Ciro Gomes associa Manoel Jr. à quadrilha do PMDB e “ganha” processo na Paraíba

Por Angélica Nunes

 

Conhecido por suas tiradas polêmicas, o pré-candidato à presidência da República em 2018, Ciro Gomes (PDT), em passagem pela Paraíba, nesta segunda-feira (18), resolveu reascender uma antiga rusga com o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Junior (PMDB). Ao ser questionado pela imprensa sobre as possíveis alianças para 2018, o cearense disse que a única certeza que tinha é a de que iria lutar contra a “quadrilha do PMDB” e mirou as acusações na direção Manoel Júnior, que afirmar “conhecer de longa data”.

Ciro Gomes afirmou categoricamente que Manoel Junior é membro de uma quadrilha formada por lideranças do PMDB. “Alguns deles estão envolvidos em assassinato. Vocês pesquisem aí que vocês vão ver quem é”, apontou.

O presidenciável também acusou o vice-prefeito da capital de, à época em que era deputado federal, ter sido escalado pelo então presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), para devassar o seu irmão, Cid Gomes, mesmo ele estando internado em um hospital. “Eu conheço ele de longa data e isso é o que eu penso dele. Se achar ruim, estarei aqui (na Paraíba) até amanhã cedo”, desafiou.

As declarações enfureceram Manoel Junior, que afirmou que vai mover uma nova ação contra Ciro Gomes. “Houve várias tentativas de citação, o juiz publicou em edital e ele fugindo. Está faltando agora a sentença, não sei o que o juiz vai sentenciar. Mas agora na Paraíba, vou mover uma nova ação porque o fato acusador foi aqui por essas declarações infundadas”, assegurou.

Entrevista para a imprensa em Campina Grande. #cironaparaíba

Uma publicação compartilhada por Ciro na Paraíba (@cironaparaiba) em Dez 18, 2017 às 10:32 PST

Outra ação

Esta não é a primeira que os rivais políticos vão ao embate jurídico. Em setembro de 2015, Ciro Gomes também foi processado por Manoel Junior, após entrevista ao Jornal O Povo. Na reportagem ele chamou o peemedebista de “energúmeno, picareta e semianalfabeto”, após ele ter sido cotado para assumir o Ministério da Saúde, no segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na oportunidade, ele chegou a sugerir que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) investigasse o parlamentar. “Na hora que vasculhar ele não dura 15 dias”, insinuou.

Relator vota pela rejeição da denúncia contra Temer e acusa MPF de acolher “delações espúrias”

Bonifácio de Andrada diz que as denúncias são baseadas em delações sem credibilidade. Dois paraibanos votam na CCJ

O presidente da CCJ da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco, e o relator Bonifácio Andrada (PSDB-MG) durante apresentação do parecer sobre denúncia Wilson Dias/Agência Brasil

O deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) recomendou na tarde desta terça-feira (11), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a rejeição do prosseguimento da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB), e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) pelo crime de organização criminosa. Michel Temer também foi denunciado por obstrução de Justiça, acusação que também foi rejeitada pelo relator. Dois paraibanos figuram como membros efetivos da Comissão. Luiz Couto (PT) deve votar contra o relator, enquanto Benjamim Maranhão (SD) deve ser a favor.

Para Andrada, as informações são baseadas em “delações espúrias, sem credibilidade não havendo justa causa para o prosseguimento da ação penal”. Segundo o relator, o afastamento do presidente por 180 dias, medida que seria aplicada caso a denúncia seja aceita pela Câmara e pelo STF, “representaria uma crise de altas proporções para o povo brasileiro e para o desenvolvimento das instituições, tudo isso devido a uma denúncia claramente duvidosa, disse.

O relatório de Andrada traz duras críticas a atuação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal que, segundo ele, favoreceram “ações espetacularizadas” pelos meios de comunicação. “Espera-se que essa concepção policialesca, que em boa parte existe no MP, se traduza em posicionamento social pedagógico e que a instituição possa intervir pelo povo”, disse Andrada. Para o relator, há um “desequilíbrio entre Poderes”. “Mancomunado com o Judiciário, [o Ministério Público] trouxe desequilíbrio na relação entre Poderes”, diz Bonifácio.

