Lula percorrerá de ônibus cidades da Paraíba em agosto

Ex-presidente conversou com o governador Ricardo Coutinho sobre périplo

Lula (D) conversa com Ricardo Coutinho e com a ex-presidente Dilma Rousseff durante a última agenda na Paraíba. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O ex-presidente Lula fará um périplo por cidades nordestinas entre os meses de agosto e setembro deste ano. A expectativa é que ele participe de pelo menos três agendas na Paraíba. A previsão é que o roteiro tenha início no dia 16 do próximo mês, provavelmente por Salvador, na Bahia. O percurso será feito por meio de ônibus fretado. O segundo Estado a ser visitado será Sergipe e depois o ex-gestor seguirá para os outros. A caravana é a primeira movimentação política do petista desde que foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro, na semana passada. Lula se diz inocente e acredita que alcançará êxito no recurso feito para a segunda instância.

O presidente estadual do PT, na Paraíba, Jackson Macedo, explicou que o roteiro pela Paraíba não está fechado. A prioridade do ex-presidente será as cidades do interior do Nordeste. Três agendas estão sendo planejadas no Estado. Todas ainda carecem de aprovação da Executiva Nacional do partido. A primeira seria o recebimento de um título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O segunda seria o recebimento de um título de cidadania aprovado pela Assembleia Legislativa. A terceira proposta é uma visita às obras do Eixo Norte da Transposição de águas do São Francisco.

A última vez que Lula veio à Paraíba foi em 19 de março, quando participou da inauguração popular da transposição, em Monteiro. Ele veio ao Estado acompanhado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e foi ciceroneado pelo governador Ricardo Coutinho (PSB). Coutinho, vale ressaltar, foi um dos governadores ouvidos pelo ex-presidente antes de definir a nova vinda ao Nordeste. Além dele, foram contactados os governadores Jackson Barreto, de Sergipe, e Camilo Santana, do Ceará. De acordo com informações da coluna Painel, da Folha de São Paulo, a viagem ainda está na fase inicial e o roteiro ainda não está fechado. Este estágio inclui ainda o levantamento dos custos.

Condenação de Lula sepulta eleições diretas e reduz chances de Temer sobreviver

Cobranças da população devem minar sobrevida do atual presidente

Condenação de Lula (D) terá impacto no processo que pode transformar Michel Temer em réu. Foto: Beto Barata/PR

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo juiz Sérgio Moro, apesar de não produzir efeito prático imediato, mexe profundamente no tabuleiro político. Não falo aqui das chances do petista ser candidato no ano que vem. Até por que, se forem lavadas em conta as prova usadas para a condenação, não haverá surpresa nenhuma se a decisão for reformada pela turma recursão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre. A decisão, por outro lado, tende a ferir de morte as chances do presidente Michel Temer (PMDB) escapar da admissibilidade do pedido para ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e sepulta, também, a possibilidade de eleições diretas.

Em relação à sobrevivência de Michel Temer, a reação é sintomática. A condenação de Lula a nove anos e seis meses de prisão, nesta quarta-feira (12), virou alvo de comemoração dos governistas e protestos da oposição. Do primeiro grupo, espera-se a constatação de que não dá para fazer discurso de que as coisas estão mudando e que a Justiça deve ser para todos, se houver votos suficientes para salvar o Temer. É fácil entender o raciocínio: a materialidade das denúncias contra o peemedebista são muito maiores que a existente contra o petista. Contra Temer há encontro fora da agenda, conversa sobre compra do silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro e ainda um deputado preso com uma mala recheada com R$ 500 mil.

As lideranças governistas fizeram discurso de concordância com a condenação de Lula e não poderão fugir do discurso. É lógico que sempre há o efeito Orloff, do “eu sou você amanhã”. Afinal, com praticamente todas as lideranças de peso sob o alvo da operação Lava Jato, os condenadores de hoje podem ser muito bem os condenados de amanhã. E isso amedronta. Porém, tudo entra na conta e haverá vigilância cerrada. Por conta disso, a condenação é um duro golpe nas pretensões governistas. O líder do DEM, Efraim Filho (PB), defendeu a condenação. Como, então, ele vai votar para impedir que Michel Temer vire réu no Supremo? Não teria lógica.

