Denúncia contra Temer cita Vitalzinho e “exclui” Manoel Júnior

Vice-prefeito é citado apenas em relatório suplementar enviado ao Supremo

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), não é citado na denúncia protocolada pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB). A confusão ocorreu por causa da divulgação, pela PGR, de dos dois relatórios protocolados no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro, a “Íntegra da cota”, faz referência ao inquérito que investiga a atuação do grupo identificado como “PMDB da Câmara dos Deputados”. O grupo seria ligado ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se encontra preso em Curitiba. Eles seriam responsáveis pela venda de requerimentos e emendas a empresários. Manoel Júnior é citado nesta investigação, mas ela não consta na integra a denúncia.

A “Íntegra da Denúncia”, protocolada pela PGR no Supremo, não cita efetivamente Manoel Júnior. E é justamente ela que vai tramitar na apuração na denúncia de corrupção passiva que pesa contra Michel Temer. O presidente foi gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS. Na acusação, o gestor é acusado de ser o destinatário de uma mala com R$ 500 mil de propina entregue ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. Temer nega todas as acusações. Para a denúncia, foi elaborado um relatório suplementar, no qual Manoel Júnior é citado. O documento, no entanto, tem apenas caráter suplementar.

Vitalzinho, de novo

A denúncia contra Michel Temer, no entanto, cita o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho. Ele é relacionado em delação premiada por Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais da JBS, subsidiária da JBS. O ministro paraibano teria recebido o recurso quando ocupava o cargo de senador e disputava o governo da Paraíba, em 2014. Dos R$ 35 milhões destinados aos senadores, Vitalzinho teria ficado com R$ 8 milhões. O dinheiro era um saldo do que teria sido acertado com o PT para o financiamento de candidaturas do PMDB.

 

Manoel Júnior é citado na denúncia de corrupção passiva contra Temer

Vice-prefeito é investigado em inquérito sobre esquema comandado por Eduardo Cunha

Manoel Júnior é citado na denúncia de corrupção passiva que pesa contra Temer. Foto: Divulgação

O nome do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), é citado na denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). O gestor máximo do Executivo brasileiro foi denunciado nesta segunda-feira (26) no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado de corrupção passiva em suposto esquema de pagamento de propina paga pela JBS, dos empresários Joesley e Wesley Batista. O paraibano, no entanto, é citado na denúncia como parte em outro esquema, investigado no inquérito nº 4327. A apuração tinha como alvo principal o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, segundo o Ministério Público, comandava o grupo chamado de “PMDB da Câmara dos Deputados”.

O grupo, no qual Manoel Júnior é relacionado, era responsável pela apresentação de emendas e requerimentos indicados por Cunha. Através deles, o peemedebista teria chantageado empresários ou mesmo “vendido” emendas. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cita ainda na denúncia que os integrantes do grupo “atuavam diretamente na indicação política de pessoas para postos importantes em determinados setores, sobretudo da Petrobras e da Caixa Econômica Federal”. O ex-deputado federal Eduardo Cunha está preso em Curitiba desde o ano passado, pouco depois de ter o mandato cassado na Câmara dos Deputados.

Janot diz também que eles “eram responsáveis pela “venda” de requerimentos e emendas parlamentares para beneficiar, ao menos, empreiteiras e banqueiros. O avançar das investigações no bojo do presente inquérito permitiu vislumbrar que, na verdade, a organização criminosa que opera para a prática dos crimes investigados no presente apuratório é a mesma analisada no Inquérito n. 4327”. Os nomes citados pelo procurador-geral da República foram Aníbal Gomes, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Alexandre Santos, Altineu Cortês, João Magalhães, Manoel Júnior, Nelson Burnier, Solange Almeida, André Esteves, Fernando Antônio Falcão Soares, André Moura (filiado ao PSC) Arnaldo Faria de Sá (filiado ao PTB), Carlos Willian (filiado ao PTC) e Lúcio Bolonha Funaro.

