigida por um interlocutor do PMDB não identificado, foi de 5% sobre o valor do contrato, o que equivalia “em volta de US$ 40 milhões.” Faria também relatou na delação que o e-mail em que recebeu com os detalhes da reunião para a formalizar o acordo dizia que o encontro serviria para a “compra do PMDB”.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Temer:

Nota à imprensa

O presidente Michel Temer jamais tratou de valores com o senhor Márcio Faria. A narrativa divulgada hoje não corresponde aos fatos e está baseada em uma mentira absoluta. Nunca aconteceu encontro em que estivesse presente o ex-presidente da Câmara, Henrique Alves, com tais participantes.

O que realmente ocorreu foi que, em 2010, na cidade de São Paulo, Faria foi levado ao presidente pelo então deputado Eduardo Cunha. A conversa, rápida e superficial, não versou sobre valores ou contratos na Petrobras. E isso já foi esclarecido anteriormente, quando da divulgação dessa suposta reunião.

O presidente contesta de forma categórica qualquer envolvimento de seu nome em negócios escusos. Nunca atuou em defesa de interesses particulares na Petrobras, nem defendeu pagamento de valores indevidos a terceiros.
Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República

Lista de Fachin: veja no gráfico como PMDB, PT e PSDB lideram denúncias

Quatro paraibanos aparecem entre os denunciados

Veja a participação dos partidos na relação dos denunciados

Os três maiores partidos do Brasil em número de parlamentares são também os que mais darão trabalho à Procuradoria Geral da República (PGR). PMDB, partido que atualmente comanda a Presidência da República, seguida de PT e PSDB, as duas antecessoras no poder central, respondem por quase 60% das lideranças a serem investigadas.

Da Paraíba, integram as lista o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, e o senador paraibano, mas eleito pelo Rio de Janeiro, Lindbergh Farias (PT). O ex-deputado federal Inaldo Leitão também aparece entre os que serão investigados, mas, sem foro privilegiado, o caso dele será apreciado na primeira instância.

Os nomes foram revelados em delação premiada pelos executivos e ex-executivos da empreiteira Norberto Odebrecht e incluem políticos, arrecadadores de campanha e ministros. Ao todo, foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), 83 inquéritos.

Confira a lista e o gráfico

PMDB

1. Senador da República Romero Jucá Filho (PMDB-RR)
2. Senador da República Renan Calheiros (PMDB-AL)
3. Governador do Estado de Alagoas Renan Filho (PMDB)
4. Ministro da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha (PMDB-RS)
5. Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco (PMDB)
6. Ministro de Estado da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB)
7. Senador da República Edison Lobão (PMDB-PA)
8. Senadora da República Marta Suplicy (PMDB-SP)
9. Senadora da República Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)
10. Senador da República Eduardo Braga (PMDB-AM)
11. Senador da República Valdir Raupp (PMDB-RO)
12. Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)
13. Senador da República Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
14. Deputado Federal Jarbas de Andrade Vasconcelos (PMDB-PE)
15. Deputado Federal Pedro Paulo (PMDB-RJ)
16. Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)
17. Deputado Federal Daniel Vilela (PMDB-GO)
18. Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho (ex-senador do PMDB-PB)
19. Eduardo Paes (PMDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro
20. Márcio Toledo, arrecadador das campanhas da senadora Suplicy
21. Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido os recursos
22. Luís Alberto Maguito Vilela, ex-Senador da República e Prefeito Municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014
23. João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do Estado de Rondônia
24. Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão
25. Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romer Jucá

PT
1. Deputado Federal Marco Maia (PT-RS)
2. Deputado Federal Carlos Zarattini (PT-SP)
3. Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)
4. Senador Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)
5. Senador da República Jorge Viana (PT-AC)
6. Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)
7. Deputado Federal Vander Loubet (PT-MS)
8. Deputado Federal Nelson Pellegrino (PT-BA)
9. Deputado Federal Vicente “Vicentinho” Paulo da Silva (PT-SP)
10. Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS)
11. Deputado Federal Zeca Dirceu (PT-SP)
12. Deputado Federal Zeca do PT (PT-MS)
13. Deputado Federal Vicente Cândido (PT-SP)
14. Deputado Federal Décio Lima (PT-SC)
15. Deputado Federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)
16. Governador do Estado do Acre Tião Viana (PT)
17. Cândido Vaccarezza (ex-deputado federal PT)
18. Guido Mantega (ex-ministro)
19. Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado
20. José Dirceu
21. Deputada Estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)

