Manoel Júnior renuncia na Câmara, toma posse na vice e vai indicar secretário de Saúde

Manoel Júnior (D), durante a campanha ao lado do prefeito reeleito Luciano Cartaxo. Foto: Divulgação/PSD

O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) confirmou, em entrevista à CBN João Pessoa, nesta sexta-feira (30), que já oficializou na Câmara dos Deputados a renúncia ao mandato de deputado federal e vai tomar posse no cargo de vice-prefeito no próximo domingo (1º). O agora ex-parlamentar foi eleito ao lado do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), no pleito deste ano. O peemedebista pensava em se licenciar do cargo e ficar como deputado federal até 2018, mas acabou desistindo por temer demandas judiciais por conta das dúvidas sobre a constitucionalidade da manobra.

No acordo com o prefeito Luciano Cartaxo, ficou acertado que ele vai indicar o secretário da Saúde do município. O nome mais cotado para a pasta é o do médico José Carlos Evangelista, ex-diretor do Hospital de Trauma e da Maternidade Cândida Vargas. O vice-prefeito eleito é médico de formação e diz querer dar uma contribuição significativa para a saúde da capital. O cargo atualmente é exercido por Adalberto Fulgêncio, que deverá ser relocado para outra pasta na reforma administrativa que está sendo desenhada pelo atual prefeito.

Manoel Júnior foi eleito na capital depois de muitas discussões que o levaram a abrir mão da disputa na cabeça de chapa para entrar na composição de apoio a Cartaxo. A operação rendeu ao pessedista os apoios de PMDB e do PSDB do senador Cássio Cunha Lima. O grupo formou a frente das oposições e deve lançar candidato em 2018. Um dos nomes que trabalham com esta possibilidade é o prefeito reeleito Luciano Cartaxo. Caso ele seja candidato, terá que renunciar em abril de 2018, abrindo espaço para que Manoel Júnior seja efetivado no cargo.

Prego batido: Manoel Júnior comunica à Câmara que será empossado

O deputado federal e vice-prefeito eleito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), comunicou à Câmara dos Deputados que vai tomar posse no próximo domingo (1º). O parlamentar encaminhou toda a documentação necessária e, com isso, acabou com toda a polêmica em relação à sua posse ou não no cargo. A decisão foi tomada após uma série de reuniões com o prefeito reeleito Luciano Cartaxo (PSD). A última ocorreu na noite desta quarta-feira (29), antes do jantar de confraternização promovido pelo PMDB.

As especulações sobre a possibilidade de o deputado não tomar posse ganharam força por conta de sinais emitidos pelo parlamentar, que, há cerca de um mês, deu início a consultas para saber se poderia se licenciar do cargo em João Pessoa e permanecer por mais um ano no cargo de deputado federal. A aposta era na tese já admitida por tribunais estaduais, mas ainda não enfrentada por cortes superiores de que a licença do cargo na prefeitura anularia o dispositivo legal que proíbe a ocupação da titularidade em dois mandatos ao mesmo tempo.

Ação da Rede

Márlon Reis é advogado do partido Rede Sustentabilidade. Foto: Divulgação

A decisão se tornou pública, também, no mesmo dia em que a Comissão Provisória do partido Rede Sustentabilidade, em João Pessoa, protocolou, na Justiça Eleitoral, pedido de notificação judicial dirigido ao prefeito eleito Luciano Cartaxo. Com a decisão, a sigla comunica ao prefeito que entrará com ação pedindo a impugnação do mandato eletivo do gestor por suposta fraude eleitoral, caso Manoel Júnior não tome posse. A alegação é a de que teria havido fraude eleitoral, já que a composição resultou na soma de tempo para a campanha do prefeito reeleito.

A ação foi protocolada pelo advogado da Rede, Marlon Reis, o ex-juiz que figura como um dos idealizadores da Lei Ficha-Limpa.