Da mesma forma, com Lula condenado, cai por terra a possibilidade de campanha para cobrar eleições diretas. O petista é o favorito de forma disparada para a disputa da Presidência da República. Sem acusações, ele ganharia com um pé nas costas de todos os outros candidatos juntos. Mas condenado, a coisa muda de figura. Como convencer o cidadão médio de que a manobra não é para dar uma couraça protetora ao petista para evitar a cadeia? O juiz Sérgio Moro não determinou, na sua sentença, a prisão imediata do petista. Isso abre a possibilidade para que ele recorra em liberdade e até faça campanha pelo país afora. Agora, vamos combinar… bota o pé na estrada com um tantinho a menos de brilho junto à militância.

 

Lula é condenado a 9 anos e seis meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro

Petista é condenado por crime de corrupção e lavagem de dinheiro

O ex-presidente Lula é réu em outros quatro processos decorrentes da operação Lava Jato. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi condenado nesta quinta-feira (12) pelo juiz federal Sérgio Moro a 9 anos e seis meses de prisão. Ele é acusado de ter recebido R$ 3,7 milhões de propinas da OAS, no caso envolvendo a compra do tríplex do Guarujá. O magistrado enquadrou o petista nos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Essa é a primeira condenação do ex-presidente nos casos relacionados à operação Lava Jato. Lula tem 71 anos de idade. O dinheiro apontado como alvo de propina, segundo Moro, fazia parte de um montante de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012.

“Entre os crimes de corrupção e de lavagem, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a nove anos e seis meses de reclusão, que reputo definitivas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, explicou Moro. O magistrado entendeu como procedente a acusação feita pelos procuradores da República de que a suposta propina foi paga para a ampliação e montagem do tríplex 164-A, no Edifício Solaris, no Guarujá (SP). O presidente foi absolvido no caso do custeio do armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016, em empresa especializada. O ex-presidente responde como réu em outro processo aberto por Moro e ainda um na Justiça Federal, no Distrito Federal.

Neste processo, o juiz Sérgio Moro não decretou o cumprimento imediato da prisão. Cabe recurso, no entanto, para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede do Rio Grande do Sul. “Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade”, diz a sentença.

Moro completa: “Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece, enfim, o ditado “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você” (uma adaptação livre de “be you never so high the law is above you”)”.

O magistrado entendeu que Lula teria praticado 3 vezes corrupção passiva entre 11 de outubro de 2006 a 23 de janeiro de 2012. As reformas no tríplex teriam sido usadas para disfarçar o crime. Nesse mesmo negócio, o petista foi condenado por 3 vezes ter praticado crime de lavagem de dinheiro entre 8 de outubro de 2009 até 2017.

Delação

O juiz Sérgio Moro considerou, também, para a condenação a confissão do empresário Léo Pinheiro. Ex-presidente da OAS afirmou categoricamente ao magistrado que “o apartamento era do presidente”. “O apartamento era do presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop já foi me dito que era do presidente Lula e sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, afirmou o empreiteiro durante depoimento colhido em Curitiba.

O Edifício Solaris era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados – eles protestam na Justiça que a empreiteira cobrou valores muito acima do previso contratualmente. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.

Líder de organização

Esta foi a primeira condenação do ex-presidente depois de uma série de denúncias protocoladas pelo Ministério Público Federal. O juiz procurador da República, Deltan Dallagnol, foi lavo de várias críticas por ter acusado o ex-presidente de “líder máximo” do esquema sistematizado de corrupção descoberto na Petrobrás.