“As investigações conduzidas no bojo do Inquérito n. 4.483 indicam não apenas a continuidade da atividade da organização criminosa, como também a participação de Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, ora denunciados, bem como possivelmente do ex-deputado federal e ex-ministro de Estado Geddel Vieira Lima, apontado como homem de confiança de Michel Temer para o trato de negócios escusos, de Wellington Moreira Franco, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, e de Eliseu Lemos Padilha, ministro-chefe da Casa Civil”, diz a sequência da denúncia que tem o presidente como alvo.

Resposta de Manoel Júnior

Em contato com o blog, o vice-prefeito enfatiza que o nome dele não está na denúncia protocolada pela PGR no Supremo. E ele tem razão, o nome dele realmente não consta. É fácil, no entanto, explicar a confusão criada. É que a Procuradoria Geral da República divulgou nesta terça-feira dois documentos relacionados ao caso. O primeiro, um resumo das investigações intitulado “Íntegra da cota”, cita Manoel Júnior como integrante do grupo “PMDB da Câmara dos Deputados”. O segundo, mais resumido, intitulado “Íntegra da denúncia”, suprime este trecho. Por outro lado, faz referência ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, como um dos políticos do PMDB que receberam recursos da JBS.

Política em ritmo de forró nos municípios paraibanos

Deputados e prefeitos trocam gabinetes pelos camarotes e pistas de dança

Manoel Júnior posa para fotos ao lado do prefeito Romero Rodrigues no São João de Campina Grande. Foto: Divulgação

Esqueça os gabinetes, inaugurações e plenários. A política e os políticos têm dado as caras mesmo neste período é nos camarotes e pistas de dança ao som de muito forró. A cidade de Campina Grande tem sido o point dos encontros. O prefeito Romero Rodrigues (PSDB) diz já ter recebido, na cidade, mais de 30 prefeitos. Ele trabalha para construir as condições para a disputa das eleições do ano que vem. O foco é o governo do Estado e ele disputa a indicação, no grupo das oposições, com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). Os desconfortos entre os dois têm sido constantes, vale ressaltar. Aliados do prefeito da capital dizem que ele não foi convidado para a festa, em Campina Grande. Romero nega.

Nesta quinta-feira (22), Romero recebeu o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), no Parque do Povo. Do peemedebista, ouviu elogios pela opção por uma Parceria Público Privada (PPP) para promover a festa, rompendo com uma tradição de 30 anos. É bom não confundir a gentileza com apoio. Júnior, vale ressaltar, trabalha dobrado para unir a base de oposição ao governador Ricardo Coutinho (PSB). Na conta dele, caso Cartaxo seja indicado para a disputa do governo, ele assume a titularidade da prefeitura. O peemedebista trabalha, também, para que o partido dele desista do lançamento de candidatura própria.

Ainda por Campina Grande, as lideranças políticas da cidade têm aproveitado para ciciceronear nomes nacionais. Os deputados federais Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), Wellington Roberto (PR) e Rômulo Gouveia (PSD) têm trabalhado neste sentido. As opções para as visitas são muitas. Vão de Parque do Povo, Spazzio, Vila Forró, Galante, Sítio São João e Casa de Compadre. O senador Raimundo Lira (PMDB) levou pelo menos dez prefeitos para a Rainha da Borborema para curtir os festejos. Outros polos políticos/juninos são Patos, Solânea e Cajazeiras.

 

“Atacou de novo”: Manoel Júnior canta ao lado de Gil, ex-Banda Beijo

O prefeito em exercício de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), não esconde de ninguém o gosto pela música e, sempre que tem oportunidade, solta a voz. Neste sábado (19), durante o show de Gil, ex-banda Beijo no bloco Tambiá Folia, o gestor foi abordado por vários foliões que perguntavam se ele não iria cantar. Para todos, a resposta era uma só: “Não, de jeito nenhum”. Mas não foi bem assim. Lá pelas tantas, já perto do fim da apresentação, a cantora se dirigiu ao camarote do vereador e presidente da Câmara de João Pessoa, Marcos Vinícius (PSDB), um dos fundadores da agremiação. Lá chegando, enquanto cantava Morena Tropicana, de Alceu Valença, Gil ganhou a nada surpreendente companhia de Manoel Júnior ao microfone.