Organização Criminosa

O relator destacou que a legislação atual não explicita de forma clara o crime de organização criminosa e defendeu que há atuação política do MP para criminalizar a classe política. Segundo Andrada, o conceito de organização criminosa não pode ser banalizado e nem usado indiscriminadamente. “Tipo penal extremamente aberto, elástico e acaba por criminalizar uma série de condutas lícitas”, ressaltou.

Andrada defendeu que o Ministério Público deve se manter como um fiscal da lei e de sua execução e que não deve “extrapolar suas atribuições”. “Essa denúncia apresenta uma ampla acusação à vida pública brasileira”, afirmou. Em seu parecer, Andrada disse que há um ataque generalizado aos homens públicos do país. “É inadmissível considerar que o partido político constitua uma associação para fins criminais. Não é como uma organização criminosa.”

O relator destacou que a denúncia apresentou “atos estranhos ao exercício do mandato” de Michel Temer, o que legalmente não poderia ser alvo de questionamento do Ministério Público. “Somente os fatos após maio de 2016 é que serão objetos de análise penal”, disse. Para ele, a atividade questionada pela denúncia é inerente ao cargo de presidente da República. “Trata-se de competência do atual presidente e de qualquer outro. Isso faz parte do sistema presidencialista”, apontou. Andrada questionou ainda o fato de o MPF citar nomeações políticas na peça acusatória. “O MP desejaria que o presidente da República assumisse o governo sem ministros”, completou.

Ministros

Para o deputado, como não há provas contra o presidente como chefe na organização criminosa, as acusações contra os ministros perdem o sentido. “O que se vê são atividades político-partidárias sendo tratadas como criminosas”, reiterou. Andrada citou ainda que parte principal da denúncia proposta pelo Ministério Público incluía o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff. “Constitui uma denúncia complexa, exigindo estudos maiores, pois quase atinge toda uma fase da nossa história política.”

Tramitação

O relatório de Andrada será apreciado pelos membros da comissão e, se aprovado na CCJ, será encaminhado para plenário. Entretanto, independentemente do parecer apresentado na comissão, o plenário deverá decidir se autoriza ou não a abertura de processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente.

Ainda hoje, após a leitura do parecer, terão direito a se manifestar os três advogados dos denunciados pelo mesmo tempo de exposição do relator. Em seguida, os deputados devem pedir vista, ganhando mais tempo para análise do processo e dos argumentos apresentados pela defesa.

Se o parecer apresentado por Andrada não for aprovado pelos membros, o presidente da CCJ deve designar imediatamente um novo relator que apresente um voto diferente do relator anterior. Este novo relatório também será submetido à votação dos membros da comissão e, se vencer, encaminhado ao plenário.

Durante a manhã, na primeira parte da reunião da CCJ destinada à análise da segunda denúncia, o presidente do colegiado, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), negou todas as questões de ordem apresentadas pelos parlamentares.

Com informações da Agência Brasil

 

Em João Pessoa, ex-ministro diz que se Lula for eleito o ‘mercado desaba’

Mailson da Nóbrega, por outro lado, chama o governo Temer de mais reformista da história recente

Mailson da Nóbrega fará palestra na Paraíba nesta sexta-feira. Foto: Divulgação/PSDB

O ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, paraibano de Cruz do Espírito Santo, faz previsões catastróficas caso o ex-presidente Lula (PT) seja candidato e, eventualmente, eleito no próximo ano. A consequência disso, segundo ele, seria a catastrófica. “O mercado vai desabar, porque vai ser a percepção de que tudo o que foi feito de errado vai voltar a ser feito”, sentenciou o economista. Nóbrega foi ministro no governo de José Sarney (PMDB), entre 1988 e 1990. Foi o responsável também pelo Plano Verão e, sob o seu comando, a economia brasileira viveu o seu pior momento na história, com uma inflação que chegou a 1.972,9% ao ano, no pior período da hiperinflação.

