Governo Temer paga R$ 65 mil a youtuber que ataca gays, nordestinos e negros

Lukas Marques (E) postou frases racistas, homofóbicas e de ódio aos nordestinos. Foto: Reprodução/Youtube

O que tem a ver R$ 65 mil dos cofres do governo federal com uma propaganda disfarçada feita a pedido do Ministério da Educação e uma série de flagrantes de preconceito racial, homofobia e ataques aos nordestinos? Se a resposta for o youtuber Lukas Marques, um dos integrantes do canal “Você Sabia?”, a resposta tudo é a mais correta. O “garoto propaganda” contratado para defender o Novo Ensino Médio é o mesmo que usou sua conta pessoal no Twitter proferir contra minorias. Com a repercussão negativa do caso, o rapaz apagou as postagens feias entre 2011 e 2014, mas o site Sensacionalista recuperou os prints e os disponibilizou para os internautas.

“Quem gosta de pica eh viado… mulher gosta eh de dinheiro”, diz uma das postagens, enquanto outra diz que o “Nordeste todo elegeu a Dilma pq pensa com a barriga e não com cabeça”.  “Não sou racista… Só acho que os pretos poderiam se fuder mais…” e por aí vai. Lukas Marques divide a bancada no programa com Daniel Molo no canal Você Sabia?, que tem, acreditem, mais de 7 milhões de inscritos. Marques publicou mensagem no Twitter pedindo desculpas pelas declarações e alegou que não pensa tal qual se expressou nas redes sociais. Prometeu ainda melhorar o conteúdo das suas postagens no YouTube.

Sobre a matéria da Folha de São Paulo que denunciou o pagamento por propaganda disfarçada, o grupo publicou nota nas redes sociais garantindo ter deixado claro desde o início, no vídeo, que a postagem se tratava de publieditorial. O que, convenhamos, assistindo ao vídeo não dá para perceber. “O vídeo que publicamos tem, desde o dia do seu lançamento, a sinalização de que é um Publieditorial, tanto na descrição do vídeo quanto a marcação na ferramenta do YouTube que mostra que ele é uma ação publicitária. Essa é uma preocupação que temos em todas as campanhas e segue as normas do CONAR, que regulamenta a publicidade no Brasil”, diz a nota.

Confira as postagens

 

Pesquisa CNT/MDA: avaliação de Temer piora e população reprova segurança

Michel Temer

A avaliação pessoal do presidente Michel Temer (PMDB) teve queda nos últimos quatro meses, de acordo com a pesquisa CNT/MDA. A consulta realizada entre os dias 8 e 11 deste mês e divulgada nesta quarta-feira (15) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou que a avaliação positiva do peemedebista atualmente é de 10,3%, contra os 14,6% aferidos em outubro do ano passado. A pesquisa mediu ainda a expectativa da população em relação ao emprego, à renda, à saúde, à educação e à segurança pública.

Outro ponto mostrado pela pesquisa é o crescimento da avaliação negativa do presidente, que saiu de 36,7% para 44,1% dos entrevistados na pesquisa. A faixa da população que considerava o governo Temer bom caiu de 12,5% para 9,1%. Os que consideram a gestão ótima se restringem a 1,2% dos entrevistados. Em outubro de 2016, 2,1% consideravam o governo ótimo. Por outro lado, os que consideram o governo Temer como ruim subiu de 13,2% para 17,6%. O índice dos que consideram péssimo subiu de 23,5% para 26,5%.

Para a composição da pesquisa foram ouvidas 2.002 pessoas, em 138 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com 95% de nível de confiança.

Expectativa (para os próximos 6 meses)

Emprego: vai melhorar: 31,3%, vai piorar: 30,6%, vai ficar igual: 35,9%

Renda mensal: vai aumentar: 23,6%, vai diminuir: 19,1%, vai ficar igual: 53,7%

Saúde: vai melhorar: 25,7%, vai piorar: 34,8%, vai ficar igual: 38,0%

Educação: vai melhorar: 28,9%, vai piorar: 28,0%, vai ficar igual: 40,8%

Segurança pública: vai melhorar: 20,4%, vai piorar: 46,6%, vai ficar igual: 31,6%

 

 

