OAB protocola pedido de impeachment de Michel Temer

“Men In Black”: mais homens de preto que de verde (Exército) em Brasília

Advogados da OAB protocolam pedido de impeachment contra o presidente Temer. Foto: Divulgação

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou nesta quinta-feira (25) na Câmara dos Deputados pedido de impeachment do presidente Michel Temer (PMDB). No documento, a entidade argumenta que o presidente cometeu crime de responsabilidade e faltou com o decoro ao receber no Palácio do Jaburu o empresário Joesley Batista, dono da JBS, um dos investigados na Operação Lava Jato. O documento foi entregue pessoalmente pelo presidente da OAB, Cláudio Lamachia, que chegou à Câmara acompanhado por outros advogados integrantes do Conselho da OAB.

Lamachia disse que mesmo sem a comprovação da legitimidade dos áudios gravados por Joesley, o presidente não negou a ocorrência do encontro. “A fita, o áudio da conversa pode até mesmo ter sofrido alguma adaptação ou alguma interferência, mas o fato do presidente da República, em seus dois pronunciamentos e em entrevista para um jornal de ampla circulação nacional, não ter negado que ouve os diálogos, torna estes fatos absolutamente incontroversos. E, portanto, na visão da OAB nós temos aqui presente o crime de responsabilidade do senhor presidente da República.”, disse Lamachia ao chegar à Câmara.

Os áudios gravados por Joesley foram entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR ), com quem o empresário firmou acordo de delação premiada. As conversas estão sendo periciadas pela Polícia Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A perícia irá apontar se o áudio sofreu edição ou adulteração.

Na petição, a OAB afirma que o resultado da perícia não interfere na decisão da entidade. “Este voto não se pauta única e exclusivamente no conteúdo dos mencionados áudios, mas também nos depoimentos constantes dos inquéritos e, em especial, nos pronunciamentos oficiais e manifestações do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil que confirmam seu conteúdo, bem como a realização do encontro com o colaborador”, diz trecho do documento.

Para Lamachia, um processo de impeachment não traria desestabilização ao país.

A OAB destaca ainda que, na conversa, Temer não repreendeu Joesley, quando o empresário relatou que estaria obstruindo o trabalho da Justiça, ao pagar propina a dois juízes e receber informações privilegiadas de um procurador. A Ordem argumenta que o presidente deveria ter comunicado o fato às autoridades competentes.

Além do pedido da OAB, outros 13 já foram protocolados na Câmara desde o último dia 17. A decisão da OAB pelo pedido de impeachment foi tomada pelo conselho pleno da entidade no último fim de semana, por 25 votos a 1. Este é o terceiro pedido de afastamento de presidentes da República apresentado pela entidade. O primeiro, em conjunto com a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), ocorreu em 1992 em relação a Fernando Collor. O mais recente, no ano passado, envolveu a então presidenta Dilma Rousseff.

Decisão da presidência da Câmara

A decisão de acatar ou não os pedidos e abrir um processo de afastamento de Temer é do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Líderes da oposição disseram que, na próxima semana, vão cobrar de Maia que acate o pedido e instale a comissão para analisá-lo. “Não é razoável que o presidente Rodrigo Maia, para proteger seu aliado Michel Temer, estenda a permanência dele [no governo] contra tudo e contra todos. O Brasil pede que a comissão de impeachment seja instalada”, defendeu o líder da Rede, deputado Alessandro Molon (RJ).

O líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), disse que a presidência da Câmara não está fazendo “blindagem” do governo Temer e ressaltou que não se pode “desprezar nenhum argumento” apresentado no contexto da crise política. “Não tenho dúvida que por parte do presidente Rodrigo Maia [o pedido da OAB] merecerá uma análise técnica, jurídica e política como pede uma petição desta forma. A OAB é uma entidade respeitada e não tenho dúvida de que seu pedido receberá desta Casa a devida análise técnica, política e jurídica que merece enfrentar”, afirmou o líder da base aliada.