Nóbrega não nega sua admiração pelo governo do presidente Michel Temer, do PMDB como José Sarney. Faz, inclusive, considerações a respeito da avaliação pessoal do gestor. Ao ser questionado pela jornalista Nelma Figueiredo, durante entrevista à CBN João Pessoa, sobre se é mais fácil o peemedebista recuperar a economia do que a popularidade, ele foi enfático. “Claro que é (mais fácil a economia). Você está vivendo um paradoxo hoje. Temer é o presidente mais impopular da República desde a proclamação da República ou desde o período em que se começou a fazer esse tipo de pesquisa. No entanto, é o presidente mais reformador do período recente”, ressaltou.

E continua: “O que difencia o presidente Temer de outros mal avaliados é a sua capacidade de articulação. Capacidade de conversar, de negociar politicamente com o Congresso. Ele é o primeiro presidente da República com vasta experiência parlamentar. Nós tivemos outros: (José) Sarney, (Fernando) Collor, Fernando Henrique, mas somente ele (Temer) foi presidente da Câmara, que é uma Casa especial. Ele foi presidente três vezes. Então, ele conhece o jogo, conhece o jingle, não é? As mumunhas, as manhas, as formas de agir, as formas de negociar, o uso das ferramentas de poder. Ele tem isso como nenhum presidente da história do Brasil e é isso o que tem feito a diferença”, acrescentou.

Mailson da Nóbrega demonstra grande empolgação com os números mais recentes divulgados pela equipe econômica. Ele acredita que o pior já passou e que o Brasil vai voltar a crescer. Admite, no entanto, que de forma ainda tímida. “Neste ano vamos crescer medíocres 0,7%. Essa é a minha estimativa e de grande parte do a do mercado, mas no próximo ano vamos crescer 2,8%, 3% e tem os mais otimistas que acreditam em 3,5%. Mas está longe do que o Brasil pode crescer, que seria de 4% ou 5%”, ressaltou. Ele assegura que o Brasil está se afastando da “tragédia do que foi o desempenho da economia em 2015 e 2016”, períodos da transição de Dilma Rousseff (PT) para Michel Temer.

O ex-ministro demonstra otimismo grande sobre o crescimento do emprego, com dados, inclusive, de difícil consolidação. Ele prevê que o país terá 10 milhões de desempregados ao final do próximo ano. O número atual é de 14 milhões. Cita para justificar isso o gradual crescimento das contratações. O saldo de empregos criados nos primeiros oito meses deste ano é de 163.417. Se considerarmos os últimos 12 meses, no entanto, teremos um saldo de 544.658 vagas fechadas. Ou seja, seria necessário um novo milagre brasileiro para se conseguir a marca prevista por Nóbrega. Para 2018, o ex-ministro acredita que a população vai optar por um presidente que priorize as reformas.

Manoel Júnior é citado no inquérito da PF sobre o “quadrilhão do PMDB”

Revista Veja afirma que presidente Michel Temer teria recebido R$ 31,5 milhões em vantagens

Manoel Júnior havia dito ao Jornal da Paraíba, antes da denúncia, que não acreditava em citações a peemedebibistas paraibanos. Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, é citado no relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito investigou o chamado “PMDB da Câmara”, grupo de deputados e ex-deputados do partido. Júnior era parlamentar até o fim do ano passado, quando renunciou ao mandato para assumir o cargo de vice de Luciano Cartaxo (PSD). A PF aponta o presidente Michel Temer (PMDB) e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) como integrantes de uma organização criminosa. As informações são da revista Veja.

A Polícia Federal atribui ao grupo, segundo a revista, as práticas dos delitos de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Informações do jornal O Estado de São Paulo dão conta ainda de que o relatório aponta o recebimento de R$ 31,5 milhões em propinas pelo presidente Michel Temer. As informações foram divulgadas no mesmo dia em que o vice-prefeito disse, ao Jornal da Paraíba, que o PMDB da Paraíba não figuraria entre os denunciados por qualquer denúncia relacionada ao PMDB da Câmara.

No relatório, relativo ao inquérito 4327, revela a Veja, os investigadores incluem ainda os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Os três já estão presos. O documento já foi enviado ao Ministério Público Federal e deve ser um dos elementos que subsidiarão nova denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer, a ser apresentada até sexta-feira. Ele deixa o cargo no próximo dia 17 e será substituído por Raquel Dodge.