Na Paraíba, Cardozo diz que afastamento de Moreira Franco é igual ao de Lula

Brasília – Presidente Michel Temer dá posse ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Wellington Moreira Franco, em cerimônia no Palácio do Planalto (Beto Barata/PR)

O ex-ministro da Justiça e da Advocacia Geral da União (AGU), no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), José Eduardo Cardozo, disse enxergar claramente no caso da nomeação de Moreira Franco para ministro da Secretaria-Geral da Presidência os mesmos argumentos que serviram para barrar a nomeação do ex-presidente Lula (PT) para a Casa Civil por Dilma. Pelo menos três juízes já concederam liminares determinando a revogação do ato do presidente Michel Temer (PMDB) e, nesta quinta-feira (10), o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello pediu para que Temer preste informações sobre o caso. Franco é citado nas delações da Odebrecht.

Cardozo esteve em João Pessoa para participar de uma palestra na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ao analisar o caso, depois de entrevista na rádio CBN João Pessoa, o ex-ministro contestou a nova Advogada Geral da União, Grace Mendonça. A ministra enxerga diferenças entre o caso de Moreira Franco e o de Lula, que acabou impedido. “Exatamente igual. Ela cita como diferença o áudio divulgado pelo juiz Sérgio Moro, mas o referido áudio foi conseguido de forma ilegal, por isso, não tem valor jurídico. Ou seja, o caso é exatamente o mesmo”, ressaltou.

José Eduardo Cardozo durante entrevista à CBN. Foto: Divulgação

Se o STF mantiver o entendimento, há grande possibilidade de Moreira Franco ser impedido de ocupar a vaga criada sob medida para ele na equipe de Temer. Ele ocupava antes cargo na Programa de Parcerias e Investimentos, porém, não tinha foro privilegiado. Como é citado na Lava Jato e em acusações feitas pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), preso pela Polícia Federal, foi abrigado em um ministério. Essa, pelo menos, é a crítica da oposição.

Temer terá 24 horas para se manifestar sobre as indagações de Celso de Mello. Após receber as informações, o ministro deverá decidir sobre os dois mandados de segurança nos quais a Rede Sustentabilidade e o PSOL questionaram o ato de nomeação. A pode colocar fim à guerra de liminares na Justiça contra a nomeação. Na manhã desta quinta-feira, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, derrubou decisão proferida pela primeira instância, que anulou a nomeação. Horas depois, uma nova decisão, proferida pela Justiça do Rio, voltou a cancelar a posse. À noite, outra decisão, dessa vez da Justiça Federal do Amapá, também barrou a posse.

A validade da nomeação de Moreira Franco foi defendida pela Advocacia-Geral da União (AGU). A AGU contesta o principal argumento dos autores das ações, que alegam que a situação de Moreira Franco se assemelha ao caso da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil pela então presidenta Dilma Rousseff, no ano passado.

Na ocasião, o ministro do STF Gilmar Mendes suspendeu a nomeação de Lula por entender que a medida foi tomada para conceder foro privilegiado ao ex-presidente e evitar que ele fosse julgado pelo juiz federal Sérgio Moro nas ações da Lava Jato. Para a AGU, as situações são distintas porque Moreira Franco, diferentemente do ex-presidente, já exercia funções no atual governo, como secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado em setembro de 2016. Segundo a AGU, a transformação do cargo teve como função fortalecer o programa governamental.

Alexandre Moraes: de advogado do PCC a cotado para ministro do Supremo

Brasília – Presidente Michel Temer dá posse ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes, em cerimônia no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Justiça Alexandre de Moraes chegou a esta segunda-feira (6) como o favorito para assumir o posto de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), vago desde a morte de Teori Zavascki no mês passado. A escolha, em vias de ser confirmada pelo presidente Michel Temer (PMDB), é elogiada por juristas e políticos, mas principalmente pela última categoria citada. Receberia, apesar disso, a reprovação do próprio ministro, caso fosse consultado anos antes sobre matéria similar. A tese de doutorado dele, defendida em 2000, apontava como ilegal a nomeação, pelo presidente, de detentores de cargo comissionado para o posto, “de maneira a evitar-se demonstração de gratidão política”. E gratidão é tudo o que a classe política espera dele como julgador na Lava Jato.

