Ciro Gomes associa Manoel Jr. à quadrilha do PMDB e “ganha” processo na Paraíba

Por Angélica Nunes

 

Conhecido por suas tiradas polêmicas, o pré-candidato à presidência da República em 2018, Ciro Gomes (PDT), em passagem pela Paraíba, nesta segunda-feira (18), resolveu reascender uma antiga rusga com o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Junior (PMDB). Ao ser questionado pela imprensa sobre as possíveis alianças para 2018, o cearense disse que a única certeza que tinha é a de que iria lutar contra a “quadrilha do PMDB” e mirou as acusações na direção Manoel Júnior, que afirmar “conhecer de longa data”.

Ciro Gomes afirmou categoricamente que Manoel Junior é membro de uma quadrilha formada por lideranças do PMDB. “Alguns deles estão envolvidos em assassinato. Vocês pesquisem aí que vocês vão ver quem é”, apontou.

O presidenciável também acusou o vice-prefeito da capital de, à época em que era deputado federal, ter sido escalado pelo então presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), para devassar o seu irmão, Cid Gomes, mesmo ele estando internado em um hospital. “Eu conheço ele de longa data e isso é o que eu penso dele. Se achar ruim, estarei aqui (na Paraíba) até amanhã cedo”, desafiou.

As declarações enfureceram Manoel Junior, que afirmou que vai mover uma nova ação contra Ciro Gomes. “Houve várias tentativas de citação, o juiz publicou em edital e ele fugindo. Está faltando agora a sentença, não sei o que o juiz vai sentenciar. Mas agora na Paraíba, vou mover uma nova ação porque o fato acusador foi aqui por essas declarações infundadas”, assegurou.

Entrevista para a imprensa em Campina Grande. #cironaparaíba

Uma publicação compartilhada por Ciro na Paraíba (@cironaparaiba) em Dez 18, 2017 às 10:32 PST

Outra ação

Esta não é a primeira que os rivais políticos vão ao embate jurídico. Em setembro de 2015, Ciro Gomes também foi processado por Manoel Junior, após entrevista ao Jornal O Povo. Na reportagem ele chamou o peemedebista de “energúmeno, picareta e semianalfabeto”, após ele ter sido cotado para assumir o Ministério da Saúde, no segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na oportunidade, ele chegou a sugerir que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) investigasse o parlamentar. “Na hora que vasculhar ele não dura 15 dias”, insinuou.

A grave troca de acusações sobre crimes entre Ricardo e Manoel Jr.

Vice-prefeito e governador fazem ilações sobre responsabilidades em assassinatos

Manoel Júnior cita Bruno Ernesto e cobra que o governador peça a retirada do sigilo de investigações sobre crime. Foto: Francisco França

O governador Ricardo Coutinho (PSB) e o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), têm trocado acusações um tanto graves por meio da imprensa. Um acusa o outro de envolvimento em assassinatos e, de quebra, fazem ilações sobre outros temas nada republicanos. Os dois crimes tiveram grande repercussão na Paraíba e, ainda hoje, reservam lampejos de mistério sobre a autoria. O primeiro tem a ver com a morte do jovem Bruno Ernesto, ex-servidor da Prefeitura de João Pessoa. Já o segundo de é um ex-vereador de Itambé (PE), morto enquanto veraneava no Litoral Sul da Paraíba.

Manoel Júnior é acusado por Ricardo de envolvimento na morte de Manoel Matos. Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Tudo começou com o vice-prefeito desafiando o governador a liberar o sigilo sobre as investigações do programa Jampa Digital. Neste processo, que corre em segredo de Justiça, a Polícia Federal apontou suposto beneficiamento do então prefeito de João Pessoa com recursos que teriam sido desviados do programa. Anos depois, a morte de Bruno Ernesto fez surgir especulações sobre uma suposta queima de arquivo. Ainda mais depois de declarações da ex-primeira-dama da Paraíba, Pâmela Bório. Apesar disso, há pouca informação sobre o processo, por conta do caráter sigiloso da tramitação. Ernesto era servidor do setor de TI da prefeitura.