Manoel Júnior assumiu a titularidade do cargo de prefeito na última sexta-feira (17) em decorrência da licença tirada pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD), que passará 15 dias afastado do cargo. Ele chegou ao palco, por volta das 21h, acompanhado do irmão do prefeito e presidente municipal do PSD, Lucélio Cartaxo. O peemedebista ganhou fama de “cantador” depois que foi flagrado cantando Dia Branco, de Geraldo Azevedo, durante o aniversário de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-todo poderoso presidente da Câmara dos Deputados. Na época, eles eram muito próximos, mas, no ano passado, Júnior votou pela cassação do mandato do ex-colega. Recentemente, durante entrevista em uma rádio, o deputado soltou a voz.

Toda as tribos

O camarote de Marcos Vinícius no Tambiá Folia foi o que pode ser chamado de apartidário. Eleito com o apoio tanto da oposição quanto da situação, ele reuniu tanto os aliados do prefeito Luciano Cartaxo quanto os adversários. Dos oposicionistas, passaram por lá Sandra Marrocos (PSB), Marcos Henriques (PT), Humberto Pontes (PTdoB) e Chico do Sindicato (PTdoB). O promotor do Meio Ambiente e Patrimônio Social, João Geraldo, considerado pelos aliados de Cartaxo como “o líder da oposição no Ministério Público”, transitava com desenvoltura entre os convidados da festa.

Lucélio, o governador

O irmão do prefeito Luciano Cartaxo, Lucélio Cartaxo, vem frequentando todos os polos da folia. A todo instante, neste sábado, ele era abordado por foliões/eleitores dizendo que votaria nele para governador. Gêmeos idênticos, Luciano e Lucélio dividem a cidade para fazer campanha desde que o atual prefeito era apenas vereador da capital. “Fui cumprimentado por muitas pessoas, até policiais militares, todos prometendo voto”, disse, entre risos, o presidente municipal do PSD. Sobre estratégias para a campanha de 2018, ele disse que elas começarão a ser traçadas depois do carnaval.

 

Manoel Júnior tenta “amarrar” aliança PSD/PMDB/PSDB

Manoel Júnior circula entre os blocos durante o Folia de Rua. Foto: Divulgação/Secom-CMJP

O prefeito em exercício de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), tem feito um trabalho formiguinha visando as eleições de 2018. Diretamente beneficiado em caso de afastamento do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) para a disputa do governo do Estado (já que assumiria a prefeitura), ele corre para fortalecer o bloco PSD/PMDB/PSDB. A meta é blindar o grupo para evitar que o governador Ricardo Coutinho (PSB) reedite, com ainda mais força, a tentativa de cooptar o seu partido para o apoio a alguém de sua base aliada no ano que vem. O peemedebista, por isso, quer emplacar pelo menos uma reunião por mês envolvendo Luciano Cartaxo (PSD), José Maranhão (PMDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB).

Por força do cargo de vice-prefeito, Manoel Júnior já tem estado muito próximo de Cartaxo. Recentemente, procurou José Maranhão e outras lideranças do partido e vê sintonia de Cássio com o projeto de fortalecer o bloco para a disputa do pleito de 2018. O entendimento no seio das oposições é que o governador construiu uma avaliação positiva muito forte neste segundo mandato, apesar da crise, e tentará capitalizar um dos seus aliados para as eleições do ano que vem. O fato de não ter nome de consenso agora não quer dizer que ele não possa ser construído. Por isso, a melhor chance do grupo oposicionista para se manter vivo no pleito é unir forças.

Cartaxo tem se apresentado como opção para a disputa no ano que vem. Este seria um cenário bom para o PMDB também, já que Maranhão não apresenta disposição de disputar as eleições e Veneziano Vital do Rêgo saiu com a avaliação muito abalada com a derrota na disputa pela prefeitura de Campina Grande. Cássio sempre aparece como nome forte, já consolidado, mas muitos à sua volta acreditam que ele focará a reeleição para o Senado, devido à abrangência nacional que conquistou após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Com isso, resta Cartaxo com um nome que precisa ser estadualizado. A estratégia para isso, segundo o presidente do PSD de João Pessoa, Lucélio Cartaxo, será traçada após o Carnaval.