Moraes é um advogado com conhecimento jurídico incontestável, é bom reconhecer. Apesar disso, poderá chegar ao cargo comprometido demais para o exercício das suas funções. Se a gente fosse usar linguagem bíblica para se referir ao caso, diria que a nomeação de agora será para que se cumpra as palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR), outro implicado pela Lava Jato, que, em áudio vazado no ano passado, falou em derrubar o governo Dilma (fato já consumado) e fazer um acordo com o Supremo para “delimitar a Lava Jato”. Está tudo na delação do ex-executivo da Transpetro, Sérgio Machado. Romero foi demitido do cargo de ministro do Planejamento após o escândalo, mas a pressão por uma solução política para frear a Lava Jato virou um fantasma que via de regra assombra o governo.

Houve pressão recente sobre Michel Temer, também citado nas delações premiadas como suspeito do recebimento de propina. O presidente demonstrava preferência por alguém com perfil técnico, para evitar acusações de tentativa de atrapalhar a operação Lava Jato. Um dos nomes favoritos era o de Ives Granda Filho, presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho). As posições machistas do magistrado surgiam como empecilho, mas pelo menos ele não era ligado demais à política. Contra Alexandre Moraes pesou ainda algumas limitações vivenciadas como ministro da Justiça, a exemplo da incapacidade para apresentar soluções para a crise carcerária.

Passado controverso

O jornal Extra, do Rio de Janeiro, fez matéria no ano passado mostrando o passado pouco ortodoxo do novo possível ministro. Há na biografia dele práticas pouco elogiáveis para quem quer assumir um cargo de tamanha envergadura. Lógico que a afirmativa de que todos têm direito a um advogado é válida, mesmo no caso dos clientes com piores perfis. Como advogado, Moraes defendeu o hoje praticamente leproso Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ex-parlamentar era o todo-poderoso da Câmara dos Deputados até o ano passado e atualmente se espreme em uma cela de presídio por causa dos crimes investigados pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato.

Em 2015, reportagem do “Estado de S. Paulo” afirmou que Alexandre Moraes constava no Tribunal de Justiça de São Paulo como advogado em pelo menos 123 processos da área civil da Transcooper. A cooperativa é uma das cinco empresas e associações que está presente em uma investigação que trilha movimentações de lavagem de dinheiro e corrupção engendrado pela organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). À época, Alexandre disse, por meio de nota, que “renunciou a todos os processos que atuava como um dos sócios do escritório de advocacia” e que estava de licença da OAB durante o período investigado.

Alexandre de Moraes também foi promotor de Justiça, secretário de Segurança Pública e secretário de Justiça no Estado de São Paulo. Ele é filiado ao PSDB de São Paulo e poderá chegar ao Ministério da Justiça com uma enorme ligação política – a mesma que ele condenou no passado. Durante o processo de escolha, Temer consultou o ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ouviu dele os maiores elogios ao futuro ministro do STF. Sobre a escolha, como cidadão, eu particularmente concordo com a avaliação de Moraes, a do doutorando, quando ele considerava a prática ilegal.

 

Foto oficial de Michel Temer vira alvo de memes nas redes sociais

Angélica Nunes

O presidente Michel Temer (PMDB) cedeu às pressões de auxiliares e após oito meses na cadeira presidencial decidiu posar para a foto oficial à frente do Palácio do Planalto. O fotógrafo responsável pelo retrato foi Orlando Brito e a direção e produção ficou a cargo do publicitário Elsinho Mouco. Além da faixa presidencial, Temer aparece ao fundo com a bandeira do Brasil, com destaque para a frase “Ordem e Progresso”, pela primeira composta numa foto oficial de presidente da República, segundo Mouco.

Apesar da divulgação da foto, segundo reportagem da Folha de São Paulo, o presidente ainda não decidiu se a imagem vai para a galeria de presidentes.

O fato é que o sorriso não muito natural e a montagem considerada amadora foi o suficiente para que a divulgação da imagem, nesta quarta-feira (25/1), fizesse “pipocar” os memes pelas redes sociais. Confira abaixo a reação de alguns internautas no Twitter:

 

Nem a comparação com as fotos oficiais de outros ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e Lula escapou da turma da internet.

 

Teve também quem se inspirasse na foto para expor como se sente momento.