Da Agência Brasil

Sem condições de governar, Temer bota o Exército na rua e revive 1964

Gestor, investigado pela PGR, teve reunião privada com os comandantes das Forças Armadas

Brasília – Centrais sindicais realizam manifestação em Brasília. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Michel Temer (PMDB) deu provas nesta quarta-feira (24) de que não tem mais condições de governar. A convocação das Forças Armadas, ao invés da Força Nacional, para garantir a segurança dos prédios públicos em Brasília mostra isso. Sem apoio popular, político e alvo de investigação da Procuradoria-geral da República (PGR), o gestor opta por combater protestos com tanques de guerra e fuzis. O ministro da Defesa, o ex-comunista Raul Jungmann, assegurou que o pedido foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar nega. Diz que solicitou a intervenção da Força Nacional para conter os protestos.

A decisão do presidente, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, foi justificada como necessária para controlar a baderna. As manifestações, em Brasília, convocadas pela Frente Brasil Popular e centrais sindicais para pedir eleições diretas, começou de forma pacífica e termino em quebra-quebra. Houve confronto entre policiais e manifestantes e prédios da Esplanada dos Ministérios foram depredadas. A situação foi classificada por Jungmann como “baderna” e “descontrole”. Em pronunciamento feito a pedido do presidente Michel Temer, o ministro disse que as manifestações degringolaram “para violência, vandalismo, desrespeito, agressão e ameaça”. E tem razão, mas só neste ponto.

Brasília – Centrais sindicais realizam manifestação em Brasília. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Socorro da caserna”

A convocação das Forças Armadas ocorre cinco dias depois de Jungmann e Temer se reunirem com os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. O encontro, em meio a denúncias de corrupção e risco de ser alvo de impeachment, foi entendido por muitos como a busca do presidente pelo socorro dos militares. Até o momento, pelo menos 12 pedidos de impeachment foram protocolados na Câmara dos Deputados tendo o presidente como alvo. Ele chegou ao poder justamente com o impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), acusada de crime de responsabilidade.

“O presidente ressalta que é inaceitável a baderna, o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar um processo que se desenvolve de maneira democrática e em respeito às manifestações”, disse Raul Jungmann. O decreto do presidente tem validade até o dia 31 deste mês e é restrito à segurança nos prédios públicos de Brasília. Para justificar a medida excessiva, o governo justifica que o protesto mobilizou “baderneiros profissionais”. O protesto foi organizado por centrais sindicais e movimentos de esquerda pela saída do presidente, contra as reformas da previdenciária e trabalhista e a favor da convocação de eleições presidenciais diretas.

O uso das Forças Armadas para conter manifestações causa perplexidade porque traz lembranças tristes para o Brasil. Em 1964, o golpe militar foi colocado nas ruas como a justificativa de restabelecer a ordem. Ganhou um apoio popular que não encontra hoje. Era uma coisa transitória, tiraria do poder um presidente eleito (João Goulart) e convocaria novas eleições. Pois é, essa medida transitória se transformou em quase 21 anos de sombra sobre a nossa democracia. Pessoas foram mortas, torturadas e banidas do país sem que houvesse julgamento. É um fantasma que vive a nos assombrar e, embora não haja clima para isso, o risco de ser revivido assusta.

Guarda Nacional

Na ação desta quarta-feira, policiais treinados para conter manifestações usaram bombas de gás e de efeito moral durante a manifestação. Com o Exército nas ruas e suas tropas de meninos com fuzis nas mãos, a coisa tende a ser mais perigosa. Não é preciso dizer que esse governo acabou…

Temer desiste de recurso para não revelar ministros aliados no STF

Presidente disse em gravação ter influência sobre dois magistrados

Michel Temer (E) é empossado por Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, e hoje um dos pivôs da crise. Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

Há duas leituras possíveis para a decisão do presidente Michel Temer (PMDB) de desistir do recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro é não criar um “Dia D” para que partidos aliados batam em retirada. DEM, PSDB e PPS haviam dito que, caso a Suprema Corte não suspendesse o inquérito contra o gestor, eles abandonariam a base. A derrota, por isso, abriria espaço para a derrocada da base aliada no governo. A defesa do presidente para a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, tem sido desastrosa até agora. Não tem convencido nem crianças do jardim de infância. O PSB já abandonou a base aliada e o PPS já viu um dos seus ministros, Roberto Freire (Cultura), abandonar o governo.

