Manoel Júnior diz que busca o diálogo no MDB, mas não sabe falar javanês

Vice-prefeito se preocupa com movimentação de José Maranhão e vai cobrar adesão a Cartaxo

Manoel Júnior na mesa com Raimundo Lira, Michel Temer, José Maranhão e Moreira Franco. Foto: Francisco França

O vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (MDB), vive uma saia justa sem tamanho entre os seus aliados. Ele defende que o partido feche questão em relação ao apoio ao prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Caso o gestor decida se desincompatibilizar do cargo em abril deste ano para disputar o governo, ele assume a titularidade da prefeitura. O problema é que o senador José Maranhão, que preside o partido no Estado, também quer disputar o governo. O projeto do emedebista põe em risco a candidatura de Cartaxo e, consequentemente, a posse de Manoel Júnior no cargo. Por isso, Júnior convocou reunião do diretório municipal para quarta-feira (10).

“Tenho tentado o diálogo (dentro do partido). Só não entendo javanês”, disse Manoel Júnior, com referência indireta ao conto de Lima Barreto, escrito no início do século passado, “O homem que falava javanês”. A sentença é comumente utilizada na política para se referir à falta de entendimento entre os integrantes de um grupo. O vice-prefeito, assim como Cartaxo, cobra uma definição rápida do partido sobre o apoio para as eleições deste ano. O tema tem sido o combustível para um intenso debate entre as lideranças partidárias, travado na imprensa.

O senador José Maranhão entende que tem condições de vencer as eleições ou, pelo menos, apresentar uma candidatura competitiva. Ele traz no bojo da experiência partidária o fato de ter governado o Estado em três oportunidades. Os seus adversários, dentro do partido, lembram da baixa efetividade dele nas disputas. O parlamentar assumiu o governo, em 1995, após a morte do titular do cargo, Antonio Mariz. Ele foi reeleito em 1998 contra o então deputado federal Gilvan Freire. Depois disso, foi derrotado em 2006 e 2010 na disputa para o governo. Assumiu em 2009 com a cassação de Cássio Cunha Lima (PSDB). Em 2012, ficou em quarto lugar na disputa pela prefeitura da capital.

“Não adianta ter recall na largada e perder força na chegada”, disse em reserva um emedebista ouvido pelo blog. E a discussão está apenas começando.

 

 

Na CBN, Maranhão diz que “não existe aliança das oposições” na Paraíba

Virtual candidato ao governo, senador diz que “casamento com Cartaxo” acabou na eleição passada

Senador diz que será candidato ao governo nas eleições deste ano e não abre mão da disputa. Foto: Suetoni Souto Maior

O senador José Maranhão (MDB) jogou por terra, nesta quarta-feira (3), a tese de aliança das oposições na Paraíba. Segundo o parlamentar, virtual candidato ao governo, o agrupamento que existiu foi para o pleito de 2016. “Este casamento já foi feito. Agora estamos na fase do divórcio”, ressaltou o emedebista, durante entrevista à jornalista Michelle Sousa, na CBN João Pessoa. O casamento referido pelo parlamentar foi a aliança que resultou na reeleição do prefeito Luciano Cartaxo (PSD). O gestor foi reconduzido ao cargo no pleito passado tendo o emedebista Manoel Júnior na condição de vice.

O parlamentar, inclusive, demonstrou desconforto com as cobranças que diz estar recebendo. “Poderemos até apoiar, mas não aceito essa obrigação”, disse José Maranhão, sem especificar de onde tem vindo a pressão. “A aliança foi para Luciano Cartaxo se reeleger prefeito. Não temos compromisso para elegê-lo governador, presidente e nem papa”, ironizou. Ele também cobra reciprocidade, dizendo que chegou a hora, na verdade, da retribuição. “(Luciano Cartaxo) Não pode apoiar o PMDB também não?”, destacou o parlamentar.