PSDB
1. Senador Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)
2. Ministro das Cidades Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)
3. Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)
4. Senador da República Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
5. Senador da República Dalírio José Beber (PSDB-SC)
6. Senador da República José Serra (PSDB-SP)
7. Senador da República Eduardo Amorim (PSDB-SE)
8. Senador da República Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
9. Deputado Federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)
10. Deputado Federal João Paulo Papa (PSDB-SP)
11. Deputada Federal Yeda Crusius (PSDB-RS)
12. Deputado Federal Betinho Gomes (PSDB-PE)
13. Senador Antônio Anastasia (PSDB-MG)
14. Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio
15. Napoleão Bernardes, Prefeito Municipal de Blumenau/SC
16. Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais/Codemig
17. Humberto Kasper
18. Marco Arildo Prates da Cunha

PP
1. Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Borges Maggi (PP)
2. Senador da República Ciro Nogueira (PP-PI)
3. Senador da República Ivo Cassol (PP-RO)
4. Deputado Federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)
5. Deputado Federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)
6. Deputado Federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)
7. Deputado Federal Cacá Leão (PP-BA)
8. Deputado Federal Júlio Lopes (PP-RJ)
9. Prefeita Municipal de Mossoró/RN Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do Estado

DEM
1. Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara
2. Senador da República José Agripino Maia (DEM-RN)
3. Senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
4. Deputado Federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)
5. Deputado Federal Felipe Maia (DEM-RN)
6. Deputado Federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS)
7. Deputado Federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)
8. César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

PSD
1. Ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab (PSD)
2. Senador Omar Aziz (PSD-AM)
3. Deputado Federal Fábio Faria (PSD-RN)
4. Deputado Federal Heráclito Fortes (PSB-PI)
5. Deputado Federal Antônio Brito (PSD-BA)
6. Governador do Estado do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD)

PR
1. Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)
2. Deputado federal Milton Monti (PR-SP)
3. Deputado Federal Alfredo Nascimento (PR-AM)
4. Valdemar da Costa Neto (PR)

PCdoB
1. Senadora da República Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
2. Eron Bezerra, marido da senadra Grazziotin
3. Deputado Federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)
4. Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho

PSB
1. Senador da República Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
2. Senadora da República Lidice da Mata (PSB-BA)
3. Deputado Federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão

PRB
1. Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)
2. Deputado Federal Celso Russomano (PRB-SP)
3. Deputado Federal Beto Mansur (PRB-SP)

PTB
1. Deputado Federal Paes Landim (PTB-PI)
2. Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

PPS
1. Ministro da Cultura Roberto Freire (PPS)
2. Deputado Federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

SD
Deputado Federal Paulinho da Força (SD-SP)

PTC
Senador da República Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)

PMN
José Feliciano

 

Veneziano se opõe às pautas de Temer e pode deixar o PMDB

Veneziano tem se distanciado das diretrizes do PMDB. Foto: Reprodução

Reforma da Previdência e regulamentação das terceirizações. Estes são dois dos temas que foram colocados como prioritários pelo presidente Michel Temer (PMDB) e, curiosamente, são rechaçados pelo deputado federal peemedebista Veneziano Vital do Rêgo. Em relação ao primeiro, ele já manifestou sua disposição de se posicionar frontalmente à medida, por entendê-la como nociva ao trabalhador. E não para por aí. Nesta quarta-feira (22), apesar da recomendação do partido, o parlamentar votou contra e até gravou vídeo para criticar a as terceirizações.

“Votamos contra esta proposta, por que, afinal de contas, não poderíamos estender a terceirização para atividades meio e atividades fim. Este é o meu compromisso com o trabalhador brasileiro”, disse Veneziano, que, na Paraíba, vem ampliando o processo de afastamento do partido com uma progressiva aproximação do PSB do governador Ricardo Coutinho. Apesar de a sigla ter rompido a aliança com o gestor, o peemedebista segue no sentido contrário e até indicou a mulher, Ana Cláudia Vital do Rêgo, para o cargo de Executiva da Casa Civil.