Outra linha que apontaria a derrota de Temer, na Corte, veio também da gravação. Ao falar a Batista sobre Eduardo Cunha (PMDB), ex-presidente da Câmara, preso em Curitiba (PR), ele fala da influência no Supremo. Disse que poderia influenciar dois ministros, mas não mais do que isso. Diante deste quadro, apesar de qualquer pessoa com dois neurônios saber de quem ele fala, nenhum magistrado aceitaria puxar a carapuça para si. O resultado disso é que a derrota seria certa, com voto, inclusive, dos ministros aliados. Por isso, a defesa procurou o ministro Edson Fachin, responsável pela Lava Jato no Supremo, para dizer que a perícia pedida no áudio já satisfazia a defesa. Bateu pino.

A estratégia do governo, agora, é buscar a normalidade no Congresso. Vai tentar tocar as reformas, mesmo com a flagrante falta de apoio da sua base. O resultado desta operação vai indicar a recuperação ou não da base parlamentar. Estão na agulha as reformas da Previdência e Trabalhista. Ambas enfrentam resistência popular e metem medo em parte dos deputados e senadores. A situação tende a piorar por causa do crescimento dos processos de impeachment propostos. Foram apresentados oito só na semana passada e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu entrar na fila. Sem apoio popular e agora com a base parlamentar em fuga, o roteiro de Temer parece ser escrito pelos roteiristas de The Walking Dead.

Joaquim Barbosa defende renúncia de Temer e convoca população a ir para as ruas

 

Ex-ministro foi o principal algoz do PT durante o julgamento do Mensalão

Algoz das principais lideranças petistas no julgamento do Mensalão do PT, no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa quebrou o silêncio sobre o presidente Michel Temer (PMDB). O ex-ministro defendeu nesta sexta-feira (19) a renúncia imediata do peemedebista. A reação ocorreu através das redes sociais um dia depois da divulgação dos áudios que mostram o gestor referendando a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo dono da JBS, Joesley Batista. O dono da maior fábrica de proteínas do mundo revelou, no encontro, a compra de autoridades e negociou a “compra” de apoio para resolver questões com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

“Não há outra saída: os brasileiros devem se mobilizar, ir para as ruas e reivindicar com força:  a renúncia imediata de Michel Temer”, disse Barbosa. “Isoladamente, a notícia extraída de um inquérito criminal e veiculada há poucas semanas, de que o sr Michel Temer usou o Palácio do Jaburu para pedir propina a um empresário, seria um motivo forte o bastante para se desencadear um clamor pela sua renúncia”, enfatizou o ex-ministro.

Roosevelt Vita: “se Temer é um coitadinho ingênuo, não pode ser presidente”

Advogado diz que não há caminho sem respeito à constituição

Roosevelt Vita opina sobre julgamento da chapa Dilma-Temer. Foto: Felipe Gesteira

O advogado e suplente do senador José Maranhão (PMDB), Roosevelt Vita, não se comoveu com as explicações do presidente Michel Temer (PMDB). O gestor peemedebista foi gravado em conversa com o dono da JBS, Joesley Batista, em conversa na qual apoiava a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O jurista, com larga militância no PMDB da Paraíba, diz não aceitar o discurso de golpe, armação e complô do PT. E diz mais: se “Temer se é um coitadinho ingênuo, não pode ser presidente”. “Essa (história de) não sei de nada , não me lembro, a gravação é clandestina, não impressiona nem à velhinha de Taubaté”, disse, citando a personagem criado por Luiz Fernando Veríssimo.

Para Vita, a gravação minimizada pelo presidente Temer é espantosa. “Meia hora de pelo menos uma dezena de crimes compartilhados e avalizados. Vai de compra a juiz, procurador, deputado, delator, político preso comprado para não denunciar, indicações para cargos estratégicos, entrada escondida no palácio, combinação de interlocutores, informações privilegiadas dadas pelo presidente”, disse. O peemedebista também criticou as relações do presidente. “Quem se acompanha de Geddel (Vieira Lima), (Jáder) Barbalho, (Renan) Calheiros, (Romero) Jucá, (Sérgio) Cabral, (Eliseu) Padilha, (Rodrigo) Loures, Moreira (Franco), et catera, não é líder, é quadrilheiro”, enfatizou.