Momentos antes, ao ser questionado se teria o apoio de Manoel Júnior, caso seja candidato ao governo, Maranhão foi evasivo. Júnior assumirá a prefeitura de João Pessoa caso Cartaxo decida disputar o governo. Neste cenário, o prefeito teria que se desincompatibilizar do cargo até o dia 7 de abril, seis meses antes das eleições. Neste caso, o parlamentar disse que não seria estratégico responder à pergunta, para não colocar o correligionário em saia justa. Em outro momento, vale ressaltar, ele lembrou que em 2014 Manoel Júnior apoiou a candidatura do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e não a do seu partido.

Cartaxo terá que devolver R$ 628,65 mil ao Fundeb, recomenda TCE-PB

Por Angélica Nunes

 

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), terá que devolver R$ R$ 628,65 mil ao Fundo de Desenvolvimento da Educação (Fundeb) devido à utilização do recurso para finalidades diversas das que são previstas. A determinação do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) foi publicada no Diário Oficial do órgão desta terça-feira (26) e se refere ao exercício 2012, quando a capital era administrada pelo ex-prefeito Luciano Agra, já falecido.

A devolução do recurso deverá ser feita no prazo de 60 dias, a contar da data da publicação do acórdão, mas o TCE abriu a possibilidade de parcelamento do débito, caso seja solicitado e sejam cumpridos os requisitos para isto.

Ao analisar a prestação de contas do ano 2012, o TCE detectou também incompatibilidade não justificada entre os demonstrativos, inclusive contábeis, quanto à divergência entre o valor do saldo final (2011) e saldo inicial (2012), no valor de R$ 6,74 milhões, além de registros contábeis incorretos sobre fatos relevantes, implicando na inconsistência dos demonstrativos contábeis, no montante de R$ 26,15 milhões, relativo a Precatórios, Ativo Permanente da Câmara Municipal e em relação ao saldo de Realizável no Balanço Financeiro e R$ 84,80 milhões pertinente ao registro dos Restos a Pagar, entre o que consta no RREO e no SAGRES.

Na lista de irregularidades também constam a omissão de valores da dívida fundada, no que tange a precatórios previdenciárias ao INSS, Energisa e Cagepa, no montante de R$ 130,41 milhões; realização de despesas consideradas não autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimônio público, ilegais e/ou ilegítimas, quanto ao pagamento de parcelamento de dívida previdenciária assumida pela Câmara Municipal, no montante de R$ 118 mil; dentre outros.

Cartaxo anuncia incentivos fiscais para o Polo Turístico do Cabo Branco

Área é tratada como prioridade pelo governador Ricardo Coutinho, adversário do prefeito

Luciano Cartaxo assinou documentos que disciplinam a redução dos impostos para empresas que se instalem no Polo Turístico Cabo Branco. Foto: Herbert Araújo/CBN João Pessoa

A prefeitura de João Pessoa vai dar incentivos fiscais para empresas interessadas em se instalar no Polo Turístico Cabo Branco. O complexo ganhou novos atrativos, recentemente, com a criação do Distrito Industrial do Turismo da Capital paraibana. O prefeito Luciano Cartaxo (PSD) anunciou a redução do Imposto Sobre Serviços municipais (ISS) de 5% para 2% para novos empreendimentos na região. A medida traça uma curiosa linha de “aproximação” administrativa da prefeitura com o Estado. Lógico que isso será visto como provocação no bunker socialista. Afinal, Cartaxo é adversário e esteve no centro da polêmica em relação à instalação do Home Center Ferreira Costa, nesta semana.

O incentivo fiscal adotado em relação ao turismo segue o exemplo do que foi feito com empresas ligadas ao setor de tecnologia e à instalação de call centers. “Como nunca havia sido feito, a Prefeitura está honrando a sua parte, concedendo incentivos fiscais para o Polo Turístico. João Pessoa é hoje uma cidade vocacionada para a atração de novos negócios, reconhecida como a segunda melhor cidade para se investir no Nordeste”, ressaltou Cartaxo, durante solenidade ocorrida na manhã desta sexta-feira (15), no Centro Administrativo Municipal de João Pessoa.