No “confronto” Lula x Moro, apoiadores e adversários comemoram

Audiência protagonizou embate entre ex-presidente e magistrado

Lula durante depoimento em Curitiba. Imagem: reprodução

O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao juiz Sérgio Moro não fugiu ao esperado. O magistrado, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, cumpriu o seu papel. Questionou, confrontou informações e impôs algumas “saias justas” para o petista. Lula, por sua vez, seguiu o script. Respondeu, usou de retórica eleitoral peculiar aos políticos e conseguiu, em alguns pontos, impor “saias justas” a magistrados e procuradores. A ex-primeira-dama, Marisa Letícia, falecida no início do ano, foi personagem constante em acusações e respostas que não poderão ser confrontadas.

Em vários momentos, a defesa orientou o ex-presidente a não se pronunciar porque as perguntas não eram objeto do processo. Um exemplo disso foram declarações de Lula a respeito do Mensalão, em 2005, ação da qual ele não foi arrolado como parte. Outra disse respeito ao sítio de Atibaia, também atribuído ao petista por meio de suposta propina. Lula disse ser perseguido pela imprensa e pelo Ministério Público Federal. Em alguns momentos, demonstrou irritação os procuradores da república e enfatizou o fato de eles serem jovens e cobrou respeito.

Procuradores

“Estou sendo julgado por causa de um powerpoint mentiroso”, disse Lula. “O dr. (Deltan) Dallagnol deveria estar aqui para explicar aquele famoso powerpoint. Aquilo é uma caçamba, onde cabe tudo”, acrescentou o ex-presidente. “No embate com Moro, Lula alegou que está sendo julgado com base no que a imprensa publica ou não. E o magistrado alegou que “a imprensa não tem qualquer papel no julgamento desse processo. Ao que o ex-presidente respondeu: “O vazamento de conversas minhas, da minha mulher e dos meus filhos, foi o senhor que autorizou”.

 

O ex-presidente abusou do uso do “não sei” e de atribuir a “dona Marisa” o desejo de investir. A maioria das vezes em que ela teria agido para comprar o tríplex teria sido à revelia da avaliação de Lula. O petista disse que botou 500 defeitos no apartamento do Guarujá, garantindo que não serviria para ele. Moro quis saber detalhes das visitas e recebeu respostas evasivas. O magistrado também não conseguiu apresentar nenhum documento assinado pelo presidente ou por sua mulher que sinalizasse especificamente a compra do imóvel.

Duque

Lula demonstrou insegurança também em relação a Renato Duque, que foi indicado pelo PT para a diretoria da Petrobras. Questionado, ele admitiu ter se encontrado com o ex-dirigente e atual delator para saber se eram verdadeiras as acusações de recebimento de propina. Disse ter ouvido do ex-funcionário da Petrobras que não tinha contas no exterior. Disse ter procurado ele por ser indicação do PT, mas não admitiu, sem relutância, ter questionado Vaccari Neto, também acusado. O ex-tesoureiro do PT é acusado de ter cobrado propina para financiar campanhas do PT.

Em vários momentos, Lula buscou confrontar os investigadores. A atuação do Ministério Público, que o aponta como “líder da quadrilha que saqueou a Petrobras”, foi bastante criticada. “Como eles [procuradores] contaram uma primeira inverdade, eles vão morrer contando inverdade, porque ficaram prisioneiros da imprensa”, disse o ex-presidente. E não deixou, por isso, de se apresentar como vítima: “Eu tenho 71 anos de idade, 5 filhos e oito netos, e tenho netos de 4 anos de idade, de 5 anos de idade, que sofrem bullying na escola por conta de mentiras.”

Facebook

O ex-presidente usou o depoimento como primeiro passo para o ato político realizado em seguida. Todos os vídeos do depoimento foram disponibilizados no perfil de Lula no Facebook. Ele foi recebido por uma militância numerosa em Curitiba, onde houve um ato político com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Houve discursos com palavras de ordem e críticas às investigações da operação Lava Jato. O grande mote do ex-presidente durante todo o processo foi dizer, assim como no caso do Mensalão, que ele não sabia de nada.