Confira o documento protocolado

 

Manoel Júnior tomará posse em janeiro, mas não topará ser vice-prefeito de João Pessoa

O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) cumpriu a promessa. Nesta quinta-feira (15), ele compareceu à solenidade de diplomação dos eleitos e, ao lado do prefeito reeleito Luciano Cartaxo (PSD), foi diplomado no cargo de vice-prefeito. Não há dúvidas, também, que vai ele tomar posse no dia 1° de janeiro. Mas o vínculo do parlamentar com a prefeitura de João Pessoa vai parar por aí. Podem anotar. Manoel Júnior não vai permanecer no posto como quer o prefeito pessedista. Ele não vai titubear na hora de escolher a Câmara dos Deputados como morada, em detrimento da suplência na capital paraibana. “A população sabe que é melhor um deputado em Brasília, carreando recursos para João Pessoa”, diz.

Muitos ingredientes levaram o parlamentar a essa decisão. Boa parte deles não revelados, mas que podem ser inferidos ao se discorrer sobre o passado recente da política nacional. A projeção e digamos, a utilidade de um deputado federal, é maior que a de um vice-prefeito, salvo em caso de doença ou morte do titular do cargo. A remuneração também muda, já que o vice ganha R$ 16,5 mil, enquanto que o deputado federal R$ 33 mil e mais um monte de regalias e verbas para o reforço da atividade parlamentar. Mas talvez o maior empecilho seja mesmo a operação Lava Jato, na qual o parlamentar foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Manoel Júnior já deu provas de que não atualmente, mas já foi muito ligado ao deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a investigação de Cunha e de outros deputados, inclusive Júnior, por suposta venda de emendas parlamentares e requerimentos. O parlamentar paraibano nega qualquer envolvimento com os supostos crimes e votou pela cassação de Cunha na Câmara, porém, nunca se sabe o que poderá vir de uma eventual delação do peemedebista fluminense. Deixar a Câmara dos Deputados, neste momento, representaria para o parlamentar abrir mão do foro privilegiado. E ninguém quer cair nas mãos de Sérgio Moro.

Manoel Júnior encomendou um parecer do advogado paraibano Roosevelt Vita e acredita que poderá se licenciar do cargo de vice, em João Pessoa, e permanecer em Brasília. Há teses jurídicas que apontam para esta possibilidade. Nas Câmaras Municipais, em várias cidades do país, foram aprovadas leis que permitiram aos vereadores se licenciar para ocupar cargos de deputado estadual ou federal e não perder o mandato. Vita lembra que o caso nunca foi enfrentado por cortes superiores, mas está confiante da legalidade da prática. O Tribunal de Justiça da Paraíba, por exemplo, referendou as leis de Cabedelo e João Pessoa.

A discussão jurídica vai avançar, com o deputado em Brasília, mesmo correndo riscos. Em todo o caso, mesmo que seja denunciado por um eventual crime eleitoral, terá seu caso julgado no Tribunal Superior Eleitoral e poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Isso leva tempo. Mas se tiver que escolher, ficará em Brasília. Prejuízo mais imediato ficará por conta do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. Caso Manoel Júnior fique impossibilitado de assumir a prefeitura em 2018, ele terá dificuldades de convencer a população sobre as vantagens de disputar o governo do Estado. É simples. Com a saída dele da prefeitura, terá que haver novas eleições, justamente em 2018. Uma insegurança que a população não contava.

Manoel Júnior garante que estará na diplomação dos eleitos

O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) procurou nesta quarta-feira (14) dissipar as especulações de que pretende não assumir o mandato de vice-prefeito de João Pessoa. O parlamentar promete estar ao lado do prefeito reeleito Luciano Cartaxo (PSD) durante a solenidade desta quinta, convocada pelo juiz da Josivaldo Félix de Oliveira, presidente da Junta Apuradora 64ª Zona Eleitoral. A cerimônia acontece a partir das 16h, no Centro de Convenções da Fundação Cidade Viva, no bairro do Bessa. Além deles, também serão diplomados os 27 vereadores eleitos e os suplentes de cada coligação e partido.