O grupo entende que precisa atuar acelerar as articulações, já que Ricardo Coutinho não costuma dormir em serviço. Do PMDB, ele já tem sintonia com o senador Raimundo Lira, os deputados federais Veneziano e Hugo Motta e o estadual Nabor Wanderley. O grupo tenta uma reunião com o Diretório Estadual para forçar uma mudança de rumos na política de alianças. Acha até que poderá contar com Ricardo Marcelo e Raniery Paulino, que, apesar de fazer oposição ao governador na Assembleia Legislativa, não circula bem entre os tucanos. As investigas governistas sobre eles visando isolar Manoel Júnior e Maranhão são fortes.

Quando o assunto é a disputa do governo em 2018, ninguém tem dormido em serviço.

 

Cartaxo tira licença e Manoel Júnior assume a prefeitura por 15 dias

Manoel Júnior (D) vai assumir o comando da prefeitura durante a licença de 15 dias tirada por Cartaxo. Foto: Divulgação/PSD

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), vai tirar licença de 15 dias a partir desta sexta-feira (17). A decisão foi comunicada aos vereadores da base aliada durante jantar com o grupo na casa do vereador João Corujinha (PSDC). Durante o período em que estiver fora da cidade, o Executivo municipal será comandado pelo vice, Manoel Júnior (PMDB). Desde que foi empossado pela primeira vez no cargo, em 2013, essa é a segunda vez que Cartaxo se afasta do comando da prefeitura para um período de descanso. A última vez foi em 2015, quando Nonato Bandeira (PPS), então vice-prefeito, assumiu o cargo interinamente.

De acordo com assessores próximos ao prefeito, o jantar na casa de Corujinha funcionou como uma espécie de confraternização com a base. Dos 17 vereadores que dão sustentação à gestão de Luciano Cartaxo na Câmara Municipal, apenas Dinho (PMN) e João Almeida (SD) não estiveram presentes. Ambos, no entanto, justificaram as ausências com a informação de que já tinham viagens agendadas anteriormente. Apesar dos descontentamentos recentes da maioria dos aliados, motivados principalmente por causa da redução das indicações admitidas na gestão municipal, a informação dita oficialmente pelos vereadores da base é que esse tema já foi superado.

Durante o período de licença, o prefeito estará fora da cidade. O destino do gestor não foi revelado por sua assessoria. Apesar de ser conhecido como amante do carnaval, ele deve utilizar o período para o descanso com a família. O vice-prefeito Manoel Júnior, portanto, vai permanecer no comando da prefeitura até o dia 3 de março. A posse no mandato ocorre justamente quando o peemedebista trava uma batalha dentro do seu partido para convencer os colegas a permanecerem no campo das oposições. Várias lideranças do partido têm ampliado o debate para levar a sigla de volta para a base aliada do governador Ricardo Coutinho (PSB).

 

 

Manoel Júnior inicia movimento para “sufocar” dissidência no PMDB

Manoel Júnior (D) posa para fotos ao lado de Ricardo Marcelo. Foto: Divulgação

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), deu início a um movimento forte de busca de apoios para tentar sufocar as lideranças dissidentes dentro do partido. O peemedebista quer evitar o crescimento do movimento interno que visa levar a sigla para a base de apoio ao governador Ricardo Coutinho (PSB) e, com isso, para a composição que visa a sucessão do socialista. O gestor trabalha para garantir que o seu partido apoie uma eventual disputa ao governo pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD), em 2018, abrindo espaço para que ele assuma a titularidade no cargo.

Júnior, dentro deste contexto, se reuniu na semana passada com o senador José Maranhão, presidente estadual do partido, e com o suplente de senador Roosevelt Vita. O cardápio, durante o almoço, foi a política de alianças para a disputa eleitoral de 2018. O movimento foi complementado na última segunda-feira (13), quando ele se encontrou com o deputado estadual Ricardo Marcelo. O parlamentar é um antigo adversário do governador Ricardo Coutinho, mas vem recebendo assédio de aliados para que ele reforce a dissidência interna no partido.