Sobre os crimes apontados, Lula chegou a confrontar Moro. Disse que ele deveria saber mais do que ele, já que soltou Alberto Yousseff, condenado no caso Banestado. O mesmo Yousseff, solto, teve participação ativa nos escândalos da Petrobras.

 

Lula x Moro: relembre as cinco ações penais que pesam contra o ex-presidente

Ex-gestor é réu em cinco ações penais na primeira instância

Lula será ouvido nesta quarta por Sérgio Moro. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará frente a frente com o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, nesta quarta-feira (10). O clima, o que não é o desejável, é de guerra, com policiais fortemente armados. Tudo por que a militância ligada ao ex-gestor estará por lá para protestar e há o grupo simpático à operação Lava Jato ao lado de Moro. As imagens divulgadas mostram a chegada de policiais que vão ocupar as ruas. O depoimento do petista está marcado para acontecer às 14h, no prédio da Justiça Federal em Curitiba. Lula é o último ouvido em uma série de sabatinas relacionadas ao processo relativo ao tríplex do Guarujá, no litoral de São Paulo, além do armazenamento de bens do ex-presidente em um depósito pago pela empreiteira. LEIA MAIS

Se a Lava Jato se portar como Partido da Justiça, sairá derrotada

Brasília – O juiz federal Sérgio Moro participa da palestra Democracia, Corrupção e Justiça: diálogos para um país melhor, no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), campus Asa Norte (José Cruz/Agência Brasil)

O clima de acirramento previsto para o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira (9), beneficia apenas o político petista. O magistrado já percebeu isso e gravou vídeo com pedido para que os defensores da operação não saiam às ruas. O temor dele é tem procedência. A operação foi tirada do papel, inicialmente, para investigar um esquema que se mostrou gigantesco. Era inimaginável que as investigações levassem para a cadeia alguns dos maiores empresários do país. E no primeiro momento foi sábia a decisão de jogar para a galera em busca de apoio. A operação conseguiu apoiadores que passaram a venerar juízes e procuradores. A estratégia falha quando o alvo é o segmento político. Eles são especialistas em jogar neste campo movediço.

Enquanto os grandes empresários podem mobilizar bons advogados, os políticos têm como acionar a militância. Não todos os políticos, diga-se de passagem. Os petistas José Dirceu, João Vaccari Neto e Delcídio do Amaral despertam perplexidade, mas não paixões. Este não é o caso de Lula. O ex-presidente é capaz de encher Curitiba, no Paraná, de militantes pedindo que ele não seja condenado. Remédios como as prisões preventivas pouco justificadas que embalaram as prisões anteriores não servem para ele. O juiz Sérgio Moro precisará fundamentar muito bem as condenações em cada um dos processos que tramitam contra o ex-gestor.

Lula tem usado declarações do Ministério Público para se defender junto aos eleitores. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O clima de acirramento foi criado, principalmente, pelo procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador das investigações. O PowerPoint com setas apontando para o ex-presidente para justificar a condição de líder da quadrilha que saqueou o país, mas sem provas, pegou mal. Desde então, o órgão é cobrado para que comprove as suspeitas. Resultado, no fim de semana que antecedeu o depoimento previsto para esta quarta-feira (10), duas revistas nacionais trouxeram na capa imagens contraponto Lula e Sérgio Moro. Preocupado, o magistrado pediu em vídeo que os apoiadores da Lava Jato não compareçam às ruas de Curitiba no dia do julgamento. Ele teme confronto com os apoiadores de Lula e lembra que não é parte no processo, mas juiz.

A ida dos apoiadores para as ruas faz parte da estratégia petista. A meta é deixar claro que haverá confronto em caso de prisão. A prática, por si, é condenável, mesmo obedecendo o abecedário político. Ela soa como arbitrária e ditatorial. Afinal, as instituições precisam funcionar. A decisão do juiz Sérgio Moro, por outro lado, precisa ser técnica. Não tem nada que juiz sair por aí em busca de apoio popular. Assim sendo, demonstra parcialidade e contamina a operação. Logo agora que ela se aproxima tanto das lideranças peemedebistas e tucanas e, por isso, ganha adversários poderosos na própria Justiça. Se a Lava Jato não corrigir o curso, vai afundar num campo movediço onde os políticos são acostumados a deslizar.