O parlamentar, na Paraíba, integra o grupo que também tem o deputado federal Hugo Motta e o senador Raimundo Lira. Todos trabalham para tirar o partido das mãos do senador José Maranhão e, com isso, levá-la para uma aliança com o governador Ricardo Coutinho, em 2018. O cenário, no entanto, é visto como remoto pela maioria das lideranças da sigla, pelo fato de o socialista ocupar a trincheira oposta ao presidente Temer. Sem perspectiva dentro do PMDB, Veneziano claramente inicia o processo de ruptura.

Peemedebista manda recado a Cartaxo: “não há indexação entre 2016 e 2018”

O deputado estadual Raniery Paulino (PMDB) tem aproveitado o racha interno no seu partido para defender que a sigla tenha candidatura própria para a disputa do governo do Estado, em 2018. O partido está dividido entre os defensores da manutenção da aliança com o PSD do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, e com o PSDB do senador Cássio Cunha Lima ou mesmo o retorno ao esquema eleitoral do governador Ricardo Coutinho (PSD). Paulino defende o caminho em faixa própria.

A discussões sobre o projeto próprio surgiu depois que o senador Raimundo Lira, defensor da composição com o PSB, deu entrevistas alegando que o senador José Maranhão confidenciou a ele o desejo de ser candidato. Apesar de assegurar não ter conhecimento do desejo do parlamentar, Paulino lembrou outros nomes viáveis, na visão dele, para a disputa, a exemplo do deputado federal Veneziano Vital do Rêgo e do senado Raimundo Lira. Sobre a aliança com Cartaxo, ele garante que não há indexação de uma eleição para a outra.

“(A aliança) em João Pessoa foi feita para o município de João Pessoa. Essa mesma aliança não foi reproduzida em Campina Grande ou em Guarabira. Então, não existe indexação do partido a nenhum outro projeto, porque quando aconteceu a aliança na disputa estadual, o governador cobrava a reprodução desta aliança para os municípios”, ressaltou Raniery Paulino, que é filho do ex-governador Roberto Paulino. Ele ressalta ainda que a aliança foi interessante e teve o seu momento, mas sua opinião é de que o partido precisa lançar candidatura própria.

PMDB faz ‘terrorismo’ para bancar reforma da previdência

O PMDB nacional gerou muita polêmica no fim de semana por causa de uma postagem nas redes sociais na qual condiciona a manutenção dos programas sociais do governo federal à aprovação da reforma da previdência. A proposta não tem consenso nem dentro do próprio partido, a ponto de o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ter arrancado a ira do governo do presidente Michel Temer (PMDB) ao criticar, na última sexta-feira (3), o texto enviado pelo governo ao Congresso. Para Renan, ele é exagerado. A reação ocorreu um dia após a postagem peemedebista nas redes sociais, que registrou mais de 13 mil comentários, praticamente todos negativos e com muitos emojis de vômitos.

“Se a reforma da previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam os programas sociais”, diz o texto da postagem, com fundo sombrio, que foi compartilhado, também, por mais de 8 mil internautas. Alguns, inclusive, postaram vídeos com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) garantindo que a Previdência não é deficitária. O presidente nacional do PMDB é Romero Jucá (RO), o mesmo que precisou pedir demissão do governo após as delações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. O ex-dirigente divulgou áudio no qual se ouvia o peemedebista traçando planos para derrubar o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e, com Temer no poder, fazer um acordo nacional para derrubar o governo. Jucá foi escolhido pelo presidente, agora, para a liderança do PMDB no Senado.

Jucá

O papel de Jucá no Senado será, principalmente, quebrar a resistência dos peemedebistas e fazer o caminho para que o projeto de reforma da previdência encontre menor resistência. Há muitas críticas dos parlamentares em relação a vários pontos, como a obrigatoriedade de as pessoas trabalharem 49 anos para terem direito à aposentadoria integral, a idade mínima de 65 anos e a questão da aposentadoria rural. Há polêmica também em relação aos fiadores da reforma. O presidente Michel Temer se aposentou aos 55 anos, com vencimentos integrais. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, aos 52 anos, e Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo, aos 51. Este último também caiu após se envolver em escândalo de tráfico de influência e é citado, assim como Temer e Padilha, nas delações da Odebrecht.

Depois da polêmica em relação à postagem, o PMDB postou outra, neste sábado, como uma forma de amenizar as coisas, com cores mais vivas de fundo e falando nos investimentos feitos pelo governo nos programas sociais, assim como o resgate de obras paralisadas. A repercussão, no entanto, tende a ser menor que a anterior, que viralizou nas redes sociais. As polêmicas vão se acumular a partir desta semana. Ninguém duvida da necessidade de reformas, para adequar a Previdência à nova realidade do crescimento populacional. Agora, a profundidade das mudanças vai ser alvo ainda de muita polêmica.