O movimento de Manoel Júnior ocorre paralelo à cobrança do deputado federal Venziano Vital do Rêgo por uma nova reunião da executiva do partido, para iniciar a discussão sobre as alianças. Veneziano engrossa o coro dos peemedebistas alinhados com o governador. Ele recebeu de Maranhão a promessa de que o encontro ocorrerá após o Carnaval, mas sem data fixa. São a favor de uma discussão mais ampla em relação a 2018 os deputados estaduais Nabor Wanderley e Raniery Paulino, além do deputado federal Hugo Motta e do senador Raimundo Lira.

 

Os parlamentares dissidentes, vale ressaltar, tentaram uma composição alinhada com o governador, em 2016, mas foram vendidos no embate interno. Entre as exigências para o apoio em Campina Grande e Patos, por exemplo, Ricardo Coutinho cobrava a saída de Manoel Júnior da disputa em João Pessoa. Não houve acordo.

Manoel Júnior renuncia na Câmara, toma posse na vice e vai indicar secretário de Saúde

Manoel Júnior (D), durante a campanha ao lado do prefeito reeleito Luciano Cartaxo. Foto: Divulgação/PSD

O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) confirmou, em entrevista à CBN João Pessoa, nesta sexta-feira (30), que já oficializou na Câmara dos Deputados a renúncia ao mandato de deputado federal e vai tomar posse no cargo de vice-prefeito no próximo domingo (1º). O agora ex-parlamentar foi eleito ao lado do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), no pleito deste ano. O peemedebista pensava em se licenciar do cargo e ficar como deputado federal até 2018, mas acabou desistindo por temer demandas judiciais por conta das dúvidas sobre a constitucionalidade da manobra.

No acordo com o prefeito Luciano Cartaxo, ficou acertado que ele vai indicar o secretário da Saúde do município. O nome mais cotado para a pasta é o do médico José Carlos Evangelista, ex-diretor do Hospital de Trauma e da Maternidade Cândida Vargas. O vice-prefeito eleito é médico de formação e diz querer dar uma contribuição significativa para a saúde da capital. O cargo atualmente é exercido por Adalberto Fulgêncio, que deverá ser relocado para outra pasta na reforma administrativa que está sendo desenhada pelo atual prefeito.

Manoel Júnior foi eleito na capital depois de muitas discussões que o levaram a abrir mão da disputa na cabeça de chapa para entrar na composição de apoio a Cartaxo. A operação rendeu ao pessedista os apoios de PMDB e do PSDB do senador Cássio Cunha Lima. O grupo formou a frente das oposições e deve lançar candidato em 2018. Um dos nomes que trabalham com esta possibilidade é o prefeito reeleito Luciano Cartaxo. Caso ele seja candidato, terá que renunciar em abril de 2018, abrindo espaço para que Manoel Júnior seja efetivado no cargo.

Prego batido: Manoel Júnior comunica à Câmara que será empossado

O deputado federal e vice-prefeito eleito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), comunicou à Câmara dos Deputados que vai tomar posse no próximo domingo (1º). O parlamentar encaminhou toda a documentação necessária e, com isso, acabou com toda a polêmica em relação à sua posse ou não no cargo. A decisão foi tomada após uma série de reuniões com o prefeito reeleito Luciano Cartaxo (PSD). A última ocorreu na noite desta quarta-feira (29), antes do jantar de confraternização promovido pelo PMDB.

As especulações sobre a possibilidade de o deputado não tomar posse ganharam força por conta de sinais emitidos pelo parlamentar, que, há cerca de um mês, deu início a consultas para saber se poderia se licenciar do cargo em João Pessoa e permanecer por mais um ano no cargo de deputado federal. A aposta era na tese já admitida por tribunais estaduais, mas ainda não enfrentada por cortes superiores de que a licença do cargo na prefeitura anularia o dispositivo legal que proíbe a ocupação da titularidade em dois mandatos ao mesmo tempo.

