Requião diz que pré-requisito para ministro de Temer é usar tornozeleira eletrônica

Senador peemedebista defende eleições gerais para o Brasil

Roberto Requião (D) participou de entrevista coletiva na API. Foto: Angélica Nunes

O senador peemedebista Roberto Requião (PR) defendeu eleições gerais para o país em caso de cassação do presidente Michel Temer (PMDB). A posição foi apresentada durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (21). A conversa com a imprensa ocorre no mesmo dia em que será realizado, na capital, o 1º Comício pelas Diretas Já. O evento ocorre a partir das 14h, no Ponto de Cem Réis. O discurso do correligionário do presidente foi reforçado por outras lideranças de esquerda, que estiveram na coletiva. Falaram no mesmo sentido a deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE) e o senador João Capiberibe (PSB-AP).

Ao falar sobre o atual governo, ele foi irônico ao citar o número de membros alvos de denúncias na operação Lava Jato. “O cara é nomeado ministro e recebe logo uma tornozeleira eletrônica”, falou Requião, acrescentando que a próxima reunião ministerial deve acontecer na Penitenciária da Papuda, em Brasília. O presidente é alvo de uma denúncia do Ministério Público Federal. O gestor é acusado de corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O Supremo Tribunal Federal (STF) pediu autorização à Câmara dos Deputados para abrir processo contra o atual mandatário do país.

A defesa de eleições diretas, segundo Requião, se dá pela falta de legitimidade do atual parlamento, além do presidente Temer. Ele alega que o financiamento privado de campanha fez com que deputados e senadores se reportem apenas a quem os financiou. Ele acusou, também, o presidente de ter rompido o pacto social firmado com a Constituição de 1988. Um exemplo deste rompimento, reforça o parlamentar, ocorreu a partir do momento em que foi aprovada a Reforma Trabalhista. Ele garante que o atual governo tem se comprometido principalmente com o “capital vadio”, o “capital que não gera nenhum emprego”.

Alegando não ter medo de represália do partido, Requião garante respeitar o estatuto original do PMDB. “O estatuto original define o PMDB como um partido das classes populares, desligado dos interesses do grande capital. Se ele não é isso hoje é por uma distorção da estrutura parlamentar. Então, eu faço exatamente o que tenho feito desde que entrei. Eu sou o filiado número um do partido no Paraná”, disse Requião. Dono de um discurso muito afinado com os partidos de esquerda, ele criticou “a venda de terras sem limite de tamanho aos estrangeiros”. “Daqui a pouco, teremos dificuldades para andar pelo país, porque as terras serão protegidas por milícias estrangeiras”, acrescentou.

Crítica

O senador João Capiberibe seguiu na mesma linha crítica de Requião. Ele diz que o país precisa dar um fim no quadro atual da política. O parlamentar destacou evitou falar em nomes para a disputa. Alega que os candidatos deverão ser apresentados no momento certo, mas terão que apresentar nomes. O voto direto seria o caminho, portanto, para dar legitimidade às ações do governo. “As pessoas andam incomodadas com a tragédia que estamos vivendo. Somos um país com 60 mil mortes por ano, mas do que qualquer guerra”, ressaltou o parlamentar.

“Falta solução de um governo que não governa. Nossa prioridade é sensibilizar uma população que perde direitos, com a precarização das leis trabalhistas, que amplia a carga de horário e reduz os empregos”, disse Capiberibe. O senador lembrou ainda que a campanha pelas diretas foi iniciada pelos artistas, com reuniões em vários estados. Agora, os políticos estão pegando a pauta em busca de protagonismo diante do momento vivo pela população.

Em busca de salvação, Temer libera R$ 40 milhões em emendas de paraibanos

Presidente busca apoio para se livrar da ‘admissibilidade’ da investigação contra ele

Hugo Motta defende a improcedência da ação contra o presidente Michel Temer. Foto: Lucio Bernardo Jr./Agência Câmara

A caneta tem pesado na operação desencadeada pelo presidente Michel Temer (PMDB) para evitar a admissibilidade da investigação contra ele. O tema será votado pelo plenário da Câmara dos Deputados no dia 2 de agosto. Para não ter o processo tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF), basta o apoio de 172 parlamentares, ou seja, um terço do total. As denúncias indicam a liberação de quase R$ 2 bilhões em emendas pelo Planalto para parlamentares aliados. Isso pode ser visto na Paraíba. Dos 15 parlamentares (três senadores e 12 deputados), pelo menos treze tiveram emendas empenhadas. O montante prometido para a Paraíba é superior a R$ 39 milhões.