 

E também quem aproveitasse a onda para provocar ainda mais o presidente…

Temer peita governadores e decide vetar renegociação da dívida dos estados

Michel Temer

O presidente Michel Temer (PMDB) decidiu comprar briga com o Congresso e os governadores, principalmente os mais afetados pela crise econômica. Durante reunião com a equipe econômica, o gestor decidiu vetar, na íntegra, o projeto aprovado por deputados e senadores que renegocia a dívida dos Estados e cria um regime de recuperação fiscal para os que estão em maiores dificuldades financeiras. Temer, inclusive, já encomendou ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, os pareceres jurídicos para embasar o veto.

A estimativa do governo é que o veto seja assinado ainda nesta quarta-feira (28). Depois disso, dizem assessores próximos, ele vai negociar com o Congresso e com os governadores um projeto alternativa. O encontro ocorreu no Palácio do Jaburu, na manhã desta terça. O que incomodou o governo federal foi a retirada das contrapartidas exigidas dos estados para a renegociação, previstas no projeto original enviado pelo Executivo para a avaliação de deputados e senadores.

Na avaliação do governo, não faria sentido renegociar as dívidas estaduais e conceder uma moratória de 36 meses sem as contrapartidas. A expectativa é que as negociações com a base aliada e os governadores ocorram em janeiro, com a exigência de fixação das exigências. O entendimento de Michel Temer foi o de que não seria possível a concessão sem que os estados também definissem uma contrapartida com um ajuste fiscal que torne a economia deles mais estável.

Os estados com situação mais calamitosa são Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A Paraíba, apesar de não figurar na relação dos piores índices financeiros, se beneficiaria com a moratória – tempo necessário para por a casa em ordem.

 

Cássio Cunha Lima admite que a política tradicional faliu

Cássio Cunha Lima (C) conversa com Aécio Neves (PSDB-MG) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Acabou! Poderia ser essa, sem dúvida, a análise sobre a defesa feita pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB) do nome da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, para a disputa da Presidência da República em caso de cassação do mandato de Michel Temer (PMDB-SP). As declarações foram feitas durante entrevista à rádio RPN, em João Pessoa, e revelam o descrédito da política tradicional aos ser analisada, atenção a isso, por um político tradicional.

A constatação do senador tem como base, realmente, qualidades que a gente não costuma mesmo ver na política tradicional, que poderia muito bem fechar para balanço. Ao descrever Cármen Lúcia, Cássio se refere a ela como “uma mulher cuja honestidade e probidade ninguém discute, que tem experiência, tem capacidade e que poderia cumprir um período de transição”. Qualidades, a propósito, que se tornaram mais raras entre os políticos quando vieram à luz as denúncias da operação Lava Jato, que pôs em xeque praticamente todos os políticos.

“Eu acho que, quando você olha dentro dos nomes da política partidária, da chamada política tradicional, talvez você tenha alguma dificuldade (em pensar em um nome). É preciso pensar um pouco mais largo e o Brasil já deu demonstração de disposição de dar oportunidade para as pessoas que também não estão na militância política mais tradicional”, disse Cunha Lima, depois de descartar o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como opção, por ele já ter dado a sua contribuição ao país.

O sentimento de falta de opção tem contaminado a política tradicional, porque ninguém sabe quem vai ficar de pé depois das investigações da Lava Jato. A delação da Odebrecht, também conhecida como “delação do fim do mundo”, pesa para esta avaliação. Bastou vazar o conteúdo de uma das 77, a de Cláudio Melo Filho, para que o núcleo duro do governo Temer tremesse na base. A coisa não é menos comprometedora em relação às outras opções. Todos os presidenciáveis, seja do PMDB, PSDB, Rede ou PT, estão entre os citados em delações.

Vem crescendo a desconfiança na classe política de que o presidente Temer não termina o mandato. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai julgar a chapa Dilma-Temer, vitoriosa nas eleições de 2014. Os novos desdobramentos da operação Lava Jato apontam no sentido de que dificilmente o peemedebista escapará de uma condenação. O presidente combina uma base consistente na Câmara dos Deputados e no Senado com uma impopularidade histórica, além de uma fragilidade assustadora dos seus apoiadores, todos investigados por corrupção.

A política tradicional dá sinais de que encontrou o seu ocaso e precisará ser reinventada. Agora, convenhamos, não será por meio da canonização dos personagens ligados à Justiça. Me explico melhor. A ministra Cárnen Lúcia é essencial no cargo que ocupa, da mesma forma que o juiz federal Sérgio Moro. A renovação da classe política tem que ocorrer por meio do voto e a responsabilidade para isso é do eleitor. Caso Temer seja cassado a partir de janeiro, a eleição do seu substituto será indireta.