“Desafio o governador a abrir o sigilo do crime que envolve o garoto Bruno Ernesto, que o CPF dele está la no inquérito deste crime, a provocação que ele me fez eu aceito plenamente”, declarou Manoel Júnior, com claro desafio ao governador Ricardo Coutinho. Os dois são adversários políticos desde quando o peemedebista deixou o cargo de vice no primeiro mandato do socialista. Júnior foi eleito deputado federal e, desde então, integra o bloco do partido que faz oposição ao hoje governador paraibano. Coutinho diz ter um fato grave a revelar sobre a proposta que teria resultado no rompimento da aliança.

Ao ser questionado sobre o assunto, em Patos, nesta quarta-feira, o governador disse que tinha um nome limpo e devolveu o desafio a Manoel Júnior. Foi no programa de Abrantes Júnior, na Rádio Espinharas de Patos. “O senhor Manoel Junior é uma pessoa conhecida. Ainda bem que não frequento onde ele frequenta e nunca quis frequentar. Porque se ele fizer um outro comentário desse eu vou dizer publicamente poque ele rompeu comigo na prefeitura de João Pessoa. Qual foi a proposta que ele me trouxe e saiu com raiva pela resposta que eu dei”, disse.

“Não tenho dúvidas, como Manuel Matos, lá em Pedras de Fogo, militante dos direitos humanos assassinado. Eu gostaria muito de ouvir uma palavra do senhor Manoel Junior a respeito disso, antes claro, que Eduardo Cunha fale, porque quando isso acontecer provavelmente eu não ouvirei nenhuma palavra”, ironizou Ricardo Coutinho. O socialista disse ainda que o adversário precisa dar explicações antes que seja denunciado pelo ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O peemedebista era aliado do vice-prefeito e se encontra preso no Paraná. Pegando a deixa do governador, na tréplica, Manoel Júnior disse aceitar o desafio e cobrou novamente que o governador libere o sigilo do caso Bruno Ernesto.

 

Em delação, Saud diz que pagou aliados de Cunha e cita Manoel Júnior

Vice-prefeito de João Pessoa tem negado benefícios conseguidos via Eduardo Cunha

O executivo da JBS, Ricardo Saud, relacionou o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), entre os beneficiados com propina da empresa dos irmãos Wesley e Joesley Batista. O documento está no ‘anexo 8’ da delação e diz respeito ao trabalho do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para chegar à presidência da Câmara dos Deputados. Júnior foi um dos aliados que trabalhou pela eleição do parlamentar carioca, em 2014. Os documentos foram disponibilizados pela Procuradoria Geral da República (PGR) e divulgado pelo site Antagonista. Em contato com o blog, Manoel Júnior disse que a denúncia é requentada e garantiu que nunca recebeu nenhuma doação paga pela JBS.

Reprodução/Antagonista

Tião Gomes culpa Aguinaldo e Manoel Júnior por ‘intervenção’ no PSL

Deputado foi substituído no comando do partido pelo vereador Lucas de Brito

Tião Gomes faz críticas aos jovens do partido filiados do partido antes de confirmada a intervenção na sigla. Foto: Roberto Guedes/ALPB

O deputado estadual Tião Gomes (PSL) anda inconsolável com a destituição dele do comando do partido, na Paraíba. A direção nacional entregou o partido nas mãos do vereador de João Pessoa, Lucas de Brito. Sem esconder a insatisfação, o parlamentar tem culpado os aliados do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), pela mudança. Ele alega que, na surdina, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) e o vice-prefeito da capital, Manoel Júnior (PMDB), articularam a tomada do partido. A mudança de mãos na sigla faz com que o partido passe de aliado do governador Ricardo Coutinho (PSB), para alinhado com o prefeito da capital.