E não falta bondade com os parlamentares simpáticos ao presidente. O senador Raimundo Lira (PMDB), que recentemente aceitou o comando do PMDB no Senado, teve empenhados R$ 5,4 milhões. Ele passou, com isso, a ser o mais agraciado com emendas da Paraíba. Mas não era assim antes. Afinal, das emendas já pagas, ele teve apenas R$ 3,4 milhões. Entre os senadores, o senador José Maranhão (PMDB) também teve bom desempenho no “feirão”. Ele teve empenhados R$ 3,5 milhões. Para se analisar o outro lado da moeda, basta ver a situação do também senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O tucano se posicionou contra a continuidade de Michel Temer no poder. E qual foi o resultado disso? Zero de suas emendas aprovadas.

ParlamentarAUTORIZADOEMPENHADOEXECUTADOPAGO  
BENJAMIN MARANHAOR$ 15,3 milhõesR$ 3,8 milhões0R$ 4,4 milhões
VENEZIANO VITAL DO REGOR$ 15,3 milhões00R$ 4,1 milhões
JOSE MARANHAOR$ 15,3 milhõesR$ 3,5 milhões0R$ 3,4 milhões
RAIMUNDO LIRAR$ 15,3 milhõesR$ 5,4 milhões0R$ 2,8 milhões
WILSON FILHOR$ 15,3 milhõesR$ 4,7 milhões0R$ 2,1 milhões
EFRAIM FILHOR$ 15,3 milhõesR$ 4,5 milhões0R$ 2,1 milhões
AGUINALDO RIBEIROR$ 15,3 milhõesR$ 4,7 milhões0R$ 2 milhões
HUGO MOTTAR$ 15,3 milhõesR$ 5 milhões0R$ 2 milhões
CASSIO CUNHA LIMAR$ 15,3 milhões00R$ 1,9 milhão
LUIZ COUTOR$ 15,3 milhõesR$ 1 mil0R$ 2,4 milhões
ROMULO GOUVEIAR$ 15,3 milhõesR$ 4,8 milhões0R$ 1,1 milhão
DAMI?O FELICIANOR$ 15,3 milhõesR$ 5 milhões0R$ 912,8 mil
WELLINGTON ROBERTOR$ 15,3 milhõesR$ 1,2 milhão0143,6 mil
Andre AmaralR$ 15,3 milhõesR$ 3,3 milhões00
PedroR$ 15,3 milhõesR$ 3,9 milhões00
BANCADA DA PARAIBA224,7 milhões

Agora vamos ao que mais interessa: o caso dos deputados que podem livrar a cara do presidente. Basta olhar a situação dos peemedebistas, a turma do mesmo partido de Temer. Hugo Motta e André Amaral se posicionam a favor da improcedência da ação contra o gestor. O primeiro teve R$ 5 milhões empenhados e o segundo R$ 3,3 milhões. O deputado Veneziano Vital do Rêgo, também filiado ao PMDB, teve zero de emendas. Tudo por que ele anunciou que vai votar pela procedência da ação. Ou seja, vai se posicionar contra o gestor e vinha fazendo isso em outras votações. A regra vale para todos os partidos. Se for simpático ao governo, sua vida está feita. Se for contrário…

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PP), teve empenhados R$ 4,7 milhões em emendas. Rômulo Gouveia (PSD) teve prometidos a ele R$ 4,8 milhões. Damião Feliciano (PDT), o mesmo que se posicionou várias vezes contra o presidente, manteve discrição nos últimos dias e, com isso, teve assegurados R$ 5 milhões. Wilson Filho (PTB), que se reuniu com Michel Temer recentemente e não revelou como pretende votar, recebeu a promessa de liberação de R$ 4,7 milhões. O líder do DEM, Efraim Filho, teve empenhados R$ 4,5 milhões. Do lado menos verde do campo, o oposicionista, além de Veneziano e Cássio, Luiz Couto (PT) aparece com apenas R$ 1 mil empenhado.