 

Presidente do PT diz que Ministério Público tem obsessão por Lula

Lula com Dilma durante solenidade em Monteiro. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O presidente do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, Charliton Machado, reagiu nesta quinta-feira (23) à abertura da investigação do Ministério Público Federal para apurar suposto crime eleitoral praticado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Monteiro, no último domingo (19). Na oportunidade, o ex-gestor participou da “Inauguração Popular da Transposição”. Para o dirigente partidário, a medida mostra apenas que a Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) tem obsessão pelo ex-presidente.

“Eu vejo uma profunda obsessão política do Ministério Público e de setores da Justiça com o presidente Lula. Daqui a pouco, vão proibi-lo de andar pelo Brasil, porque se o presidente andar, vão ocorrer atos e declarações de voto. Isso é impossível de não acontecer. Um evento que você tem 100 mil pessoas e recebe uma pessoa como o presidente Lula, será impossível não ter manifestação de Lula 2018“, ressaltou Machado, que relativizou os discursos dos petistas com referências à disputa eleitoral.

“O próprio Lula chegou a dizer que não sabe nem se estará vivo em 2018”, acrescentou Charliton Machado, que prevê uma grande movimentação e mais manifestações de apoio ao ex-presidente durante o ato programado para acontecer no dia 31 deste mês, na Avenida Paulista, em São Paulo, que também contará com a presença de Lula. Para dar início à apuração, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) na Paraíba instaurou de ofício procedimento e coletou áudios e imagens do evento realizado em Monteiro.

Cassação de registro

O material foi reunido e encaminhado à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE), em Brasília, em virtude da atribuição para a análise ser da PGE. Em caso de condenação, poderá ser aplicada multa e, dependendo do caso, quando iniciado o processo eleitoral, em 2018, poderá haver representação por abuso de poder econômico com cassação de registro, mesmo por fatos cometidos em 2017. “A PRE na Paraíba está vigilante a todos os casos”, alertou o procurador regional eleitoral, Marcos Queiroga.

Durante o evento, o ex-presidente Lula fez referência à disputa eleitoral de 2018, dizendo que “queira Deus” que ele não seja candidato, porque se for, será para vencer as eleições. As referências a 2018 foram feitas também por outros políticos presentes, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Todos cobraram a paternidade das obras da transposição, atribuída a Lula.

Em relação à investigação, Charliton Machado apontou dois pesos e duas medidas na avaliação da Procuradoria Regional Eleitoral, em 2016. “Vimos ao longo da campanhacrimes que saltaram aos olhos e o Ministério Público Federal perdeu a oportunidade de apurar”, criticou. “O MPF tem que arranjar algo mais substantivo para se preocupar”, acrescentou o dirigente petista.

 

 

MPF investiga se houve crime eleitoral em evento com Lula e Dilma em Monteiro

“Inauguração Popular da Transposição” foi marcada por referências á disputa eleitoral de 2018. Foto: Suetoni Souto Maior

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) na Paraíba instaurou de ofício procedimento para investigar possível irregularidade eleitoral no evento “inauguração popular” de trecho da transposição das águas do rio São Francisco, ocorrido no domingo (19), em Monteiro (PB). O procedimento instaurado originou a Notícia de Fato nº 1.24.000.000524/2017-60. O evento contou com a participação dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, e foi marcado por uma espécie de lançamento informal da campanha presidencial do ex-presidente petista.