E segue: “a vaidade, a cobiça e, sobretudo, o Poder, mostram o verdadeiro caráter. Bastava o ensinamento milenar das avós: ‘diz-me com quem andas e te direis quem és!’ Coerência, gente. O pau que dá em Chico tem que dar em Francisco”. Quem for podre que se quebre! Respeito à Constituição, mas punição aos corruptos. Viva a lei e a democracia. Faxina geral, em todos os Poderes, inclusive na leniência e complacência de certos togados comprometidos. Liberta quae sera tamem“. “O ‘x’ da questão me parece ser a conivência com o crime e com a impunidade. O resto é retórica de acobertamento, leniência e fuga de responsabilidade. Dura lex , sed lex. Fora da lei não há salvação para a Nação”, acrescentou.

“Não renunciarei”, diz Michel Temer em pronunciamento

Presidente é acusado de autorizar compra do silêncio de Cunha

Brasília – O presidente Michel Temer rejeita conselhos para renunciar ao mandato. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira (18) que não irá renunciar ao cargo e exigiu uma investigação rápida na denúncia em que é citado, para que seja esclarecida. “Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos, e exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dúvida não pode persistir por muito tempo”, disse Temer, em pronunciamento. “Não renunciarei. Repito não renunciarei”, disse.

Segundo o presidente, a investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) será território onde surgirão todas as explicações. “No Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos”, disse Temer. Na noite desta quarta-feira (17), o jornal O Globo divulgou reportagem sobre encontro gravado em áudio pelo empresário Joesley Batista, em que Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio. Cunha está preso em Curitiba.

Nesta quinta-feira o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin homologou a delação premiada dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, donos do grupo JBS, e abriu inquérito para investigar o presidente Michel Temer.

Da Agência Brasil

Deputados do PSDB protocolam pedido de impeachment de Temer

Parlamentares da Rede e PSB pediram a abertura do processo

Deputados protocolam novos pedidos de impeachment. Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

Um grupo de deputados federais tucanos protocolou novo pedido de impeachment do presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara. A sigla é a segunda da base aliada a protocolizar o pedido de afastamento do gestor. A decisão foi confirmada pelo deputado federal Daniel Coelho (PSDB-PE). O documento foi assinado por mais oito parlamentares tucanos. Nesta quinta (18), o ministro das Cidades, Bruno Araújo, indicado pelo PSDB, entregou o cargo. O outro governista que pediu a saída de Temer foi o socialista João Henrique Caldas (AL), terceiro secretário da mesa diretora. Ele apresentou uma denúncia contra Temer por crime de responsabilidade.

Da oposição, dois outros pedidos de impeachment foram protocolados e um terceiro será apresentado na tarde desta quinta. O primeiro a dar entrada foi o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), ainda nesta quarta-feira (17), momentos depois de a denúncia ser veiculada pelo jornal O Globo. O mesmo foi feito pelo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também na Câmara dos Deputados. Ao justificar o pedido, Randolfe citou reportagem do jornal O Globo que fala sobre o suposto envolvimento do presidente em um esquema de pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio.

Mais um pedido

Partidos de oposição vão protocolar em conjunto um novo pedido de impeachment do presidente da República, Michel Temer, na tarde desta quinta-feira. O documento será assinado por PT, PDT, PCdoB, Rede, Psol e PSB. Na noite de quarta-feira (17), dois pedidos de impeachment foram apresentados – um pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ); outro pelo deputado JHC (PSB-AL). Caberá ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, analisar a admissibilidade dos pedidos. Segundo o líder do Psol, Glauber Braga (RJ), o argumento principal do novo pedido da oposição será a tentativa do presidente da República de obstrução à Justiça. Os partidos também defendem eleições diretas para a substituição de Temer.

“Para que isso aconteça, é fundamental a aprovação Proposta de Emenda à Constituição 227/16”, acrescentou Braga. A PEC, que será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania na próxima terça-feira (23), permite eleições diretas para a Presidência da República em caso de vacância do titular, exceto nos seis últimos meses de mandato.

Gravação
Segundo o jornal O Globo, Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, entregou ao Ministério Público Federal gravação em que “o presidente Michel Temer, em março, dá aval para o empresário comprar, com mesadas, o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato”.

O deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA) disse que, ao tentar obstruir a Justiça, apoiando o silêncio de testemunha, Temer procedeu de modo incompatível com o decoro do cargo. Na visão do deputado, há claramente crime de responsabilidade, ao contrário do ocorreu no impeachment de Dilma Rousseff, quando havia dúvidas se a chamada “pedalada fiscal” era motivo para afastamento da ex-presidente.