Com informações de Angélica Nunes, do jornaldaparaiba.com.br

 

 

 

Condenação de Lula sepulta eleições diretas e reduz chances de Temer sobreviver

Cobranças da população devem minar sobrevida do atual presidente

Condenação de Lula (D) terá impacto no processo que pode transformar Michel Temer em réu. Foto: Beto Barata/PR

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo juiz Sérgio Moro, apesar de não produzir efeito prático imediato, mexe profundamente no tabuleiro político. Não falo aqui das chances do petista ser candidato no ano que vem. Até por que, se forem lavadas em conta as prova usadas para a condenação, não haverá surpresa nenhuma se a decisão for reformada pela turma recursão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre. A decisão, por outro lado, tende a ferir de morte as chances do presidente Michel Temer (PMDB) escapar da admissibilidade do pedido para ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e sepulta, também, a possibilidade de eleições diretas.

Em relação à sobrevivência de Michel Temer, a reação é sintomática. A condenação de Lula a nove anos e seis meses de prisão, nesta quarta-feira (12), virou alvo de comemoração dos governistas e protestos da oposição. Do primeiro grupo, espera-se a constatação de que não dá para fazer discurso de que as coisas estão mudando e que a Justiça deve ser para todos, se houver votos suficientes para salvar o Temer. É fácil entender o raciocínio: a materialidade das denúncias contra o peemedebista são muito maiores que a existente contra o petista. Contra Temer há encontro fora da agenda, conversa sobre compra do silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro e ainda um deputado preso com uma mala recheada com R$ 500 mil.

As lideranças governistas fizeram discurso de concordância com a condenação de Lula e não poderão fugir do discurso. É lógico que sempre há o efeito Orloff, do “eu sou você amanhã”. Afinal, com praticamente todas as lideranças de peso sob o alvo da operação Lava Jato, os condenadores de hoje podem ser muito bem os condenados de amanhã. E isso amedronta. Porém, tudo entra na conta e haverá vigilância cerrada. Por conta disso, a condenação é um duro golpe nas pretensões governistas. O líder do DEM, Efraim Filho (PB), defendeu a condenação. Como, então, ele vai votar para impedir que Michel Temer vire réu no Supremo? Não teria lógica.

Da mesma forma, com Lula condenado, cai por terra a possibilidade de campanha para cobrar eleições diretas. O petista é o favorito de forma disparada para a disputa da Presidência da República. Sem acusações, ele ganharia com um pé nas costas de todos os outros candidatos juntos. Mas condenado, a coisa muda de figura. Como convencer o cidadão médio de que a manobra não é para dar uma couraça protetora ao petista para evitar a cadeia? O juiz Sérgio Moro não determinou, na sua sentença, a prisão imediata do petista. Isso abre a possibilidade para que ele recorra em liberdade e até faça campanha pelo país afora. Agora, vamos combinar… bota o pé na estrada com um tantinho a menos de brilho junto à militância.

 

Veneziano é o terceiro da bancada paraibana a anunciar voto contra Temer

Peemedebista entende que, assim como Dilma, Temer deve explicações à sociedade

Veneziano tem se distanciado das diretrizes do PMDB e corre o risco de ser expulso. Foto: Reprodução/Facebook

A militância histórica no PMDB não será empecilho para que o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo vote pela procedência da ação contra o presidente Michel Temer (PMDB). O ex-cabeludo tornou público nesta quarta-feira (12) que votará a favor do seguimento da ação. Ele é o terceiro paraibano a manifestar o voto a favor da denúncia formulada pelo Ministério Público Federal. Caberá à Câmara dos Deputados autorizar ou não que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra processo contra o gestor. Além de Veneziano, se manifestaram a favor os deputados Luiz Couto (PT) e Pedro Cunha Lima (PSDB).

O ponto dissonante em relação aos outros parlamentares favoráveis à investigação é que Veneziano integra o mesmo partido do presidente. Ao ser questionado sobre a ameaça de expulsão da sigla, o deputado diz estar preparado. “Não acredito que venha a acontecer, mas estou pronto para qualquer posição do partido”, ressaltou. Veneziano diz ter se decidido pela “acolhida da denúncia formulada pelo Ministério Público” apesar de ter identificado algumas “exacerbações interpretativas” na peça enviada à Câmara dos Deputados pelo STF. Os excessos, ele reforça, não tiram a gravidade das denúncias.