“Integrantes da cúpula do partido supostamente mantinham estrutura organizacional com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública direta e indireta”, disse a PF em nota, que acrescenta que “o grupo agia através de infrações penais, tais como: corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, evasão de divisas, entre outros crimes cujas penas máximas são superiores a 4 anos”.

Considerado operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro também foi citado no relatório. Ele fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado na semana passada pelo relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin. Em seus depoimentos, Funaro afirmou que Temer não apenas sabia dos esquemas de corrupção do partido como participou deles, recebendo propinas ou intermediando dinheiro ilícito a campanhas de aliados. As revelações do doleiro também devem ser usadas por Janot na denúncia contra o presidente.

O blog não conseguiu contato com Manoel Júnior e ele não retornou as ligações.

 

Paraíba: PMDB vive síntese da música ‘Já sei namorar’, do Tribalistas

Apesar de envolvido nas crises nacionais, partido é disputado “à tapa” por Cartaxo e Ricardo

Luciano Cartaxo posa para foto ao lado de Manoel Júnior e Mangueira na transmissão de posse. Foto: Divulgação/Secom-JP

O PMDB, na Paraíba, é o único partido que morre de dizer que vai ter candidatura própria e, mesmo assim, é disputado como massa de apoio. De um lado, enquanto atual aliado, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), tenta preservar o partido na base. Do outro, ex-aliado, o governador Ricardo Coutinho (PSB) busca reconstruir pontes ruídas por causa da briga de ambos polo poder. No meio, o senador José Maranhão (PMDB) afirmando laconicamente que seu nome está à disposição para a disputa e flertando com ambos. Com o movimento, o partido encarna a música “Já sei namorar”, do Tribalista, com a letra “Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem…”

O reflexo disso é claríssimo e tem produzido resultados. Depois de ver ganhar as ruas a tese de que não dialoga com o PMDB, o prefeito Luciano Cartaxo convocou entrevista coletiva para a transmissão de posse. O mote foi a entrega do bastão do governo para o vice peemedebista Manoel Júnior. O tom dado no evento foi o de que o partido tem protagonismo na gestão pessoense. Esta é nada menos que a terceira vez que Júnior assume a prefeitura. Desta vez, o prefeito viaja para Washington, nos Estados Unidos, para participar de um evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Trata-se do programa Cidades Sustentáveis, do qual a capital paraibana faz parte.

Já Ricardo Coutinho, em busca do apoio do PMDB, tenta apagar a imagem de “traição” afirmada pelos peemedebistas. Por conta dela, em 2016, houve o rompimento com José Maranhão. Agora, o governador faz elogios ao senador e projeta a possibilidade de os dois partidos estarem juntos em 2018. A aliança cumpriria dois efeitos: tirar um aliado de Cartaxo e, consequentemente, agregar tempo de televisão para a chapa. O candidato do PSB deverá ser o secretário de Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, João Azevedo. O nome chegou a ser posto para a disputa no ano passado, mas perdeu força no meio do caminho. Azevedo foi substituído por Cida Ramos para a disputa da prefeitura da capital.

Por outro lado, tem os peemedebistas que acreditam na possibilidade de candidatura própria. O deputado Raniery Paulino, por exemplo, quer que o partido faça candidatura solo. Ou melhor, encabece uma chapa. A probabilidade de isso acontecer, analisada pelo efeito formal, é mínima. Ela favoreceria, no entanto, as candidaturas proporcionais. Vai depender das regras que valerem para o ano que vem. O senador José Maranhão trabalha com essa perspectiva e colocou o nome dele à disposição. Com isso, aproveita o fato de não ter nada a perder. Tem a garantia de mandato até 2022 no Senado, já que foi eleito em 2014.