 

Manoel Júnior tenta “amarrar” aliança PSD/PMDB/PSDB

Manoel Júnior circula entre os blocos durante o Folia de Rua. Foto: Divulgação/Secom-CMJP

O prefeito em exercício de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), tem feito um trabalho formiguinha visando as eleições de 2018. Diretamente beneficiado em caso de afastamento do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) para a disputa do governo do Estado (já que assumiria a prefeitura), ele corre para fortalecer o bloco PSD/PMDB/PSDB. A meta é blindar o grupo para evitar que o governador Ricardo Coutinho (PSB) reedite, com ainda mais força, a tentativa de cooptar o seu partido para o apoio a alguém de sua base aliada no ano que vem. O peemedebista, por isso, quer emplacar pelo menos uma reunião por mês envolvendo Luciano Cartaxo (PSD), José Maranhão (PMDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB).

Por força do cargo de vice-prefeito, Manoel Júnior já tem estado muito próximo de Cartaxo. Recentemente, procurou José Maranhão e outras lideranças do partido e vê sintonia de Cássio com o projeto de fortalecer o bloco para a disputa do pleito de 2018. O entendimento no seio das oposições é que o governador construiu uma avaliação positiva muito forte neste segundo mandato, apesar da crise, e tentará capitalizar um dos seus aliados para as eleições do ano que vem. O fato de não ter nome de consenso agora não quer dizer que ele não possa ser construído. Por isso, a melhor chance do grupo oposicionista para se manter vivo no pleito é unir forças.

Cartaxo tem se apresentado como opção para a disputa no ano que vem. Este seria um cenário bom para o PMDB também, já que Maranhão não apresenta disposição de disputar as eleições e Veneziano Vital do Rêgo saiu com a avaliação muito abalada com a derrota na disputa pela prefeitura de Campina Grande. Cássio sempre aparece como nome forte, já consolidado, mas muitos à sua volta acreditam que ele focará a reeleição para o Senado, devido à abrangência nacional que conquistou após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Com isso, resta Cartaxo com um nome que precisa ser estadualizado. A estratégia para isso, segundo o presidente do PSD de João Pessoa, Lucélio Cartaxo, será traçada após o Carnaval.

O grupo entende que precisa atuar acelerar as articulações, já que Ricardo Coutinho não costuma dormir em serviço. Do PMDB, ele já tem sintonia com o senador Raimundo Lira, os deputados federais Veneziano e Hugo Motta e o estadual Nabor Wanderley. O grupo tenta uma reunião com o Diretório Estadual para forçar uma mudança de rumos na política de alianças. Acha até que poderá contar com Ricardo Marcelo e Raniery Paulino, que, apesar de fazer oposição ao governador na Assembleia Legislativa, não circula bem entre os tucanos. As investigas governistas sobre eles visando isolar Manoel Júnior e Maranhão são fortes.

Quando o assunto é a disputa do governo em 2018, ninguém tem dormido em serviço.

 

Manoel Júnior inicia movimento para “sufocar” dissidência no PMDB

Manoel Júnior (D) posa para fotos ao lado de Ricardo Marcelo. Foto: Divulgação

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), deu início a um movimento forte de busca de apoios para tentar sufocar as lideranças dissidentes dentro do partido. O peemedebista quer evitar o crescimento do movimento interno que visa levar a sigla para a base de apoio ao governador Ricardo Coutinho (PSB) e, com isso, para a composição que visa a sucessão do socialista. O gestor trabalha para garantir que o seu partido apoie uma eventual disputa ao governo pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD), em 2018, abrindo espaço para que ele assuma a titularidade no cargo.

Júnior, dentro deste contexto, se reuniu na semana passada com o senador José Maranhão, presidente estadual do partido, e com o suplente de senador Roosevelt Vita. O cardápio, durante o almoço, foi a política de alianças para a disputa eleitoral de 2018. O movimento foi complementado na última segunda-feira (13), quando ele se encontrou com o deputado estadual Ricardo Marcelo. O parlamentar é um antigo adversário do governador Ricardo Coutinho, mas vem recebendo assédio de aliados para que ele reforce a dissidência interna no partido.