A métrica para a decisão, conforme o deputado, é a mesma usada para o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Diante das acusações, ele votou pela admissibilidade do processo. Entendia que a presidente precisaria apresentar sua defesa no Senado, que, naquele momento, tinha o papel de jugar a ex-presidente. Agora, com Temer, o entendimento é também pela admissibilidade. “A diferença é que a defesa dele ocorrerá no Supremo Tribunal Federal”, enfatizou, garantindo que a premissa é a mesma. Diante disso, assegura que votará com a mesma imparcialidade que usou para reprovar a terceirização e a reforma trabalhista, propostas pelo Executivo.

Dos parlamentares paraibanos, os outros três que se posicionaram a respeito do tema foram Hugo Motta e André Amaral, ambos do PMDB, e Aguinaldo Ribeiro (PP). Os três, vale ressaltar, são contra a admissibilidade do processo. Se mostram indecisos os deputados Wellington Roberto (PR), Wilson Filho (PTB), Efraim Filho (DEM), Damião Feliciano (PDT), Benjamin Maranhão (SD) e Rômulo Gouveia (PSD). Todos integram partidos com indicações no governo.

 

Confira como ficam as leis trabalhistas após aprovação da reforma no Congresso

Texto segue para sanção do presidente Michel Temer para entrar em vigor

Parlamentares votam projeto do governo em meio a protestos da oposição no Senado. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Depois da vitória governista no Senado, surgem as dúvidas da população sobre o que mudará no seu dia a adia. O blog traz, de forma sucinta, as principais mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Mais de 100 dispositivos foram alterados com o novo texto. A Reforma Trabalhista prevê, por exemplo, a supremacia do negociado sobre o legislado. Além disso, define o fim da assistência obrigatória do sindicato na extinção e na homologação do contrato de trabalho. Outro ponto na proposta aprovada com placar de 50 votos favoráveis contra 26, é o que acaba com a contribuição sindical obrigatória de um dia de salário dos trabalhadores.

Há também mudanças nas férias, que poderão ser parceladas em até três vezes no ano, além de novas regras para o trabalho remoto, também conhecido como home office. Para o patrão que não registrar o empregado, a multa foi elevada e pode chegar a R$ 3 mil. Atualmente, a multa é de um salário-mínimo regional. O PLC 38/2017, que flexibiliza a CLT, foi aprovado primeiro na Câmara dos Deputados, em abril. O texto votado no Senado nesta terça-feira (11) não sofreu alterações. O presidente Michel Temer (PMDB) prometeu editar uma Medida Provisória com alterações pontuais no texto aprovado no Congresso.

Veja o que muda:

 

Bancada paraibana só verá culpa em Temer se ele tatuar na testa “Sou ladrão e vacilão”

Gravações de áudios e “mala levada na carreira” não parecem graves

Michel Temer é acusado de corrupção passiva pelo Ministério Público Federal. Foto: Divulgação/PR

A bancada federal paraibana, tirando algumas exceções, vive em um mundo desconectado do real. E isso é muito latente quando a análise em questão tem a ver com as chances de o presidente Michel Temer (PMDB) concluir o mandato. Tirando os deputados federais Luiz Couto (PT) e Pedro Cunha Lima (PSDB) e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), todos evitam falar em culpa do presidente. Cássio, entre os críticos, foi além e disse acreditar que, em 15 dias, teremos um novo presidente do Brasil. Mas os três figuram como pontos fora da curva em relação ao gestor. Os outros dizem que vão primeiro analisar as acusações a defesa para tirar suas conclusões.

Para este grupo, composto por outros 12 parlamentares paraibanos (entre senadores e deputados), para ser culpado, o presidente precisaria, no mínimo, escrever na testa “Eu sou ladrão e vacilão”. O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma gravação, feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, pedindo a Temer a indicação de um interlocutor. O presidente indicou o então deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para, segundo ele, tratar de “tudo, tudo”. “Da minha mais inteira confiança”. O parlamentar, depois disso, negociou interferência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e foi flagrado correndo com uma mala de dinheiro. O MPF diz que o dinheiro era o tutor de Loures, ou seja, Temer.