A tendência do partido, no entanto, é rachar novamente em 2018. De um lado, haverá quem puxe para a aliança com o governador Ricardo Coutinho. O time dos que defendem esse afinamento é puxado pelo senador Raimundo Lira. Com ele estão os deputados federais Hugo Motta e Veneziano Vital do Rêgo e os estaduais Nabor Wanderley e Jullys Roberto. No sentido contrário, o vice-prefeito Manoel Júnior aponta como melhor caminho a adesão a Cartaxo. Se o pessedista for candidato, ele, enquanto peemedebista, assume a prefeitura. Alega ainda que se o socialista fizer o sucessor em 2018, a tentativa de reeleição do partido, em 2020, contará com um dificultador, que seria ter Ricardo como adversário.

Efraim Filho diz que DEM vai dar troco na ‘gula’ do PMDB sobre aliados

Desconforto ficou evidente após peemedebistas anunciarem filiação de Fernando Bezerra e Fernando Filho

Efraim Filho questiona tratamento dispensado pelo PMDB ao Democratas. Foto: Alex Ferreira

O clima não anda bom entre os peemedebistas e um dos principais aliados da sigla no Congresso, o DEM. Líder do partido na Câmara dos Deputados, o paraibano Efraim Filho desabafou em relação ao tratamento dispensado pelos peemedebistas. “Vai ter troco”, ele afirma. O motivo do descontentamento foi o anúncio feito pelo senador Romero Jucá, presidente nacional do PMDB. O partido deve filiar o senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho e o herdeiro político dele, o ministro das Minas e Energia Fernando Filho. Os dois eram cortejados pelo DEM, com o objetivo de se reforçar para as eleições do ano que vem.

Esta é a segunda vez que uma liderança do PMDB passa à frente na hora de filiar parlamentares descontentes do PSB. O primeiro episódio foi protagonizado pelo próprio presidente Michel Temer. Ele mesmo foi à casa da líder do PSB na Câmara, Tereza Cristina (MS), para oferecer o PMDB como legenda para receber os cerca de 15 insatisfeitos do partido. Na época, o DEM, que vinha cortejando a parlamentar, demonstrou irritação com o comportamento do presidente. O novo episódio, agora, foi protagonizado por Jucá, que, no Congresso, defende os interesses do partido em consonância com Temer.

“Esse gesto gera um ruído desnecessário, foi recebido com desconforto pela bancada e fragiliza nossa relação daqui por diante. Não é a retribuição que se espera de um aliado”, ressaltou Efraim Filho. A movimentação do PMDB segue no sentido de evitar o fortalecimento do Democratas. Informações de bastidores indicam o temor dos peemedebistas de verem o DEM fortalecido. Trata-se do partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), justamente a quem compete a condução de eventuais processos de impeachment contra o presidente Michel Temer. O clima é de desconfiança entre as siglas.

 

PMDB determina a suspensão de Veneziano do partido por 60 dias

Paraibano foi um dos membros da sigla que votaram favoravelmente à investigação do presidente Temer

Veneziano Vital do Rêgo foi um dos seis deputados peemedebistas que votaram a favor da investigação. Imagem: Reprodução/TV Cabo Branco

O PMDB anunciou nesta quinta-feira (10) a suspensão das funções partidárias dos parlamentares peemedebistas que votaram na Câmara dos Deputados pela admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer (PMDB). A lista inclui o paraibano Veneziano Vital do Rêgo. O ofício com a determinação foi enviado pelo dirigente nacional da sigla, senador Romero Jucá, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Temer foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por suposto crime de corrupção passiva. Caso o Legislativo tivesse autorizado, ele poderia ser processado no Supremo Tribunal Federal (STF).

O PMDB fechou questão para barrar a denúncia. Por esta lógica, ficou determinado que haveria punição contra os deputados rebeldes. Ao todo, seis parlamentares desobedeceram a determinação. Foram eles Celso Pansera (RJ),  titular em 11 comissões e suplente em quatro; Jarbas Vasconcelos (PE), titular em duas comissões; Laura Carneiro (RJ), titular em 11 comissões e suplente em cinco; Sergio Zveiter (RJ), titular em quatro comissões e suplente em uma; Veneziano Vital do Rêgo (PB), titular em quatro comissões e suplente em seis, além de Vitor Valim (CE), titular em 18 comissões e suplente em seis.