Os partidos de oposição anunciaram ainda que vão entrar com representação na Procuradoria-Geral da República para verificar a ocorrência de crime comum por parte de Temer.

Saída do governo
Já o líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), afirmou que, caso as denúncias contra Temer sejam comprovadas, os ministros do partido sairão do governo. Tripoli defendeu, porém, a continuidade da agenda de reformas e, em eventual afastamento de Temer da Presidência, pediu “o respeito à Constituição”.

Tripoli acrescentou que o presidente do PSDB, Aécio Neves, vai anunciar até o fim do dia o seu afastamento da direção do partido. A bancada do PSDB na Câmara indicará o deputado Carlos Sampaio (SP) para concorrer à eleição interna para a presidência da legenda.

Na manhã desta quarta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento de Aécio do mandato de senador. Segundo o jornal O Globo, Joesley Batista disse ter uma gravação de 30 minutos em que Aécio pede R$ 2 milhões, sob a justificativa de que precisava pagar sua defesa na Lava Jato. Em nota, o senador afirmou estar “absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos”.

Apoio à renúncia
O líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA), defendeu a renúncia de Michel Temer e informou que a Executiva do partido vai definir a permanência ou não no governo. Segundo o deputado, as denúncias, se confirmadas, “são de extrema gravidade”. Ele disse ainda que, neste momento de crise institucional, é preciso respeitar a Constituição.

 

Bancada paraibana: para deputados, reformas de Temer “morreram”

Parlamentares defendem eleição direta em caso de afastamento

Michel Temer em reunião com a bancada paraibana. Foto: Divulgação/Presidência da República

A bancada paraibana na Câmara dos Deputados é majoritariamente aliada do presidente Michel Temer (PMDB). Pelo menos dez dos 12 parlamentares são alinhados com o peemedebista. Apesar disso, o futuro de Temer passou a ser visto como uma incógnita pelos deputados ouvidos pelo blog. O sentimento é o de que a situação do presidente ficará insustentável caso venham a toca os áudios nos quais ele teria acertado com o dono da JBS, Joesley Batista, a compra do silêncio de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a liberação do sigilo.

Os deputados Wilson Filho (PTB) e Efraim Filho (DEN) evitam condenação antecipada. Ambos veem a denúncia como muito grave e já acham difícil que as reformas propostas pelo presidente saiam do papel. A lista inclui as reformas da Previdência e Trabalhista. Para Efraim, o momento é de serenidade e não de votar matérias polêmicas e impopulares. Wilson vai adiante. Ele acredita que as reformas “morreram”. Já Luiz Couto preferiu seguir em um caminho mais voltado para a religião. Ele gravou vídeo e postou nas redes sociais dizendo que “a ceita satânica foi revelada”, fazendo referência às gravações que tiveram como alvo o presidente Temer.

Não encontrados

Procurado pelo blog, o deputado licenciado Rômulo Gouveia (PSD) não se pronunciou. Sua assessoria disse que ele ainda se recupera da cirurgia bariátrica e que o recado seria dado. O deputado Pedro Cunha Lima (PSDB) ficou de retornar a ligação para apresentar a sua opinião. Os outros deputados e senadores desligaram os celulares ou simplesmente não atenderam as ligações. Os tucanos, vale ressaltar, foram surpreendidos também com a informação de que o senador Aécio Neves, presidente nacional do partido, foi “grampeado” também acertando com o dono da JBS o pagamento de R$ 2 milhões que, supostamente, seriam usados para pagar os advogados responsáveis pela sua defesa no Supremo. Ele foi afastado do mandato.

Impeachment

Em relação à possibilidade de impeachment, tanto Efraim Filho quanto Wilson Filho acham que é preciso esperar a comprovação dos áudios. Eles evitaram falar sobre cenários hipotéticos, porém, defenderam celeridade na busca pela estabilidade política. Wilson defende que haja eleições diretas. “É a única forma de restituir a legitimidade do governante. Falo isso como opinião pessoal. Ainda não tenho como meu partido vai se posicionar”, enfatizou. Efraim ressalta que a solução deve vir da Constituição Federal. “Ela é maior do que nomes”, ressaltou. Se for cumprida a Constituição, a eleição para o novo presidente, em caso de afastamento de Temer, será indireta.