Se isso não fosse suficientemente grave, o empresário entrou no Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente, sem se identificar tarde da noite. Com o presidente, confessou dezenas de crimes, entre eles, a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas, pelo visto, isso não é evidência suficiente. O presidente é alvo de um pedido de abertura de processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Se a Câmara dos Deputados aprovar com pelo menos dois terços dos votos (342) e o plenário da Suprema Corte referendar o pedido, o gestor será afastado por 180 dias. Durante este período, enquanto réu, ele poderá ser condenado e perder o cargo.

Ataque

Nas contas de Cássio, neo-adversário de Temer, esse momento está próximo. Para o senador Raimundo Lira, que recebeu recentemente o aval do presidente para assumir a liderança do PMDB no Senado, esta é apenas uma opinião do tucano. O deputado federal Hugo Motta (PMDB) segue no mesmo caminho. Diz ser preciso esperar o parecer do relator do pedido na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). A partir daí, haverá a votação no plenário. Ele acredita que o gestor consegue angariar 172 votos para livrar o pescoço na Câmara dos Deputados. “Estimular a instabilidade é um desserviço ao país”, diz o parlamentar.

O deputado Wilson Santiago (PTB) é outro que tem visto pouco o noticiário em relação à denúncia formulada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele alega que não recebeu as provas repassadas pela PGR. Citou que o deputado Pedro Cunha Lima, que integra a CCJ e defende o afastamento do presidente, tem mais propriedade para se posicionar. “Como advogado, vou ler item por item para decidir”, ressalta. Diz que a população, quando questionada, alega ser contra Temer, “mas quando se fala em trocar o presidente, metade diz sim e metade diz não”. É preciso saber onde esta consulta está sendo feita. Não vale perguntar ao deputado Carlos Marun (PMDB-RS) e ao senador Romero Jucá (PMDB-RO).

O deputado federal Rômulo Gouveia ouviu o presidente do seu partido, o ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab, falar na semana passada que Temer é o melhor para o Brasil. Apesar disso, o parlamentar enxerga dificuldades para o presidente. Mesmo sem antecipar sua posição, enquanto julgador na Câmara dos Deputados, disse que a sigla discutirá sua posição na próxima terça-feira (18). “Acredito que a manutenção dele será difícil diante desta situação”, ressaltou.

Dos 15 parlamentares paraibanos (12 deputados e três senadores), apenas três já se posicionaram a favor da saída de Temer do poder. A votação para que se decida sobre a abertura do processo contra Temer ocorre na Câmara dos Deputados. Se posicionaram a favor da investigação os deputados Pedro Cunha Lima e Luiz Couto. Hugo Motta e André Amaral, ambos do PMDB, se disseram contra. Em cima do muro, outros oito parlamentares se equilibram sem anunciar qual posição será adotada.

Colaborou Angélica Nunes

Michel Temer publica artigo: “Brasil não pode parar”

Presidente foca na economia em mensagem à população

Brasília – O presidente Michel Temer tenta ressaltar pontos positivos do seu governo na área econômica. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Michel Temer (PMDB) publica artigo, nesta terça-feira (4), voltado para a questão econômica. Com o título o ‘Brasil não pode parar’, fala das reformas e cita a recuperação do emprego, apesar de ela ainda ser tímida. O gestor é alvo de um pedido de abertura de processo remetido à Câmara dos Deputados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para piorar o momento difícil, nesta segunda-feira (3), viu um dos seus principais aliados, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ser preso. Vieira é acusado de tentar atrapalhas as investigações da Lava Jato. Neste momento, Temer busca apoio para evitar o avanço das investigações contra ele no Congresso. Confira a íntegra do artigo:

BRASIL NÃO PODE PARAR

*Michel Temer

O título deste artigo faz referência a uma frase que era orgulho de paulistas e, posso dizer, de brasileiros em geral. Durante anos ecoava em todo o país o brado “São Paulo não pode parar”. Hoje, esse sentimento e essa convicção estão presentes em todos que percebem que o país mudou. O Brasil não pode parar. Ninguém conseguirá tirar o nosso país dos trilhos do crescimento e da justiça social.

A resposta à crise artificial é clara. Tivemos abertura de novos empregos em três dos cinco primeiros meses do ano, em fevereiro, abril e maio. Em 2017 a geração de empregos já é positiva. Nosso trabalho agora é ampliar esse quadro e absolver os milhares de brasileiros que estão fora do mercado de trabalho.