O movimento de Manoel Júnior ocorre paralelo à cobrança do deputado federal Venziano Vital do Rêgo por uma nova reunião da executiva do partido, para iniciar a discussão sobre as alianças. Veneziano engrossa o coro dos peemedebistas alinhados com o governador. Ele recebeu de Maranhão a promessa de que o encontro ocorrerá após o Carnaval, mas sem data fixa. São a favor de uma discussão mais ampla em relação a 2018 os deputados estaduais Nabor Wanderley e Raniery Paulino, além do deputado federal Hugo Motta e do senador Raimundo Lira.

 

Os parlamentares dissidentes, vale ressaltar, tentaram uma composição alinhada com o governador, em 2016, mas foram vendidos no embate interno. Entre as exigências para o apoio em Campina Grande e Patos, por exemplo, Ricardo Coutinho cobrava a saída de Manoel Júnior da disputa em João Pessoa. Não houve acordo.

Veneziano cobra de Maranhão reunião para discutir crise no PMDB

Veneziano Vital protocolou ofício pedindo nova data para reunião. Foto: Reprodução/Facebook

O deputado federal Veneziano Vital do Rêgo enviou ao senador José Maranhão, nesta segunda-feira (13), um ofício cobrando a marcação de uma reunião para discutir a crise interna no partido. O desconforto surgiu quando a direção estadual decidiu ocupar a trincheira oposta ao governador Ricardo Coutinho (PSB) nas eleições de outubro do ano passado, contrariando várias lideranças. O grupo, que tem como um dos expoentes o senador Raimundo Lira, quer discutir a revisão da política de alianças do partido para o próximo ano.

A aliança com o governador Ricardo Coutinho foi rompida meses antes da eleição, no ano passado, notadamente por causa da candidatura de Manoel Júnior na chapa encabeçada pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD), que conseguiu a reeleição. Na trincheira oposta, contrários à ruptura, ficaram lideranças como Lira, Veneziano e o deputado estadual Nabor Wanderley. Os dois últimos concorreram ao cargo de prefeitos de Campina Grande e Patos, respectivamente, e foram derrotados por candidatos do PSDB.

Outro grupo familiar que pretende ver discutida a aliança é o do ex-governador Roberto Paulino e do deputado estadual Raniery Paulino. O grupo também sofreu derrota para o PSDB na cidade de Guarabira, com Fátima Paulino ficando em segundo lugar na disputa com o atual prefeito, Zenóbio Toscano. A última reunião ocorreria no mês passado, mas acabou sendo adiada. Veneziano cobra a marcação de uma nova data para que assunto seja colocada na mesa. Eles reivindicam um alinhamento do PMDB com o projeto político do governador.

Lava Jato: STF abre inquérito contra Renan, Jucá, Sarney e Sérgio Machado

Brasília – O ministro Luiz Edson Fachin é o atual relator da Lava Jato no Supremo. Foto:. Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin autorizou nesta quinta-feira (9) abertura de inquérito para investigar os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR), além do ex-senador José Sarney e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado. Os investigados são acusados crime de embaraço às investigações da Operação Lava Jato. O crime de embaraço se refere à tentativa de barrar ou atrapalhar uma investigação.

Fachin atendeu a um pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na segunda-feira (6). As acusações foram baseadas no acordo de delação premiada de Sérgio Machado e em conversas gravadas com os envolvidos. As gravações foram divulgadas no ano passado, após a retirada do sigilo do conteúdo das delações de Machado. Em uma das conversas, Romero Jucá citou um suposto “acordo nacional” para “estancar a sangria”.

Segundo o procurador, os acusados “demonstram a motivação de estancar e impedir, o quanto antes, os avanços da Operação Lava Jato em relação a políticos, especialmente do PMDB, do PSDB e do próprio PT, por meio de acordo com o STF e da aprovação de mudanças legislativas.”

Outro lado

O senador Romero Jucá nega que tenha tentado obstruir qualquer operação do Ministério Público e diz que a investigação e a quebra de sigilo do processo irão mostrar a verdade dos fatos.

Em nota, a assessoria de Renan Calheiros nega as acusações da PGR. “O senador Renan Calheiros reafirma que não fez nenhum ato para dificultar ou embaraçar qualquer investigação, já que é um defensor da independência entre os poderes. O inquérito comprovará os argumentos e do senador e, sem duvida, será arquivado por absoluta inconsistência.”, diz o texto.

Da Agência Brasil