 

Dois paraibanos na lista da Odebrecht e os arranhões ao governo Temer

inaldoÉ apenas o começo, mas a lista de delações da empreiteira Odebrecht promete marcar significativamente a política brasileira com prováveis repercussões para as eleições de 2018. Pelo menos dois políticos paraibanos aparecem na lista do ex-diretor de relações institucionais da empresa, Cláudio Melo Filho. Ele cita os nomes de 51 pessoas de 11 partidos. O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) é citado entre as pessoas com quem ele mantinha contatos episódicos para tratar dos interesses da construtora. Já o ex-deputado federal Inaldo Leitão entra na lista dos contatos frequentes, com relatos até de propinas pagas.

inaldo-leitaoInaldo Leitão, cujo codinome atribuído pela construtora era “Todo Feio”, teria recebido R$ 100 mil da Odebrecht, segundo o relato de Cláudio Filho. Ele estava na empresa há 27 anos e era responsável pelo relacionamento da empreiteira com o Congresso Nacional. Cláudio era homem de confiança de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira que está preso em Curitiba. Os paraibanos na lista, no entanto, eram fichinha perto de toda a cúpula do governo do presidente Michel Temer (PMDB). As revelações surgem junto com pesquisa do Datafolha que mostra a já combalida popularidade dele em queda.

Temer

A cúpula do governo Temer tem muito o que se preocupar com a delação da Odebrecht. O nome do presidente aparece 43 vezes no documento do acordo de delação premiada de Cláudio Melo Filho. E não é o único. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é mencionado 45 vezes e Moreira Franco, secretário de Parceria e Investimentos do governo Temer, 34, segundo o revelado por matéria da Folha de S. Paulo. O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que pediu demissão recentemente, surge em 67 trechos. Ninguém, no entanto, é mais citado que Romero Jucá (PMDB-RR). Ele aparece em 105 menções.

Datafolha

O Instituto Datafolha divulgou nova pesquisa com o desempenho do governo e advinha: Michel Temer aparece pior na atual consulta, mesmo antes dos novos vazamentos da delação da Odebrecht. O índice de bom e ótimo do gestor caiu de 14% em julho para 10% na consulta atual. A pesquisa também revela um descontentamento gigantesco da população com a figura do presidente.  Segundo o Datafolha, a população considera o presidente falso (65%), muito inteligente (63%) e defensor dos mais ricos (75%). Metade dos brasileiros veem Temer como autoritário e 58%, desonesto.

Confira a íntegra da delação vazada

No Nordeste, Temer diz que “dificuldade se combate com verba”

Michel Temer faz visita à barragem de Jucazinho, em Surubim. Foto: Beto Barata

Michel Temer faz visita à barragem de Jucazinho, em Surubim. Foto: Beto Barata/PR

Na sua primeira viagem ao Nordeste como presidente da República, Michel Temer (PMDB) cunhou uma frase antológica: “essas dificuldades (hídricas) não se combatem com palavras, se combatem com verbas”. O discurso foi feito em Surubim, em Pernambuco, na manhã desta sexta-feira (9), diante do governador Paulo Câmara (PSB) e vai no sentido contrário a todas as reclamações feitas pelos governadores nordestinos, inclusive o paraibano Ricardo Coutinho (PSB), que não deixa de criticar o tratamento dispensado ao estado pelo governo central.

“Passamos mais de R$ 200 milhões para obras hídricas durante o nosso período, e vamos passar mais, porque investir em água é garantir direitos”, afirmou Michel Temer, durante o discurso. O presidente ressaltou que o governo tem atuado para combater a seca que assola a região. “Nós destinamos [verbas] a todas as obras de dificuldades hídricas da região do Nordeste”, afirmou. Temer lembrou que o governo está liberando R$ 12 milhões para a obra de Jucazinho, em Pernambuco, de um total de R$ 53 milhões, “para prevenir o futuro”.

No discurso, Temer lembou de outra medida do seu governo para o combate à pobreza: o reajuste de 12,5% do programa Bolsa Família. Reforçou que não cortará programas sociais, e ressaltou o lançamento do Cartão Reforma e do plano de regularização fundiária nas cidades. O presidente também anunciou a entrega de 20 mil casas do Minha Casa Minha Vida, ainda neste mês.