A realização de novas eleições também vinha sendo defendida pelo senador Cássio Cunha Lima. O parlamentar, no entanto, se aproximou bastante de Temer após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). No fim do ano passado, ao analisar uma eventual cassação do presidente, ele sugeriu que o cargo fosse assumido pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia. Caberia a ela, portanto, convocar eleições diretas. Este cenário, no entanto, não tem lastro constitucional. Precisaria que o Congresso aprovasse uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) disciplinando a nova regra.

Temer: novo escândalo embala memes nas redes sociais

A notícia de que o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, gravou o presidente Michel Temer (PMDB) acertando a compra de silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), embalou os memes nas redes sociais. Até o perfil oficial da série House of Cards, da Netflix, no Twitter, tirou o chapéu para os acontecimentos do país. Os responsáveis pela trama política tiveram que reconhecer a inventividade tupiniquim. Eles admitem que, com o Brasil, não é possível competir. Confira alguns dos principais memes:

A trama, segundo o Netflix

 

Novo programa social

“Tomara que caia”

Assistindo de camarote (mas cuidado com o teto de vidro)

Brasília em chamas

Risco de perder a posição

 

 

Batom na cueca: só a renúncia de Temer poderá salvar o governo do caos

Donos da JBS registram áudio e vídeo comprometedores contra o presidente

Michel Temer (PMDB) enfrenta a maior crise já vista no governo. Foto: Divulgação/Presidência da República

A notícia de grampo sobre o recebimento de propina pelo presidente Michel Temer (PMDB) é de uma gravidade sem precedentes. Só a renúncia imediata, condicionada à convocação de novas eleições, pode salvar o governo do caos. Isso não quer dizer, mesmo assim, que não haverá ranhuras institucionais. As reformas da Previdência e Trabalhista deixaram de ser factíveis, assim como o esboço de recuperação econômica desenhado. O gestor se reuniu a portas fechadas com assessores e aliados logo após a reportagem de O Globo ser divulgada, em busca de uma solução para enfrentar a crise. Essa solução, seja lá qual for, não poderá enfrentar os áudios e vídeos de posse da Procuradoria Geral da República (PGR).

O peemedebista foi gravado pelos donos da JPS, a maior produtora de proteínas do mundo, acertando o pagamento de propina e de mesada para que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), preso no bojo da operação Lava Jato, fique calado. Joesley Batista e o seu irmão, Wesley, se reuniram na semana passada com o ministro Edson Fachin, responsável pela Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar da negociação de delação premiada negociada com o Ministério Público Federal (MPF). Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação.

Na delação, Michel Temer foi gravado em um diálogo com Joesley. Nele, o presidente indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). O parlamentar indicado, posteriormente, foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil. O dinheiro teve a numeração das cédulas registradas e a mala recebeu um chip de rastreamento. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango. Nessas ações controladas foram distribuídos cerca de R$ 3 milhões em propinas carimbadas durante todo o mês de abril. O agravante neste caso é que tudo foi registrado com áudio e vídeo e é apenas a ponta do iceberg. Os delatores também informaram que nos governos petistas, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, era quem negociava as propinas. Sobre ele, não há gravação.

Aécio Neves

O senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, também foi gravado pedindo propina de R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro seria usado para custear o pagamento de advogados para fazer a defesa dele diante das acusações de recebimento de propina na operação Lava Jato. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

 

Sérgio Machado

Os grampos tornados públicos agora mostram que peemedebistas e tucanos não aprenderam nada com o episódio protagonizado por Sérgio Machado. O ex-senador e ex-presidente da Transpetro gravou conversas com lideranças do PMDB nas quais eles tratavam sobre uma estratégia para combater o avanço da Lava Jato. O novo escândalo tem potencial para derrubar o governo e inviabilizar as reformas. Caso haja renúncia ou impeachment do presidente, o cargo será assumido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também investigado por suspeita de recebimento de caixa 2. Ele terá a obrigação de convocar novas eleições por via indireta.

O deputado federal da Rede, Alessandro Molon (RJ), aproveitou a confusão para protocolar um pedido de impeachment do presidente.