Tião alega ainda que Aguinaldo Ribeiro foi movido pela proximidade com Lucas de Brito. Já Manoel Júnior é amigo do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (PE). O ex-presidente do partido deixou claro que ainda não definiu para que sigla ele vai mudar, porém, garante que a escolha não vai tardar . Além dele, o prefeito de Cuité, Charles Camaraense, anunciou a saída do partido com a tomada do poder das mãos do deputado. Quando ocupava a posição de suplente na Assembleia Legislativa, Tião chegou a se licenciar para que Camaraense assumisse o cargo na Casa.

Lucas de Brito se movimenta para manter o deputado estadual João Bosco no partido. Apesar disso, diz que será compreensível se ele decidir deixar a sigla. A Paraíba é o décimo estado onde houve intervenção para a mudança da sigla. Brito assegura que quando se chegar ao final do processo, haverá ganho de licenças. Ele citou o nome de Bado Venâncio, que demonstrou interesse de se filiar ao partido novamente. Ele manifestou a intenção após a saída de Camaraense. Lucas não respondeu às acusações de Tião Gomes.

Cartaxo defende Manoel Júnior e diz que união das oposições é essencial

Prefeito alega que a Procuradoria-Geral da República não denunciou o vice-prefeito

Luciano Cartaxo (esquerda) posa para foto ao lado do vice-prefeito Manoel Júnior . Foto: Divulgação/Secom-JP

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), saiu em defesa do vice-prefeito Manoel Júnior (PMDB). Durante solenidade para marcar a abertura da Semana Nacional de Trânsito, o gestor contestou acusações contra o peemedebista. O prefeito lembrou que não existe denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-deputado paraibano. Ele enfatizou que existe apenas citação ao nome na denúncia que atingiu em cheio o presidente Michel Temer e o grupo conhecido como “PMDB da Câmara”. O vice-prefeito, ele reforça, não foi denunciado no suposto esquema de recebimento de propina.

O prefeito também defendeu a união dos partidos de oposição. Disse que o grupo tem expertise nisso. Já esteve junto em 2016 e deverá se manter unido para a disputa do governo do Estado. Destaca, ainda, a aliança vital para a disputa do pleito em 2018. A preocupação do prefeito é manifestada justamente quando dois dos partidos mais fortes do bloco caminham para o lançamento de candidatura própria. É o caso do senador José Maranhão (PMDB), que, na semana passada, teve o nome lembrado para a disputa do governo do Estado. A mesma movimentação é feita pelo prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB).

Luciano Cartaxo tem percorrido o estado em busca de apoio para a disputa do governo do Estado. O nome dele é lembrado como um dos mais fortes para as eleições do ano que vem. Além do pessedista, os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e José Maranhão são lembrados para a disputa. O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, também se movimenta para disputar as eleições. “É importante que as oposições disputem as eleições de 2018 com uma chapa única, forte, pronta para ajudar a população”, ressaltou, deixando claro que, na visão dele, é preciso união para que o grupo tenha maiores chances de vencer as eleições no próximo ano.

Manoel Júnior é citado no inquérito da PF sobre o “quadrilhão do PMDB”

Revista Veja afirma que presidente Michel Temer teria recebido R$ 31,5 milhões em vantagens

Manoel Júnior havia dito ao Jornal da Paraíba, antes da denúncia, que não acreditava em citações a peemedebibistas paraibanos. Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, é citado no relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito investigou o chamado “PMDB da Câmara”, grupo de deputados e ex-deputados do partido. Júnior era parlamentar até o fim do ano passado, quando renunciou ao mandato para assumir o cargo de vice de Luciano Cartaxo (PSD). A PF aponta o presidente Michel Temer (PMDB) e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) como integrantes de uma organização criminosa. As informações são da revista Veja.