O material foi reunido e encaminhado à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE), em Brasília, em virtude da atribuição para a análise ser da PGE. Em caso de condenação, poderá ser aplicada multa e, dependendo do caso, quando iniciado o processo eleitoral, em 2018, poderá haver representação por abuso de poder econômico com cassação de registro, mesmo por fatos cometidos em 2017. “A PRE na Paraíba está vigilante a todos os casos”, alertou o procurador regional eleitoral, Marcos Queiroga.

Durante o evento, o ex-presidente Lula fez referência à disputa eleitoral de 2018, dizendo que “queira Deus” que ele não seja candidato, porque se for, será para vencer as eleições. As referências a 2018 foram feitas também por outros políticos presentes, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Todos cobraram a paternidade das obras da transposição, atribuída a Lula.

Gervásio Maia foi ‘o patinho feio’ do ato pela transposição

Barrado no baile: Dilma, Ricardo e Lula conversam animadamente enquanto são observados por Gervásio Maia. Foto: Francisco França/Secom-PB

Passado um dia do ato que foi tratado por petistas e socialistas como a “Inauguração Popular da Transposição“, o comentário reinante nas rodas políticas é o de que o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), foi reprovado no “teste político” bancado pelo novo partido. Aparentando constrangimento e falta de atenção em praticamente toda a agenda política, ainda foi vaiado e chamado de golpista durante discurso no palanque, ao lado dos ex-presidentes Lula e Dilma, ambos do PT, e do governador Ricardo Coutinho (PSB). O parlamentar tenta a indicação do partido para a disputa das eleições no ano que vem.

O desempenho de Gervásio Maia, após um discurso fraco de conteúdo e que chegou a ser vaiado pela militância, foi colocado pelos socialistas que acompanhavam o evento como constrangedor e que pesará contra o parlamentar na corrida pela indicação para a disputa do governo. Ele foi menos festejado que o secretário de Infraestrutura do Estado, João Azevedo, que se não foi aplaudido efusivamente, também não não foi hostilizado pelo público. De vários aliados de Ricardo que acompanhavam o evento, o comentário corrente foi o de que Maia demonstrou grande inabilidade para desfilar com desenvoltura entre socialistas e petistas, desempenho ainda atrapalhado pelo fato de ser mais identificado como peemedebista que como filiado ao PSB. Literalmente, foi abarcado pela fábula do “Patinho feio”.

Gervásio Maia se filiou ao PSB em março do ano passado, dentro de um processo de desgaste na briga do parlamentar para levar o PMDB para a base de Ricardo Coutinho. Durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), iniciado em maio do ano passado e finalizado três meses depois, foi criticado pela postura neutra, o que foi visto como resquício de sua militância peemedebista. Maia concorre dentro do partido pela indicação para a disputa da sucessão de Ricardo Coutinho com lideranças como a deputada estadual Estela Bezerra e o secretário João Azevedo. Pelo que se viu no evento deste domingo, começou muito mal e dando vexame no primeiro teste público.

Curtas: histórias de amor e saias justas durante ato pela transposição

Durante a “Inauguração Popular da Transposição”, em Monteiro, neste domingo (19), algumas histórias chamaram a atenção pela beleza da narrativa de pessoas que realmente se moveram de outras cidades por respeito e admiração ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também por muitas gafes ou saias justas. Vamos elas:

“Golpista, golpista…”

Gervásio Maia cumprimenta Dilma Rousseff. Foto: Divulgação/ALPB

Não adiantou o presidente da Assembleia Legislativa, Gervásio Maia (PSB), posar para fotos e andar ao lado dos ex-presidentes Lula e Dilma, ambos do PT, do Aeroporto João Suassuna, em Campina Grande, e no ato, em Monteiro. Escalado entre as autoridades para discursar, ele recebeu uma sonora vaia e foi recepcionado aos gritos de “golpista, golpista…” ao pegar o microfone para falar. Neófito entre os socialistas, o deputado começou sua fala chamando Dilma de presidente (e não de presidenta), mas o que pesou contra ele mesmo foi o longo histórico de militância peemedebista.