As especulações dão conta de que o vice cogitaria não assumir o cargo conquistado nas urnas neste ano. O que ele nega. De acordo com o TRE-PB, a diplomação é o ato pelo qual a Justiça Eleitoral atesta que o candidato foi efetivamente eleito pelo povo e, por isso, está apto a tomar posse no cargo. Na ocasião, ocorre a entrega dos diplomas que são assinados pelo juiz Josivaldo Félix de Oliveira. O diploma conferido pela Justiça Eleitoral é um documento obrigatório para que os eleitos possam ser empossados nos respectivos cargos no dia 1º de janeiro de 2017.

Reeleito com 222.689 votos (59,67% dos votos válidos), Luciano Cartaxo recebe a diplomação para o segundo mandato renovando as expectativas de realizar mais uma gestão inovadora, apostando na melhoria da qualidade de vida das pessoas e nos avanços em áreas como Educação, Saúde e Habitação, entre outras.

Vereadores diplomados – Os vereadores que vão ser diplomados são: Léo Bezerra (PSB); Durval Ferreira (PP); Tanilson Soares (PSB); Eliza Virgínia (PSDB); Chico do Sindicato (PT do B); Dr. Luís Flávio (PSDB); João Almeida (SD); Tibério Limeira (PSB); Lucas de Brito (PSL); Marcos Vinícius (PSDB); Bispo José Luiz (PRB); Bosquinho (PSC); Pedro Alberto Coutinho (PHS); Damásio Franca Neto (PP); Raíssa Lacerda (PSD); Milanez Neto (PTB); Eduardo Carneiro (PRTB); João dos Santos (PR); Helton Renê (PC do B); Bruno Farias (PPS); João Corujinha (PSDC); Sandra Marrocos (PSB); Dinho (PMN); Thiago Lucena (PMN); Mangueira (PMDB); Marcos Henriques (PT); e Humberto Pontes (PT do B).

 

Manoel Júnior nega renúncia a mandato de vice-prefeito

reuniao_do_pmdb-_manoel_junior_pag.Pagina_3_cad.Caderno_1_Rizemberg_Felipe_378830O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) negou no início da tarde desta quinta-feira (1º) qualquer possibilidade de renunciar ao mandato de vice-prefeito de João Pessoa. O boato teve início em programas de rádio e foi rapidamente replicado por blogs paraibanos. “Uma completa mentira”, garantiu o parlamentar, que prometeu comparecer à solenidade de diplomação ao lado do prefeito reeleito Luciano Cartaxo (PSD), no dia 15 deste mês, e que tomará posse no mandato em janeiro.

O parlamentar, no entanto, tenta uma manobra para poder permanecer na Câmara dos Deputados, desde que, para isso, não precise renunciar ao cargo conquistado nas urnas no pleito deste ano. Manoel Júnior encarregou o escritório do advogado Roosevelt Vitta de uma consulta sobre a possibilidade de ele ser diplomado e se licenciar do mandato na capital para poder seguir em Brasília até que a presença dele seja necessária na capital. Vitta acredita que algumas brechas na legislação podem beneficiar o peemedebista.

Manoel Júnior poderá ser efetivado como titular da prefeitura da capital desde que Luciano Cartaxo construa as condições para disputar o governo do Estado em 2018. Neste caso, o pessedista teria que renunciar ao cargo no início de abril, o que abriria espaço para que o peemedebista ficasse no cargo até o fim do mandato, em 2020.

Ministério Público ajuíza Aije contra Cartaxo por “conduta vedada”

Crédito: Divulgação/PSD

Crédito: Divulgação/PSD

O prefeito de João Pessoa e candidato à reeleição, Luciano Cartaxo (PSD), virou alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). A medida é extensiva ao candidato a vice da coligação “Força da União por João Pessoa”, Manoel Júnior (PMDB). De acordo com o promotor João Geraldo Carneiro Barbosa, da 77ª Zona Eleitoral, Cartaxo aproveitou-se de sua influência política e de sua autoridade como prefeito da capital paraibana para praticar condutas que violaram o princípio da isonomia no processo eleitoral em prol de sua candidatura e da candidatura de seu vice.