De acordo com fontes da prefeitura, ouvidas pelo blog, já há empresas interessadas em se instalar no local. O Polo Turístico do Cabo Branco é um sonho acalentado pelos pessoenses desde o governo de Tarcísio Burity, na década de 1980. De lá para cá, o espaço, dominado por grupos que não investiram como o prometido, foi relegado às traças. O governador Ricardo Coutinho (PSB) publicou editais de convocação e fez a retomada de áreas ocupadas ilegalmente. A perspectiva é que o destravamento propicie maiores investimentos na área.

O projeto prevê a instalação de hotéis e diversos serviços voltados para o segmento turístico na região. A área localizada no Litoral Sul da capital já abriga um importante empreendimento, o Centro de Convenções. O polo, atualmente, é administrado pela Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep). A medida foi possível com base no decreto n° 37.192 de 2016, assinado pelo governador Ricardo Coutinho. A medida, naquele momento, vistou dar maior celeridade à efetivação do projeto. Falta agora um diálogo entre o prefeito e o governador sobre outras formas de cooperação.

 

No embate com Ricardo, Cartaxo anuncia fim do imbróglio com a Ferreira Costa

Prefeito rechaça acusação de que estaria criando obstáculo à instalação de home center

Luciano Cartaxo participou de reunião com empresários da Ferreira Costa. Foto: Andréa Santana\CBN João Pessoa

O imbróglio em relação à construção do Home Center Ferreira Costa parece estar perto de uma solução. Este, pelo menos, foi o tom dado pelo prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), em nota divulgada na tarde desta quinta-feira (14). O gestor se reuniu com os representantes da empresa no mesmo dia em que o governador Ricardo Coutinho (PSB) promoveu reunião para “resolver a questão”. A construção do empreendimento, avaliado em R$ 120 milhões, foi embargada por decisão do município. A alegação foi a de que a empresa não tinha apresentado toda a documentação necessária para a obra.

A situação fomentou um embate puxado pelo governador. Ricardo convidou os empresários, o Ministério Público, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o prefeito para uma reunião. No encontro, sem a presença de Cartaxo, o governador questionou os motivos do embargo. O prefeito, por outro lado, disse não ter ido ao encontro por que o problema alegado pelo governador não existe. Para apimentar ainda mais a situação, acusou o socialista de tentar dar ordens da prefeitura. “Ele não entendeu ainda que a candidata apresentada por ele em 2016 foi derrotada”, ressaltou.

Confira a nota divulgada pela prefeitura:

Em reunião com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, representantes do Grupo Ferreira Costa se comprometeram, na tarde desta quinta-feira (14), em reapresentar o projeto construtivo para instalação de uma unidade na capital paraibana. Durante o encontro, a empresa garantiu que irá fornecer toda a documentação solicitada pela administração municipal, atendendo à legislação do município e do Comando da Aeronáutica (COMAER).

O diretor do grupo, Guilherme Ferreira Costa, reforçou o interesse da Prefeitura de João Pessoa em atrair o empreendimento, gerando 500 novos empregos. O Grupo garantiu que vai apresentar os documentos necessários para o projeto construtivo, em um dos terrenos, e também de compactação do solo em uma área anexa, que ainda depende da autorização do Comando da Aeronáutica para edificação, em função da proximidade do Aeroclube.

O prefeito Luciano Cartaxo disse que a Prefeitura de João Pessoa vem mantendo contato permanente com a empresa, sempre pautado pela criação de oportunidades e pelo cumprimento da legislação. “A nossa capital foi recentemente apontada como uma das melhores cidades para se investir no Nordeste, dispondo de um ambiente favorável para a atração de novos negócios. O nosso compromisso é com a geração de empregos, mas sempre seguindo o que prevê a lei”, pontuou, depois de lembrar que o município tem concedido novos incentivos fiscais e que vem batendo recorde com o maior programa de apoio ao empreendedorismo da história da cidade.

Reapresentação – A Prefeitura aguarda a reapresentação do projeto para o início efetivo das obras do novo empreendimento. “Diante da reapresentação, com a apresentação de todo detalhamento técnico, a Prefeitura fará a análise final, como acontece com qualquer empresa interessada em se instalar na cidade”, informou a secretária de planejamento Daniella Bandeira.