Jeová, de “organizador” a expulso 1

Quem acompanha o dia a dia da Assembleia Legislativa está acostumado a ver o deputado estadual Jeová Campos (PSB) se desdobrar na luta pela transposição. Pois bem, coube a ele também a mobilização para que houvesse uma sessão, mesmo que informal, para agraciar Lula e Dilma com a medalha Epitácio Pessoa, a mais importante comenda concedida pela Assembleia Legislativa. Apesar disso, o parlamentar foi “convidado” a descer do palanque para dar lugar a pessoas que, segundo ele, conseguiram credenciais “sabe-se lá como”…

Jeová, de “organizador” a expulso 2

Jeová Campos, de branco, ao lado de Lula, pouco antes de ser expulso do palco. Foto: Divulgação/ALPB

… o episódio foi descrito assim pela assessoria do deputado: “Quanto ao palco, algumas autoridades tiveram que descer para dar lugar a ilustres desconhecidos que conseguiram credenciais ‘pulseiras vermelhas’ sabe-se lá como. O deputado Jeová Campos foi um dos convidados a descer do palco. Como o parlamentar não liga para essas distinções e regalias do poder e até já tinha combinado com seu filho Vitor Campos ver o comício de Lula junto do povo, na Praça, para colher impressões dos populares, apenas concordou com a interlocutora que o interpelou com a inusitada solicitação e desceu as escadas do palco satisfeito e com o sorriso que lhe é peculiar”.

João Henrique, “o penetra”

João Henrique, apesar de adversário, posa para fotos com Lula. Foto: Divulgação

A prefeita de Monteiro, Ana Lorena (DEM), não foi convidada para participar da “Inauguração Popular da Transposição”. Isso pegou mal, mas acabou digerido por quase todos os aliados da prefeita. O deputado estadual João Henrique (DEM) era convidado natural, por ser parlamentar, mas não era esperado na solenidade por ser de oposição. Pois ele apareceu, bateu de frente com a segurança e entrou. De quebra, fez fotos com o ex-presidente Lula, como se não estivessem separados pela barreira partidária. João Henrique esteve no evento de inauguração das obras da transposição, no dia 10 de março, ao lado do presidente Michel Temer (PMDB) e do senador Cássio Cunha Lima (PSDB). A postura foi correta.

Eleitora apaixonada

Josefa Alencar tentava tirar uma foto com Lula durante o evento. Foto: Suetoni Souto Maior

Josefa Alencar, moradora de Sumé, era uma das eleitoras fiéis de Lula que foram ao evento, em Monteiro. Em conversa com o blog, ela se disse uma daquelas pessoas que não tinham direito a se alimentar três vezes ao dia antes do governo petista e tudo mudou depois disso. Atualmente trabalha como auxiliar de serviços gerais na cidade. Foi ao evento com a mãe e exibiu cartaz no qual pedia ao ex-presidente que tirasse uma foto com ela. Registro feito.

Quem pagou a conta?

Palco montado para o ato em Monteiro. Foto: Suetoni Souto Maior

Até agora ninguém sabe dizer quem pagou a conta pela estrutura montada para receber Lula. O secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, encaminhou resposta: “À exceção, como já havia dito, da logística de segurança, imprescindível para um público daquele porte, o governo do Estado não arcou com absolutamente nada. O governador Ricardo Coutinho participou de um visita a trecho da obra de Transposição e em seguida de um ato público de celebração das águas do São Francisco, tendo recebido institucionalmente chefes e ex-chefes de Estado”.

Sai Chico Buarque, entra o César e as críticas

As pessoas esperavam que o cantor e compositor Chico Buarque estivesse no evento, assim como o prometido por vários petistas. Mas não deu. Quem cantou para a multidão que assistiu ao espetáculo foi Chico César, paraibano de Catolé do Rocha e aliado de Ricardo Coutinho. Na cidade, vários moradores reclamaram. Queriam Flávio José cantando o “Hino da transposição”. “Poderiam ter escolhido um artista aqui da terra”, criticou um dos moradores.