Dentre as condutas elencadas como ilegais pelo promotor estão o aumento de despesas com servidores contratados temporariamente. “Em dezembro de 2014, 56,94% do quadro de pessoal da Prefeitura de João Pessoa era formado por servidores contratados a título de ‘contratação temporária por excepcional interesse público’. As despesas efetivadas com os contratados por tempo determinado só cresceram, entre 2013 e 2014”, destacou a ação. A Promotoria constatou que o índice de contratados sem concurso em detrimento do total de servidores também só aumentou entre janeiro e março de 2015, passando dos 50% e que os gastos efetivados com esse pessoal, entre 2012 e 2014, passou de R$ 208,5 milhões para R$ 279,5 milhões.

Em dezembro de 2012, eram 10.894 os servidores temporários contratados pela prefeitura, tendo aumentado para 11.430, em dezembro de 2014, e para 11.785, em junho de 2016. Segundo a Promotoria, Cartaxo desrespeitou a orientação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) e a decisão proferida por ação civil pública e continuou a aumentar as contratações por prestação de serviços a título de excepcional interesse público. “O excesso de contratação por excepcional interesse público, a ausência de atendimento dos requisitos legais para tais contratações e a preterição de candidatos aprovados em concursos é prática que vem sendo repetida pela administração municipal de João Pessoa, configurando, de forma clara, o desvio ou abuso do poder de autoridade e o abuso do poder econômico, praticados pelo prefeito em exercício”, informou o promotor João Geraldo Barbosa.

Dentre os contratados temporários, estão dois bibliotecários e 87 auxiliares de biblioteca, além de 50 coreógrafos de banda e 91 instrutores de banda. Para a Promotoria Eleitoral, é “evidente a captação ilícita de sufrágio e o abuso do poder político e econômico” e as contratações temporárias feitas “ao arrepio da lei” tiveram como objetivo beneficiar diretamente Cartaxo e seu vice no pleito de 2016.

A ação

A ação ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral (com 112 páginas) requer a inelegibilidade de Cartaxo e Manoel Júnior para as eleições a se realizarem nos oito anos subsequentes à eleição deste ano e a cassação de seus registros de candidatura ou, em caso de julgamento após o pleito e em caso de eleição deles, do diploma e do mandato. Requer ainda o envio de cópias à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público para que sejam adotadas as providências cabíveis; que seja determinado à prefeitura a juntada aos autos da cópia de todos os contratos de prestação de serviços e de toda a comprovação documental de eventuais processos seletivos realizados pela prefeitura e que seja solicitado, com urgência, informações sobre o pagamento de mais vantagens aos servidores cedidos com ônus a diversas prefeituras e órgãos estaduais.

Com informações da assessoria do Ministério Público Eleitoral

“O tempo os espera”, diz Cunha sobre Manoel Júnior e Aguinaldo

Brasília- DF 14-07-2016 Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

Brasília- DF 14-07-2016 Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

O deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não tem escondido as mágoas em relação aos deputados federais paraibanos Manoel Júnior (PMDB) e Aguinaldo Ribeiro (PP). Os dois estavam entre os votos considerados certos por ele na tentativa de fugir da degola. Ao todo, 450 parlamentares votaram pela cassação, contra apenas dez favoráveis à manutenção do seu mandato. Entre eles estava o também paraibano Wellington Roberto (PR). Em declarações dadas ao Estadão, o carioca fez uma ameaças veladas contra os ex-aliados: ” Mas o tempo os espera”.

As declarações de Eduardo Cunha foram feitas durante a entrevista em que escolheu como alvo dos ataques o  secretário de Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco. O auxiliar do presidente Michel Temer (PMDB) foi visto pelo ex-deputado como peça-chave na engrenagem que culminou com a sua cassação. Ele acusou Franco de estar por trás de irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), que é administrado pela Caixa e financia obras de infraestrutura. Segundo Cunha, a operação de financiamento do Porto Maravilha foi montada por Moreira Franco.