A Polícia Federal atribui ao grupo, segundo a revista, as práticas dos delitos de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Informações do jornal O Estado de São Paulo dão conta ainda de que o relatório aponta o recebimento de R$ 31,5 milhões em propinas pelo presidente Michel Temer. As informações foram divulgadas no mesmo dia em que o vice-prefeito disse, ao Jornal da Paraíba, que o PMDB da Paraíba não figuraria entre os denunciados por qualquer denúncia relacionada ao PMDB da Câmara.

No relatório, relativo ao inquérito 4327, revela a Veja, os investigadores incluem ainda os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Os três já estão presos. O documento já foi enviado ao Ministério Público Federal e deve ser um dos elementos que subsidiarão nova denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer, a ser apresentada até sexta-feira. Ele deixa o cargo no próximo dia 17 e será substituído por Raquel Dodge.

“Integrantes da cúpula do partido supostamente mantinham estrutura organizacional com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública direta e indireta”, disse a PF em nota, que acrescenta que “o grupo agia através de infrações penais, tais como: corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, evasão de divisas, entre outros crimes cujas penas máximas são superiores a 4 anos”.

Considerado operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro também foi citado no relatório. Ele fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado na semana passada pelo relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin. Em seus depoimentos, Funaro afirmou que Temer não apenas sabia dos esquemas de corrupção do partido como participou deles, recebendo propinas ou intermediando dinheiro ilícito a campanhas de aliados. As revelações do doleiro também devem ser usadas por Janot na denúncia contra o presidente.

O blog não conseguiu contato com Manoel Júnior e ele não retornou as ligações.

 

Denúncia contra Temer cita Vitalzinho e “exclui” Manoel Júnior

Vice-prefeito é citado apenas em relatório suplementar enviado ao Supremo

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), não é citado na denúncia protocolada pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB). A confusão ocorreu por causa da divulgação, pela PGR, de dos dois relatórios protocolados no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro, a “Íntegra da cota”, faz referência ao inquérito que investiga a atuação do grupo identificado como “PMDB da Câmara dos Deputados”. O grupo seria ligado ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se encontra preso em Curitiba. Eles seriam responsáveis pela venda de requerimentos e emendas a empresários. Manoel Júnior é citado nesta investigação, mas ela não consta na integra a denúncia.

A “Íntegra da Denúncia”, protocolada pela PGR no Supremo, não cita efetivamente Manoel Júnior. E é justamente ela que vai tramitar na apuração na denúncia de corrupção passiva que pesa contra Michel Temer. O presidente foi gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS. Na acusação, o gestor é acusado de ser o destinatário de uma mala com R$ 500 mil de propina entregue ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. Temer nega todas as acusações. Para a denúncia, foi elaborado um relatório suplementar, no qual Manoel Júnior é citado. O documento, no entanto, tem apenas caráter suplementar.

Vitalzinho, de novo

A denúncia contra Michel Temer, no entanto, cita o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho. Ele é relacionado em delação premiada por Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais da JBS, subsidiária da JBS. O ministro paraibano teria recebido o recurso quando ocupava o cargo de senador e disputava o governo da Paraíba, em 2014. Dos R$ 35 milhões destinados aos senadores, Vitalzinho teria ficado com R$ 8 milhões. O dinheiro era um saldo do que teria sido acertado com o PT para o financiamento de candidaturas do PMDB.

 

Manoel Júnior é citado na denúncia de corrupção passiva contra Temer

Vice-prefeito é investigado em inquérito sobre esquema comandado por Eduardo Cunha

Manoel Júnior é citado na denúncia de corrupção passiva que pesa contra Temer. Foto: Divulgação

O nome do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), é citado na denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). O gestor máximo do Executivo brasileiro foi denunciado nesta segunda-feira (26) no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado de corrupção passiva em suposto esquema de pagamento de propina paga pela JBS, dos empresários Joesley e Wesley Batista. O paraibano, no entanto, é citado na denúncia como parte em outro esquema, investigado no inquérito nº 4327. A apuração tinha como alvo principal o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, segundo o Ministério Público, comandava o grupo chamado de “PMDB da Câmara dos Deputados”.