Ação da Rede

Márlon Reis é advogado do partido Rede Sustentabilidade. Foto: Divulgação

A decisão se tornou pública, também, no mesmo dia em que a Comissão Provisória do partido Rede Sustentabilidade, em João Pessoa, protocolou, na Justiça Eleitoral, pedido de notificação judicial dirigido ao prefeito eleito Luciano Cartaxo. Com a decisão, a sigla comunica ao prefeito que entrará com ação pedindo a impugnação do mandato eletivo do gestor por suposta fraude eleitoral, caso Manoel Júnior não tome posse. A alegação é a de que teria havido fraude eleitoral, já que a composição resultou na soma de tempo para a campanha do prefeito reeleito.

A ação foi protocolada pelo advogado da Rede, Marlon Reis, o ex-juiz que figura como um dos idealizadores da Lei Ficha-Limpa.

Confira o documento protocolado

 

Manoel Júnior tomará posse em janeiro, mas não topará ser vice-prefeito de João Pessoa

O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) cumpriu a promessa. Nesta quinta-feira (15), ele compareceu à solenidade de diplomação dos eleitos e, ao lado do prefeito reeleito Luciano Cartaxo (PSD), foi diplomado no cargo de vice-prefeito. Não há dúvidas, também, que vai ele tomar posse no dia 1° de janeiro. Mas o vínculo do parlamentar com a prefeitura de João Pessoa vai parar por aí. Podem anotar. Manoel Júnior não vai permanecer no posto como quer o prefeito pessedista. Ele não vai titubear na hora de escolher a Câmara dos Deputados como morada, em detrimento da suplência na capital paraibana. “A população sabe que é melhor um deputado em Brasília, carreando recursos para João Pessoa”, diz.

Muitos ingredientes levaram o parlamentar a essa decisão. Boa parte deles não revelados, mas que podem ser inferidos ao se discorrer sobre o passado recente da política nacional. A projeção e digamos, a utilidade de um deputado federal, é maior que a de um vice-prefeito, salvo em caso de doença ou morte do titular do cargo. A remuneração também muda, já que o vice ganha R$ 16,5 mil, enquanto que o deputado federal R$ 33 mil e mais um monte de regalias e verbas para o reforço da atividade parlamentar. Mas talvez o maior empecilho seja mesmo a operação Lava Jato, na qual o parlamentar foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Manoel Júnior já deu provas de que não atualmente, mas já foi muito ligado ao deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a investigação de Cunha e de outros deputados, inclusive Júnior, por suposta venda de emendas parlamentares e requerimentos. O parlamentar paraibano nega qualquer envolvimento com os supostos crimes e votou pela cassação de Cunha na Câmara, porém, nunca se sabe o que poderá vir de uma eventual delação do peemedebista fluminense. Deixar a Câmara dos Deputados, neste momento, representaria para o parlamentar abrir mão do foro privilegiado. E ninguém quer cair nas mãos de Sérgio Moro.

Manoel Júnior encomendou um parecer do advogado paraibano Roosevelt Vita e acredita que poderá se licenciar do cargo de vice, em João Pessoa, e permanecer em Brasília. Há teses jurídicas que apontam para esta possibilidade. Nas Câmaras Municipais, em várias cidades do país, foram aprovadas leis que permitiram aos vereadores se licenciar para ocupar cargos de deputado estadual ou federal e não perder o mandato. Vita lembra que o caso nunca foi enfrentado por cortes superiores, mas está confiante da legalidade da prática. O Tribunal de Justiça da Paraíba, por exemplo, referendou as leis de Cabedelo e João Pessoa.

A discussão jurídica vai avançar, com o deputado em Brasília, mesmo correndo riscos. Em todo o caso, mesmo que seja denunciado por um eventual crime eleitoral, terá seu caso julgado no Tribunal Superior Eleitoral e poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Isso leva tempo. Mas se tiver que escolher, ficará em Brasília. Prejuízo mais imediato ficará por conta do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. Caso Manoel Júnior fique impossibilitado de assumir a prefeitura em 2018, ele terá dificuldades de convencer a população sobre as vantagens de disputar o governo do Estado. É simples. Com a saída dele da prefeitura, terá que haver novas eleições, justamente em 2018. Uma insegurança que a população não contava.