 

Ricardo Coutinho chama Cartaxo para discutir interesses do estado

Governador quer tratar sobre cassação de licença de empresa que se instalaria em João Pessoa

Ricardo Coutinho espera marcar o encontro para quinta-feira. Foto: José Marques/Secom-PB

O governador Ricardo Coutinho (PSB) decidiu entrar numa polêmica que até pouco vinha envolvendo apenas auxiliares graduados da gestão. Ele vai convidar o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), para uma reunião. O encontro deve ocorrer no Palácio da Redenção, na quinta-feira (14), às 10h. O socialista quer tratar sobre a cassação da licença expedida pela prefeitura de João Pessoa que autorizava a instalação da empresa Ferreira Costa Home Center. O empreendimento seria construído no bairro do Bessa, mas houve embargo da prefeitura.

O tema tem embalado os ataques de auxiliares do governador ao prefeito da capital. Eles alegam que a saída da empresa do Estado vai provocar a perda dos 500 postos de trabalho que seriam criados. Aponta a perda, também, de investimentos da ordem de R$ 120 milhões na capital. A Ferreira Costa tem 131 anos de existência e está entre as 14 empresas mais antigas de Pernambuco em funcionamento, pertencente à mesma família. O grupo também ocupa o 5º lugar no ranking nacional das lojas de material de construção e está há mais de 12 anos entre os 50 maiores contribuintes de ICMS do estado vizinho.

O governador informou que vai convidar também o Ministério Público da Paraíba, a Câmara de Dirigentes Lojistas e os representantes do Grupo Ferreira Costa. A Prefeitura de João Pessoa alegou que a obra foi embargada por causa da falta de licenças por parte da empresa. Coutinho diz que não sabe o que é o entrave, mas garantiu que ele não foi criado pelo governo. “Quero saber por que a licença que existia foi cassada”, questionou.

Procurada pelo blog, a assessoria do prefeito Luciano Cartaxo prometeu encaminhar resposta em breve.

 

Lei proíbe, mas não prevê punição caso Cagepa e Energisa negativem devedores

Artigos que previam punição para concessionárias foram vetados por Luciano Cartaxo

 

O prefeito Luciano Cartaxo vetou dos artigos do projeto aprovado pela Câmara. Foto: Divulgação/Secom-PB

A lei sancionada pelo prefeito Luciano Cartaxo (PSD) que proíbe a inclusão de devedores da Cagepa e da Energisa no SPC e no Serasa tem gerado muita polêmica, apesar da pouca eficácia da legislação. Simplesmente por que o texto final não prevê punição para o caso de descumprimento. O gestor, no momento da sanção, vetou os artigos 1° e 2°, que disciplinariam, respectivamente, as punições previstas no Código de Defesa do Consumidor e a entrada em vigor de forma imediata. Por conta disso, a lei entrará em vigor dentro de 45 dias e não há punição prevista em caso de descumprimento.

A sanção da lei foi comemorada pela vereadora Raíssa Lacerda (PSD) e contestada por Energisa e Cagepa. As duas empresas prometeram judicializar a questão. Os argumentos seguem no sentido da inconstitucionalidade da legislação. Isso porque a regulamentação do setor elétrico é feito por um órgão federal, no caso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Já o abastecimento de água e a relação com o cliente é regulada por uma agência estadual, a Agência de Regulamentação da Paraíba (ARPB).

A matéria motivou protestos de deputados governistas, que acusaram o prefeito Luciano Cartaxo de ter adotado uma medida eleitoreira. No sentido contrário, Raíssa ocupou todos os espaços para elogiar o prefeito. Alheio às discussões, os usuários dos serviços das duas empresas precisam ficar atentos. Se o nome deles seguir para os serviços de proteção ao crédito, não haverá como pedir punição para elas. Ou seja, melhor pagar em dia.