O grupo, no qual Manoel Júnior é relacionado, era responsável pela apresentação de emendas e requerimentos indicados por Cunha. Através deles, o peemedebista teria chantageado empresários ou mesmo “vendido” emendas. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cita ainda na denúncia que os integrantes do grupo “atuavam diretamente na indicação política de pessoas para postos importantes em determinados setores, sobretudo da Petrobras e da Caixa Econômica Federal”. O ex-deputado federal Eduardo Cunha está preso em Curitiba desde o ano passado, pouco depois de ter o mandato cassado na Câmara dos Deputados.

Janot diz também que eles “eram responsáveis pela “venda” de requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar, ao menos, empreiteiras e banqueiros. O avançar das investigações no bojo do presente inquérito permitiu vislumbrar que, na verdade, a organização criminosa que opera para a prática dos crimes investigados no presente apuratório é a mesma analisada no Inquérito n. 4327”. Os nomes citados pelo procurador-geral da República foram Aníbal Gomes, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Alexandre Santos, Altineu Cortês, João Magalhães, Manoel Júnior, Nelson Burnier, Solange Almeida, André Esteves, Fernando Antônio Falcão Soares, André Moura (filiado ao PSC) Arnaldo Faria de Sá (filiado ao PTB), Carlos Willian (filiado ao PTC) e Lúcio Bolonha Funaro.

“As investigações conduzidas no bojo do Inquérito n. 4.483 indicam não apenas a continuidade da atividade da organização criminosa, como também a participação de Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, ora denunciados, bem como possivelmente do ex-deputado federal e ex-ministro de Estado Geddel Vieira Lima, apontado como homem de confiança de Michel Temer para o trato de negócios escusos, de Wellington Moreira Franco, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, e de Eliseu Lemos Padilha, ministro-chefe da Casa Civil”, diz a sequência da denúncia que tem o presidente como alvo.

Resposta de Manoel Júnior

Em contato com o blog, o vice-prefeito enfatiza que o nome dele não está na denúncia protocolada pela PGR no Supremo. E ele tem razão, o nome dele realmente não consta. É fácil, no entanto, explicar a confusão criada. É que a Procuradoria Geral da República divulgou nesta terça-feira dois documentos relacionados ao caso. O primeiro, um resumo das investigações intitulado “Íntegra da cota”, cita Manoel Júnior como integrante do grupo “PMDB da Câmara dos Deputados”. O segundo, mais resumido, intitulado “Íntegra da denúncia”, suprime este trecho. Por outro lado, faz referência ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, como um dos políticos do PMDB que receberam recursos da JBS.

Política em ritmo de forró nos municípios paraibanos

Deputados e prefeitos trocam gabinetes pelos camarotes e pistas de dança

Manoel Júnior posa para fotos ao lado do prefeito Romero Rodrigues no São João de Campina Grande. Foto: Divulgação

Esqueça os gabinetes, inaugurações e plenários. A política e os políticos têm dado as caras mesmo neste período é nos camarotes e pistas de dança ao som de muito forró. A cidade de Campina Grande tem sido o point dos encontros. O prefeito Romero Rodrigues (PSDB) diz já ter recebido, na cidade, mais de 30 prefeitos. Ele trabalha para construir as condições para a disputa das eleições do ano que vem. O foco é o governo do Estado e ele disputa a indicação, no grupo das oposições, com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). Os desconfortos entre os dois têm sido constantes, vale ressaltar. Aliados do prefeito da capital dizem que ele não foi convidado para a festa, em Campina Grande. Romero nega.