“Criou-se clima para votação naquela semana decidir, no meio do processo eleitoral e com a pressão de opinião publicada e televisada em cima dos parlamentares. Houve ali hipócritas. Rogério Rosso (candidato derrotado do Centrão à presidência da Câmara), Aguinaldo Ribeiro (líder PP), que passou a madrugada antes da votação me ajudando, e Manoel Junior (PMDB-PB), responsável por grande parte da minha defesa no Conselho, jamais poderiam ter votado contra mim. Mas o tempo os espera. A política detesta traidor”, afirmou o peemedebista em entrevista a O Estado de São Paulo.

Em contato com o blog, em entrevista recente, Manoel Júnior disse que não fez a defesa de Eduardo Cunha durante suas participações no Conselho de Ética, mas da legalidade. Ele nega as acusações de que teria mudado o voto por causa de pedido do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. O peemedebista é o vice na chapa encabeçada pelo pessedista para a disputa da reeleição.

 

Manoel Júnior ironiza: “Ricardo vai tirar Wellington Roberto da sua base aliada?”

MANOELjunior_Wendel Lopes_1Um dia depois de votar pela cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado federal Manoel Júnior (PMDB) “mandou” uma ironia para o governador Ricardo Coutinho (PSB): “será que ele vai expulsar Wellington Roberto (PR) da sua base de apoio por ele ter votado pela permanência de Cunha?”. A ironia tem motivo. A militância ligada à candidata a prefeita de João Pessoa, Cida Ramos (PSB), dava como certo o voto do peemedebista favorável ao carioca. A estratégia era dizer que o prefeito e candidato à reeleição, Luciano Cartaxo (PSD), que tem Júnior como vice, integraria a “turma do Cunha”.

Eduardo Cunha foi cassado pelo largo placar de 450 votos contra 10. Entre os mirrados votos em prol do deputado, estava o de Wellington Roberto, aliado do governador Ricardo Coutinho e da candidata Cida Ramos. O progressista, inclusive, indicou o filho dele para a secretário de Juventude, Esporte e Lazer, Bruno Roberto. Junto com Manoel Júnior e Hugo Motta (PMDB), que não compareceu à sessão, Wellington Roberto integrou a linha de frente da defesa de Cunha no Conselho de Ética, na Câmara dos Deputados. Dos três, apenas o dirigente do PR continuou com o deputado carioca até o fim.

Apesar do voto pela cassação, Manoel Júnior disse acreditar que Eduardo Cunha não mentiu na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O deputado foi questionado sobre a existência de contas em nome dele no exterior e afirmou não tê-las. Na visão do peemedebista paraibano, ao fazer isso, ele omitiu que tinha dinheiro em poder de trustes. A visão do parlamentar era de que, por isso, a pena deveria ser de suspensão, porém, como não havia pena alternativa de suspensão – era expulsar ou não – ele votou pela primeira opção. “Defendia a suspensão por três meses, mas não havia essa opção”, disse.

Dez dos 12 deputados paraibanos votaram pela cassação de Eduardo Cunha

Brasília- DF 14-07-2016   Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

Brasília- DF 14-07-2016 Sessão da CCJ que não aceitou os recursos do deputado Eduardo Cunha. Foto Lula Marques/Agência PT

A bancada paraibana, que já foi majoritariamente afinada com o agora deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), faltou na hora que ele mais precisava. Dos 12 parlamentares do Estado, 10 votaram contra a permanência dele na Casa, um votou a favor e outro não compareceu. Da tropa de choque, antes formada por Manoel Júnior (PMDB), Hugo Motta (PMDB) e Wellington Roberto (PR), apenas o republicano ficou até o fim ao lado de Cunha. O placar final foi de 450 a 10.

Eduardo Cunha foi cassado por quebra de decoro parlamentar, segundo parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que o acusou de ter mentido em depoimento espontâneo à CPI da Petrobras ao afirmar que não tinha contas no exterior. Houve 9 abstenções. Curiosamente, o ausente entre os paraibanos, Hugo Motta, foi o relator da CPI que acabou decretando o início do fim do poder do ex-presidente na Casa.