Transposição

Nesta sexta-feira, o presidente Temer também participa da inauguração de mais um trecho de transposição do Rio São Francisco. Esta é a terceira das seis estações de bombeamento do Eixo Oeste de transposição do Rio. “Tenho tido inúmeras reuniões para alcançar objetivos centrais do governo que é precisamente completar as obras da transposição. Se conseguirmos entregar as obras nos próximos dois anos, já valerá um governo”, disse.

Com informações do Portal Planalto

 

Questões de Cunha vetadas por Moro são recado para Michel Temer

Cunha é Temer e Temer é Cunha, como dizia Romero Jucá? Não mais. Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

Cunha é Temer e Temer é Cunha, como dizia Romero Jucá? Não mais. Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela operação Lava-Jato na primeira instância, vetou 21 das 41 perguntas formuladas pelo ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), preso em Curitiba (PR), direcionadas ao presidente Michel Temer (PMDB). Cunha é réu na Justiça Federal do Paraná em processo oriundo da Lava Jato, e Temer foi arrolado pelos advogados do deputado cassado como testemunha de defesa. Moro considerou as questões inapropriadas ou sem pertinência com o objeto da ação penal e tem razão para isso. As indagações mais parecem o grito de alguém que sabe demais e que pode implicar o presidente.

Cunha é investigado sob a acusação de ter recebido propina em contrato de exploração de Petróleo no Benin, na África, além de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. “Vossa Excelência indicou o nome do Sr. Wellington Moreira Franco para a Vice-Presidência do Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal?”, questionou, em referência ao atual chefe da Secretaria-Executiva o Programa de Parcerias de Investimentos do governo Temer. Recentemente, o auxiliar do presidente foi acusado por Cunha de irregularidades no financiamento das obras para o Porto Maravilha, no Rio, no período em que ocupava o referido cargo na Caixa, indicado por Temer.

“Vossa Excelência foi comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró sobre uma suposta proposta financeira feita a ele para sua manutenção no cargo?”, questionou mais adiante e arrematou: “Caso Vossa Excelência tenha sido comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró, quem teria feito a proposta e qual foi a vossa reação? Por que não denunciou?”. E por aí vai, com um rumo que não tem mesmo a ver com o objeto da investigação, mas com potencial incrível para lançar suspeições ou pelo menos constranger o presidente.

Confira as perguntas recusadas e as admitidas:

Perguntas barradas por Moro:
– No início de 2007, no segundo governo do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, houve um movimento na bancada de deputados federais do PMDB visando a sua pacificação e isso incluiu a junção dos grupos antagônicos. Vossa Excelência tem conhecimento se isso incluiu o apoio ao candidato do PT à presidência da Câmara com o compromisso de apoiá-lo como candidato no segundo biênio em 2009?
– Vossa Excelência tem conhecimento de acordo para o então líder da bancada, Sr. Wilson Santiago, concorrer à Primeira Secretaria e o Sr. Henrique Alves assumir a liderança?
– Vossa Excelência tem conhecimento da nomeação do Sr. Geddel Vieira de Lima para o Ministério da Integração Nacional, do Sr. Reinhold Stephanes para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Sr. José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde?
– Vossa Excelência indicou o nome do Sr. Wellington Moreira Franco para a Vice-Presidência do Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal?
– Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Centro-Oeste, coordenada pelo Sr. Tadeu Filippelli, couberam as indicações do vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e da vice-presidência de Governo do Banco do Brasil?
– Vossa Excelência foi comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró sobre uma suposta proposta financeira feita a ele para sua manutenção no cargo?
– Caso Vossa Excelência tenha sido comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró, quem teria feito a proposta e qual foi a vossa reação? Por que não denunciou?
– Quantas vezes Vossa Excelência esteve com o Sr. Jorge Zelada?
– Vossa Excelência recebeu o Sr. Jorge Zelada alguma vez na sua residência em São Paulo/SP, situada à Rua Bennett, 377?
– Caso Vossa Excelência o tenha recebido, quais foram os assuntos tratados?
– Vossa Excelência recebeu alguém para tratar de algum assunto referente à área internacional da Petrobrás?
– Vossa Excelência encaminhou alguém para ser recebido pelo Sr. Jorge Zelada na Petrobrás?
– Vossa Excelência encaminhou algum assunto para ser tratado pela Diretoria Internacional da Petrobrás?
– Vossa Excelência tem conhecimento sobre a negociação da Petrobrás para um campo de petróleo em Benin, na costa oeste da África?
– Vossa Excelência conhece o Sr. João Augusto Henriques?
– Caso Vossa Excelência conheça, quantas vezes esteve com ele e sobre quais assuntos trataram?
– Vossa Excelência sabe de alguma contribuição de campanha que tenha vindo de algum fornecedor da área internacional da Petrobrás?
– Vossa Excelência tem conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antônio Batuira, nº 470, em São Paulo/SP, juntamente com o Sr. João Augusto Henriques?
– Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?
– O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?
– Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?