Nesta quinta-feira (22), Romero recebeu o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), no Parque do Povo. Do peemedebista, ouviu elogios pela opção por uma Parceria Público Privada (PPP) para promover a festa, rompendo com uma tradição de 30 anos. É bom não confundir a gentileza com apoio. Júnior, vale ressaltar, trabalha dobrado para unir a base de oposição ao governador Ricardo Coutinho (PSB). Na conta dele, caso Cartaxo seja indicado para a disputa do governo, ele assume a titularidade da prefeitura. O peemedebista trabalha, também, para que o partido dele desista do lançamento de candidatura própria.

Ainda por Campina Grande, as lideranças políticas da cidade têm aproveitado para ciciceronear nomes nacionais. Os deputados federais Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), Wellington Roberto (PR) e Rômulo Gouveia (PSD) têm trabalhado neste sentido. As opções para as visitas são muitas. Vão de Parque do Povo, Spazzio, Vila Forró, Galante, Sítio São João e Casa de Compadre. O senador Raimundo Lira (PMDB) levou pelo menos dez prefeitos para a Rainha da Borborema para curtir os festejos. Outros polos políticos/juninos são Patos, Solânea e Cajazeiras.

 

“Atacou de novo”: Manoel Júnior canta ao lado de Gil, ex-Banda Beijo

O prefeito em exercício de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), não esconde de ninguém o gosto pela música e, sempre que tem oportunidade, solta a voz. Neste sábado (19), durante o show de Gil, ex-banda Beijo no bloco Tambiá Folia, o gestor foi abordado por vários foliões que perguntavam se ele não iria cantar. Para todos, a resposta era uma só: “Não, de jeito nenhum”. Mas não foi bem assim. Lá pelas tantas, já perto do fim da apresentação, a cantora se dirigiu ao camarote do vereador e presidente da Câmara de João Pessoa, Marcos Vinícius (PSDB), um dos fundadores da agremiação. Lá chegando, enquanto cantava Morena Tropicana, de Alceu Valença, Gil ganhou a nada surpreendente companhia de Manoel Júnior ao microfone.

Manoel Júnior assumiu a titularidade do cargo de prefeito na última sexta-feira (17) em decorrência da licença tirada pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD), que passará 15 dias afastado do cargo. Ele chegou ao palco, por volta das 21h, acompanhado do irmão do prefeito e presidente municipal do PSD, Lucélio Cartaxo. O peemedebista ganhou fama de “cantador” depois que foi flagrado cantando Dia Branco, de Geraldo Azevedo, durante o aniversário de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-todo poderoso presidente da Câmara dos Deputados. Na época, eles eram muito próximos, mas, no ano passado, Júnior votou pela cassação do mandato do ex-colega. Recentemente, durante entrevista em uma rádio, o deputado soltou a voz.

Toda as tribos

O camarote de Marcos Vinícius no Tambiá Folia foi o que pode ser chamado de apartidário. Eleito com o apoio tanto da oposição quanto da situação, ele reuniu tanto os aliados do prefeito Luciano Cartaxo quanto os adversários. Dos oposicionistas, passaram por lá Sandra Marrocos (PSB), Marcos Henriques (PT), Humberto Pontes (PTdoB) e Chico do Sindicato (PTdoB). O promotor do Meio Ambiente e Patrimônio Social, João Geraldo, considerado pelos aliados de Cartaxo como “o líder da oposição no Ministério Público”, transitava com desenvoltura entre os convidados da festa.

Lucélio, o governador

O irmão do prefeito Luciano Cartaxo, Lucélio Cartaxo, vem frequentando todos os polos da folia. A todo instante, neste sábado, ele era abordado por foliões/eleitores dizendo que votaria nele para governador. Gêmeos idênticos, Luciano e Lucélio dividem a cidade para fazer campanha desde que o atual prefeito era apenas vereador da capital. “Fui cumprimentado por muitas pessoas, até policiais militares, todos prometendo voto”, disse, entre risos, o presidente municipal do PSD. Sobre estratégias para a campanha de 2018, ele disse que elas começarão a ser traçadas depois do carnaval.