 

Cartaxo defende candidatura e quer nome de Campina Grande para vice

Já falando como postulante, pessedista disse que João Pessoa e Campina Grande precisam dar as mãos

Ruy, Cartaxo, Cássio e Romero posam para foto e planejam candidatura para 2018. Foto: Divulgação

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), se mostrou muito à vontade durante a Convenção Estadual do PSDB, neste sábado (11). O pessedista reafirmou o desejo de ser candidato ao governo no ano que vem e deixou clara a pretensão de ter um vice de Campina Grande na chapa. “Essa é uma chapa que não pode faltar, João Pessoa e Campina Grande têm que dar as mãos e, claro, trabalhar para toda a Paraíba”, disse o gestor, sem esconder a empolgação. Ele foi uma das lideranças da oposição que compareceram ao evento, a convite do presidente reeleito da sigla, Ruy Carneiro. O tucano trabalha para que os partidos que se opõem ao governador Ricardo Coutinho (PSB) companham uma chapa única.

Ao ser questionado sobre a unidade pretendida, Cartaxo disse ser este o melhor caminho para a Paraíba. “Formar uma chapa forte, competitiva, com um bom programa de governo para fazer a Paraíba avançar mais, preservar o que está sendo bem feito, melhorar o que precisa melhorar e fazer o novo, inovar, como nós temos feito aqui em João Pessoa”, ressaltou. “É este o desafio que está posto para todos nós, um projeto que vai além de um candidato, de um partido, de um grupo político, que possa preservar um sentimento de mudança que está presente aqui na Paraíba”, acrescentou o gestor. O discurso, vale ressaltar, ataca frontalmente o do governador Ricardo Coutinho, que defende a eleição do sucessor para manter “o modelo de gestão socialista”.

Cartaxo aproveitou ainda a entrevista para demonstrar empenho na tentativa de atrair o PSDB para a chapa majoritária do PSD. Ele alega que a composição de João Pessoa com Campina Grande, a base eleitoral do senador Cássio Cunha Lima e do prefeito Romero Rodrigues, dão o tom de uma união estadual. Ele alega que quando as duas cidades “dão as mãos, a Paraíba avança muito”. O ninho pessedista sonha com a presença de Romero na chapa, porém, outro nome que salta aos olhos é o do deputado federal Pedro Cunha Lima, filho de Cássio. Na composição, o PMDB teria vaga para a disputa do Senado e o nome da vez é a busca pela reeleição do senador Raimundo Lira. Cássio já deu declarações de que a sua prioridade é a disputa da reeleição.

Com informações de Josusmar Barbosa, do jornaldaparaiba.com.br

Luciano Cartaxo e o peso do sexto aumento de passagens em cinco anos

População viu de enfrentamento dos empresários ao aumento de 43% nas tarifas durante a gestão

Passagens passam a custar R$ 3,30, porém, se fosse aplicado o IPCA, o valor não superaria a casa dos R$ 2,98 em cinco anos. Foto: Francisco Fança

O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), vai enfrentar o desgaste de mais um reajuste no valor das passagens de ônibus a partir deste sábado (21). Vai ser o sexto num período compreendido entre os cinco anos da atual gestão. Os auxiliares do gestores poderão vir a público para dizer que o novo aumento foi combatido. E é verdade. A tarifa foi definida em R$ 3,20, contrariando o parecer do conselho tarifário. Ao recorrer à Justiça, os empresários conseguiram que o valor subisse para os R$ 3,30 previstos nos balancetes. Bom para os empresários, péssimo para a população. Por tabela, péssimo para o prefeito, já que em alguns meses começa a discussão sobre o novo aumento. E aumento, convenhamos, não tem sido uma palavra bem aceita pela população.

Mas o que dizer do valor das passagens? Temos visto os empresários reclamarem dos patamares atuais. Eles não cobririam os custos para garantir a renovação da frota. Ora, não precisa ser especialista para ver que os aumentos não têm refletivo na compra de mais ônibus ou ônibus novos. Pelo menos não na velocidade esperada. Um leitor enviou ao blog uma placa indicativa dentro de um ônibus destinada aos usuários de Fortaleza, no Ceará. O que sugere a reutilização de ônibus velhos. Enquanto isso, basta aplicar os índices de inflação para ver que os aumentos concedidos em João Pessoa superam os índices de reajuste do país. Quando Cartaxo assumiu o mantado o valor das passagens era R$ 2,20. Se for aplicada a correção pelo IPCA teríamos a elevação para R$ 2,98. Bem menos que os R$ 3,30.