Estamos a um passo da aprovação da proposta de modernização trabalhista que enviei ao Congresso Nacional, que simplifica as leis trabalhistas. Ela passou pelas comissões temáticas e, agora, vai para o plenário do Senado.

Esta reforma é fruto de muito diálogo com todos os setores envolvidos, especialmente os trabalhadores. De acordo com estudo divulgado recentemente, a modernização trabalhista, junto com a lei da terceirização, pode gerar 2,3 milhões de empregos formais em curto espaço de tempo.

Ela pune o empregador que pagar salários diferentes para homens e mulheres que exerçam a mesma função. Fortalece o papel do sindicato nas relações trabalhistas, dando força de lei do acordo coletivo. O Brasil, hoje, tem 90% de todos os litígios trabalhistas ocorridos no mundo.

Patrões e empregados vão poder negociar questões pontuais, como duração da jornada de trabalho e adequação desta jornada para diferentes públicos; trabalho remoto; banco de horas; participação nos lucros.

Meu governo tomou medidas que dão mais segurança ao trabalhador no mercado de trabalho e simplifica a busca de novas colocações. Lançamos, em dezembro de 2016, uma plataforma antifraude no seguro-desemprego. Já foram bloqueados 29.871 requerimentos e evitadas fraudes no valor de quase R$ 153 milhões, propiciando economia direta e indireta no valor de cerca de R$ 487 milhões.

Em maio deste ano, lançamos o Sine Fácil, um aplicativo móvel que permite ao trabalhador encontrar, sem precisar gastar dinheiro com deslocamentos até uma agência do Sine, vagas adequadas ao seu perfil. Até o último dia 23, o Sine Fácil tinha encaminhado 11.684 pessoas a vagas de emprego.

O momento que atravessamos exige responsabilidade de todos. Responsabilidade com as pessoas, com a coisa pública, responsabilidade com atos e palavras. O que está em jogo é a superação de uma crise sem precedentes, é o futuro do Brasil.

Por isso, repito: o Brasil não pode parar. O Brasil não tem tempo a perder. Seguiremos adiante.

*Presidente da República

Desde já,

Agradecemos!

“Temer é o melhor para o Brasil”, diz o ministro Gilberto Kassab

Dirigente do PSD garante votos do partido contra abertura de processo contra o presidente

Ministro Gilberto Kassab diz que o seu partido, o PSD, manterá apoio a Michel Temer. Foto: Suetoni Souto Maior

O PSD vai votar contra a abertura de processo contra o presidente Michel Temer (PMDB) no Supremo Tribunal Federal (STF). A garantia é do ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab. O parlamentar esteve em João Pessoa na manhã desta sexta-feira (30) para assinar os protocolos para a conversão dos sinais de rádio AM para FM. O pedido de abertura do processo foi remetido à Câmara dos Deputados pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no STF. O ministro atendeu solicitação feita pelo Ministério Público Federal (MPF). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusa o gestor de corrupção passiva.

Michel Temer foi gravado por Joesley Batista, da JBS. O empresário, inclusive, colaborou com uma ação controlada programada pela Polícia Federal. Nela, foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil o ex-deputado e ex-assessor do peemedebista, Rodrigo Rocha Loures (PR). Sem mandato, o ex-parlamentar se encontra preso. Ele teria agido, segundo o Ministério Público, a mando de Temer. A investigação poderá ser aberta desde que 342 deputados federais votem a favor da apuração. Caso isso não ocorra, o presidente ficará livre da investigação. Foi montada uma verdadeira operação de guerra para garantir que os votos contrários ou ausências somem mais de 172 votos.

Kassab, em João Pessoa, tratou de garantir a manutenção do apoio ao peemedebista. Ele demonstra pouco incômodo com as acusações feitas contra o peemedebista. “É o melhor nome para o Brasil”, diz o ministro da Ciência e Tecnologia. O ministro assegurou que o seu partido vai manter o apoio ao gestor peemedebista, apesar das denúncias de corrupção passiva. O discurso de Gilberto Kassab segue na mesma linha de outro ministro que esteve na Paraíba, nesta semana. Em Campina Grande, nesta quinta-feira (29), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que a saída do atual presidente traria instabilidade à economia do país.