Questões que poderão ser respondidas por Temer:
– Quando da nomeação do Sr. Jorge Zelada na Petrobrás, qual era a função exercida por Vossa Excelência?
– Vossa Excelência tem conhecimento da divisão da maioria da bancada em coordenações, sendo o Sr. Tadeu Filippelli no Centro-Oeste, Eduardo Cunha no Rio de Janeiro e o Sr. Fernando Diniz em Minas Gerais?
– Vossa Excelência fazia a interlocução com o governo como presidente do PMDB juntamente com o líder Sr. Henrique Alves quando se tratava da Câmara dos Deputados?
– Vossa Excelência tem conhecimento se as coordenações ficaram responsáveis por indicações levadas ao Governo Federal para atendimento dos seus deputados?
– Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Rio de Janeiro, coordenada pelo Sr. Eduardo Cunha, coube a indicação do ex-prefeito, ex-vice-governador do Rio de Janeiro e à época Secretário de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, Sr. Luiz Paulo Conde, para a presidência de Furnas?
– Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação de Minas Gerais, coordenada pelo Sr. Fernando Diniz, coube a indicação do diretor da área internacional da Petrobrás, tendo sido indicado o Sr. João Augusto Henriques, vetado pelo Governo, e depois substituído pelo Sr. Jorge Zelada?
– Vossa Excelência tem conhecimento se a interlocução com o Governo era feita com o ex-presidente, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva?
– Vossa Excelência tem conhecimento de quais ministros mais participavam?
– Vossa Excelência foi procurado pelo Sr. José Carlos Bumlai para tentar manter o Sr. Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobrás?
– Vossa Excelência já conhecia o Sr. José Carlos Bumlai? De onde?
– Vossa Excelência recebeu o Sr. Nestor Cerveró para discutir a permanência dele na Diretoria Internacional da Petrobras?
– Quando Vossa Excelência o recebeu? Onde e quem estava presente?
– Vossa Excelência tem conhecimento se o Sr. Eduardo Cunha teve alguma participação na nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás?
– Após a morte do Sr. Fernando Diniz, Vossa Excelência tem conhecimento de quem o substituiu na coordenação da bancada de Minas Gerais?
– Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha em algum assunto relacionado à Petrobrás?
– Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha na compra do campo de petróleo em Benin?
– Matéria publicada no “O Globo” no dia 26/09/2007, citada na denúncia contra Eduardo Cunha, dá conta de que após uma interrupção na votação da CPMF na Câmara dos Deputados, Vossa Excelência foi chamado ao Planalto juntamente com o então líder Sr. Henrique Alves para uma reunião com o então ministro Sr. Walfrido Mares Guia para tratar de nomeações na Petrobrás. Vossa Excelência reconhece essa informação?
– Caso esta reunião tenha ocorrido, quais temas foram tratados? A nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás foi tratada?
– A matéria cita o desconforto do PMDB porque haveria o compromisso das nomeações na Petrobrás, mas só após a votação da CPMF. No entanto, a então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Sra. Dilma Rousseff, teria descumprido o compromisso e nomeado a Sra. Maria das Graças Foster para a Diretoria de Gás e Energia e o Sr. José Eduardo Dutra para a BR Distribuidora. Vossa Excelência reconhece essa informação?
– Vossa Excelência tem conhecimento se o desconforto teria causado a paralisação da votação da CPMF, que só foi retomada após o compromisso de nomear os cargos prometidos ao PMDB?