Com a decisão, eles ficam impedidos de participar das comissões, por causa do caráter partidário da indicação. De acordo com a assessoria do partido, a suspensão é o primeiro passo do processo disciplinar ao qual os deputados serão submetidos. Nos próximos dias, o Conselho de Ética do PMDB analisará o caso dos seis parlamentares e poderá puni-los com penas que vão de advertência até a expulsão do partido. Eles também ficam afastados das funções nas executivas do partido nos respectivos estados. Ou seja, Veneziano Vital do Rêgo não poderá votar em deliberações do PMDB na Paraíba.

Veja a íntegra da nota do PMDB:

O PMDB, em cumprimento à decisão unânime da Comissão Executiva do partido, suspendeu por 60 dias, de suas funções partidárias, os deputados que votaram a favor da denúncia do presidente da República, Michel Temer. Esta decisão foi tomada por descumprimento dos parlamentares ao fechamento de questão sobre o assunto em reunião realizada no dia 12 de julho, em Brasília. O ato de suspensão ja foi comunicado a todos os filiados e ao Conselho de Ética do partido.

 

Em evento com Luciano Cartaxo, Lira defende aliança do PMDB com Ricardo

Prefeito, por outro lado, acredita na manutenção dos peemedebistas na oposição

Raimundo Lira diz que vai priorizar as ações junto aos prefeitos aliados. Foto: Divulgação/Senado

O senador Raimundo Lira, líder do PMDB no Senado, deu sinais de que a sigla peemedebista rumará para a terceira eleição seguida rachado. O parlamentar segue rota distinta do também senador José Maranhão e do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior. Ele quer que o partido marche, em 2018, ao lado do governador Ricardo Coutinho (PSB). As declarações foram dadas durante audiência no Tribunal de Contas do Estado para discutir a Medida Provisória 778/2017, que tramita no Senado. A proposta prevê o parcelamento das dívidas previdenciárias de estados e municípios com da Previdência Social. O evento contou com a participação do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, virtual candidato do PSD ao governo.

O PMDB, vale ressaltar, é disputado por dois blocos. De um lado, o governador Ricardo Coutinho, preferido de Raimundo Lira. Do outro, o das oposições, que tem a preferência do senador e presidente estadual do PMDB, José Maranhão. Apesar da indefinição no bloco governista sobre quem serão os candidatos, Lira demonstra otimismo em relação à composição. O partido não conseguiu construir consenso nas eleições de 2014, quando parte apoiou a reeleição de Ricardo Coutinho e a outra, a eleição de Cássio Cunha Lima. Em 2016, o partido rompeu com Ricardo e se alinhou com a oposição. No pleito de 2018, a tendência é de novo racha.

Cartaxo

Procurado pela imprensa, no mesmo evento, o prefeito Luciano Cartaxo demonstrou otimismo em relação à manutenção da aliança dos partidos de oposição. Ele garantiu que tem havido diálogo entre as principais lideranças do bloco, inclusive José Maranhão. “Acho que até abril do ano que vem essa composição estará definida. A partir daí, começarão as discussões em torno de nomes para as chapas majoritária e proporcional”, disse o prefeito. Pela parte das oposições, além dele, são lembrados os nomes do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, e do senador Cássio Cunha Lima, ambos do PSDB, além de José Maranhão, do PMDB.

Lira se reúne com Temer e cresce pressão para ele liderar o PMDB no Senado

Paraibano disse nesta semana que não quer assumir o compromisso

Raimundo Lira diz que vai priorizar as ações junto aos prefeitos aliados. Foto: Divulgação/Senado

O senador paraibano Raimundo Lira (PMDB) tem dito inteiradas vezes que não tem interesse na liderança do PMDB. A pressão de colegas de parlamento para que ele assuma o posto, no entanto, não tem sido pequena. O parlamentar se reuniu nesta sexta-feira (30) com o presidente Michel Temer (PMDB), mas não divulgou o conteúdo da conversa. Os governistas querem contornar os “contratempos” criados para o gestor por Renan Calheiros, que entregou o cargo nesta semana. Lira chegou a disputar com Renan a indicação para o posto de líder no início do ano, mas foi atropelado pelo “rolo compressor” alagoano.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), tinha o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) como nome ideal. Mas investigado na Lava Jato e com o primo Henrique Alves preso, o parlamentar norte-riograndense declinou do convite. Ele foi o primeiro a defender o nome de Lira para o posto. O senador paraibano foi o presidente da Comissão Processante que ratificou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na época, ele teve atuação destacada e foi bastante elogiado. O governo procura alguém com perfil mais afeito às reformas propostas pelo governo Temer, notadamente a Trabalhista e a da Previdência. Há o temor que a perda de capilaridade política do presidente impeça a aprovação das duas.