Dois ministros de Temer visitam a Paraíba nesta semana

Blairo Maggi e Gilberto Kassab cumprem agenda no Estado em meio a turbulência política

Gilberto Kassab comanda a Ciência e Tecnologia e assinará convênios na Paraíba. Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Dois ministros do presidente Michel Temer (PMDB) visitam a Paraíba entre esta quinta (29) e sexta-feira (29). Eles vêm ao Estado justamente no pior momento político do mandatário maior da nação. O primeiro a desembarcar é o titular da Agricultural, Blairo Maggi. Ele estará em Campina Grande nesta tarde, onde participa de reunião com produtores rurais e políticos. Ele estará às 15h no Encontro Regional da Agricultura no auditório da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep). A reunião é itinerante entre os estados brasileiros, e, neste mês de junho, será realizada em Campina Grande. Durante o encontro, o ministro também receberá entidades de classe e representantes do agronegócio para ouvir as demandas da região.

Maggi será conduzido, na Paraíba, pelo líder do governo na Câmara, deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). De acordo com Ribeiro, o encontro serve para debater ações em prol do desenvolvimento das atividades do setor agrícola. “É com grande alegria que recebemos o ministro Blairo Maggi na nossa querida Campina Grande para participar desse importante encontro. Sem dúvida a agricultura é um dos grandes setores do nosso país e do nosso Estado e esse encontro de hoje é mais um passo que se dá em busca do desenvolvimento agrícola da Paraíba”, destacou o parlamentar. O ministro dará entrevista coletiva de imprensa que será realizada às 17h.

Nesta sexta-feira, o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, cumprirá agenda em João Pessoa, durante a manhã. Ele vai participar da assinatura da autorização para a conversão das emissoras de AM para FM. Na sequência, participa de um almoço com empresários e lideranças políticas. Haverá também uma agenda solicitada por Kassab, enquanto presidente nacional do PSD, para um encontro reservado com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. Os dois são do mesmo partido. Em seguida, seguem para Campina Grande Kassab, Cartaxo e Rômulo Gouveia, presidente estadual da sigla. O vice-prefeito, Manoel Júnior (PMDB), também integra a comitiva que vai participar do Maior São João do Mundo.

Em Campina Grande, o grupo vai visitar o camarote do prefeito Romero Rodrigues (PSDB) e, posteriormente, de outras lideranças aliadas. Romero e Cartaxo têm protagonizado uma briga por apoio dos partidos da base aliada para a disputa do governo da Paraíba, em 2018.

Denúncia contra Temer cita Vitalzinho e “exclui” Manoel Júnior

Vice-prefeito é citado apenas em relatório suplementar enviado ao Supremo

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), não é citado na denúncia protocolada pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB). A confusão ocorreu por causa da divulgação, pela PGR, de dos dois relatórios protocolados no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro, a “Íntegra da cota”, faz referência ao inquérito que investiga a atuação do grupo identificado como “PMDB da Câmara dos Deputados”. O grupo seria ligado ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se encontra preso em Curitiba. Eles seriam responsáveis pela venda de requerimentos e emendas a empresários. Manoel Júnior é citado nesta investigação, mas ela não consta na integra a denúncia.

A “Íntegra da Denúncia”, protocolada pela PGR no Supremo, não cita efetivamente Manoel Júnior. E é justamente ela que vai tramitar na apuração na denúncia de corrupção passiva que pesa contra Michel Temer. O presidente foi gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS. Na acusação, o gestor é acusado de ser o destinatário de uma mala com R$ 500 mil de propina entregue ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. Temer nega todas as acusações. Para a denúncia, foi elaborado um relatório suplementar, no qual Manoel Júnior é citado. O documento, no entanto, tem apenas caráter suplementar.

Vitalzinho, de novo

A denúncia contra Michel Temer, no entanto, cita o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho. Ele é relacionado em delação premiada por Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais da JBS, subsidiária da JBS. O ministro paraibano teria recebido o recurso quando ocupava o cargo de senador e disputava o governo da Paraíba, em 2014. Dos R$ 35 milhões destinados aos senadores, Vitalzinho teria ficado com R$ 8 milhões. O dinheiro era um saldo do que teria sido acertado com o PT para o financiamento de candidaturas do PMDB.