Cunha é o sétimo deputado a ter o mandato cassado na história na Câmara, desde a criação do Conselho de Ética, em 2001. O parlamentar ainda tentou, durante seu discurso, forçar a tese de que a condenação dele à pena máxima fortaleceria o discurso de golpe, pregado pelos petistas. Cunha foi a peça principal da admissibilidade do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Repercussão na Paraíba

Aqui na Paraíba, a votação quebra o discurso dos apoiadores da candidata a prefeita de João Pessoa, Cida Ramos (PSB), de que o seu adversário, o prefeito Luciano Cartaxo (PSD), estaria alinhado com a “turma do Cunha”, já que tem Manoel Júnior como vice na chapa que disputa a reeleição. O peemedebista votou pela cassação, contrariando o prognóstico inicial, já que integrava a defesa do parlamentar carioca na fase inicial do processo. O único voto pró-Cunha veio de um aliado de Cida, o deputado federal Wellington Roberto.

Vivendo um verdadeiro inferno astral em família, Hugo Motta não compareceu à sessão que decretou a cassação do seu principal aliado político na Câmara dos Deputados. Pelas mãos de Cunha, ele assumiu a CPI da Petrobras e concorreu ao cargo de líder do PMDB na Casa, perdendo por poucos votos para Leonardo Picciani, hoje ministro dos Esportes. A avó de Hugo foi afastada da prefeitura de Patos e a mãe, ex-chefe de gabinete, se encontra presa por determinação do Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

Confira como votaram os paraibanos:

Pelo sim
Aguinaldo Ribeiro (PP)
André Amaral (PMDB)
Benjamin Maranhão (SD)
Danião Feliciano (PDT)
Efraim Filho (DEM)
Luiz Couto (PT)
Manoel Júnior (PMDB)
Pedro Cunha Lima (PSDB)
Rômulo Gouveia (PSD)
Wilson Filho (PTB)

Pelo não
Wellington Roberto (PR)

Faltou à sessão
Hugo Motta (PMDB)

Manoel Júnior depõe nesta terça como testemunha de Cunha

MANOELjunior_Wendel Lopes_1O deputado federal Manoel Júnior (PMDB) vai prestar depoimento nesta terça-feira (30), às 15h30, no Supremo Tribunal Federal (TSE), como testemunha de defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Candidato a vice prefeito de João Pessoa na chapa encabeçada por Luciano Cartaxo (PSD), o peemedebista integrou a “tropa de choque” de Cunha durante o julgamento dele no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. A relação próxima também rendeu uma denúncia formulada pela Procuradoria Geral da República (PGR) por suposto envolvimento em tráfico de influência na Casa.

Manoel Júnior é um dos dois parlamentares peemedebistas paraibanos arrolados por Eduardo Cunha como testemunhas de defesa. O outro é o deputado federal Hugo Motta, que presidiu a CPI da Petrobras e foi o nome de Cunha para a disputa da liderança do PMDB na Câmara dos Deputados. O relator do processo no Supremo, Teori Zavaski, pediu aos parlamentares que eles escolhessem as datas para o depoimento, entre os dias 29, 30 e 31 deste mês. Os outros parlamentares arrolados foram Washington Reis (PMDB-RJ), Pedro Chaves (PMDB-GO), Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Jordão (PMDB-RJ), Felipe Bornier (PROS-RJ) e Saraiva Felipe (PMDB-MG).

Acusação

Os depoimentos ocorrerão na ação penal em que Cunha é réu no crime de corrupção, acusado de receber US$ 5 milhões de propina por um contrato de navios-sondas da Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato. De acordo com as investigações, Eduardo Cunha pressionou, a partir de 2010, o ex-consultor da empresa Mitsui e um dos delatores da Lava Jato, Júlio Camargo, para que este voltasse a pagar propina por um contrato de navios-sonda com a Petrobras, cuja negociação foi interrompida por problemas jurídicos.