A prefeitura recorreu da decisão do Tribunal de Justiça que determinou o respeito aos parâmetros definidos pelo Conselho Tarifário. Há recurso em tramitação no próprio TJPB e também no Superior Tribunal de Justiça (STF). Todos movidos pela gestão de Cartaxo. Caso haja decisão favorável ao pleito, os empresários serão obrigados a baixar o valor das passagens. Se isso ocorrer será bom para a imagem do gestor, que tentará a disputa do governo do Estado, no ano que vem. Caso contrário, ele terá que conviver com o desgaste de conceder, durante sua gestão, reajustes bem acima da inflação. O peso de tudo isso vai ser refletido no bolso do cidadão pessoense.

‘Briga’ entre Ricardo e Cartaxo faz a festa dos concurseiros

Governo e prefeitura de João Pessoa estão oferecendo 1.737 novas vagas a partir desta segunda

Ex-aliados: Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo seguem rota de colisão programada para 2018. Foto: Divulgação: Secom-PB

A disputa política entre o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), tem rendido boas notícias para os concurseiros. Ao todo, 1.150 vagas começam a ser oferecidas a partir desta segunda-feira (2). As primeiras vagas vêm da capital. O edital para a Controladoria-Geral do Município foi lançado e as inscrições já podem ser feitas. Há também vagas para Secretaria de Desenvolvimento Humano (Sedurb) e Instituto de Previdência do Município (IPM). E foi a construção do discurso de Cartaxo, com críticas ao governador, que municiou a seleção estadual.

O governador anunciou na semana passada mil vagas para a Educação. O anúncio foi feito logo depois de comunicada pelo governador a operação para contratar Organizações Sociais para a gestão compartilhada nas escolas. Logo surgiram informações de que os professores também seriam contratados através das empresas, tal qual os servidores de apoio. As críticas vindas da oposição, inclusive Cartaxo, se avolumaram. Logo depois, Ricardo Coutinho anunciou para um grupo de dirigentes da Associação dos Professores de Licenciatura Plena (APLP).

Da prefeitura estão sendo oferecidas para o concurso da Controladoria-Geral do Município 20 vagas e os salários chegam a R$ 5 mil. Esta é a única modalidade para a qual o edital já foi publicado. Já para a Sedurb, estão sendo oferecidas 70 vagas destinadas a candidatos de nível médio. Os salários oferecidos são de R$ 1,2 mil. Já para o IPM, são oferecidas 60 vagas, sendo 19 vagas para o nível superior, com salários de R$ 2.546,64; técnico de nível médio, com cinco vagas e salários de R$ 1.634,55, além de nível médio, com salários de R$ 1.410,00. A promessa é de que as provas sejam aplicadas ainda neste ano.

O prefeito também anunciou 587 vagas para a saúde, destinadas a profissionais de nível superior, médio e técnico. As vagas são destinadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruz das Armas, ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Especialidades, que está com obras. As portarias, revela o gestor, estão sendo encaminhadas à Câmara Municipal de João Pessoa, para que sejam autorizadas. A previsão é a de que as provas ocorram até janeiro do próximo ano. Os editais, ele revela, devem ser publicados ainda neste mês.

Já Ricardo Coutinho anunciou na semana passada a realização de concurso público para contratar mil professores. Serão contratados profissionais para Educação Básica 3, distribuídas para 12 disciplinas. Este é o terceiro concurso para professor realizado durante esta gestão, somando mais de 4 mil vagas para a categoria. Serão ofertadas 200 vagas para professor de Língua Portuguesa e 200 para Matemática; para professor de Geografia, História, Biologia e Química serão disponibilizadas 100 vagas em cada disciplina; além de 60 vagas para professor de Física; 40 para Língua Inglesa e a mesma quantidade para Educação Física; já para Sociologia, Filosofia e Artes estarão disponíveis 20 vagas para cada disciplina.

O edital para o concurso será publicado no dia 5 de outubro e as vagas serão distribuídas entre as 14 Gerências Regionais de Educação do Estado. As provas deverão ser aplicadas nos municípios sede de cada Gerência Regional, no mês de dezembro.