Matéria publicada pelo G1, neste sábado, mostra que os senadores peemedebistas defendem a escolha de Lira. O maior entusiasta é Garibaldi Alves. Eles enxergam vantagem, também, no fato de Lira ter bom relacionamento com Jucá. Em conversa com o blog, após as primeiras especulações, o senador paraibano disse que não tinha interesse na indicação. Ele ressaltou a necessidade de visitar os municípios paraibanos e dialogar com os prefeitos. O parlamentar precisa se fortalecer eleitoralmente para a disputa das eleições no ano que vem, quando poderá ter como adversários pela vaga Cássio Cunha Lima (PSDB), buscando a reeleição, e o governador Ricardo Coutinho (PSB). Uma parada duríssima.

Outra leitura feita por aliados do senador paraibano é que assumir a linha de frente do governo Temer não é uma boa ideia. E  há motivo para essa preocupação em relação a Lira: 2018 está logo ali.

Após saída de Renan, Raimundo Lira diz não à liderança do PMDB do Senado

Senador foi lembrado para a função, mas disse que tem outras prioridades

Raimundo Lira diz que vai priorizar as ações junto aos prefeitos paraibanos. Foto: Divulgação/Senado

O senador paraibano Raimundo Lira (PMDB) disse não, neta quarta-feira (28), à indicação para líder do PMDB no Senado. O nome dele foi lembrado pelos colegas de parlamento após Renan Calheiros (PMDB-AL) pedir para sair do cargo. Os dois protagonizaram um embate interno, no partido, no início do ano pela vaga. Calheiros saiu na vantagem, mas, desde o início, vinha apresentando postura contrária aos interesses do governo. De saída da função, ele disse que não tinha vocação para “marionetes”. O parlamentar alagoano se colocou contra as reformas propostas pelo governo, notadamente a Trabalhista e a Previdenciária.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), vinha articulando o nome de Garibaldi Alves (RN) para o posto. Garibaldi, porém, nega interesse na vaga e defende que Raimundo Lira substitua Renan. Nada mais natural, afinal, o paraibano tinha demonstrado interesse anteriormente. Outros peemedebistas seguiram o mesmo entendimento e tentaram convencer Lira. O parlamentar, porém, deixa claro que não tem interesse de assumir a missão. Em contato com o blog, revelou que tem outros planos. Não pretende ceder. “Estou em um processo de visita aos prefeitos que me apoiam. Se assumisse a liderança, não teria como dar continuidade a esse trabalho”, ressaltou.

A missão para quem assumir a função não será das melhores. Com a popularidade do presidente Michel Temer (PMDB) no solo, não será fácil encontrar um substituto para a vaga. O gestor tende a referendar para a função um nome menos belicoso que Renan Calheiros. O peemedebista assumiu, enquanto líder do partido, posição contrária às reformas propostas por Temer. “Deixo a liderança do PMDB. Devolvo, agradecido aos meus pares, o honroso cargo, que procurei exercer com a dignidade merecida, sempre orientado pelos objetivos mais permanentes no país.” Ele diz não ter votação para servir de “marionete”.

“Ingressamos num ambiente de intrigas, provocações, ameaças e retaliações, impostas por um governo, suprimindo o debate de ideias e perseguindo parlamentares”, ressaltou Renan Calheiros. “Precisamos, claro, de um plano econômico de emergência. Ontem [terça, 27], o ministro do Planejamento [Dyogo de Oliveira] chamou a atenção para a crise fiscal que o país atravessa. Eu defendo reformas, mas não as reformas destinadas a abolir direitos trabalhistas conquistados a duras penas.”